© Reuters Por LUSA 29/03/2026
Num acórdão emitido no final da noite de sábado, o alto tribunal rejeitou o recurso de anulação do escrutínio apresentado pelo candidato presidencial da oposição, Uphrem Dave Mafoula, que denunciou irregularidades no processo eleitoral.
O tribunal argumentou a "ausência de provas diretas e decisivas" para concluir que "as irregularidades alegadas não estavam comprovadas por falta de provas".
No resultado final, Nguesso, de 82 anos, obteve 94,90% dos votos, face aos 94,82% anunciados em 17 deste mês pelo ministro do Interior e da Descentralização congolês, Raymond Zéphirin Mboulou.
O chefe de Estado garantiu assim um quinto mandato de cinco anos desde que chegou ao poder em 1997, após impor-se a seis candidatos da oposição.
Depois de ter governado durante mais de quatro décadas (em dois períodos não consecutivos), Nguesso mantém-se como o terceiro chefe de Estado em exercício há mais tempo no poder em África, depois do equato-guineense Teodoro Obiang e do camaronês Paul Biya, que governam desde 1979 e 1982, respetivamente.
Na segunda posição ficou Mabio Mavoungou, de 70 anos e presidente do partido Aliança, que obteve 1,40% dos votos (face aos 1,48% anteriormente anunciados), seguido de Mafoula, de 43 anos e presidente de Os Soberanistas, com 1,03% (sem alterações).
Os restantes candidatos obtiveram menos de 1% dos votos.
Dos 3,15 milhões de eleitores registados (numa população total de cerca de seis milhões de habitantes), pouco mais de 2,6 milhões votaram, o que representa uma taxa de participação de 84,99% (face aos 84,65% indicados pelo ministro), segundo o tribunal.
Tal como aconteceu nas eleições de 2021, o dia de votação foi marcado por um corte de internet a nível nacional, segundo confirmou o observatório global de internet NetBlocks.
O Presidente pôde candidatar-se às eleições graças à polémica reforma constitucional de 2015, que eliminou o limite de 70 anos de idade para um candidato presidencial e o máximo de dois mandatos presidenciais de cinco anos.
Apesar de várias tentativas de criar alianças, a oposição, afetada pela repressão e pelo controlo do partido no poder sobre todo o aparelho do Estado, não conseguiu unir-se em torno de um candidato capaz de desafiar o veterano chefe de Estado, considerado o grande favorito das eleições.
Além disso, os principais partidos da oposição com representação parlamentar optaram pelo boicote, por considerarem que não estavam reunidas as condições para eleições livres e justas neste país produtor de petróleo da África Central.
Apesar dessa riqueza, mais de 46% da população vive com menos de 2,15 dólares por dia, segundo dados das Nações Unidas.

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