Por LUSA
"Segundo as disposições da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, em alto mar aplica-se o regime de liberdade de navegação, e nenhum Estado tem o direito de usar a força contra navios devidamente registados na jurisdição de outros Estados", declarou o Ministério dos Transportes russo.
O ministério especificou que o "Marinera" tinha obtido, em 24 de dezembro, uma "autorização provisória" para navegar sob pavilhão russo e que, quando as forças navais norte-americanas subiram a bordo, "a comunicação com o navio foi perdida".
As Forças Armadas dos Estados Unidos estão a realizar uma operação no Atlântico Norte para tomar o controlo de um petroleiro de bandeira russa ligado à Venezuela, informaram hoje 'media' norte-americanos e confirmou uma fonte militar.
O navio - anteriormente conhecido como "Bella 1" e agora registado como "Marinera" sob a bandeira russa - tem sido perseguido pela Guarda Costeira dos EUA e outras unidades militares desde o final de dezembro, após ter tentado furar o bloqueio marítimo imposto por Washington a petroleiros sancionados, segundo várias fontes noticiosas.
Também uma fonte militar norte-americana confirmou à agência noticiosa Associated Press que as Forças Armadas dos EUA abordaram um petroleiro sancionado e ligado à Venezuela.
A operação ocorre poucas horas após surgirem notícias de a Marinha russa ter enviado um submarino e outros navios de guerra para escoltar a embarcação, potencialmente para levá-la a um porto russo, segundo relatórios citados pelo jornal Wall Street Journal e pela cadeia televisiva CNN.
A perseguição do "Marinera" começou em dezembro, quando a Guarda Costeira tentou abordar o navio no Mar das Caraíbas enquanto este se dirigia para a Venezuela sem carga.
Meios de comunicação russos publicaram imagens que alegadamente mostram um helicóptero militar sobrevoando o navio em mar aberto, enquanto a perseguição prossegue.
O "Marinera", que antes transportava petróleo e foi sancionado pelos Estados Unidos em 2024 por alegadas ligações a cargas ilícitas e à chamada "frota fantasma", foi localizado na zona económica exclusiva da Islândia depois de navegar pelo Atlântico Norte.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo afirmou que acompanha a situação "com preocupação", considerando desproporcional a atenção militar conferida ao navio, que, segundo Moscovo, tem estatuto pacífico.

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