Por LUSA
A guerra no Médio Oriente espalha-se e aprofunda-se, à medida que Telavive avança cada vez mais no Líbano e os europeus fogem dos vários países da região onde o Irão ataca locais com ligações aos seus países agressores.
Na capital iraniana, onde os poucos residentes que ainda não fugiram permanecem confinados às suas casas, será hoje realizado o funeral de Estado para Ali Khamenei, o líder supremo do país nos últimos 36 anos e que foi morto no ataque inicial dos Estados Unidos e Israel, realizado no sábado.
Funeral do líder supremo
O funeral de Ali Khamenei, que liderou o Irão durante 36 anos antes de ser morto no sábado em ataques aéreos israelitas e norte-americanos, terá início às 22:00 de hoje (18:30 em Lisboa) e vai durar três dias.
Ali Khamenei, que morreu aos 86 anos, será sepultado na cidade sagrada de Mashhad (nordeste), o seu local de nascimento.
O ministro da Defesa de Israel ameaçou hoje quem quer que o Irão escolha para ser o próximo líder supremo do país, dizendo que será "alvo de eliminação".
Israel atacou na terça-feira um edifício associado à Assembleia de Peritos do Irão, que vai escolher o novo líder supremo.
Mercados em alerta
Face ao cenário cada vez mais crítico no Médio Oriente, os mercados asiáticos caíram hoje a pique, com a bolsa de Seul a descer 12% e a suspender temporariamente as negociações, enquanto os preços do petróleo subiam, aguardando desenvolvimentos do estratégico Estreito de Ormuz.
O tráfego marítimo na região continua paralisado, e a Guarda Revolucionária, a força responsável pelas operações externas do Irão, afirmou ter o "controlo total" do estreito, por onde transitam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.
O preço do petróleo Brent subiu hoje mais de 2% na abertura, acumulando uma subida de mais de 12% nos últimos três dias de negociação.
O novo porta-voz e conselheiro sobre questões de segurança regional do Irão, Ebrahim Jabbari, prometeu "queimar qualquer navio" que tentasse atravessar o estreito, ao mesmo tempo que o conselheiro do 'ayatollah' Mohammad Mokhbar avisou que o Irão está preparado para "continuar a guerra durante o tempo que for preciso".
Destruição em grande escala
O Presidente dos Estados Unidos afirmou ter atingido, desde sábado, "quase 2.000 alvos" e "destruído tudo", além de reclamar que já matou a maioria das autoridades que estavam na sua mira.
Enquanto isso, o exército israelita também intensificou os seus ataques "em grande escala" contra "alvos do regime terrorista iraniano" e abateu um avião de guerra iraniano sobre a capital.
Entre os locais atingidos estavam centros de poder, como ministérios, tribunais e o quartel-general da Guarda Revolucionária Islâmica, mas também o Aeroporto Mehrabad de Teerão, que opera principalmente voos domésticos, e o histórico Palácio Golestan, uma das atrações turísticas da capital.
Avanço de Israel no Líbano
Israel também está a combater na frente libanesa, onde alargou o âmbito dos seus ataques, visando a área em redor do palácio presidencial, perto de Beirute, e noutras áreas a sul da capital, bem como bastiões do movimento xiita apoiado pelo Irão Hezbollah.
Em Hazmieh, um subúrbio cristão de Beirute junto ao palácio e a várias missões diplomáticas, imagens divulgadas pela agência de notícias francesa AFP mostraram o edifício de um hotel com quartos destruídos e feridos a receber assistência na receção.
O Líbano foi arrastado para a guerra regional na segunda-feira, depois de o movimento xiita ter lançado o seu primeiro ataque contra Israel, alegando que queria vingar a morte de Ali Khamenei.
No total, cerca de 60 pessoas foram mortas e mais de 58 mil foram deslocadas, segundo as autoridades libanesas.
Evacuações em Massa
Cerca de 9.000 norte-americanos abandonaram o Médio Oriente desde o início das hostilidades e vários países europeus -- como França, Alemanha e Reino Unido - organizaram voos para repatriar os seus cidadãos.
Milhares de voos foram cancelados e muitos turistas ficaram retidos.
Do lado iraniano, a organização humanitária Crescente Vermelho iraniano anunciou na terça-feira mais de 780 mortes desde o início da guerra, enquanto o Pentágono dá conta de seis militares norte-americanos mortos.
Em Israel, de acordo com os serviços de resgate, 10 pessoas morreram devido a ataques aéreos iranianos.
No início do ataque, Donald Trump pediu ao povo iraniano que derrubasse a República Islâmica, estabelecida em 1979.
O exército israelita afirmou ter atingido uma instalação militar subterrânea secreta pertencente ao programa nuclear iraniano, localizada na região de Teerão.
Irão mantém ataques no Golfo
Teerão continua os seus ataques contra alvos norte-americanos, particularmente nos países do Golfo, e contra alvos israelitas.
Estes ataques resultaram em nove mortes nas monarquias da região, incluindo a de uma menina de 11 anos morta na quarta-feira por destroços que caíram numa zona residencial do Kuwait.
Mísseis e foguetões iranianos também atingiram embaixadas norte-americanas e causaram danos e incêndios em locais icónicos como The Palm, a emblemática ilha artificial do Dubai.
Este é um grande golpe para estes destinos, considerados entre os mais seguros do Médio Oriente e que albergam infraestruturas energéticas vitais para a produção global de hidrocarbonetos.
Leia Também: Israel reivindica abate de avião e estima que Teerão mantém capacidades
O Exército israelita anunciou hoje ter abatido um caça iraniano Yak-130 sobre Teerão, acrescentando que o Irão ainda possui "capacidades significativas" para lançar mísseis contra Israel.


Sem comentários:
Enviar um comentário