Por LUSA
O exercício "Escudo de Liberdade" está agendado para decorrer entre 09 e 19 de março, informaram o Estado-Maior Conjunto (JCS) do Sul e as Forças dos Estados Unidos na Coreia (USFK).
Trata-se do habitual exercício conjunto realizado na primavera, que a Coreia do Norte frequentemente critica por considerar como um "simulacro de invasão", segundo a agência de notícias espanhola Europa Press (EP).
O exercício servirá também "para apoiar os preparativos em curso para uma transição operacional em tempo de guerra", afirmaram os dois comandos num comunicado conjunto citado pelo jornal sul-coreano The Korean Times.
A transição do controlo operacional está prevista no acordo entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos, e insere-se nas competências que o Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, pretende recuperar antes do final do mandato em 2030.
Como parte dos esforços para alcançar a mudança, os dois países concordaram em completar um processo de verificação, que terá um total de três etapas e permitirá verificar as capacidades das forças combinadas até ao final de 2026.
Um responsável do JCS disse ao Korean Times que o exercício deste ano será realizado numa escala semelhante à de 2025, com cerca de 18 mil efetivos.
Também hoje, as USFK, pertencentes ao Comando do Indo-Pacífico e que servem de apoio ao Comando das Nações Unidas, notificaram Seul de que uma das manobras realizadas recentemente pela força aérea norte-americana provocou um incidente com caças chineses.
O incidente ocorreu depois de caças F-16 terem sobrevoado as zonas de identificação aérea da China e da Coreia do Sul, o que levou o exército chinês a destacar vários aviões.
O comandante norte-americano Xavier Brunson lamentou que as forças sul-coreanas não tivessem sido notificadas atempadamente e deu explicações durante uma chamada telefónica com o ministro da Defesa, Ahn Gyu-back, após Seul ter protestado.
No entanto, o lado norte-americano esclareceu que Brunson não pediu desculpas a Ahn, como foi noticiado, segundo o Korean Times.
"As Forças dos Estados Unidos na Coreia realizam atividades de treino de forma regular ao mais alto nível e garantem que podem cumprir totalmente a sua missão. Não pedimos desculpa por manter a prontidão", esclareceu o comando norte-americano.
Um porta-voz do Ministério da Defesa confirmou a conversa telefónica do comandante norte-americano com o ministro sul-coreano, mas sem divulgar pormenores.
"Seria inapropriado revelar detalhes da conversa ou qualquer conteúdo que não tenha sido acordado pela outra parte", justificou, citado pelo jornal sul-coreano.
A Coreia, que foi colonizada pelo Japão entre 1910 e 1945, foi dividida pelos Estados Unidos e pela União Soviética em duas zonas administrativas, separadas pelo paralelo 38, após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Dessa divisão resultou a Guerra da Coreia (1950-1953), que opôs a República Democrática Popular da Coreia (Norte), apoiada pela União Soviética e pela China, e a República da Coreia (Sul), apoiada por uma força internacional liderada pelos Estados Unidos.
O conflito causou cerca de 2,5 milhões de mortos, maioritariamente coreanos, e terminou com um armistício, mas sem que tivesse sido assinado um acordo de paz, pelo que tecnicamente Pyongyang e Seul continuam em guerra.
As duas Coreias continuam divididas pelo paralelo 38, tendo sido criada uma zona desmilitarizada perto da aldeia de Panmunjom, onde foi assinado o armistício em 27 de julho de 1953.
Na chamada Área de Segurança Conjunta, militares dos dois lados vigiam-se cara a cara.
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