Por LUSA
"Os protocolos foram preparados, os processos foram finalizados e as comissões estão encarregues da operação para que tenhamos uma transferência completa da governação da Faixa de Gaza, em todas as áreas", afirmou o porta-voz do grupo extremista palestiniano, Hazem Qassem, à agência de notícias France-Presse (AFP).
A segunda fase do plano dos Estados Unidos para colocar um fim à guerra em Gaza prevê a criação de um governo tecnocrata palestiniano de transição denominado Comité Nacional para a Administração de Gaza (CNAG).
Os membros da estrutura tecnocrática para gerir assuntos correntes do enclave palestiniano ficarão sob supervisão de outro órgão também previsto no plano de Washington, o "Conselho de Paz", liderado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo o plano de Trump, Gaza "será governada por um comité palestiniano tecnocrático e apolítico, responsável pela gestão diária dos serviços públicos e das autarquias para a população".
O CNAG é composto por 15 membros, entre os quais apenas uma mulher. O comité é integrado por palestinianos e liderado pelo engenheiro Ali Shaaz, natural de Khan Yunis (sul da Faixa de Gaza), mas residente na Cisjordânia, que exerceu funções de vice-ministro dos Transportes na década de 1990 na Autoridade Nacional Palestiniana (ANP).
Nas mesmas declarações à AFP, o porta-voz do Hamas insistiu ainda que o posto fronteiriço entre o enclave e o Egito deve ser reaberto "sem obstáculos israelitas".
Segundo uma fonte da Autoridade Palestiniana, a fronteira de Rafah reabrirá no próximo domingo para peões, nos sentidos de entrada e saída do território palestiniano.
A fonte da Autoridade Palestiniana, citada pela agência espanhola EFE e que pediu anonimato, sublinhou que a passagem reabrirá "tanto para entrar como para sair" no próximo domingo e que o atraso da reabertura se deve a "trâmites logísticos".
A mesma fonte acrescentou que uma das razões por detrás dos atrasos se deve ao facto de o posto fronteiriço estar "completamente destruído".
De acordo com uma fonte da segurança egípcia, que falou na terça-feira, a reabertura oficial ocorrerá após a conclusão das obras no lado palestiniano da passagem, incluindo os acessos e a elaboração das listas de saídas e regressos, embora não tenha especificado a data exata.
Numa fase inicial, está previsto que entre 100 e 150 pessoas entrem e saiam diariamente de Gaza através da fronteira de Rafah.
Entre as medidas previstas figura a instalação de um posto de controlo fora do complexo da passagem, onde o pessoal de segurança procederá à verificação das pessoas que entrem e saiam.
O Exército de Israel não participará diretamente nestes controlos, embora esteja prevista a presença de seguranças israelitas na zona para supervisionar a situação.
De acordo com a fonte egípcia, estes números poderão ser alargados assim que o mecanismo de inspeção e o funcionamento da passagem demonstrem a sua eficácia.
O procedimento acordado estabelece que Israel receberá diariamente as listas das pessoas que entram e saem do Egito, as quais serão enviadas para o Shin Bet (serviço de informações internas israelita) para avaliação de segurança.
Este procedimento foi criticado na segunda-feira pelo Hamas, por considerar que concederia a Israel "um controlo indireto de segurança" sobre a passagem.
Um acordo de cessar-fogo está em vigor desde 10 de outubro de 2025 entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, colocando fim a dois anos de guerra no enclave, desencadeada pelo ataque de 07 de outubro de 2023 do grupo extremista no sul do território israelita, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.
Em retaliação dos ataques do Hamas em outubro de 2023, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 71 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo islamita, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas

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