terça-feira, 31 de março de 2026

Mais de 200 mil pessoas fugiram do Líbano para Síria. ONU pede ajuda... A ONU pediu hoje à comunidade internacional ajuda para financiar a operação de ajuda aos refugiados na Síria, país que, este mês, recebeu mais de 200 mil pessoas em fuga dos bombardeamentos de Israel ao Líbano.

© Kasim Yusuf/Anadolu via Getty Images  Por  LUSA   31/03/2026 

Estes refugiados, que "chegam exaustos, traumatizados e com poucos pertences" precisam de "apoio urgente", disse o representante interino do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) na Síria, Aseer T.E. al-Madaien, em conferência de imprensa hoje realizada em Genebra, na Suíça. 

Para conseguir a ajuda necessária, o ACNUR precisa de cerca de 282 milhões de euros em 2026, sendo que está a menos de 30% do financiamento necessário, adiantou o representante da agência da ONU, apelando a um "apoio urgente".

De acordo com Aseer T.E. al-Madaien, as autoridades sírias contabilizaram, entre 02 e 27 de março, a entrada de 180 mil sírios e 28 mil libaneses nos três pontos oficiais de passagem entre os países.

"A grande maioria é síria, incluindo refugiados que fugiram da Síria no passado em busca de segurança no Líbano e que agora são forçados a fugir novamente, mas também há sírios que há muito consideravam regressar a casa", afirmou o responsável do ACNUR, acrescentando que há uma grande quantidade de libaneses em fuga também.

Segundo referiu, "as necessidades imediatas das pessoas que chegam à Síria vindas do Líbano incluem alimentação, abrigo, assistência médica, meios de subsistência e apoio com a documentação civil".

Face às necessidades, o ACNUR aumentou, em colaboração com as autoridades sírias, a sua presença nas fronteiras "para garantir serviços de proteção e assistência em tempo útil".

"As nossas equipas estão no terreno, a trabalhar com outros parceiros da ONU e organizações não-governamentais (ONG), bem como com voluntários, e aproveitando a nossa rede de centros comunitários ativos, para interagir com as famílias que chegam e responder às necessidades urgentes em áreas que recebem um grande número de retornados -- incluindo Alepo, ArRaqqa, Damasco Rural, Idlib, DeirezZor, Dar'a e Homs", explicou.

O representante da agência de refugiados garantiu que o ACNUR já conseguiu ajudar centenas de famílias, prestando assistência jurídica para tratar de documentos civis, como certidões de nascimento ou de casamento.

Além disso, distribuiu água a 30.000 pessoas em trânsito, entregou bens essenciais como cobertores, lonas de plástico e mantimentos para crianças, tendo também organizado o transporte para mais de 3.500 pessoas chegarem aos seus destinos finais.

"Estamos também a trabalhar com parceiros para realizar melhorias nas infraestruturas, como a instalação de postes de iluminação solar, para melhorar a segurança nos pontos de atravessamento", disse Aseer T.E. al-Madaien, reiterando a necessidade de financiamento.

"Muitas famílias que regressam descrevem um misto de dificuldades e incertezas. Como me disse há dias um pai sírio que fugiu do Líbano após intensos bombardeamentos, regressaram à Síria -- o seu país de origem -- depois de terem passado por tanto sofrimento. Agora, só esperam que a situação aqui melhore", descreveu.

É preciso "permanecer ao lado deles para ajudar a sustentar o seu regresso e reintegração, como temos feito para apoiar os mais de 3 milhões de sírios -- refugiados e deslocados internos -- que regressaram voluntariamente a casa desde dezembro de 2024", concluiu.


Leia Também: Conselho de Segurança reúne-se após morte de 'capacetes azuis' no Líbano

O Conselho de Segurança da ONU vai reunir-se hoje de emergência, após a morte de três 'capacetes azuis' no sul do Líbano, uma zona de confrontos entre Israel e o movimento pró-Irão Hezbollah.


Pneumologista alerta: O ritual de limpeza que é pior do que fumar... Um pneumologista alerta para um ritual comum de limpeza com incenso que pode estar a ser mais prejudicial para a sua saúde do que fumar. Tome nota dos riscos associados a esta prática e saiba como minimizar os danos.

© Shutterstock   noticiasaominuto.com   31/03/2026 

Se deixou de fumar para zelar pela saúde dos seus pulmões, agora tem de complementar esse hábito com outros cuidados. A forma como aromatiza o ambiente de casa, pode estar a "prejudicar gravemente a saúde dos seus pulmões".

O alerta foi dado por pneumologistas ao Healthline. Seja um hábito de limpezas energéticas e espirituais ou, somente, como ambientador, o uso de incenso pode estar a trazer mais desvantagens do que benefícios.

De que forma o incenso pode prejudicar a saúde

Em algumas culturas é comum queimar incenso, tanto "para fins higiénicos como espirituais". No entanto, pesquisas citadas pela mesma fonte revelam que esta prática pode acarretar algumas desvantagens para a saúde, chegando a ser tão ou mais prejudicial do que o fumo do tabaco.

Cancro

Para lá dos ingredientes naturais, o que levanta riscos sérios podem ser os componentes artificiais "que criam pequenas partículas inaláveis".

Uma investigação de 2021 confirma que parte desse material é cancerígeno, sendo que a maioria dos cancros desenvolvidos afetavam, sobretudo as funções respiratórias, devido aos "componentes tóxicos e irritantes que estão presentes no fumo com os seus compostos aromáticos, o que também pode causar outros efeitos à saúde".

Esses compostos, geralmente, podem incluir hidrocarbonetos poliaromáticos, benzeno e carbonílios.

Outros problemas de saúde relacionados com o contacto direto com incenso

Asma

Partículas presentes no fumo do incenso "contêm carcinógenos e irritantes, que podem levar ao desenvolvimento ou agravamento de doenças respiratórias como é o caso da asma e outras inflamações no corpo humano". 

Componentes alarmantes que são libertados ao queimar incenso

Segundo o HealingSounds a origem do problema não são os aromas, mas sim algumas das substâncias:

Material particulado: "Partículas microscópicas e inaláveis que podem viajar profundamente no trato respiratório e pode causar diversos problemas de saúde, especialmente nos pulmões e no coração".

Compostos orgânicos voláteis: "O incenso pode liberar COVs como benzeno, formaldeído e tolueno. São substâncias químicas à base de carbono que podem causar irritação de curto prazo (como dores de cabeça e tontura) e estão associadas a riscos de saúde a longo prazo devido à exposição prolongada e de alto nível".

Outros gases: Como monóxido de carbono (CO) e dióxido de enxofre (SO2) "também podem ser produzidos, especialmente em áreas com fraca ventilação".

Como minimizar os danos do incenso para a saúde

  • Não precisa de acabar com esta prática, mas segundo estes especialistas, é importante criar algumas regras:
  • Não usar incenso diariamente, opte por fazer um detox destes aromas;
  • Não precisa de queimar um bastão inteiro, deixe o aroma espalhar-se durante alguns minutos e depois volte a apagar;
  • Queimar incenso somente em espaços arejados para não comprometer a saúde;
  •  Priorize incensos de maior qualidade e com o máximo de ingredientes naturais;
  • Ouça o seu corpo: "Se sentir dores de cabeça, tosse ou irritação nos olhos, é um sinal claro para parar, ventilar o ambiente e reconsiderar a escolha ou frequência do incenso".

