Por CNN Portugal
Donald Trump estava no seu primeiro mandato enquanto presidente dos Estados Unidos da América. Na altura, responsáveis russos sinalizaram estar dispostos a permitir que Washington levasse a cabo, livremente, os seus interesses na Venezuela. Com uma condição: os EUA teriam de permitir que Moscovo fizesse o mesmo na Ucrânia.
A história foi contada por Fiona Hill, antiga conselheira de Trump, numa audiência no Congresso em 2019 e agora recuperada, após o ataque do presidente norte-americano à Venezuela, a 3 de janeiro, que resultou na captura de Nicolás Maduro, um dos aliados de Vladimir Putin.
Como destacam o Kyiv Independent ou o The New York Times, o Kremlin considerou, em abril de 2019, a possibilidade de abdicar da sua influência na Venezuela em troca de um controlo sem restrições na Ucrânia, segundo Hill.
As autoridades russas estavam, segundo disse a antiga conselheira de Trump aos congressistas, “a sinalizar fortemente que queriam, de alguma forma, fazer um acordo de troca muito estranho entre a Venezuela e a Ucrânia”.
Embora as propostas de Moscovo fossem “informais”, a mensagem era clara: “Vocês têm a Doutrina Monroe. Querem que saiamos do vosso quintal. Bom, nós também temos a nossa versão. Vocês estão no nosso quintal, na Ucrânia.”
Hill contou que foi enviada à Rússia para rejeitar a proposta. Contudo, sete anos depois, Trump invoca a Doutrina Monroe para justificar o ataque à Venezuela e o controlo da indústria petrolífera daquele país.
Trump já veio anunciar que a Venezuela irá entregar até 50 milhões de barris de petróleo sancionado aos EUA, que será vendido “ao preço de mercado”.
O presidente dos Estados Unidos também exigiu que a Venezuela corte laços económicos com a Rússia, a China, o Irão e Cuba, para que seja autorizada a explorar mais petróleo.
Vladimir Putin ainda não comentou o ataque dos EUA à Venezuela. Ainda assim, o ministério dos Negócios Estrangeiros russo emitiu uma declaração às Nações Unidas a condenar a agressão americana.
Há analistas que consideram que Putin poderá estar disposto a trocar a sua influência na América Latina pela possibilidade de expandir as suas ambições na Europa.
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