sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

UE anuncia 20.º pacote de sanções contra a Rússia (abrange energia)... A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou hoje um novo pacote de sanções da União Europeia (UE) contra a Rússia, que abrange os setores da energia, finanças e comércio, e pediu rápido aval dos Estados-membros.

© GINTS IVUSKANS/AFP via Getty Images   Por  LUSA  06/02/2026 

"Num momento em que decorrem importantes conversações de paz em Abu Dhabi, devemos ser realistas: a Rússia só se sentará à mesa com intenções genuínas se for pressionada a fazê-lo, esta é a única linguagem que a Rússia compreende. É por isso que hoje estamos a intensificar a nossa ação [já que a] Comissão apresenta um novo pacote de sanções - o 20.º desde o início da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia", anunciou Von der Leyen, numa declaração divulgada em Bruxelas.

Revelando que "o novo pacote de sanções abrange a energia, os serviços financeiros e o comércio", a líder do executivo comunitário apelou a que os Estados-membros da UE "aprovem rapidamente estas novas sanções" pois "tal enviaria um sinal poderoso antes do sombrio 4.º aniversário" do conflito, assinalado no próximo dia 24 de fevereiro.

"O nosso compromisso com uma Ucrânia livre e soberana é inabalável e (...) torna-se mais forte dia após dia, mês após mês, ano após ano", referiu a responsável.

Precisamente a 24 de fevereiro, Ursula von der Leyen e também o presidente do Conselho Europeu, António Costa, vão deslocar-se a Kyiv para assinalar na capital ucraniana o quarto aniversário do conflito iniciado pela Rússia.

A invasão russa está prestes a atingir os 1.500 dias e, ao longo deste tempo, as forças de Moscovo avançaram, em média, entre 15 e 70 metros por dia, ocupando agora cerca de 0,8% do território ucraniano.

No que toca ao pacote de sanções hoje proposto, Ursula von der Leyen falou em medidas para diferentes setores, sendo que no setor da energia estas se traduzem na proibição total de serviços marítimos para o petróleo bruto russo e na inclusão de mais navios na lista da chamada "frota fantasma".

A "frota fantasma" russa é composta por navios que normalmente navegam sem bandeira e sem seguro que permitem à Rússia exportar petróleo e gás apesar das sanções internacionais impostas desde a invasão da Ucrânia.

Quanto ao setor financeiro, estão previstas medidas para restringir ainda mais o sistema bancário russo e a sua capacidade de criar canais de pagamento alternativos para financiar a atividade económica, bem como incluir mais 20 bancos regionais russos na lista de sanções europeias.

No campo das exportações para a Rússia, surgem agora novas proibições sobre bens e serviços, desde borracha a tratores e serviços de cibersegurança, no valor de mais de 360 milhões de euros, e ainda outras proibições de importação de metais, produtos químicos e minerais críticos ainda não sujeitos a sanções, no valor de mais de 570 milhões de euros.

"Para demonstrar a nossa determinação em combater a evasão às sanções, ativaremos pela primeira vez o instrumento anti-coerção, proibindo a exportação de quaisquer máquinas-ferramentas de comando numérico e rádios para jurisdições onde exista um elevado risco de estes produtos serem reexportados para a Rússia", adiantou Ursula von der Leyen.

Estão ainda em causa "salvaguardas jurídicas mais fortes para as empresas da UE", concluiu.

A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.

Os aliados de Kyiv também têm decretado sanções contra setores-chave da economia russa para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar o esforço de guerra na Ucrânia.

A ofensiva militar russa no território ucraniano mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).


Um general das Forças Armadas da Rússia foi alvo de uma "tentativa de homicídio", em Moscovo. O Kremlin reagiu, garantindo que os serviços de segurança estão a cumprir os seus deveres e que o presidente Vladimir Putin foi informado.


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