sábado, 21 de fevereiro de 2026

SOBE PARA 7 O NÚMERO DE MORTOS APÓS INCÊNDIO DEVASTADOR EM BAFATÁ

Por RSM 21.02.2026

Subiu para sete (7) o número de mortos resultantes do incêndio devastador que atingiu 171 pessoas na cidade de Bafatá leste da Guiné-Bissau.

A confirmação foi feita este sábado, 21 de fevereiro,  por uma fonte ligada ao Hospital Nacional Simão Mendes, que informou o registo de mais duas vítimas mortais nas últimas horas.

De acordo com as autoridades de saúde, várias vítimas continuam internadas em estado crítico, o que mantém a população em alerta e apreensão quanto à possível evolução do número de óbitos.

A Polícia Judiciária anunciou a detenção do proprietário da bomba improvisada que terá provocado o incêndio. 

Segundo as primeiras informações, o artefacto terá estado na origem da explosão que desencadeou o fogo de grandes proporções.

As autoridades garantem que as investigações prosseguem para apurar responsabilidades criminais e eventuais cúmplices.

O caso continua a gerar forte comoção em toda a sociedade guineense. Autoridades governamentais, organizações civis e cidadãos manifestam solidariedade às famílias das vítimas, ao mesmo tempo que exigem medidas rigorosas para evitar tragédias semelhantes no futuro.

A cidade de Bafatá permanece sob forte impacto emocional, enquanto decorrem investigações e esforços médicos para salvar os feridos.

Mais atualizações poderão ser divulgadas a qualquer momento.

PJ ABRE INQUÉRITO E DETÉM RESPONSÁVEL POR BOMBA DE COMBUSTÍVEL NA SEQUÊNCIA DO INCÊNDIO EM BAFATÁ.

A Polícia Judiciária (PJ) informa a opinião pública que, na sequência do incêndio ocorrido numa bomba de combustível na cidade de Bafatá — incidente que resultou na morte de uma pessoa e em ferimentos graves de mais de uma centena de cidadãos — foi imediatamente instaurado o competente inquérito criminal, com vista ao apuramento rigoroso dos factos, das suas causas e das eventuais responsabilidades.

No âmbito das diligências investigativas já realizadas, uma equipa integrada por agentes de investigação criminal e peritos da PJ deslocou-se a Bafatá, onde procedeu a recolha de vestígios, levantamento técnico no local, obtenção de elementos probatórios e audição de intervenientes relevantes para a investigação.

Como resultado das diligências em curso, a PJ procedeu à detenção do proprietário da empresa, o qual foi transferido para o Centro de Detenção da Polícia Judiciária, em Bissau, ficando à disposição das autoridades competentes, nos termos da lei.

A Polícia Judiciária esclarece que as investigações prosseguem, mantendo-se em curso o trabalho técnico-pericial destinado a identificar a origem e a causa do incêndio, bem como a determinar a eventual responsabilidade de outros autores, a título de participação, coautoria ou omissão relevante.

Informa-se, ainda, que na próxima semana serão ouvidos em Bissau altos responsáveis da administração do setor, representantes da Delegacia Regional da Energia e demais entidades competentes, no quadro da recolha de informações e do aprofundamento da prova, visando o completo esclarecimento do sucedido.

A Polícia Judiciária reitera o seu compromisso com a legalidade, a verdade material e a responsabilização efetiva, assegurando que manterá a população informada dentro dos limites do segredo de justiça e da salvaguarda da investigação.

Polícia Judiciária da Guiné-Bissau

Direção Nacional – Bissau

Sobe para 230 total de mortos na época das chuvas em Moçambique... O número total de mortos na atual época das chuvas em Moçambique subiu para 230, com registo de quase de 863,5 mil pessoas afetadas, desde outubro, indicou hoje o instituto de gestão de desastres.

Por LUSA 

De acordo com informação atualizada da base de dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), foram afetadas 863.433 pessoas na presente época das chuvas, correspondente a 200.702 famílias, havendo também 12 desaparecidos e 321 feridos.

