segunda-feira, 27 de abril de 2026

Israel ameaçar incendiar o Líbano se continuar "a amparar o Hezbollah"... O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, disse hoje à enviada da ONU para o Líbano, Jeanine Hennis-Plasschaert, que se o Governo libanês "continuar a amparar o Hezbollah, um incêndio vai propagar-se e consumir" o país.

© Nick Paleologos / SOOC / AFP via Getty Images   Por LUSA  27/04/2026 

"Naim Qassem está a brincar com o fogo, e esse fogo vai consumir o Hezbollah e todo o Líbano", afirmou Katz a Hennis-Plasschaert, referindo-se ao secretário-geral do grupo xiita libanês apoiado pelo Irão, segundo um comunicado do Ministério da Defesa de Israel.

O ministro da Defesa considerou que o Presidente libanês, Josef Aoun, está também a "jogar com o futuro do Líbano" e que "não haverá cessar-fogo real" enquanto continuarem os ataques contra o exército israelita e contra as comunidades residentes do norte de Israel.

Hennis-Plasschaert e Katz reuniram-se na presença de outros altos elementos do Ministério da Defesa e das Forças de Defesa de Israel (IDF), de acordo com o comunicado.

"Durante a reunião, o ministro da Defesa salientou que o Governo libanês deve garantir o desarmamento do Hezbollah, primeiro a sul do rio Litani até à Linha Amarela, e depois em todo o Líbano", acrescentou o comunicado, referindo-se a zonas que deviam estar desmilitarizadas e sob vigilância da missão de paz da ONU e das forças libanesas e, que desde o reatamento do conflito, no início de março, estão ocupadas por forças israelitas.

No sábado, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ordenou um "ataque estrondoso" contra o Hezbollah no Líbano, após o prolongamento por três semanas do cessar-fogo anunciado horas antes pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, no seguimento de negociações na Casa Branca entre representantes libaneses e de Israel.

Já hoje, Netanyahu afirmou que a dupla ameaça representada pelos 'rockets' e drones do Hezbollah exige a continuidade da ação militar no Líbano, segundo um comunicado do seu gabinete.

"Duas ameaças principais permanecem por parte do Hezbollah: 'rockets' Tipo 122 e drones. Isto requer uma combinação de ações operacionais e tecnológicas", afirmou o líder israelita.

O Hezbollah não reconhece as conversações de paz, das quais é parte ausente, e a troca de tiros entre Israel e as milícias xiitas prosseguem, apesar da trégua.

 O Líbano foi arrastado para a guerra no Médio Oriente quando o Hezbollah retomou os ataques contra Israel em 02 de março, após o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, aliado e financiador do grupo xiita libanês.

No mesmo dia, as autoridades libanesas proibiram as atividades militares do Hezbollah, após vários meses em que procuraram desarmar o grupo xiita, que, no entanto, recusa entregar o seu equipamento militar enquanto o país estiver sob ameaça de Israel.

Em resposta, as forças israelitas desencadearam uma vasta operação militar no Líbano, através de bombardeamentos intensivos alegadamente contra alvos do Hezbollah, a par da expansão das posições terrestres que já ocupavam no sul do país no conflito anterior.

Segundo as autoridades libanesas, o reacendimento do conflito já provocou 2.520 mortos e 7.800 feridos, além de mais de um milhão de deslocados.

O líder do Hezbollah reafirmou hoje que não reconhecerá as negociações diretas entre o Líbano e Israel nem os seus resultados, bem como a recusa em depor as armas.

"Que fique claro: para nós, estas negociações diretas e os seus resultados são como se nunca tivessem existido, e não nos preocupamos com elas. Continuaremos a nossa resistência protetora em defesa do Líbano e do seu povo", declarou o clérigo xiita em comunicado.

Naom Qassem considerou o diálogo com Israel como uma "concessão gratuita, humilhante e desnecessária" e avisou que o Líbano não ganhará nada em troca.

Em resposta, o Presidente libanês declarou que o cessar-fogo é um "primeiro passo necessário" para quaisquer negociações com Israel, insistindo que os críticos das conversações devem esperar que elas aconteçam e "julgar o resultado".

Joseph Aoun sublinhou que a declaração do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que está a mediar as negociações, estipula que "Israel não realizará operações ofensivas contra alvos libaneses", tanto civis como militares.

"Alguns criticam-nos por decidirmos entrar em negociações, alegando falta de consenso nacional. Eu pergunto: quando optaram pela guerra, tinham primeiro consenso nacional?", questionou.

Do mesmo modo, afastou a ideia de que o seu compromisso com o diálogo com Israel constituía uma traição ou humilhação.

"Traição é a que ocorre com aqueles que levam o seu país para a guerra para alcançar interesses externos", argumentou, noutra referência ao Hezbollah e à sua aliança com o Irão.


Leia Também: Líbano rejeita acusações de traição por tentar paz com Israel

O presidente libanês, Joseph Aoun, disse hoje que as negociações diretas com Israel visam terminar o estado de guerra, rejeitando acusações de "traição" e apontando críticas implícitas ao Hezbollah.

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