Por LUSA
Touadéra obteve 76,15% dos votos, de acordo com os números anunciados na segunda-feira à noite pelo presidente da ANE, Mathias Morouba, que têm de ser ainda confirmados pelo Conselho Constitucional e que se baseiam em cerca de 85% das mesas de voto contadas.
O principal adversário, o ex-primeiro-ministro Anicet-Georges Dologuélé, ficou em segundo lugar com 14,66% dos votos, de acordo com a ANE.
Tanto Dologuélé como o também ex-primeiro-ministro Henri-Marie Dondra, que ficou em terceiro com 3,19% dos votos, denunciaram fraudes mesmo antes de os resultados serem anunciados.
Dologuélé, que se tinha proclamado vencedor das eleições em 28 de dezembro, acusou na sexta-feira o partido no poder, o Movimento Corações Unidos (MCU), de tentar manipular os resultados.
"Quando se sai de uma eleição com bons resultados, mantém-se a calma e espera-se pelo anúncio oficial, mas vejam o que está a acontecer agora, todas estas imagens que circulam nas redes sociais. Desde que as eleições começaram neste país em 1981, nunca tínhamos visto uma situação como esta, com tanto nervosismo e tanto medo por parte do partido no poder", declarou Dologuélé, durante uma conferência de imprensa na capital Bangui.
Após o início da publicação dos resultados provisórios pela ANE, vários candidatos contestaram o processo eleitoral e denunciaram irregularidades na transmissão das atas de votação.
Dologuélé salientou que tem certeza das irregularidades porque "os presidentes das mesas de voto confessaram que receberam instruções para não entregar os relatórios".
"Eles acham que os centro-africanos se tornaram passivos, impulsionados pelos Tubarões [milícia pró-governamental] e pelo Grupo Wagner [mercenários russos], e que podem realizar o seu roubo eleitoral sem qualquer reação. Mas estão enganados. Vou ganhar estas eleições e não vou reconhecer resultados que declarem vencedor alguém que não ganhou", concluiu um dos principais opositores da RCA.
Segundo o candidato que lidera o partido União para a Renovação Centro-Africana (URCA), o MCU "está a fazer tudo o que pode para manipular os resultados eleitorais", acusando o partido de "abrir os chamados envelopes invioláveis para retirar os relatórios oficiais e alterá-los".
Em 30 de dezembro, a ANE emitiu um comunicado, 48 horas após as eleições, no qual exigia a entrega das atas aos representantes dos candidatos.
"Recebemos reclamações dos candidatos, em particular sobre a entrega das atas", afirmou o diretor de assuntos eleitorais da Missão das Nações Unidas na República Centro-Africana (Minusca), Arsène Gbaguidi, acrescentando que questionaram a ANE sobre "o que levou à publicação do comunicado".
Touadéra, que está no poder desde 2016, pôde concorrer a um terceiro mandato após promover o referendo de 2023, boicotado pela oposição, no qual foi aprovada uma alteração à Constituição que alargou a duração do mandato presidencial de cinco para sete anos e eliminou o limite de dois mandatos para o chefe de Estado.
O Bloco Republicano para a Defesa da Constituição, uma aliança da oposição, boicotou as eleições alegando condições injustas e falta de diálogo democrático.
Desde o final de 2012, a RCA vive uma guerra civil intermitente que causou milhares de mortos e centenas de milhares de deslocados.

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