Este balanço contabiliza mais dois mortos face à atualização de quinta-feira.

Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 27 mortos - afetando 724.131 pessoas - e a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, causou mais quatro mortos, segundo os dados atualizados do INGD sobre a época das chuvas.

Acrescenta-se que um total de 15.254 casas ficaram parcialmente destruídas, 6.121 totalmente destruídas e 183.824 inundadas, na presente época chuvosa. Um total de 272 unidades de saúde, 82 locais de culto e 679 escolas foram afetadas em pouco mais de quatro meses e meio.

Os dados do INGD indicam ainda que 555.040 hectares de áreas agrícolas foram afetados neste período, 288.016 hectares dos quais dados como perdidos, atingindo 365.784 agricultores. Também 530.998 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves, e foram afetados 7.845 quilómetros de estrada, 36 pontes e 123 aquedutos.

Desde outubro, o instituto de gestão de desastres moçambicano ativou 149 centros de acomodação, que albergaram 113.478 pessoas, dos quais 41 ainda estão ativos, com pelo menos 33.905 pessoas.

Zelensky garante que a Ucrânia não está a perder a guerra... Em entrevista à AFP, o chefe de Estado ucraniano afirmou que está em curso uma nova contra-ofensiva e que já foram libertados 300 quilómetros de território sob ocupação russa.

Por Sicnoticias 

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, garante que a Ucrânia não está a perder a guerra. A declaração surge numa altura em que se aproxima uma nova ronda de negociações e em que a Europa se prepara militarmente para um eventual escalar do conflito.

A guerra moderna no velho continente, que se previa durar apenas alguns dias, completa este domingo quatro anos. O número expressivo poderá ter levado Zelensky a reforçar a ideia de que a Ucrânia mantém a sua posição no terreno.

Em entrevista à AFP, o chefe de Estado ucraniano afirmou que está em curso uma nova contra-ofensiva e que já foram libertados 300 quilómetros de território sob ocupação russa.

Apesar de as tropas ucranianas continuarem a responder à altura do conflito armado, a Ucrânia é hoje um país irreconhecível, onde a alegria das ruas foi arrancada à força.

As imagens mostram Pokrovsk, onde parte da cidade já foi tomada pelas forças russas, enquanto os confrontos prosseguem entre os escombros.

Em Odessa, as autoridades tentam agora minimizar os danos provocados pelos ataques da última noite. Casas e infraestruturas energéticas ficaram destruídas, deixando 99 mil pessoas sem eletricidade.

Kiev e Moscovo preparam-se para uma nova ronda de negociações para a paz, que deverá decorrer nos próximos dias em Genebra.

"Putin não vai terminar esta guerra até que os custos sejam superiores aos benefícios. E é esse o ponto a que temos de chegar", garante Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia.

A Europa tem vindo a reforçar a sua preparação, com exercícios militares em curso em vários países e envolvendo milhares de militares. A chefe da diplomacia europeia acredita ainda que o vigésimo pacote de sanções contra a Rússia deverá ser aprovado na segunda-feira.

Ucrânia ataca fábrica de mísseis balísticos russa... As Forças Armadas ucranianas anunciaram hoje que atacaram uma fábrica russa de produção de mísseis balísticos hipersónicos Oréshnik na região de Udmurtia.

Por LUSA 

"Algumas unidades das Forças de Mísseis e da artilharia das Forças Armadas da Ucrânia atacaram utilizando mísseis de cruzeiro FP-5 'Flamingo'. A empresa do complexo militar-industrial 'Planta Votkinsk', na cidade de Votkinsk [República da Udmúrtia] foi atingida" esta madrugada, detalhou o Exército ucraniano nas redes sociais.

A região de Udmurtia fica a cerca de mil quilómetros a leste de Moscovo e a cerca de 1.500 da fronteira com a Ucrânia.

"Foi detetado um incêndio no território da fábrica. Os resultados estão a ser esclarecidos", acrescentou o exército.

Além deste ataque, na noite passada também foi atacada a fábrica de processamento de gás de Neftegorsk, na região russa de Samara, que, entre outras funções, abastece o exército russo, indicou na mesma mensagem.