Itália recusou uso de base aérea na Sicília pelos EUA... A Itália recusou que as forças armadas dos Estados Unidos da América (EUA) utilizassem a base aérea de Sigonella, na ilha da Sicília, há uns dias, em manobras de guerra contra o Irão.

© Lusa  31/03/2026 

Fontes citadas pela agência noticiosa italiana ANSA confirmaram a notícia veiculada pelo jornal Il Corriere della Sera.

O ministro da Defesa Italiano, Guido Crosetto, recusou o pedido dos EUA após serem conhecidos os planos de voo de diversas aeronaves norte-americanas cujo destino final era o Médio Oriente.

As mesmas fontes adiantaram que não houve quaisquer consultas ou pedidos de autorização semelhantes anteriormente junto das forças armadas de Itália.

O itinerário terá sido comunicado com os aviões já em trânsito, mas as autoridades italianas verificaram que não se tratava de voos normais ou de apoio logístico, ficando portanto de fora do previsto pelos tratados entre EUA e Itália para o uso de bases aéreas naquele país europeu.

A guerra no Médio Oriente teve início em 28 de fevereiro, quando EUA e Israel realizaram ataques coordenados contra o território iraniano.

Em resposta, o Irão tem lançado mísseis e drones contra Israel e alvos estratégicos nos países vizinhos, além de manter o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do fornecimento mundial de petróleo.

A ofensiva israelo-americana foi justificada pela inflexibilidade da República Islâmica nas negociações sobre enriquecimento de urânio, no âmbito do seu programa nuclear, o qual Teerão garante destinar-se apenas a fins civis.

Nas retaliações, o Irão lançou também ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.


Leia Também: Autoridades iranianas confirmam ataque contra instalações militares

Um responsável de segurança do gabinete do governador de Isfahan confirmou hoje que ataques atingiram "instalações militares" nesta província do centro do Irão, onde se situa uma instalação nuclear.

Estados Unidos atacam cidade iraniana onde se situa instalação nuclear... Um ataque dos Estados Unidos (EUA) atingiu Isfahan durante a madrugada, lançando uma enorme bola de fogo para o céu, numa cidade do centro do Irão onde se situa uma instalação nuclear.

© REUTERS    Por LUSA  31/03/2026 

Embora o exército dos EUA não tenha até ao momento feito qualquer comentário sobre o bombardeamento, o Presidente norte-americano, Donald Trump partilhou nas redes sociais um vídeo do ataque a Isfahan, com explosões a iluminar o céu noturno.

Isfahan alberga uma das três instalações atacadas pelos EUA em junho e os militares norte-americanos acreditam que parte do urânio altamente enriquecido do Irão está armazenado ou enterrado na cidade.

Os satélites de rastreio de incêndios da agência aeroespecial norte-americana NASA sugerem que as explosões ocorreram perto do Monte Soffeh, uma área que Washington acredita ter posições militares. O Irão ainda não confirmou o ataque.

Uma imagem de satélite obtida pouco antes do impasse de 12 dias em junho entre o Irão e Israel sugere que Teerão transferiu um camião carregado de urânio altamente enriquecido para uma instalação nuclear em Isfahan.

A imagem de um satélite Pléiades Neo da Airbus Defence and Space mostra um camião carregado com 18 contentores azuis a entrar num túnel no Centro de Tecnologia Nuclear de Isfahan cerca de duas semanas antes de os EUA bombardearem o local.

Analistas acreditam que o camião transportava a maior parte ou todas as reservas iranianas de urânio enriquecido com uma pureza de até 60%. Este é um pequeno passo técnico para atingir o nível de 90%, necessário para armas nucleares.

Desde o início dos ataques de Israel e Estados Unidos contra o Irão, a 28 de fevereiro, Teerão tem respondido com ataques contra alvos militares e estratégicos em diversos países aliados de Washington no Médio Oriente.

Na terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, insistiu na terça-feira que Teerão está a atacar apenas as forças norte-americanas na região.

"As nossas operações visam agressores inimigos que não têm qualquer respeito pelos árabes ou iranianos, nem podem proporcionar qualquer segurança", escreveu ochefe da diplomacia de Irão.

"Já passou da hora de expulsar as forças americanas", acrescentou Araghchi, na rede social X.

Um petroleiro do Kuwait foi hoje atingido por um projétil lançado do Irão, quando estava atracado no porto do Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, segundo a Kuwait Petroleum Corporation.

Também nas últimas horas, quatro pessoas ficaram feridas no Dubai devido à queda de destroços provocados pelas defesas aéreas, informaram as autoridades.

As sirenes de alerta aéreo soaram no Bahrein.

Na Arábia Saudita, o Ministério da Defesa disse ter intercetado três mísseis balísticos lançados em direção a Riade, e acrescentou que destroços de um drone intercetado a sudeste da capital causaram pequenos danos em seis casas.

Também se ouviram sirenes em Jerusalém e fortes explosões foram ouvidas pouco depois de os militares israelitas terem alertado para uma iminente barragem de mísseis do Irão.


Leia Também: Kim Jong-un assiste enquanto soldados levam com martelos no abdómen

Kim Jong-un assistiu a vários exercícios militares das suas tropas, nos quais soldados demonstraram algumas habilidades, como quebrar tijolos e resistir a marteladas no abdómen. A sessão incluiu ainda uma demonstração por parte das tropas femininas.

Os Estados Unidos vão “devolver o homem à Lua num momento de grande competição geopolítica”... Que nova era espacial estão a criar os Estados Unidos? E a China? Oiça o mais recente episódio do podcast “O Mundo A Seus Pés” com Manuel Poêjo Torres, consultor da NATO e especialista em Estratégia Militar

Por  SIC Notícias

Clique aqui para ouvir enquanto navega na SIC Notícias

Estamos perante uma nova era de exploração e competição espacial, e os dois grandes protagonistas são os Estados Unidos e a China — desde a nova corrida à Lua, à defesa do Universo enquanto terra de ninguém e à construção de uma central nuclear lá em cima.

A Artemis II da NASA está prestes a começar. A agência espacial norte-americana deu várias janelas temporais, em abril, para lançar esta segunda missão lunar, apesar de ainda não haver uma data concreta. Será a primeira missão humana à Lua em mais de 50 anos. O objetivo da Artemis II é testar todos os sistemas do foguetão e da nave, desde o suporte de vida às telecomunicações, com quatro astronautas a bordo.

Os EUA estão a liderar esta nova corrida à Lua, mas a China está a querer os calcanhares. Ambos os países têm missões semelhantes ao único satélite da Terra, incluindo construir uma base no pólo sul lunar. “O Espaço tornou‑se uma verdadeira extensão da competição e dos interesses geopolíticos em Terra”, afirma Manuel Poêjo Torres, investigador e consultor da NATO, e especialista em Estratégia Militar e em Guerra Híbrida Multidimensional, onde se inclui o Espaço.

A disputa territorial pela Lua e pelo Espaço vai tornar-se, cada vez mais, uma realidade e daí surge uma questão pertinente: como é que se defende uma terra de ninguém (terra nullius), onde não há regras, legislação ou regulamentação, claras?

