RSM 13 04 2026
A travessia que deveria ser rotineira entre Bolama e Bissau transformou-se em horas de angústia e incerteza para mais de 100 pessoas, incluindo 30 crianças e uma mulher grávida, a bordo de uma piroga que ficou à deriva no mar por mais de 14 horas.
A embarcação, que partiu por volta das 13 horas de Bolama para Bissau , perdeu a rota ainda durante a tarde e acabou encalhada numa zona de ‟bancos‟ de areia, deixando homens, mulheres e crianças expostos ao sol e ao frio, sem água suficiente e sem meios imediatos de socorro.
O nosso correspondente em Bolama, Kevim Marvel de Sá Sí, que estava a bordo da piroga, relatou que o incidente ocorreu porque o piloto não dispunha de GPS. Segundo ele, a embarcação ficou imobilizada na zona do ilhéu de Arca desde a tarde. Por volta das 15 horas, a Capitania foi informada e prometeu enviar ajuda de imediato, mas o socorro só chegou na manhã seguinte, por volta das 9 horas.
O impacto mais severo foi sentido pelas crianças, que começaram a sofrer com a falta de água e alimentação. Em meio ao desespero crescente, a sobrevivência momentânea do grupo dependeu da solidariedade improvisada de uma passageira que transportava abóboras para venda em Bissau e que partilhou alimentos, amenizando uma situação que já se tornava crítica.
“O que assegurou a alimentação das pessoas foram mangas cruas e alguns peixes, mas isso não foi suficiente. A situação piorou com a chegada da noite, quando algumas crianças começaram a entrar em pânico, pois só se ouviam os sons do vento e fazia muito frio. A maioria dessas crianças estava a viajar de piroga pela primeira vez”, explicou.
Apesar de o serviço da Capitania ter sido acionado ainda na tarde do incidente, o socorro só chegou na manhã seguinte, após cerca de 15 horas de espera.
Já na chegada a Bissau, não havia uma equipa médica de resposta rápida para avaliar o estado físico e psicológico dos passageiros.
A demora levanta questionamentos sobre a capacidade de resposta das autoridades marítimas em situações de emergência, sobretudo em rotas frequentemente utilizadas pela população.
Segundo testemunhos, durante a travessia, um passageiro caiu à água e começou a perder forças, mas foi prontamente socorrido por outro passageiro. No momento, tanto o proprietário da piroga, como o capitão e o marinheiro estavam presentes e prestavam assistência dentro da embarcação.
O episódio evidencia a fragilidade das condições de transporte marítimo no país, onde viagens comuns podem rapidamente transformar-se em situações de risco.
O desfecho, felizmente, não terminou em tragédia. A piroga chegou ao porto de Bissau com todos os passageiros sãos e salvos.

Sem comentários:
Enviar um comentário