© REUTERS/Fayaz Aziz Por LUSA 05/05/2026
"Homens armados não identificados dispararam contra o veículo de Maulana Sheikh Muhammad Idris quando este se deslocava da sua casa para a madraça. Foi levado de urgência para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos", disse o porta-voz da polícia da cidade paquistanesa de Charsadda, Safi Ullah, citado pela agência de notícias espanhola EFE.
O ataque, no qual outros dois polícias ficaram feridos, aconteceu na província de Khyber Pakhtunkhwa, na fronteira com o Afeganistão.
Idris era um professor proeminente da madraça Darul Uloom Haqqania, conhecida como a Universidade da Jihad por ter formado grande parte da liderança talibã que agora governa o Afeganistão.
O porta-voz da polícia disse que o clérigo também "participou ativamente nos esforços de mediação entre o Paquistão e o Afeganistão em relação à questão do Tehreek-e-Taliban Pakistan" (TTP), tendo mesmo chegado a viajar para Cabul para negociar um acordo.
Frequentemente referido como talibãs paquistaneses, o TTP é uma aliança de grupos militantes islâmicos que opera principalmente na região fronteiriça entre o Paquistão e o Afeganistão.
Embora partilhem ideologias e laços históricos, o TTP distinguem-se dos talibãs afegãos, mas Islamabad acusa Cabul de permitir que o grupo utilize território afegão para planear ataques, uma tensão que aumentou em fevereiro passado, quando o Governo paquistanês declarou "guerra aberta" ao vizinho.
O porta-voz dos talibãs no Afeganistão, Zabihullah Mujahid, condenou veementemente o assassínio, classificando-o como um ato "dos inimigos do Islão e dos estudiosos".
"O martírio deste eminente estudioso e professor de milhares de líderes religiosos é uma perda imensa e irreparável para a academia, os estudiosos e o mundo islâmico", escreveu Mujahid nas redes sociais.
O clérigo era membro do Jamiat Ulema-e-Islam (JUI-F), um dos partidos político-religiosos mais influentes do Paquistão e um dos principais defensores da escola de pensamento Deobandi, a mesma professada pelos talibãs afegãos.
Embora nenhum grupo tenha reivindicado a autoria do ataque, os talibãs sugeriram que podia ser obra do Estado Islâmico do Khorasan (ISIS-K), o braço regional deste grupo extremista que opera sobretudo no Afeganistão e no Paquistão.
O jornal Arab News noticiou que publicações ligadas ao ISIS-K tinham emitido ameaças diretas contra Idris nos últimos meses pelo apoio explícito ao sistema político do Paquistão e ao chefe do exército, Asim Munir, um dos principais mediadores no conflito com o Irão.
"Que Alá destrua Trump! (...) Afirmo claramente que o atual governo, especialmente o nosso marechal de campo, tem feito esforços visíveis e, pela graça de Deus, estas guerras estão a chegar ao fim", disse Idris alguns dias antes, referindo-se a Munir.
O homicídio aconteceu num momento de maiores tensões na província de Khyber Pakhtunkhwa, palco de 70% dos mais de 5.300 incidentes terroristas registados no Paquistão em 2025, com atividades do TTP, ISIS-K e outros grupos não identificados.

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