Os Estados Unidos vão “devolver o homem à Lua num momento de grande competição geopolítica”

MATILDE FIESCHI

Este episódio foi conduzido pela jornalista Mara Tribuna, contou com a edição técnica de Tomás Delfim e João Luís Amorim, e a fotografia de Matilde Fieschi. O Mundo a Seus Pés é o podcast semanal da editoria Internacional do Expresso. A condução do debate é rotativa entre os jornalistas Ana França, Hélder Gomes, Mara Tribuna, Pedro Cordeiro e Catarina Maldonado Vasconcelos. Subscreva e ouça mais episódios.

Israel diz que mais quatro soldados morreram no sul do Líbano... As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) informaram hoje que mais quatro soldados morreram na frente de combate com o movimento pró-Irão Hezbollah, no sul do Líbano.

© Lusa  31/03/2026 

O exército israelita divulgou na plataforma de mensagens Telegram os nomes de três das vítimas, sendo que os familiares já foram notificados: o capitão Noam Madmoni e os sargentos Ben Cohen e Maxsim Entis.

A família do quarto militar não autorizou a divulgação do seu nome, referiram as IDF, sem fornecer detalhes sobre as circunstâncias das mortes.

Um soldado ficou gravemente ferido e um reservista sofreu ferimentos moderados no incidente. Os feridos foram levados para um hospital para receberem tratamento médico, acrescentou o exército.

O anúncio eleva para nove o número de soldados israelitas mortos no sul do Líbano desde 02 de março, quando o Hezbollah atacou Israel, em retaliação pela morte do líder supremo do Irão, Ali Khamenei, no primeiro dos bombardeamentos israelo-americanos em Teerão em 28 de fevereiro.

Desde então, os ataques israelitas no Líbano já mataram mais de 1.200 pessoas e feriram mais de 3.600, de acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde libanês.

Na segunda-feira, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) informou que está a investigar a morte de três militares indonésios, no espaço de 24 horas, em dois incidentes separados no sul do território libanês.

O Conselho de Segurança da ONU vai reunir-se hoje de emergência para discutir o assunto. A França, tradicional aliado do Líbano, solicitou a reunião, que terá início às 10:00 (14:00 em Lisboa).

A FINUL, que conta com cerca de 8.200 soldados provenientes de 47 países, anunciou que dois soldados morreram na segunda-feira devido ao impacto de um projétil no veículo em que se deslocavam, perto de Bahi Hayan, no distrito de Marjayún, no sul do Líbano.

O veículo integrava uma coluna sob comando de militares espanhóis.

Num comunicado enviado às redações, a missão da ONU no Líbano reporta uma "explosão de origem desconhecida" que destruiu o veículo em que seguiam os seus efetivos, tendo um outro militar ficado gravemente ferido e um quarto com ferimentos ligeiros.

No domingo, morreu outro 'capacete azul', também de nacionalidade indonésia, num outro ataque de origem desconhecida.

O exército de Israel declarou hoje que estava a investigar os incidentes e instou o público a não assumir que era responsável.

"Estes incidentes estão a ser minuciosamente examinados para esclarecer as circunstâncias e determinar se resultaram de atividades do Hezbollah ou do exército israelita", disse o exército na plataforma de mensagens Telegram.

O Hezbollah, por sua vez, reivindicou a responsabilidade pelos ataques contra posições israelitas no sul do Líbano e afirmou ter lançado mísseis contra uma base do serviço de informações nos arredores de Telavive.


Leia Também: Hamas vai retaliar após Israel aprovar execução para homicídio terrorista

O movimento fundamentalista palestiniano Hamas prometeu uma "resposta proporcional" após o parlamento de Israel ter aprovado a pena de morte para condenados por homicídio terrorista que, na prática, aplica-se apenas a palestinianos.

Países asiáticos procuram crude russo com guerra no Irão a pressionar oferta... Os países asiáticos estão a competir cada vez mais pelo petróleo bruto russo, à medida que se agrava a crise energética provocada pela guerra dos Estados Unidos (EUA) e de Israel contra o Irão.

© Lusa   31/03/2026 

Grande parte do petróleo que passava pelo estreito de Ormuz, agora praticamente bloqueado, destinava-se à Ásia, a região mais atingida pelos choques energéticos. A entrada no conflito dos rebeldes Houthis do Iémen, apoiados pelo Irão, veio aumentar os riscos para o transporte marítimo.

Para aliviar a pressão sobre o abastecimento global, os EUA levantaram temporariamente as sanções sobre carregamentos de petróleo russo já em trânsito, primeiro para a Índia e depois para outros países.

A procura asiática está a subir e a Rússia continua a lucrar, mas há limites: Moscovo já exporta perto do seu máximo recente e enfrenta dificuldades devido à guerra na Ucrânia e aos ataques contra as suas infraestruturas energéticas.

Antes do conflito com o Irão, China, Índia e Turquia eram os principais compradores de petróleo russo, aproveitando descontos, apesar das sanções ocidentais.

Com o alívio das sanções, países do Sudeste Asiático, como Filipinas, Indonésia, Tailândia e Vietname, começaram a mostrar interesse. As Filipinas importaram petróleo russo pela primeira vez em cinco anos, pouco depois de declararem emergência energética.

No entanto, estes países terão de competir com China e Índia por volumes limitados ainda em trânsito.

As alternativas, como petróleo dos EUA, América do Sul ou África Ocidental, estão demasiado distantes, o que implica tempos de entrega de meses. Isso deixa os países mais pobres em situação difícil.

Nas Filipinas, já se pondera o racionamento de combustível. Há filas longas nos postos de abastecimento e apoios financeiros de emergência para trabalhadores afetados. O país, com 117 milhões de habitantes, dependia quase totalmente do Médio Oriente para as importações de petróleo.

A crise pode agravar a pobreza e serve de alerta para outros países da região.

A declaração de emergência energética é "uma nova fronteira" pela sua escala e dimensão, afirmou Kairos Dela Cruz, do Institute for Climate and Sustainable Cities, citado pela agência Associated Press.

"Isto vai certamente empurrar ainda mais pessoas para abaixo da linha da pobreza", disse.

Vietname e Indonésia também procuram diversificar fornecedores.

A visita do primeiro-ministro vietnamita, Pham Minh Chinh, à Rússia, a 23 de março, incluiu a assinatura de acordos de cooperação em petróleo e gás, bem como em energia nuclear, numa altura em que a subida dos preços do gasóleo começa a pressionar o setor industrial do Vietname.

Na Indonésia, responsáveis afirmaram que "todos os países são possíveis" parceiros no reforço das reservas. Isso inclui a Rússia e o pequeno sultanato petrolífero de Brunei, disse o ministro da Energia indonésio, Bahlil Lahadalia.

A Tailândia, embora menos pressionada, enfrenta subida de preços dos combustíveis, com impactos na indústria, transportes e no custo de vida.

China e Índia já eram grandes compradores de petróleo russo e beneficiaram de uma vantagem inicial no acesso a novos carregamentos. Quando outros países tiveram luz verde, grande parte do petróleo disponível já estava destinado.

