Por LUSA
"Estamos a tentar acelerar o processo de vendas militares ao estrangeiro para que possam comprar mais", afirmou o general John Brennan, do comando dos Estados Unidos para África (Africom), numa entrevista, na semana passada, em Abuja e hoje divulgada pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Os Estados Unidos também fornecem "toda a gama de informações partilhadas", incluindo voos de reconhecimento para apoiar os ataques aéreos realizados pela Nigéria, acrescentou.
John Brennan confirmou ainda que os ataques norte-americanos no dia de Natal, no noroeste da Nigéria, visavam os fundamentalistas ligados ao Estado Islâmico no Sahel, que atua principalmente no Níger.
"Os alvos eram zonas utilizadas como base por todos os grupos terroristas do Sahel. As informações mais recentes que recebemos dos nigerianos indicavam que se tratava do Estado Islâmico no Sahel [ISSP, na sigla em inglês]", afirmou o general, numa entrevista à margem das discussões sobre segurança entre os Estados Unidos e a Nigéria.
Especialistas estão preocupados com a propagação do ISSP nos países costeiros da África Ocidental, como é o caso da Nigéria.
Um porta-voz do Presidente nigeriano já tinha dito, após o ataque do dia de Natal, que os alvos foram militantes do Estado Islâmico que vieram do Sahel para colaborar com o movimento fundamentalista islâmico local Lakurawa e grupos de criminosos.
"O Estado Islâmico encontrou uma maneira de usar o Sahel para ajudar o Lakurawa e os bandidos, fornecendo-lhes equipamentos e treino", disse Daniel Bwala, porta-voz do Presidente Bola Tinubu.
A Nigéria está a coordenar os esforços com os Estados Unidos e são esperados mais ataques das forças armadas norte-americanas, disseram na altura altos funcionários nigerianos, que pediram para não serem identificados.
Os Estados Unidos não se pronunciaram publicamente sobre possíveis novos ataques, mas o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, incluiu as palavras "mais por vir" numa publicação na rede social X, em que anunciou o ataque no dia de Natal.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por outro lado republicou o anúncio do ataque, sem mais comentários.
Trump regressou à Casa Branca com a promessa aos eleitores norte-americanos de retirar os Estados Unidos de conflitos em todo o mundo, mas dedicou grande parte do primeiro ano do segundo mandato à política externa e nem sempre no tabuleiro da diplomacia.
O Presidente norte-americano fez uso da força por várias vezes, desde em ataques contra alegados terroristas na Somália, Iémen e Síria até ao ataque massivo a instalações nucleares do Irão e terminou o ano envolvendo-se militarmente na Venezuela, ao liderar, no início de janeiro, o rapto do Presidente do país sul-americano, Nicolás Maduro.
O ataque no noroeste da Nigéria atingiu a região de Sokoto, uma área onde um bispo católico local afirmou em outubro que os cristãos não estão a enfrentar perseguições.
O ministério da Defesa nigeriano disse que os alvos estavam ligados ao grupo Estado Islâmico e o ministro da Informação da Nigéria, Mohammed Idris, afirmou na rede social X que os ataques foram lançados a partir de navios no Golfo da Guiné e utilizaram drones MQ-9 Reaper.
Terão sido disparadas 16 munições guiadas por GPS, que neutralizaram elementos do Estado Islâmico que tentavam entrar na Nigéria pelo corredor do Sahel.
O país de cerca de 230 milhões de pessoas, o mais populoso da África, está dividido de forma praticamente igual entre populações muçulmanas e cristãs e é dilacerado pela violência há décadas.

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