De acordo com as autoridades russas, 11 pessoas ficaram feridas no ataque à fábrica de Votkinsk, das quais três foram hospitalizadas.

O canal de Telegram Astra, que tinha reportado inicialmente os ataques ucranianos, citando testemunhas oculares e residentes da zona, afirmou que o ataque causou danos em duas das oficinas da fábrica.

Na sexta-feira, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, assegurou que a Ucrânia não está a perder a guerra contra a Rússia, embora reconheça que o desfecho do conflito permanece incerto e com um custo elevado.

"Não podemos dizer que estamos a perder a guerra, sinceramente, não estamos certamente. A questão é se vamos ganhar, essa é a questão, mas uma questão que tem um preço muito elevado", declarou Zelensky numa entrevista à agência de notícias France-Presse, a poucos dias do quarto aniversário do início da invasão russa.

O chefe de Estado indicou ainda que as forças ucranianas recuperaram recentemente cerca de 300 quilómetros quadrados no sul do país, no âmbito de uma contraofensiva em curso, informação que a AFP não conseguiu confirmar de forma independente.

A guerra, iniciada a 24 de fevereiro de 2022, constitui o conflito mais grave na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

As negociações diretas entre Kyiv e Moscovo, mediadas pelos Estados Unidos, continuam bloqueadas pela exigência russa de que a Ucrânia se retire do Donbass, região industrial no leste do país atualmente quase totalmente sob controlo das forças russas.

Pelo menos 50 mortos em ataque a aldeia no noroeste da Nigéria... Pelo menos 50 pessoas morreram e um número ainda indeterminado foi sequestrado, na quinta-feira, num ataque de homens armados a uma aldeia no estado de Zamfara, noroeste da Nigéria, avançou hoje uma organização não-governamental local.

© Maksim Konstantinov/SOPA Images/LightRocket via Getty Images   Por  LUSA  21/02/2026 

"Recebemos informações de que dezenas de bandidos atacaram a aldeia de Dutsin Dan Aniya na noite de quinta-feira e mataram pelo menos 50 residentes", disse à agência de notícias EFE o secretário da Coligação da Sociedade Civil de Zamfara (ZASCON), Attahiru Mohammed.

"Segundo os residentes, cerca de 100 bandidos que se deslocavam em motocicletas dispararam (...) contra as vítimas. Bloquearam todas as vias de entrada e saída enquanto realizavam os ataques, tornando quase impossível a fuga. Transformaram a aldeia num campo de extermínio", relatou.

De acordo com Attahiru Mohammed, o ataque, cujo motivo ainda não foi determinado, ocorreu durante a noite de quinta-feira, quando a maioria das vítimas --- mulheres e crianças --- foram assassinadas, enquanto um número indeterminado de pessoas foi sequestrado pelos "bandidos", que as mantiveram em cativeiro até às 02:00 hora local (01:00 em Lisboa), sem que as forças de segurança interviessem.

"Exortamos o Governo e as agências de segurança a agirem com determinação e a porem fim ao massacre imediatamente. Não podemos continuar à mercê de bandidos que atacam as nossas aldeias e comunidades à vontade", afirmou o secretário da ZASCON.

A EFE tentou contactar as autoridades policiais do estado de Zamfara, mas não obteve resposta.


Leia Também: Grupo armado mata 33 pessoas no noroeste da Nigéria em novos ataques

Pelo menos 33 pessoas foram mortas após militantes islâmicos lançarem ataques simultâneos num distrito no noroeste da Nigéria, de acordo com a polícia local, noticia hoje a agência norte-americana The Associated Press (AP).

Aeroporto da Florida vai ser renomeado em homenagem a Trump... A maioria parlamentar do Partido Republicano no estado norte-americano da Florida decidiu atribuir ao Aeroporto Internacional de Palm Beach o nome de Donald Trump, em homenagem ao Presidente, que ali tem uma residência privada.