Mesmo assim, a Índia pode não conseguir compensar totalmente a quebra de fornecimentos do Médio Oriente, sobretudo com o aumento da procura no verão.

A China, porém, tem grandes reservas estratégicas, o que permite amortecer impactos a curto prazo.

"A Rússia surge como grande vencedora de todo o conflito", afirmou Sam Reynolds, do Institute for Energy Economics and Financial Analysis, com sede nos EUA. Tendo em conta a crise energética, a rapidez de entrega e os preços temporariamente mais baixos, a Ásia tem "um incentivo muito maior para importar petróleo russo", acrescentou.

"Podemos discutir se há aqui um dilema moral, mas penso que isto reflete o facto de os países fazerem o que for necessário para proteger a sua segurança energética", sublinhou.

Petroleiro do Kuwait atingido no porto do Dubai... Um petroleiro do Kuwait foi hoje atingido por um projétil lançado do Irão, quando estava atracado no porto do Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, segundo a Kuwait Petroleum Corporation (KPC).

© Walaa Alshaer/Bloomberg via Getty Images    Por LUSA   31/03/2026 

A empresa afirmou que o ataque causou um incêndio e danos significativos no petroleiro, o que pode originar um derrame de petróleo, de acordo com um comunicado divulgado pela Agência de Notícias do Kuwait (KUNA).

A KPC informou que o petroleiro estava totalmente carregado com crude no momento do ataque.

O ataque, que não causou feridos nem mortos, foi atribuído ao Irão, que lança mísseis e 'drones' diariamente contra alvos norte-americanos e israelitas nos países do Golfo Pérsico em retaliação pelos ataques contra Teerão, que duram há mais de um mês.

Pouco antes, a Organização do Reino Unido para o Transporte Marítimo (UKMTO, na sigla inglesa) tinha informado de um ataque a uma embarcação a 31 milhas náuticas (cerca de 57 quilómetros) a noroeste do Dubai.

Desde 28 de fevereiro, quando começou a guerra contra o Irão, a UKMTO registou 24 incidentes envolvendo navios no Estreito de Ormuz, a via navegável estratégica bloqueada por Teerão e por onde passa normalmente um quinto do comércio mundial de petróleo.

Destes 24 incidentes, 16 envolveram projéteis que atingiram embarcações.

Também nas últimas horas, quatro pessoas ficaram feridas no Dubai devido à queda de destroços provocados pelas defesas aéreas, informaram as autoridades.

"As autoridades do Dubai responderam a um incêndio numa casa abandonada em Al Badaa, causado por destroços após a interceção de um ataque de defesa aérea. Quatro pessoas que estavam perto da casa sofreram ferimentos ligeiros", disse em comunicado o Gabinete de Imprensa do Dubai, sem especificar a origem dos destroços.

Desde o início dos ataques de Israel e Estados Unidos contra o Irão, a 28 de fevereiro, Teerão tem respondido com ataques contra alvos militares e estratégicos em diversos países aliados de Washington no Médio Oriente.

As infraestruturas energéticas de países vizinhos como o Qatar e a Arábia Saudita têm sido particularmente visadas pelos mísseis iranianos.

Teerão declarou ainda o encerramento do Estreito de Ormuz, ameaçando atacar navios que o tentem atravessar.

Washington e Teerão iniciaram conversações indiretas com mediação do Paquistão.


Leia Também: Dubai. Edifício mais alto do mundo atingido por raios durante tempestade

A torre do edifício mais alto do mundo, o Burj Khalifa, foi atingida por "fortes chuvadas, tempestades e ventos intensos" que assolaram os Emirados Árabes Unidos. As autoridades emitiram vários alertas devido ao mau tempo.

segunda-feira, 30 de março de 2026

ONU com 8.200 soldados sob fogo cruzado entre Israel e Hezbollah... A missão da ONU no Líbano, que perdeu vários soldados nos últimos dias, tem servido como força de manutenção da paz desde 1978, mas encontra-se no fogo cruzado entre o exército israelita e o Hezbollah.

Por LUSA 

A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL), que conta com quase 8.200 soldados de 47 países, encontra-se entre Israel e a formação xiita pró-iraniana, que arrastou o Líbano para a guerra entre Israel e os Estados Unidos, por um lado, e o Irão, por outro, com um ataque a 02 de março.

Desde então, a FINUL tem sido alvo de tiros em várias ocasiões.

Um soldado indonésio foi morto no domingo pela explosão de um projétil de origem desconhecida perto da cidade fronteiriça de Adchit Al Qusayr. Mais dois soldados foram mortos hoje numa "explosão de origem desconhecida" perto de Bani Hayyan, outra cidade fronteiriça, e vários outros ficaram feridos.

A 06 de março, três soldados ganeses ficaram gravemente feridos num ataque à sua base em al-Qauzah, atribuído a Israel pelo Presidente libanês, Joseph Aoun.

Poucos dias depois, projéteis israelitas atingiram o quartel-general do batalhão nepalês.

Durante a última guerra entre o Hezbollah e Israel no outono de 2024, a FINUL acusou as tropas israelitas de disparos "repetidos" e "deliberados" sobre as suas posições.

Em que consiste a FINUL?

A missão está destacada entre o rio Litani e a fronteira entre o Líbano e Israel, e a sua sede está localizada em Ras al-Naqoura, perto da fronteira com Israel.

Os principais contingentes nesta força são fornecidos pela Indonésia, Índia, Gana, Itália e Nepal. Malásia, Espanha, Irlanda e França também contribuem com militares.

A FINUL é principalmente responsável pelo apoio ao trabalho humanitário, mas também pode "decidir sobre quaisquer ações necessárias em termos do destacamento das suas forças, de modo a garantir que a sua área de operações não seja usada para atos hostis".

Criada em 1978, a FINUL destacou 6.000 soldados após uma primeira invasão de parte do sul do Líbano por Israel, que alegava querer proteger o norte do seu território dos combatentes da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Em 1982, as tropas israelitas chegaram até à capital libanesa, Beirute, antes de se retirarem em 1985. Ordenado pelo Conselho de Segurança (resolução 425) para retirar as suas forças de todo o território libanês, Israel manteve uma faixa fronteiriça.

Só em agosto de 2000 é que a FINUL, até então uma testemunha impotente contra Israel no sul do Líbano, foi destacada para a fronteira, após o fim da ocupação israelita em maio.

O mandato da missão, renovado anualmente pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, expirará a 31 de dezembro de 2026, depois de, no final de agosto passado, sob pressão dos Estados Unidos e de Israel, o Conselho de Segurança ter decidido agendar a retirada para 2027, o que alguns consideram prematuro.

Resolução 1701

A FINUL apela à aplicação da Resolução 1701 do Conselho de Segurança, que pôs fim à guerra entre Israel e o Hezbollah em 2006.

A resolução estipula a cessação das hostilidades em ambos os lados da fronteira e prevê apenas que os "capacetes azuis" da ONU (como são conhecidos os operacionais das missões da organização internacional) e o exército libanês sejam destacados para o sul do Líbano.

Este texto permitiu a colocação do exército libanês ao longo da fronteira até então mantida pelo Hezbollah. Mas o grupo xiita manteve presença na região, onde, segundo especialistas, escavou uma grande rede de túneis, o que viola a Resolução 1701.

