sábado, 7 de março de 2026

Cartéis? "Única forma de derrotar é libertando o poder dos exércitos"... O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incentivou hoje líderes da América Latina a recorrer às forças armadas para combater cartéis de droga e gangues transnacionais, que considera uma "ameaça inaceitável" à segurança no hemisfério ocidental.

Por LUSA 

Durante uma cimeira realizada na Florida, Trump defendeu que a cooperação militar entre os países da região é essencial para enfrentar o crime organizado, comparando o esforço ao da coligação internacional que combateu o grupo Estado Islâmico no Médio Oriente.

A única forma de derrotar estes inimigos é libertando o poder dos nossos exércitos", afirmou Trump. "Temos de usar os nossos militares. Vocês têm de usar os vossos militares"; referiu. E citando a coligação liderada pelos EUA que enfrentou o grupo Estado Islâmico no Médio Oriente, o presidente republicano disse: "Temos agora de fazer o mesmo para erradicar os cartéis em casa".

O encontro, que a Casa Branca designou como a cimeira "Escudo das Américas", ocorreu apenas dois meses depois de Trump ter ordenado uma operação militar norte-americana para capturar o então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e levá-lo, juntamente com a sua mulher, para os Estados Unidos para responder a acusações de conspiração ligada ao tráfico de droga.

Os líderes da Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Trinidad e Tobago juntaram-se ao presidente republicano no Trump National Doral Miami, um resort de golfe que também deverá acolher a cimeira do G20 ainda este ano.

A ideia de uma cimeira de conservadores com posições semelhantes em todo o hemisfério surgiu após o cancelamento da que seria a 10.ª edição da Cimeira das Américas, que acabou por ser suspensa durante o reforço militar dos Estados Unidos ao largo da costa da Venezuela no ano passado.

Trump afirmou também que "o epicentro da violência dos cartéis" está no México, acusando os grupos criminosos mexicanos de impulsionarem grande parte do derramamento de sangue e do caos no hemisfério. Ainda assim, descreveu a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, como "uma muito boa pessoa".

"Como parte do nosso compromisso para combater a presença dos cartéis na região, devemos reconhecer que o epicentro da violência dos cartéis é o México", declarou Trump, acrescentando que "os cartéis mexicanos estão a impulsionar muito derramamento de sangue e caos no hemisfério".

Segundo a Associated Press (AP), o tempo de Trump com os líderes latino-americanos foi limitado. Depois do encontro, partiu para a Base Aérea de Dover, no Delaware, para assistir à transferência solene dos restos mortais de seis militares norte-americanos mortos num ataque com drone contra um centro de comando no Kuwait, um dia depois de os Estados Unidos e Israel terem lançado a sua operação militar contra o Irão.

Ainda assim, com esta cimeira, Trump procurou virar as atenções para o hemisfério ocidental, pelo menos por um momento. O presidente prometeu reafirmar a predominância dos Estados Unidos na região e contrariar o que considera serem anos de crescente presença económica chinesa no "quintal" americano.

Trump afirmou também que os Estados Unidos irão voltar a concentrar-se em Cuba após a guerra com o Irão e sugeriu que a sua administração poderá chegar a um acordo com Havana, sublinhando a postura cada vez mais agressiva de Washington face à liderança comunista da ilha.

"Grandes mudanças chegarão em breve a Cuba", disse, acrescentando que "eles estão muito perto do fim da linha".


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