© Samuel Corum/Getty Images  Por LUSA  21/02/2026 

O projeto de lei para renomear a infraestrutura "Aeroporto Internacional Presidente Donald J. Trump" foi aprovado hoje pela Câmara dos Representantes e o Senado do estado da Florida (sudeste). 

O aeroporto, na cidade conhecida pelas suas praias de areia branca e luxuosas mansões, está localizado a poucos quilómetros da residência de Trump em Mar-a-Lago.

Espera-se que o governador republicano Ron DeSantis, antigo adversário de Trump, promulgue a lei, embora esta ainda necessite da aprovação da Administração Federal de Aviação (FAA).

O aeroporto passará então a integrar a lista de edifícios e infraestruturas que têm o nome de Trump.

 Os Presidentes norte-americanos recebem geralmente nomes de edifícios ou infraestruturas quando deixam o cargo ou após a sua morte.

Mas Trump, bilionário do setor imobiliário que é proprietário de uma torre com o seu nome na prestigiada Quinta Avenida de Nova Iorque, tem procurado assegurar desde já a homenagem.

Em dezembro, o conselho de curadores do Kennedy Center - escolhido pelo Presidente republicano - votou a renomeação desta prestigiada instituição cultural de Washington como "Trump Kennedy Center".

Entretanto, o bilionário quer construir um "Arco da Independência", semelhante ao Arco do Triunfo em Paris, e iniciou a construção de um novo salão de baile na Casa Branca, demolindo a Ala Leste do edifício histórico.

Anunciou também o lançamento de uma nova classe de grandes navios de guerra que terão o seu nome.

O Departamento do Tesouro confirmou ainda a existência de um plano para uma moeda comemorativa de um dólar com a imagem de Trump, embora as leis proíbam colocar em notas a imagem de um Presidente em funções ou vivo.

Segundo vários media, incluindo a CNN e a NBC, Trump quis que o seu nome fosse dado a dois dos locais mais movimentados dos Estados Unidos: a Penn Station, em Nova Iorque, e o Aeroporto Internacional Dulles, em Washington.

Citando fontes anónimas, os media relataram este mês que Trump ofereceu ao líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, a libertação de mais de 16 mil milhões de dólares (13,5 mil milhões de euros) em fundos federais congelados pela sua administração, destinados a um grande projeto de túnel ferroviário entre Nova Iorque e Nova Jérsia, caso o político democrata concordasse em ajudar a renomear a estação ferroviária e o aeroporto.

Schumer, também senador por Nova Iorque, rejeitou a proposta, segundo as referidas fontes.  

Trump celebra este ano, em junho, o 80.º aniversário, sendo já o Presidente mais idoso a exercer o cargo. 

Também este ano, os Estados Unidos comemoram o 250.º aniversário da independência, estando em preparação um conjunto pouco usual de eventos relacionados, incluindo uma corrida de fórmula Indy pelas ruas de Washington, DC e combates de luta livre na Casa Branca.


Leia Também: Força aérea dos EUA interceta cinco aeronaves russas perto do Alasca

A força aérea dos Estados Unidos (EUA) enviou caças militares para intercetar cinco aeronaves russas que sobrevoavam o espaço aéreo internacional na costa oeste do Alasca, mas garantiu que não foram vistas como uma provocação.

Sistema de saúde de Cuba perto do colapso devido ao bloqueio dos EUA... O ministro da Saúde de Cuba disse que o sistema de saúde do país está à beira do colapso devido ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos (EUA) ao fornecimento de petróleo à ilha.

© Lusa   21/02/2026 

Numa entrevista à agência de notícias Associated Press, José Ángel Portal Miranda alertou as sanções dos EUA já não estão apenas a prejudicar a economia de Cuba, mas também a ameaçar a "segurança humana básica". 

"Não se pode prejudicar a economia de um Estado sem afetar os seus habitantes", disse o ministro. "Esta situação pode colocar vidas em risco", acrescentou, na sexta-feira.

Portal disse que cinco milhões de pessoas em Cuba que vivem com doenças crónicas poderão enfrentar escassez de medicamentos ou adiamento de tratamentos, incluindo radioterapia para 16 mil doentes oncológicos e quimioterapia para outros 12.400.