Em 2020, a ONU pediu, em vão, ao Líbano acesso a estes túneis sob a Linha Azul, que marca ao longo de 120 quilómetros a zona de retirada de Israel e a divisão entre os dois países.

Após 2006, tiroteios e tensões entre Israel e o Hezbollah continuaram, ainda que esporadicamente, até à nova escalada em outubro de 2023.

Pelo menos 340 mortos

A missão perdeu pelo menos 340 homens, maioritariamente soldados, desde 1978.

Houve incidentes entre patrulhas dos "capacetes azuis" e residentes do sul do Líbano, incluindo apoiantes do Hezbollah.

O último incidente deste tipo ocorreu em dezembro de 2022, quando um "capacete azul" irlandês foi morto e outros três ficaram feridos num ataque ao veículo em que seguiam.

E agora?

As autoridades libanesas disseram no final de janeiro que queriam "uma presença internacional, preferencialmente a ONU", e pediram aos contingentes europeus que permanecessem.

No início de fevereiro, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, afirmou que o exército libanês deveria "substituir a FINUL, que tem 700 soldados franceses, quando chegar a altura".

A Itália indicou que quer manter uma presença militar no Líbano após a saída da FINUL.


Leia Também: FINUL confirma morte de três "capacetes azuis" nas últimas 24h no Líbano

A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) anunciou hoje, em comunicado, que três dos seus militares foram mortos nas últimas 24 horas em dois incidentes separados no sul do território libanês.

Portugal. LEI DO RETORNO: Estrangeiro ilegal nascido cá evita expulsão se viver no país há 5 anos... Um estrangeiro que tenha nascido em Portugal e que esteja em situação irregular só pode evitar a expulsão se conseguir provar que vive no país há pelo menos cinco anos, segundo uma proposta do Governo.

© Luis Boza/NurPhoto via Getty Images  Por  LUSA  30/03/2026 

A proposta de lei do Governo que visa acelerar os procedimentos de afastamento de estrangeiros em situação irregular, conhecida como lei do retorno, deu hoje entrada na Assembleia da República após ter sido aprovada a 19 de março em Conselho de Ministros e estado em consulta pública.

O Governo mantém que um estrangeiro com um filho menor português não pode ser expulso do país, no entanto estabelece limites quanto aos afastamentos, nomeadamente que só pode evitar uma expulsão quem "tenha nascido em território português e aqui resida há pelo menos cinco anos".

Este requisito também passa a ser exigido aos imigrantes que tenham vindo para Portugal com menos de 10 anos e que aqui residam.

A proposta estabelece também que os menores não acompanhados com menos de 16 anos não podem ser expulsos, ficando também vedados ao afastamento coercivo os estrangeiros com "filhos maiores que, em razão de deficiência, doença grave ou incapacidade, deles dependam efetivamente".

Ressalvando que têm de ser ponderados os princípios "do superior interesse da criança e da unidade da vida familiar", o executivo defende a expulsão de quem "tenha sido condenado em pena de prisão igual ou superior a cinco anos" e de suspeitos dos "crimes de terrorismo, sabotagem ou contra a segurança do Estado ou de condenação pela prática de tais crimes".

Os prazos de detenção de estrangeiros nos centros de instalação temporária (CIT) e espaços equiparados para efeitos de afastamento do país foram alargados dos atuais 60 para 180 dias, podendo ser alargados por mais 180 dias.

"A colocação de cidadão estrangeiro em centro de instalação temporária não pode exceder o estritamente necessário à execução da decisão de afastamento coercivo, com o limite de 180 dias, prorrogáveis por igual período, no caso de se verificar a falta de cooperação do cidadão estrangeiro ou atrasos na obtenção da documentação necessária junto de países terceiros", precisa o documento.

A proposta prevê a introdução de novas medidas de coação alternativas à detenção, como o depósito de caução ou garantia financeira, obrigação de entrega de documentos de viagem e instalação em regime aberto em centros de instalação temporária.

O Governo propõe também que o cidadão estrangeiro notificado de decisão administrativa para abandonar o país deve fazê-lo entre 20 e 30 dias, podendo este prazo ser prorrogado quando está em causa "a duração da permanência, a existência de filhos que frequentem a escola, a existência de outros membros da família e de laços sociais, disso sendo notificado o cidadão estrangeiro".

O Governo propõe também o fim das notificações de abandono voluntário, além de alargar para cinco anos o prazo de interdição de entrada em Portugal para os estrangeiros que sejam afastados coercivamente, prazos que podem ainda aumentar em situações agravadas.

No caso dos pedidos de asilo, a proposta refere que a apresentação do pedido de proteção internacional "não suspende a tramitação de procedimento administrativo ou de processo criminal por entrada irregular em território nacional" e que o desfecho do processo-crime só pode ocorrer depois de decidido o pedido de proteção internacional.

A proposta ressalva que os requerentes de asilo "não podem ser mantidos em regime de detenção somente pelo facto de a terem requerido", frisando que só devem ser detidos em CIT "por motivos de segurança nacional, saúde pública, quando exista risco de fuga ou no caso de entrada ou permanência ilegal em território nacional, com base numa apreciação individual e se não for possível aplicar de forma eficaz outras medidas alternativas menos gravosas".

"O Governo propõe um conjunto de medidas com vista a acelerar os procedimentos de afastamento de cidadãos estrangeiros em situação irregular", refere o executivo, sustentando que as medidas, "não comprometendo a garantia de respeito pelos direitos fundamentais dos cidadãos estrangeiros", procuram promover "uma desburocratização do processo e reforçar os meios legais para a efetiva concretização do afastamento de quem não tem direito a permanecer em Portugal".

A proposta visa alterar o regime de acolhimento nos centros de instalação temporária, que são geridos pela PSP, a lei de estrangeiros e a legislação que regula o asilo.

NATO confirma interceção de míssil iraniano que se dirigia para a Turquia... A NATO confirmou hoje ter intercetado um míssil iraniano que se dirigia para a Turquia, o quarto desde o início da guerra no Médio Oriente, a 28 de fevereiro.

© Berkan Cetin/Anadolu via Getty Images   Por LUSA  30/03/2026 

"[A Aliança Atlântica] está pronta para enfrentar tais ameaças e fará sempre o que for necessário para defender todos os aliados", afirmou a porta-voz da organização, Allison Hart, na rede social X.

Momentos antes, o Ministério da Defesa turco já tinha anunciado a interceção, através dos mecanismos de defesa aérea da NATO, de um quarto míssil lançado contra o seu território, que atribuiu ao Irão.  

"Um projétil balístico, que se determinou ter sido lançado a partir do Irão e ter penetrado no espaço aéreo turco, foi neutralizado pelos meios de defesa aérea e antimísseis da NATO destacados no Mediterrâneo Oriental", indicou o ministério.

O comunicado das autoridades turcas não especificou a região em que o míssil foi intercetado pelos meios da NATO, nem qual poderia ter sido o potencial alvo.

A Turquia, que está envolvida nas tentativas de mediação para pôr fim à guerra, nomeadamente através de negociações conduzidas com o Paquistão, Emirados Árabes Unidos e Egito, pretende manter-se fora do conflito em curso, desencadeado pelos bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel ao Irão.

