sábado, 10 de janeiro de 2026

Caracas anuncia regresso a país de petroleiro em operação conjunta com EUA... Caracas anunciou que um petroleiro que deixou a Venezuela "sem pagamento nem autorização das autoridades" regressou às águas do país sul-americano, numa operação conjunta com os Estados Unidos.

Por LUSA  10/01/2026

Trata-se de uma "operação conjunta bem-sucedida" de Caracas e Washington para "o regresso ao país do navio Minerva", lê-se num comunicado divulgado na sexta-feira pelo Ministério de Hidrocarbonetos e da petrolífera estatal PDVSA.

"Graças a esta primeira operação conjunta bem-sucedida, a embarcação está a navegar de volta para águas venezuelanas para sua proteção e ações pertinentes", acrescenta-se na nota.

Caracas fez o anúncio depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter afirmado que as forças norte-americanas intercetaram, na sexta-feira, o petroleiro Olina (anteriormente chamado de Minerva M) nas águas das Caraíbas "em coordenação com as autoridades interinas da Venezuela", depois de o navio ter partido do país "sem a devida autorização".

"Este petroleiro está agora a voltar para a Venezuela. O petróleo será vendido através do GREAT Energy Deal, que criámos para tais vendas", indicou o dirigente norte-americano na rede social Truth Social.

A operação foi realizada como uma ação coordenada entre o Departamento de Defesa e o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos e contou com a participação de fuzileiros navais, que partiram em helicópteros do porta-aviões USS Gerald R. Ford para executar a abordagem, informou o Comando Sul em comunicado.

Este comando norte-americano disse que esta ação envia uma "mensagem clara" de que "não existe refúgio seguro para os criminosos", no âmbito dos esforços de Washington para combater "atividades ilegais transnacionais" no hemisfério ocidental, embora não tenha especificado o número de detidos e tenha sublinhado que a operação decorreu sem resistência.

De acordo com o jornal New York Times, o Olina está sancionado pelos EUA, por alegadamente ter financiado a guerra da Rússia na Ucrânia através do transporte de exportações energéticas russas para mercados estrangeiros.

A operação entre Caracas e Washington ocorre no mesmo dia em que o Governo da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou um "processo exploratório de caráter diplomático" com os EUA voltado para o "restabelecimento das missões diplomáticas", quase uma semana após o ataque de Washington em território venezuelano, que terminou com a captura do Presidente Nicolás Maduro e da mulher, Cilia Flores.


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