Os serviços de cardiologia, ortopedia, oncologia e tratamento de doentes em estado crítico que necessitam de energia elétrica de reserva estão entre as áreas mais impactadas, afirmou o ministro.

Os tratamentos para doenças renais e os serviços de ambulância de emergência também foram adicionados à lista de serviços afetados, acrescentou Portal.

O sistema de saúde de Cuba segue um modelo universal e gratuito, oferecendo clínicas locais em quase todos os quarteirões e medicamentos subsidiados pelo Estado.

Mas também entrou em estado de crise nos últimos anos, sobretudo desde a pandemia de covid-19. Milhares de médicos emigraram do país e a escassez de medicamentos obrigou muitos pacientes a comprá-los no mercado negro.

Portal admitiu que os problemas se agravem nas próximas semanas, embora tenha sublinhado que o Governo cubano tem tentado adaptar-se à nova realidade, instalando painéis solares nas clínicas e dando prioridade no atendimento a crianças e idosos.

As autoridades impuseram restrições a tecnologias que dependem mais de energia, como as tomografias computorizadas e os exames laboratoriais, obrigando os médicos a recorrer a métodos mais básicos para tratar os doentes, privando efetivamente muitos do acesso a cuidados de alta qualidade, lamentou o ministro.

"Estamos perante um cerco energético com implicações diretas para a vida dos cubanos, para a vida das famílias cubanas", disse Portal.

Desde janeiro que os Estados Unidos impõem um bloqueio energético a Cuba, invocando a ameaça que a ilha, situada a apenas 150 quilómetros da costa do estado da Florida (sudeste), representa para a segurança nacional norte-americana.

A ilha está perante uma crise humanitária, uma vez que se registam faltas generalizadas de alimentos e a falta de energia elétrica está a afetar o funcionamento dos hospitais.

O Presidente norte-americano Donald Trump ameaçou impor tarifas aos países que vendem petróleo para Havana após suspender o envio de petróleo venezuelano para Cuba na sequência da captura do líder Nicolás Maduro, no início de janeiro.

Coincidência astronómica: Quaresma, Ramadão e Ano Novo Lunar começam quase em simultâneo... Em 2026, três tradições com base no ciclo da Lua cruzam-se quase no mesmo momento: a Quaresma cristã, o Ramadão islâmico e o Ano Novo Lunar celebrado em vários países asiáticos.

Por  Catarina Solano de Almeida  sicnoticias.pt  21.02.2026

Numa rara coincidência, esta semana começaram quase ao mesmo tempo a Quaresma cristã, o Ramadão islâmico e o Ano Novo Lunar, celebrado em vários países asiáticos.

A coincidência das datas destas celebrações este ano não resulta de um entendimento inter-religioso nem de uma decisão comum. É simplesmente o efeito da convergência de três formas diferentes de medir o tempo, todas elas baseadas, de algum modo, na observação da Lua.

A explicação está nos diferentes calendários utilizados por cada tradição e na forma como estes se relacionam com os ciclos da Lua.

Quaresma: depende da data da Páscoa

A Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas, 40 dias antes da Páscoa (não contabilizando os domingos), que este ano calha a 18 de fevereiro.

Uma mulher recebe uma cruz de cinzas na testa após a missa da Quarta-feira de Cinzas, na Igreja de Baclaran, em Paranaque, região metropolitana de Manila, FilipinasLISA MARIE DAVID / REUTERS

A data da Páscoa é determinada segundo uma regra fixada nos primeiros concílios da Igreja: celebra-se no domingo seguinte à primeira lua cheia após o equinócio da primavera (fixado convencionalmente a 21 de março). Este cálculo é feito com base no calendário gregoriano e numa “lua eclesiástica”, que não coincide sempre exatamente com a lua astronómica.

Como a Páscoa varia entre 22 de março e 25 de abril, também a Quaresma oscila entre o início de fevereiro e o início de março.