"Impedir que o nosso país seja arrastado para este conflito é a nossa prioridade número um", afirmou o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

O míssil hoje intercetado foi o quarto lançado em direção à Turquia desde o início da guerra no Irão, sem que algum tenha atingido solo turco.

"Todas as medidas necessárias são tomadas com determinação e sem hesitação perante qualquer ameaça ao território e ao espaço aéreo do nosso país e todos os desenvolvimentos na região são acompanhados de perto, dando prioridade à nossa segurança nacional", declarou o ministério.

A embaixada do Irão na Turquia negou qualquer responsabilidade de Teerão, mostrando-se disposta a constituir "uma equipa técnica conjunta" para investigar estes incidentes.

Apesar disso, Ancara anunciou na semana passada o destacamento pela NATO de uma nova bateria antiaérea Patriot na base militar de Incirlik (sul), que alberga forças norte-americanas.

Estados Unidos e Israel têm em curso desde 28 de fevereiro uma ofensiva militar de grande escala contra o Irão.

Teerão encerrou o Estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.


Leia Também: Turquia anuncia interceção de quarto míssil lançado a partir do Irão

A Turquia anunciou hoje a interceção de um quarto míssil lançado contra o seu território, atribuído ao Irão, segundo o Ministério da Defesa turco.

EUA afirmam que em breve "retomarão o controlo" do Estreito de Ormuz... Os Estados Unidos (EUA) defenderam hoje que a situação no Estreito de Ormuz está a melhorar e que, em breve, "retomarão o controlo" desta via marítima estratégica para que os navios petroleiros possam circular pela rota sem restrições.

© Michael Nagle/Bloomberg via Getty Images   Por LUSA  30/03/2026 

A garantia foi dada pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, numa entrevista à estação de televisão Fox News, que lembrou que o trânsito de petróleo e mercadorias no estreito foi interrompido pelo Irão em represália pela guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel a 28 de fevereiro.

"O mercado está bem abastecido e todos os dias vemos um número crescente de navios a transitar [pelo estreito], mas, com o tempo, os Estados Unidos retomarão o controlo dos estreitos e a liberdade de navegação será restabelecida, quer através de escoltas norte-americanas quer por meio de uma escolta multinacional", referiu Bessent.

Ainda assim, o representante estimou o atual défice do mercado entre 10 e 12 milhões de barris, perante o qual a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, está a fornecer cerca de quatro milhões de barris por dia, no âmbito da decisão dos 32 países da Agência Internacional da Energia (AIE) de libertar 400 milhões de barris das reservas de emergência.

Antes da eclosão do conflito, pelo Estreito de Ormuz passava quase um quinto do petróleo mundial.

O risco de uma profunda crise económica mundial persegue a administração Trump, que solicitou a ajuda de países aliados para reabrir o tráfego no Estreito de Ormuz, sem conseguir apoios à sua proposta, após o que chegou a qualificar como "cobardes" os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

Trump adiou até 06 de abril o ultimato a Teerão para desbloquear esta passagem estratégica, dando margem a negociações cuja existência o Irão nega, reconhecendo apenas a troca de mensagens através de intermediários como o Paquistão.

Já hoje, o Presidente norte-americano afirmou, numa mensagem publicada na sua rede social, Truth Social, que "foram alcançados grandes progressos" nas conversações "para pôr fim às operações militares [dos EUA] no Irão", sem entrar em pormenores, ao mesmo tempo que ameaçou atacar instalações energéticas e petrolíferas do país persa caso não seja alcançado um acordo.

O Presidente norte-americano assegurou no domingo que o Irão permitirá a passagem de 20 navios petroleiros através do Estreito de Ormuz como um "presente" e "sinal de respeito" para com os Estados Unidos.

As declarações de Trump surgem num contexto de aumento da presença militar de Washington no Médio Oriente, com o destacamento de cerca de 50.000 militares no total e alegados planos do Pentágono (Departamento de Defesa) para uma incursão terrestre no Irão, segundo informações divulgadas por meios de comunicação social norte-americanos.

Quanto ao levantamento das restrições ao petróleo iraniano e russo já carregado em navios, o secretário do Tesouro norte-americano defendeu que "nenhum dos regimes receberá dinheiro adicional" com esta medida, aplicada para aliviar os mercados energéticos sujeitos a fortes flutuações após o encerramento de Ormuz.

Além disso, não demonstrou preocupação com os ataques dos rebeldes xiitas huthis, do Iémen, que anunciaram no sábado a entrada na guerra do Irão, e indicou que as ações das forças iemenitas estão dirigidas "especificamente" contra Israel.

"Estamos a levar a cabo uma campanha de bombardeamentos contra os huthis e, até agora, têm-se mantido bastante tranquilos, e prevejo que assim continuarão", afirmou Bessent.

Presidente libanês tenta negociar com Israel e alerta para guerra civil... O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou hoje que as autoridades continuam a tentar negociações com Israel e advertiu contra qualquer tentativa de arrastar o país para uma guerra civil, num contexto de crescentes tensões entre comunidades.

© Houssam Shbaro/Anadolu via Getty Images    Por  LUSA   30/03/2026

"A mão que se estender contra a paz civil será cortada", alertou Joseph Aoun num encontro com representantes de um fórum local, em declarações citadas a partir de um comunicado da Presidência libanesa.

"Ninguém no Líbano quer que rebente uma guerra civil e aqueles que tentarem pescar em águas turbulentas não terão sucesso nos seus esforços", acrescentou Aoun, referindo-se a qualquer ator que procure tirar partido do caos da guerra para provocar novos problemas.

O novo conflito entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah voltou a aumentar o receio de um eventual surto de violência interna, depois de um ataque unilateral do movimento armado ter desencadeado uma intensa campanha de bombardeamentos israelitas contra o sul do Líbano e o aparente início de uma invasão.

Em retaliação, o Governo libanês ilegalizou no início do mês as atividades armadas do movimento xiita pró-iraniano e prometeu concluir o desarmamento de Hezbollah, uma questão que tem gerado tensões entre ambas as partes desde o verão passado.

Além disso, a ofensiva aérea e terrestre israelita deslocou mais de um milhão de pessoas, a grande maioria oriunda de regiões xiitas, para zonas habitadas em maioria por outras comunidades, por vezes desencadeando tensões e provocando a rejeição dos residentes locais, receosos de que os recém-chegados possam tornar-se alvo de ataques.

"A situação no sul é trágica devido às graves violações cometidas por Israel e continuamos os contactos internacionais para impulsionar as negociações com Israel", indicou o Presidente, segundo a nota.

Aoun procura promover uma iniciativa para pôr fim à guerra que inclui uma proposta de negociações com Israel, uma opção que o líder do Hezbollah, Naim Qassem, considera "inaceitável", tendo em conta a continuação da ocupação e dos ataques israelitas.

Rússia captou imagens de satélite de base aérea dos EUA atacada pelo Irão... A Rússia terá captado imagens de satélite da base aérea dos Estados Unidos na Arábia Saudita, dias antes do ataque do Irão, que feriu soldados norte-americanos. A informação foi divulgada pelo próprio presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

© AHMAD AL-RUBAYE / AFP via Getty Images   noticiasaominuto.com  30/03/2026 

A Rússia terá captado pelo menos três imagens de satélite da base aérea norte-americana na Arábia Saudita apenas dias antes de o Irão atacar o local, ferindo os soldados dos Estados Unidos. A informação é da inteligência ucraniana, partilhada pelo próprio presidente Volodymyr Zelensky em entrevista à NBC News.

