© Ukrinform/NurPhoto via Getty Images Lusa 19/02/2026
A missão diplomática russa acusou os denunciantes de estarem a fazer uma "campanha de propaganda perigosa e enganosa" ao afirmarem que o Kremlin recrutou forçosamente cidadãos quenianos para incorporarem o exército russo e combaterem na Ucrânia.
Vários meios de comunicação, incluindo a agência de notícias France-Presse (AFP), mostraram recentemente como centenas de quenianos, frequentemente sem qualquer passado militar, acabaram a combater as tropas ucranianas, servindo de "carne para canhão", como descreveram as autoridades do Quénia.
A embaixada russa afirmou que nunca encorajou nenhum queniano a alistar-se, que não emitiu vistos para que participassem na guerra e que também não colaborou com entidades ou indivíduos para coagir ou atrair os cidadãos.
"A campanha culminou recentemente em acusações diretas contra a Embaixada da Rússia em Nairobi e o seu pessoal, acusando-os de estarem envolvidos em esquemas irregulares de recrutamento de quenianos para se tornarem combatentes no conflito na Ucrânia. A Embaixada rejeita tais acusações nos termos mais enérgicos possíveis", adiantou o comunicado.
Embora tenha reconhecido contactos com as autoridades quenianas sobre os cidadãos que viajaram para a Rússia para lutar no conflito, Moscovo insistiu que nunca participou no "recrutamento ilegal" para servir nas suas Forças Armadas.
No entanto, explicou que a legislação russa não impede que cidadãos estrangeiros se alistem voluntariamente no seu exército se estiverem no país legalmente e se optarem por participar na "batalha contra o nazismo ucraniano apoiado pela NATO".
Por último, a embaixada mostrou-se aberta a um diálogo "construtivo e despolitizado" com o Quénia para abordar as suas preocupações a este respeito.
Foi hoje apresentado no parlamento queniano um relatório do Serviço Nacional de Inteligência queniano (NIS) que afirma que a Rússia recrutou pelo menos 1.000 cidadãos quenianos para lutar na Ucrânia.
De acordo com o documento do NIS, muitos quenianos acabaram no exército russo devido ao engano de agências de emprego e de viagens que faziam promessas de empregos bem remunerados nas áreas de segurança e logística no estrangeiro.
Na segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros e da Diáspora do Quénia, Musalia Mudavadi, anunciou que viajará em março até Moscovo para abordar precisamente esta questão.
Os cidadãos quenianos, uma vez chegados à Rússia, foram forçados a assinar um contrato com o exército russo para serem rapidamente transferidos para a frente de batalha na Ucrânia, onde muitos foram mortos ou feridos, de acordo com a AFP.
Desde o início da invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, foi relatada a presença de centenas de africanos a lutar no lado russo.
Embora alguns o façam voluntariamente como mercenários, outros denunciaram enganos e coações.
A Ucrânia revelou que cidadãos de países como Somália, Serra Leoa, Togo, Cuba e Sri Lanka, entre outros, estão presos em campos ucranianos, embora a maioria deles morra ou fique gravemente ferida antes disso.
A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, desencadeando uma guerra que em quatro anos causou dezenas de milhares de vítimas civis e militares, bem como milhões de pessoas deslocadas.
A guerra também provocou a destruição de muitas infraestruturas da Ucrânia, que conta com o apoio do Ocidente no fornecimento de armamento para combater as tropas russas.
As duas partes têm estado envolvidas nos últimos meses num processo de negociações sob mediação dos Estados Unidos, com mais uma ronda realizada na terça e na quarta-feira na Suíça, mas sem um acordo de cessar-fogo.
As principais divergências prendem-se com questões territoriais, com Moscovo a exigir o controlo de várias regiões da Ucrânia e ainda da central nuclear de Zaporijia, a maior da Europa, o que é rejeitado por Kyiv.
A Ucrânia exige também garantias de segurança do Ocidente, nomeadamente da NATO, a cuja adesão Moscovo se opõe.

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