Ramadão: um mês que recua todos os anos

O Ramadão é o nono mês do calendário islâmico, que é estritamente lunar. Cada ano tem cerca de 354 dias, menos 10 ou 11 do que o ano solar.

Por isso, o Ramadão “anda para trás” cerca de 10 dias por ano no calendário gregoriano. Ao fim de aproximadamente 33 anos, completa um ciclo e volta a coincidir com a mesma época do ano solar.

Fiéis palestinianos muçulmanos participam nas orações noturnas de ‘Tarawih’ do mês sagrado muçulmano do Ramadão, junto ao Domo da Rocha, no complexo de Al-Aqsa, conhecido pelos judeus como Monte do Templo, na Cidade Velha de Jerusalém, a 17 de fevereiro de 2026.JAMAL AWAD / REUTERS

O início do mês depende tradicionalmente do avistamento da lua crescente após a lua nova. Em alguns países, a decisão é tomada por autoridades religiosas nacionais; noutros, recorre-se a cálculos astronómicos. Por isso, o início pode variar um dia de país para país.

Em 2026, o Ramadão começou ao pôr do sol de 17 ou 18 de fevereiro, dependendo da observação lunar.

É esta diferença estrutural entre um calendário solar (gregoriano) e um calendário lunar (islâmico) que explica a coincidência aproximada entre Quarta-feira de Cinzas e início do Ramadão cerca de cada 33 anos.

Ano Novo Lunar: lua nova entre janeiro e fevereiro

O chamado Ano Novo Lunar, celebrado na China, na Coreia, no Vietname e noutras comunidades asiáticas, segue um calendário lunissolar. O novo ano começou na segunda lua nova após o solstício de inverno, o que o situa entre 21 de janeiro e 20 de fevereiro.

Em 2026, a lua nova ocorreu a 17 de fevereiro, marcando o início do novo ano.

Coincidência não é excecional, mas é rara

A coincidência exata no mesmo dia entre Quarta-feira de Cinzas e início do Ramadão não é frequente, mas também não é excecional, resulta do ciclo de cerca de 33 anos do calendário islâmico.

Já a proximidade simultânea com o Ano Novo Lunar é menos comum, porque depende da combinação entre três calendários distintos: solar, lunar e lunissolar.

Três celebrações com raízes semelhantes

Apesar das diferenças religiosas e culturais, as três celebrações partilham uma dimensão de renovação, transição e reflexão.

Quaresma

Na tradição cristã, a Quaresma é um período de 40 dias de preparação para a Páscoa, evocando os 40 dias que, segundo os Evangelhos, Jesus passou no deserto.

É marcada por práticas de jejum, penitência, oração e caridade. Muitos fiéis optam por abdicar de determinados hábitos ou alimentos. O período culmina na Semana Santa e na celebração da ressurreição de Cristo.

Ramadão

O Ramadão é um dos Cinco Pilares do Islão. Durante este mês, os muçulmanos adultos e saudáveis jejuam desde o amanhecer até ao pôr do sol, abstendo-se de comida, bebida e relações sexuais.

O dia começa com o suhoor, a refeição antes do nascer do sol, e termina com o iftar, a refeição de quebra do jejum, frequentemente partilhada em comunidade.

Para além do jejum, é um período de oração intensificada, leitura do Alcorão, caridade e autocontrolo espiritual. O mês termina com o Eid al-Fitr, uma das principais festas islâmicas.

Ano Novo Lunar

O Ano Novo Lunar marca o início de um novo ciclo no calendário tradicional chinês e noutras culturas do Leste Asiático.

As celebrações incluem reuniões familiares, ofertas de envelopes vermelhos com dinheiro, decoração com símbolos de prosperidade e rituais destinados a atrair boa sorte para o novo ano.

Cada ano está associado a um dos 12 animais do zodíaco chinês e a um dos cinco elementos, formando ciclos de 60 anos.


A chamada Semana Santa está constantemente a mudar. Este ano, excecionalmente, a data é assinalada ao mesmo tempo por Cristãos Católicos e Cristãos Ortodoxos. O que representa este dia, central no Cristianismo, e o que tem a ver com a Páscoa Judaica?