Por LUSA
De acordo com um projeto de lei de reforma da imigração, consultado pelo jornal financeiro, o Governo irá exigir que as companhias aéreas neguem o embarque aos viajantes que não tenham uma autorização eletrónica
O sistema, inspirado no Sistema Eletrónico para Autorização de Viagem dos Estados Unidos, terá uma taxa a pagar e será aplicado a visitantes e turistas de 74 países isentos de vistos de curta duração.
A lista inclui Portugal, Brasil e as regiões chinesas de Hong Kong e Macau, assim como alguns dos maiores mercados de turistas para o Japão: Coreia do Sul, Taiwan e Estados Unidos.
As pessoas que visitem o Japão por menos de 90 dias deverão fornecer informações pessoais online, bem como o objetivo da viagem e o local de alojamento.
O novo sistema deverá ser implementado no ano fiscal de 2028, que começa em abril de 2028 e decorre até maio de 2029.
O objetivo das autoridades japonesas é impedir a entrada de "estrangeiros indesejáveis" no país, declarou a primeira-ministra Sanae Takaichi, na sexta-feira, no primeiro discurso no parlamento após a recente vitória eleitoral.
Takaichi justificou a medida, denominada "JESTA", como uma forma de filtrar os estrangeiros que entram no país, que está a sentir um aumento do turismo, e "facilitar a entrada de visitantes que não representam um problema".
No discurso, a primeira mulher a liderar a nação asiática delineou também outras prioridades para as futuras políticas em relação aos estrangeiros, como a revisão das normas que regem a compra de terras.
O Governo conservador já tinha proposto um pacote de medidas no final de janeiro para endurecer as leis de imigração, incluindo requisitos mais rigorosos para a obtenção da cidadania japonesa.
"Devemos ter em conta o facto de que as atividades ilegais e as violações das regras por parte de alguns estrangeiros criaram uma situação em que a população se sente desconfortável e injustiçada", disse Takaichi, na sexta-feira.
Além de ter recebido em 2025 um número recorde de 42,6 milhões de turistas, o Japão contava com quase quatro milhões de residentes estrangeiros.
A maior comunidade estrangeira era oriunda da China enquanto os brasileiros representavam a sexta maior.
Setores da sociedade japonesa criticaram o que consideram ser a permissividade excessiva por parte das autoridades, o que se traduziu em ganhos eleitorais para partidos abertamente xenófobos.
As eleições de 08 de fevereiro viram o movimento anti-imigração de direita Sanseito aumentar o número de assentos na câmara baixa do parlamento do Japão, passando de dois para 15.

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