© Murat Åengül/Anadolu via Getty Images Por LUSA 09/04/2026
"O Líbano quer um cessar-fogo antes do início de qualquer negociação", declarou a fonte do executivo libanês sob anonimato à AFP, que indicou tratar-se de uma figura familiarizada com o processo.
Benjamin Netanyahu anunciou que vai iniciar negociações diretas com o Governo libanês destinadas a desarmar o grupo xiita Hezbollah e estabelecer "relações pacíficas" entre os dois países.
"Considerando os repetidos apelos do Líbano para o início de negociações diretas com Israel, instruí ontem [quarta-feira] o executivo para as iniciar o mais rapidamente possível", afirmou Netanyahu numa nota divulgada pelo seu gabinete.
O anúncio surgiu um dia depois de dezenas de bombardeamentos de Israel em Beirute e no sul e leste do país vizinho terem provocado 303 mortos e 1.150 feridos, segundo o último balanço do Ministério da Saúde libanês.
Esta foi a maior vaga de ataques no Líbano desde o reatamento, em 02 de março, dos confrontos militares entre Israel e o Hezbollah, logo após o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, aliado do movimento xiita libanês.
Na sua curta mensagem, Netanyahu afirmou também que "Israel aprecia a decisão do primeiro-ministro do Líbano para a desmilitarização de Beirute", referindo-se à proibição já anunciada por Nawaf Salam do porte de arma por grupos não estatais na capital do país.
Em reação aos desenvolvimentos de hoje, um deputado do Hezbollah reiterou a rejeição do grupo ao diálogo com Israel.
"Reiteramos a nossa rejeição de quaisquer negociações diretas entre o Líbano e o inimigo israelita, bem como a necessidade de aderir aos princípios nacionais, principalmente a retirada israelita, a cessação das hostilidades e o regresso dos residentes às suas aldeias e cidades", disse Ali Fayyad num comunicado divulgado pelos órgãos de comunicação do grupo.
No entanto, Ali Fayyad concordou com o Governo libanês em relação a um cessar-fogo "como condição prévia para a adoção de quaisquer outras medidas".
A aceitação de Israel ao início de negociações diretas, após ter recusado reiteradamente apelos nesse sentido por parte das autoridades libanesas, surgiu no segundo dia de um cessar-fogo de duas semanas entre Irão e Estados Unidos.
Israel concordou com a trégua, mas sustentou que, ao contrário do que tinha sido indicado inicialmente pela mediação do Paquistão, o entendimento excluía o Líbano, levando Teerão a repor temporariamente o bloqueio ao tráfego marítimo no estreito de Ormuz e a colocar em dúvida a sua presença nas negociações de paz com os Estados Unidos, previstas para os próximos dias em Islamabad.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, reiterou a condenação à "contínua agressão de Israel contra o Líbano" e avisou que os violentos ataques de quarta-feira ameaçam as negociações.
Enquanto o Presidente norte-americano, Donald Trump, considerou os bombardeamentos israelitas como "uma escaramuça" e concordou que o Líbano não estava dentro do acordo de cessar-fogo, os mediadores paquistaneses insistiram hoje que o anúncio de Sharif correspondia ao que tinha sido decidido pelas partes.
O chefe do Governo paquistanês confirmou também um contacto com o homólogo libanês, Nawaf Salam, para discutir a exclusão técnica do seu país do cessar-fogo e evitar a repetição dos ataques em grande escala, embora não tenha especificado se constituíram uma violação da trégua.
O Irão tem, pelo seu lado, reiterado que o conflito entre Israel e as milícias do aliado Hezbollah é "uma parte inseparável" da trégua.
O embaixador de Israel em Washington, Yechiel Leiter, deverá liderar as negociações pelo lado israelita com o Líbano, noticiaram vários meios de comunicação israelitas, citando um alto responsável.
O Hezbollah retomou os ataques contra território israelita em 02 de março, interrompendo um cessar-fogo em vigor desde novembro de 2024 que nunca foi verdadeiramente respeitado.
No mesmo dia, o Governo libanês proibiu as atividades militares do grupo xiita, que, apesar disso, nunca deixou de lançar projéteis e drones contra o território israelita.
Ao longo das últimas semanas, Israel desencadeou uma forte campanha de bombardeamentos no Líbano, a par da expansão das posições terrestres que já ocupava no sul do país no anterior conflito, provocando mais de 1.500 mortes e acima de um milhão de deslocados, de acordo com as autoridades de Beirute.
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Israel vai iniciar negociações diretas com o Governo libanês destinadas a desarmar o grupo xiita Hezbollah e estabelecer "relações pacíficas" entre os dois países, anunciou hoje o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.


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