© Getty Images Por LUSA 28/04/2026
A publicação 'online' especializada em investigações jornalísticas, verificação de factos e análise política, com uma equipa editorial espalhada pelo mundo, obteve este número com base em relatórios de ativistas dos direitos humanos e dados apresentados pelo país na ONU.
Outro relatório, apresentado pela organização não-governamental independente Algoritmo da Luz, situou em 2.284 o número de mulheres assassinadas por violência de género entre 2022 e 2023, sendo que 2.123 delas foram mortas pelos companheiros.
Segundo a ONG, os números mantiveram-se estacionários desde 2011, com um pico durante os anos da pandemia da covid-19 e consequentes confinamentos, quando sofreram um aumento de mais de 70%.
"As mulheres têm maior probabilidade de desistir das denúncias e menor probabilidade de as apresentar. Já não confiam no sistema. Temem que a divulgação do abuso leve ao assédio [da vítima]", disse a The Insider uma ativista que solicitou o anonimato.
O Governo russo censura e persegue organizações sem fins lucrativos e abrigos para vítimas que tentam sensibilizar a sociedade e a classe política para os maus-tratos às mulheres por parte dos maridos e familiares.
Os ativistas alertaram que o problema se agravou com a guerra russa na Ucrânia, iniciada com a invasão do país em fevereiro de 2022, uma vez que muitos combatentes voltam da frente ucraniana com transtornos pós-traumáticos que exteriorizam através da violência.
Além disso, muitos deles são agressores condenados que se livraram de cumprir penas de prisão, alistando-se no Exército russo e reincidiram depois nos mesmos crimes.
O jornal digital The Insider relatou numerosos casos de reincidência devido à ausência de legislação punitiva para casos de violência doméstica e de género.
Muitas vezes, apesar de dezenas de queixas de diferentes pessoas, a polícia apenas conversa com o agressor para tentar dissuadi-lo de voltar a agredir.
Os especialistas citados pelo portal concordaram que os dados oficiais não refletem a verdadeira dimensão do problema na Rússia e sublinharam que na legislação do país nem sequer existe uma definição oficial do que constitui este tipo de agressão.
Por exemplo, o Ministério do Interior não inclui nos relatórios de violência doméstica casos de agressões contra mulheres cometidas por companheiros com quem não estejam legalmente casadas e exclui também as situações resolvidas sem decisão judicial.
As regiões com os mais elevados índices de violência de género são as do Norte do Cáucaso: Chechénia, Daguestão e Inguchétia.
As mulheres enfrentam ali uma cultura completamente patriarcal, na qual são generalizados os crimes de honra, em que, em colaboração com as forças de segurança regionais, as mulheres são perseguidas, inclusive fora do país, para serem assassinadas.
No final de março, o senador russo e presidente da comissão de legislação do Senado russo, Andrei Klishas, justificou a ausência de legislação na Rússia para penalizar a violência doméstica argumentando que tal atenta contra a família tradicional.
Em 2017, o Presidente russo, Vladimir Putin, despenalizou parcialmente a violência doméstica, reduzindo-a a uma infração administrativa se não tiver consequências graves e se tratar de um primeiro delito.
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