terça-feira, 6 de janeiro de 2026

UA pede a Israel que revogue reconhecimento da Somalilândia... O Conselho de Paz e Segurança da União Africana (UA) exigiu hoje a Israel que revogue o reconhecimento da independência da Somalilândia, no dia em que os Governos de Hargeisa e Jerusalém anunciaram a intenção de abertura de embaixadas.

Por LUSA 

"Nenhum ator tem autoridade ou capacidade jurídica para alterar a configuração territorial de um Estado-membro da União Africana, sendo que qualquer declaração desse tipo é nula e sem efeito à luz do direito internacional", concluíram os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países membros do Conselho de Paz e Segurança da UA.

O conselho reafirma assim "o seu compromisso inabalável com a soberania, a unidade, a integridade territorial e a estabilidade da República Federal da Somália, em conformidade com o Ato Constitutivo da União Africana e a Carta das Nações Unidas".

A declaração coincide com a visita que o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, está a realizar à Somalilândia, num novo gesto depois de o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ter reconhecido, a 26 de dezembro, o território separatista.

Na sequência da visita oficial, o Presidente da Somalilândia, Abdirahman Mohamed Abdullahi, confirmou hoje que Israel vai abrir uma embaixada no território, enquanto as autoridades somalilandesas, de forma recíproca, irão estabelecer uma representação diplomática em Israel.

"Nos próximos dias isso será concretizado através dos canais diplomáticos. Além disso, tenho o prazer de o dizer, e não me envergonho de o afirmar, que abriremos as nossas embaixadas em Israel", declarou Abdullahi durante um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar.

Israel tornou-se o primeiro país do mundo a aceitar a Somalilândia como Estado independente, um passo criticado pelo Governo somali e pelos principais blocos do continente.

A Somalilândia declarou a sua independência em 1991 e, embora mantenha alguns contactos diplomáticos com vários países, entre os quais a Etiópia, os Emirados Árabes Unidos (EAU) e Israel, nenhum país membro das Nações Unidas tinha até agora reconhecido a sua independência.

A região separatista funciona de forma autónoma, com a sua própria moeda, exército e polícia, e distingue-se pela sua relativa estabilidade em comparação com a Somália, minada pela insurreição islâmica do grupo extremista Al-Shebab e pelos conflitos políticos crónicos.

Analistas consideram que uma aliança com a Somalilândia é particularmente vantajosa para Israel devido à sua posição estratégica no estreito de Bab-el-Mandeb, em frente aos rebeldes Huthis do Iémen, apoiados pelo Irão, que realizaram vários ataques contra o país desde o início da guerra em Gaza.


Leia Também: Ministro israelita está na Somalilândia após reconhecimento do território

O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita chegou hoje à Somalilândia, menos de duas semanas após o reconhecimento oficial por Israel desta república autoproclamada, que a Somália considera parte do seu território.


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