quinta-feira, 9 de abril de 2026

CABO VERDE: Entidade cabo-verdiana sugere medidas após casos de doença parasitária... A Agência Nacional de Água e Saneamento (ANAS) de Cabo Verde recomendou hoje medidas de controlo e desinfeção após a confirmação de novos casos da doença parasitária esquistossomose no concelho de São Miguel, no interior da ilha de Santiago.

© Lusa   09/04/2026 

"[Após] confirmação de novos casos na localidade de Ribeira de Principal, a ANAS, enquanto entidade reguladora do setor da água e saneamento, está a acompanhar a situação", afirmou a instituição, num comunicado. 

Segundo a mesma fonte, a doença está associada ao contacto com água doce contaminada por parasitas, sendo favorecida pela presença de caracóis hospedeiros, o que exige uma resposta coordenada entre os setores da saúde, ambiente, agricultura e recursos hídricos.

Para já, a instituição está a colaborar com a Direção-Geral da Agricultura, Silvicultura e Pecuária (DGASP), o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) e outras autoridades locais.

Além da restrição de acesso ao reservatório identificado, a ANAS recomenda evitar o contacto com águas potencialmente contaminadas, proceder ao esvaziamento controlado da infraestrutura, realizar a limpeza integral com remoção de caracóis e avançar posteriormente para a desinfeção sob orientação técnica.

A entidade reguladora sublinha que estas ações devem ser realizadas no âmbito de um plano conjunto entre as várias entidades envolvidas, garantindo a monitorização contínua da situação após a implementação das medidas corretivas.

A esquistossomose é uma doença parasitária considerada um problema de saúde pública.

As formas larvares dos parasitas são libertadas por moluscos (caracóis) de água doce e transmitem-se ao ser humano através da pele, após contacto com águas infetadas.

No dia 02, o cientista cabo-verdiano Maximiano Fernandes confirmou a existência de um novo surto da doença naquele concelho, referindo que a origem do foco permanece desconhecida.

Na terça-feira, a delegada de Saúde de São Miguel, Antonieta Fonseca, afirmou que as autoridades sanitárias estão a reforçar uma resposta multissetorial para conter a doença no concelho.

Os primeiros registos da doença remontam a 2022, neste mesmo concelho, com cerca de 200 casos, com maior incidência em crianças e adolescentes entre os 4 e os 16 anos, todos acompanhados e tratados pelas estruturas de saúde.

Na altura, os casos foram monitorizados pelas autoridades de saúde pública, em colaboração com o Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa (IHMT/UNL).

No quadro das ações em curso, Antonieta Fonseca destacou o reforço da vigilância epidemiológica, rastreios ativos nas comunidades, investigação ambiental e laboratorial, bem como ações regulares de sensibilização.

De acordo com a delegada, equipas técnicas estão no terreno, sobretudo na localidade de Ribeira de Principal, onde foi identificado um novo foco, realizando exames de urina em crianças e testes a adultos com sintomas suspeitos, para garantir diagnóstico precoce e tratamento atempado.

Paralelamente, análises do Instituto Nacional de Saúde Pública identificaram a presença de caracóis do género Bulinus em alguns pontos de água, considerados potenciais hospedeiros do parasita, estando ainda a decorrer estudos laboratoriais para confirmar a presença de formas infetantes.

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