© Anna Moneymaker/Getty Images Por LUSA 13/03/2026 "Quando andam por aí com metralhadoras, a disparar sobre as pessoas e a dizer: 'Todos que estão a protestar, vamos apanhar-vos nas ruas', acho que isso é um grande obstáculo para quem não tem armas", considerou o líder norte-americano, que em janeiro prometeu aos manifestantes iranianos que a ajuda de Washington estava "a caminho".
Durante a entrevista, Donald Trump admitiu que o presidente russo, Vladimir Putin, estivesse a "ajudar um pouco o Irão", que é um aliado próximo de Moscovo, mas sugeriu não ter objeções quanto a isso.
"Acho possível que ele os esteja a ajudar um pouco, sim, imagino", disse o pesidente norte-americano, antes de acrescentar: "E ele provavelmente pensa que estamos a ajudar a Ucrânia, certo? Eles pensam, e nós também".
O dirigente republicano destacou ainda que os Estados Unidos não precisam da ajuda de ninguém para se defenderem dos drones iranianos, em alusão ao envio proposto pelo homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, de especialistas do seu país para o Médio Oriente.
"Não, não precisamos de ajuda com a defesa contra drones. Sabemos mais sobre drones do que qualquer outra pessoa. Na verdade, temos os melhores drones do mundo", comentou, quando questionado sobre a assistência ucraniana.
Nos últimos dias, Zelensky tem sublinhado repetidamente que Kyiv recebeu pedidos de vários países do Golfo, além dos próprios Estados Unidos, para colaborar na defesa contra os drones iranianos, amplamente utilizados pelas forças russas durante os quatro anos de guerra na Ucrânia.
Nas mesmas declarações à Fox News, o líder da Casa Branca avisou que os Estados Unidos vão atacar o Irão "com muita força na próxima semana", no seguimento da ofensiva aérea conjunta com Israel, iniciada em 28 de fevereiro.
Na sua resposta, as forças iranianas têm lançado desde então bombardeamentos contra Israel e infraestruturas, sobretudo energéticas, e bases militares norte-americanas nos países vizinhos do Médio Oriente, além de terem colocado sob ameaça o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial.
O Presidente norte-americano afirmou que a Marinha norte-americana poderá escoltar os petroleiros ao longo do estreito , mas mais uma vez deu a entender que não será já.
"Faremos isso se fosse necessário. Mas, sabe, estamos a torcer para que tudo corra bem", acrescentou.
O chefe do Estado-Maior norte-americano, Dan Caine, descreveu hoje o Estreito de Ormuz como "um ambiente taticamente complexo", reconhecendo implicitamente que não será possível impedir, a curto prazo, os ataques iranianos contra navios.
O bloqueio do Estreito de Ormuz fez disparar os preços do petróleo para valores acima dos 100 dólares por barril, o que não acontecia desde 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia.
Os Estados Unidos têm sido erráticos em relação aos objetivos e duração do conflito desencadeado contra o Irão, mas, tal como Israel, têm indicado nos últimos dias que procuram deter o programa nuclear iraniano.
Ao mesmo tempo os dois países convidam a população iraniana a levantar-se e derrubar o regime teocrático, cujo líder supremo, Ali Khamenei, foi morto no primeiro dia de bombardeamentos em Teerão, ferindo também o seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei, que não é visto em público desde que foi eleito há quase uma semana.
Manifestações antigovernamentais em todo o país durante o mês de janeiro foram brutamente reprimidas, tendo resultado em dezenas de milhares de mortos e detidos.
Já numa mensagem publicada na sua rede social, Truth Social, o líder norte-americano sugeriu que o conflito não terminará num futuro próximo.
"Temos um poder de fogo incomparável, munições ilimitadas e todo o tempo do mundo", escreveu Donald Trump, depois de ter indicado repetidamente nos últimos dias que a ofensiva militar terminaria "em breve".
O líder da Casa Branca também afastou, para já, o envio de tropas para território iraniano para atingir dois objetivos que considera secundários: a captura de urânio enriquecido iraniano e da ilha estratégica de Jark, um dos centros da indústria petrolífera do país.
"Neste momento não estamos focados nisso, mas talvez em algum momento estejamos", afirmou de modo evasivo sobre o urânio durante a entrevista à Fox News, em que passou grande parte a defender a sua estratégia no Irão, ao insistir que os Estados Unidos estão a exercer um esforço de contenção porque podem destruir todo o país.
"A verdade é que acho que estou a fazer um bom trabalho. Podia ter destruído as instalações nucleares deles. Podia ter destruído o país inteiro. Por enquanto, decidimos não o fazer", declarou.
A ilha de Jark, no sudoeste do Irão, também não é um alvo prioritário.
"Não está no topo da minha lista de prioridades", explicou à Fox News, antes de criticar este tipo de questões por afetar as suas decisões estratégicas.