"Eu acho que é do interesse da Rússia ajudar os iranianos. E eu não acredito - eu sei que eles partilham informação", afirmou de forma perentória no sábado, 28 de março, depois de uma reunião no Qatar. "Eles ajudam os iranianos? Claro que sim. Quanto é que eu acredito nisto? 100%."

Durante a mesma conversa, Zelensky partilhou um relatório da inteligência ucraniana onde era detalhado que os satélites russos tinham captado imagens da Base Aérea Prince Sultan, na Arábia Saudita, a 20, 23 e 25 de março. No dia seguinte a esta última imagem, o Irão atacou a base, que albergava tropas norte-americanas e sauditas.

Vários soldados dos Estados Unidos ficaram feridos, segundo duas altas patentes norte-americanas, mas nenhum ficou em perigo de vida.

Na opinião do líder ucraniano, a captura de fotografias pelos russos mostra, claramente, uma indicação de que podem ter auxiliado a planear o ataque.

"Nós sabemos que se eles tirarem as imagens uma vez, estão-se a preparar. Se tirarem imagens uma segunda vez, é como uma simulação. A terceira vez significa que em um ou dois dias vão atacar", garantiu sem, no entanto, mostrar provas das informações que estava a partilhar durante as entrevistas. A NBC News faz também questão de notar que não conseguiu verificar a informação.

A possível partilha de dados entre a Rússia e o Irão não é novidade. Aliás, a própria chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas já acusou Moscovo disso mesmo: "Estamos a ver que a Rússia está a ajudar o Irão com informações para visar americanos, para matar americanos", disse à margem de uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros do G7, em Cernay-la-Ville, perto de Paris, na sexta-feira, 26 de março. Kallas acrescentou ainda que os russos estarão ainda a fornecer drones melhorados ao Irão.

Desde o início que a Rússia critica a ofensiva israelita e norte-americana a Teerão, tendo dito que a justificação usada por Donald Trump para atacar o Irão era "infundada" e que os dois países tinham mergulhado "o Médio Oriente num abismo".

Ainda na mesma entrevista, Volodymyr Zelensky confessou estar preocupado que as armas que os Estados Unidos estão a enviar para a Ucrânia possam ser desviadas para o conflito no Médio Oriente.

"Estou muito preocupado. Espero que os Estados Unidos não cometam estes erros", afirmou, realçando que o envio de armas dos seus aliados no Ocidente é crucial para que Kyiv continue a defender-se contra Moscovo.


Leia Também: Irão: União Europeia decide prolongar sanções ao regime até abril de 2027

O Conselho da União Europeia (UE) decidiu hoje prolongar até abril de 2027 as sanções contra o Irão devido a "graves violações dos direitos humanos" no país, anunciou a instituição.

POLÍCIA JUDICIÁRIA DETÉM CASAL ACUSADO DE FALSA CURA DO VIH NA GUINÉ-BISSAU

Por  RSM 30 03 2026

A Polícia Judiciária (PJ) deteve dois cidadãos suspeitos de cobrarem quantias elevadas de dinheiro sob a alegação de que seriam capazes de curar o VIH tipo 1, num caso que está a ser tratado como crime de atentado contra a saúde pública.

Entre os detidos encontram-se uma mulher de nacionalidade luso-guineense de 50 anos de idade e o seu marido, de nacionalidade sueca, de 53 anos de idade. 

Segundo as autoridades, o esquema estaria a ser desenvolvido na localidade de Bor, arredores de Bissau, numa casa arrendada.

De acordo com informações recolhidas, o casal promovia os seus supostos tratamentos através das redes sociais, atraindo diversas pessoas. Pelos serviços, cobravam cerca de 100 mil francos CFA aos cidadãos nacionais e valores que podiam atingir os 18 mil euros aos estrangeiros.

Os suspeitos deverão ser apresentados ainda hoje às autoridades judiciais. Em conferência de imprensa, o subinspetor da PJ, Domingos Etiene Gomes, explicou que, durante a operação, foi confirmado que o casal tem filhos menores, que serão encaminhados para o lar de acolhimento da SOS Guiné-Bissau.

O responsável adiantou ainda que os dois cidadãos não possuíam qualquer certificação para exercer atividades na área da saúde.

As autoridades admitem, no entanto, que ainda não é conhecido o número exato de pessoas que terão sido submetidas ao alegado tratamento fraudulento. 

O caso continua sob investigação, com o Ministério Público a conduzir diligências para apurar todos os factos.

Entretanto, a PJ não adianta se esquema ter sido expandido para outras regiões do país. Situações semelhantes têm sido frequentemente reportadas, com indivíduos a utilizarem megafones nas ruas para vender remédios tradicionais, prometendo alegada cura de diversas doenças crónicas.

VICE- PRESIDENTE, DIONÍSIO CABY, ASSEGURA A GESTÃO DOS ASSUNTOS CORRENTES DO PRS NA AUSÊNCIA DO PRESIDENTE FÉLIX BULUTNA NANDUNGUE.

A DIREÇÃO DA COMUNICAÇÃO E IMAGEM DO PRS  Bissau, 30 de março de 2026

EUA ameaçam destruir ilha petrolífera iraniana se Ormuz não reabrir... O presidente norte-americano ameaçou hoje eliminar a ilha de Kharg, importante local petrolífero iraniano, se o Estreito de Ormuz não for reaberto e as negociações com Teerão, que descreveu como "sérias", não chegarem a uma conclusão "rápida".

© Anna Moneymaker/Getty Images     Por  LUSA    30/03/2026 

"Os Estados Unidos da América estão em discussões sérias com um novo regime, mais razoável, para acabar com as nossas operações militares no Irão. Foi feito um enorme progresso", escreveu Donald Trump na sua rede Truth Social.

No entanto, deixou uma nova ameaça: "Se por alguma razão não for alcançado um acordo rapidamente, o que provavelmente acontecerá, e se o Estreito de Ormuz não estiver imediatamente 'aberto para negócios', concluiremos a nossa encantadora 'estadia' no Irão explodindo e aniquilando completamente todas as suas centrais elétricas, poços de petróleo e a ilha Kharg (e possivelmente todas as fábricas de dessalinização!)".

Segundo Trump, estas fábricas ainda não foram atingidas "deliberadamente".

"Isto será uma retaliação pelos muitos soldados e outros que o Irão massacrou durante os 47 anos do 'Reinado de Terror' do antigo regime", concluiu o Presidente dos Estados Unidos.

Nas últimas horas, as autoridades iranianas voltaram a negar que tenham existido contactos diretos com o Governo norte-americano e mostraram dúvidas de que o Presidente Trump tenha um interesse real em alcançar qualquer acordo.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghaei, confirmou contactos através de terceiros, embora tenha classificado as primeiras propostas vindas de Washington como irrazoáveis.

A guerra no Médio Oriente teve início em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel realizaram ataques coordenados contra o território iraniano.

Em resposta, o Irão tem lançado mísseis e drones contra Israel e alvos estratégicos nos países vizinhos, além de manter o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do fornecimento mundial de petróleo.

A ofensiva israelo-americana foi justificada pela inflexibilidade da República Islâmica nas negociações sobre enriquecimento de urânio, no âmbito do seu programa nuclear, que Teerão garante destinar-se apenas a fins civis.

Nas retaliações, o Irão lançou também ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.

Desde o início da guerra, há 31 dias, mais de 1.500 pessoas morreram no Irão, vítimas de bombardeamentos, incluindo o anterior líder supremo, Ali Khamenei, e outros dirigentes da cúpula iraniana.

Zelensky propõe trégua energética a Moscovo para responder à crise... O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, cujo país intensificou nas últimas semanas os ataques contra instalações petrolíferas russas, propôs hoje uma trégua energética a Moscovo para responder à crise desencadeada pela guerra no Médio Oriente.

© Danylo Antoniuk/Ukrinform/NurPhoto via Getty Images     Por LUSA  30/03/2026 

A Ucrânia recebeu recentemente "sinais de alguns dos [seus] parceiros" a pedir para "reduzir os ataques contra o setor petrolífero" russo, indicou Zelensky numa mensagem de voz enviada para o grupo de WhatsApp que partilha com os jornalistas que acompanham a atualidade da Ucrânia.

A guerra no Médio Oriente começou a 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel realizaram ataques coordenados contra o território iraniano.

Em resposta, o Irão tem lançado mísseis e drones contra Israel e alvos estratégicos nos países vizinhos, além de manter o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do fornecimento mundial de petróleo.

"Sublinho mais uma vez que, se a Rússia estiver pronta para não atacar o setor energético ucraniano, nós não atacaremos o seu setor energético em resposta", acrescentou Zelensky, que insistiu que está disposto a declarar qualquer tipo de cessar-fogo que também seja aceite pela Rússia.

"Recordem que estamos prontos para qualquer tipo de cessar-fogo que seja positivo. Cessar-fogo total. Cessar-fogo energético. De segurança alimentar, energética. Por mar e ar...", declarou o Presidente ucraniano.

Zelensky disse que transmitiu esta posição aos líderes da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Qatar, com os quais se reuniu no final da semana durante a sua digressão pelo Golfo e alguns dos quais têm mediado entre ucranianos e russos.

O chefe de Estado ucraniano voltou a pedir que as negociações de paz tripartidas com norte-americanos e russos sejam retomadas o mais rapidamente possível e explicou, uma vez mais, que o próximo encontro neste formato -- que deveria ter decorrido no início deste mês -- continua a ser adiado devido à recusa dos russos em que se realize nos Estados Unidos.

O presidente ucraniano indicou que a equipa negociadora dos Estados Unidos deixou claro que não viajará enquanto o seu país estiver em guerra com o Irão.

Segundo Zelenski, os russos rejeitam deslocar-se aos Estados Unidos e propuseram a Suíça e a Turquia como possíveis locais para uma nova ronda de negociações. O chefe de Estado ucraniano reafirmou que a Ucrânia está aberta a qualquer opção para que a reunião tenha lugar.

Por outro lado, Kiev pediu desculpas à Finlândia depois de dois drones ucranianos terem caído no domingo no sul daquele país, informou hoje o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Gueorguiï Tykhy.

"Já apresentámos as nossas desculpas à parte finlandesa por este incidente. Nenhum drone ucraniano foi direcionado para a Finlândia. A causa mais provável é um desvio provocado pelos sistemas de guerra eletrónica russos", afirmou o porta-voz.


O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia pediu desculpas à Finlândia após a queda de drones ucranianos em território finlandês. O incidente, ocorrido no domingo, levou a Força Aérea da Finlândia a ativar o estado de alerta

Líder da UNRWA diz que destruir agência foi objetivo de Israel em Gaza... O comissário-geral da Agência das Nações Unidas (UNRWA), Phillipe Lazzarini, afirmou hoje que a destruir a agência se tornou um objetivo da guerra de Israel em Gaza para destruir arquivos fundamentais para os direitos dos palestinianos.

© Celestino Arce/NurPhoto via Getty Images   Por  LUSA   30/03/2026 

Lazzarini, que termina este ano o seu mandato, escreveu, num arigo de opinião hoje publicado no jornal Público, que o registo de refugiados e os arquivos guardados pela UNRWA "que documentam o deslocamento histórico destas populações, são fundamentais para a proteção dos direitos dos palestinianos nas determinações de Estatuto Final". 

Por isso, acusou, tornou-se um "objetivo explícito" da guerra a eliminação da agência.

O comissário adiantou ter escrito, na semana passada, ao presidente da Assembleia Geral da ONU, a apelar aos Estados-membros para que "utilizem a força de trabalho e a experiência da UNRWA como ativos essenciais para a implementação bem-sucedida da resolução 2803 do Conselho de Segurança".

Adotada em novembro de 2025, a resolução autoriza a criação de uma Força Internacional de Estabilização na Faixa de Gaza para estabilizar a região, supervisionar o desarmamento de grupos armados e apoiar a reconstrução.

No seu artigo de opinião, Lazzarini criticou a comunidade internacional, considerando "incompreensível que se tenha permitido a destruição de uma entidade das Nações Unidas como a UNRWA" com "total impunidade", lembrando que isso não só viola o direito internacional como obriga as comunidades palestinianas a pagar "um preço inaceitável".

O responsável da adiantou ter escrito, em dezembro de 2023, ao presidente da Assembleia Geral da ONU, para lhe sublinhar que, "em 35 anos de trabalho em emergências complexas, nunca tinha tido de comunicar o assassínio de 130 funcionários".

Na altura, recordou, não sabia que esse número iria triplicar

"O total ultrapassa agora os 390", afirma, adiantando que também não previa que "tantos outros sofreriam ferimentos que lhes mudariam a vida ou seriam detidos arbitrariamente e torturados".

O comissário-geral mostrou-se ainda indignado por "centenas de instalações da UNRWA em Gaza terem sido destruídas" e por "o parlamento israelita ter aprovado legislação para pôr fim à presença da agência em Jerusalém Oriental ocupada, incluindo o encerramento forçado de escolas e de clínicas, bem como o corte do fornecimento de água e de eletricidade às instalações".

Segundo referiu, a sede da UNRWA em Jerusalém Oriental foi "tomada, saqueada e incendiada, com altos responsáveis israelitas a celebrar essa destruição quer no local quer 'online'" e "um vice-presidente da Câmara de Jerusalém apelou à 'aniquilação' do pessoal da UNRWA".

Apelando aos Estados da ONU para ajudarem a UNRWA e usarem os seus ativos para implementar a resolução 2830, Lazzarini defende que só isso evitará "repetir o erro desastroso de ter retirado toda a administração civil no Iraque em 2003, o que devastou as perspetivas de recuperação e de uma paz sustentável"


Leia Também: Morre segundo militar da força de paz da ONU num ataque no sul do Líbano

Um militar indonésio da força de paz da ONU no Líbano (FINUL) morreu hoje após um segundo ataque contra um comboio sob comando de militares espanhóis que também integram a missão, indicou a ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles.