quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Conselho da Paz junta quase 50 países na primeira sessão em Washington... O Conselho da Paz reuniu-se hoje pela primeira vez em Washington, congregando responsáveis de quase 50 países, dos quais 27 integram formalmente o organismo e os restantes participaram como observadores, incluindo a UE.

© SAUL LOEB / AFP via Getty Images   Por  LUSA   19/02/2026  

A sessão inaugural foi aberta pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, que anunciou que nove membros do Conselho prometeram um total de sete mil milhões de dólares (cerca de cinco mil milhões de euros) para ajuda à Faixa de Gaza, devastada pela guerra. 

Entre os países membros do Conselho da Paz figuram Albânia, Argentina, Arménia, Azerbaijão, Bahrein, Bulgária, Camboja, Egito, El Salvador, Hungria, Indonésia, Israel, Jordânia, Cazaquistão, Kosovo, Kuwait, Mongólia, Marrocos, Paquistão, Paraguai, Qatar, Arábia Saudita, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Uzbequistão e Vietname.

Participaram como observadores Áustria, Croácia, Chipre, República Checa, UE, Finlândia, Alemanha, Grécia, Índia, Itália, Japão, México, Países Baixos, Noruega, Omã, Polónia, Coreia do Sul, Roménia, Eslováquia, Suíça, Tailândia e Reino Unido.

O Conselho da Paz foi criado no âmbito do plano apresentado por Trump para consolidar o cessar-fogo na Faixa de Gaza e apoiar a reconstrução do território, podendo vir a assumir um mandato mais amplo na mediação de conflitos internacionais.


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O presidente norte-americano anunciou hoje uma contribuição de 10 mil milhões de dólares (cerca de oito mil milhões de euros) para o Conselho da Paz, que tem como missão inicial apoiar a reconstrução de Gaza.

Amnistia pede desculpas públicas a relatora da ONU... A Amnistia Internacional (AI) pediu hoje aos ministros de vários países europeus que retirem os pedidos de demissão da relatora especial da ONU Francesca Albanese e lhe apresentem desculpas públicas.

© Getty Images/Umit Donmez/Anadolu     Por  Lusa  19/02/2026 

"É repreensível que ministros da Áustria, República Checa, França, Alemanha e Itália tenham atacado a relatora especial da ONU para o Território Palestiniano Ocupado, Francesca Albanese, com base num vídeo deliberadamente truncado para deturpar e interpretar erroneamente as suas mensagens -- como fica claro ao assistir ao seu discurso original", disse a secretária-geral da organização, Agnès Callamard, num comunicado.

Para Callamard, "os ministros que espalharam desinformação devem fazer mais do que simplesmente apagar os seus comentários nas redes sociais -- como alguns fizeram. Devem pedir desculpas publicamente e retirar quaisquer pedidos de demissão de Francesca Albanese".

"Os seus Governos também devem investigar como essa desinformação aconteceu, com o objetivo de evitar situações semelhantes", sublinhou.

A secretária-geral da AI lamentou ainda que esses ministros não tivessem sido "tão veementes e contundentes a confrontar um Estado que comete genocídio, ocupação ilegal e 'apartheid' como foram a atacar uma especialista da ONU".

"A sua covardia e recusa em responsabilizar Israel contrastam fortemente com o compromisso inabalável da relatora especial em dizer a verdade ao poder", sublinhou.

"O compromisso da relatora especial em investigar objetivamente os factos com base em provas concretas e aplicar o direito internacional tem sido vital para expor as violações contínuas dos direitos dos palestinianos por parte de Israel e a cumplicidade de terceiros", disse ainda Agnès Callamard.

Para a responsável da AI, os apelos para que a relatora da ONU renuncie são "os mais recentes de uma série de ataques pessoais alarmantes e tentativas de silenciamento e devem ser categoricamente rejeitados".

"Esta campanha para desacreditar Albanese serve apenas como cortina de fumo para desviar a atenção do genocídio de Israel em Gaza, do seu sistema de 'apartheid' e da ocupação ilegal do Território Palestiniano Ocupado", referiu.

"Apesar da diminuição dos ataques aéreos israelitas e de algumas melhorias limitadas na circulação transfronteiriça de bens e pessoas desde a trégua de outubro de 2025, não houve nenhuma mudança significativa nas condições que Israel está a impor aos palestinianos em Gaza e nenhuma evidência que indique que a intenção de Israel tenha mudado. O genocídio continua", apontou a responsável.

Em 07 de fevereiro, a relatora especial da ONU para a situação dos direitos humanos no território palestiniano ocupado desde 1967, Francesca Albanese, falou num fórum em Doha organizado pelo canal Al-Jazeera.

Albanese afirmou que "o facto de, em vez de deter Israel, a maior parte do mundo lhe ter fornecido armas, assim como desculpas políticas, abrigo político, apoio económico e financeiro [...] Nós, que não controlamos grandes quantidades de capitais financeiros, algoritmos e armas, vemos agora que nós, como humanidade, temos um inimigo comum, e as liberdades, o respeito pelas liberdades fundamentais, são a última via pacífica, a última ferramenta pacífica que temos para recuperar a nossa liberdade".

Esses comentários foram interpretados como descrevendo Israel como esse "inimigo comum". Albanese rejeitou as acusações e esclareceu os seus comentários nas redes sociais que "o inimigo comum da humanidade é o sistema que permitiu o genocídio na Palestina, incluindo o capital financeiro que o financia, os algoritmos que o obscurecem e as armas que o possibilitam".

Em 11 de fevereiro, o ministro dos Negócios Estrangeiros de França, Jean-Noel Barrot, fez uma declaração pedindo a renúncia da relatora especial. Essa posição foi seguida por declarações igualmente prejudiciais dos ministros da Áustria, República Checa, Alemanha e Itália.

"Este é o momento exato em que países como a Áustria, a República Checa, a França, a Alemanha e a Itália devem tomar uma posição. Devem demonstrar o seu compromisso em cumprir as suas obrigações legais de impedir o genocídio de Israel e pôr fim aos seus crimes internacionais que duram há décadas (...).", afirmou ainda.

Tensão no Médio Oriente: Trump faz ultimato ao Irão e Netanyahu promete resposta brutal em caso de ataque... As declarações surgem num contexto de reforço do destacamento militar norte-americano no Médio Oriente, com mobilização de meios navais e aéreos, numa demonstração de pressão sobre a República Islâmica.

O Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu e o Presidente Donald Trump no clube Mar-a-Lago, segunda-feira, 29 de dezembro de 2025, em Palm Beach, Flórida.ALEX BRANDON / AP.  Por  sicnoticias.pt

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta quarta-feira que serão dados 10 dias para decidir se é possível alcançar um acordo com o Irão sobre o programa nuclear, avisando que, caso contrário, poderão ocorrer "coisas más".

"Talvez tenhamos de ir mais longe, ou talvez não, talvez cheguemos a um acordo. Provavelmente saberão nos próximos 10 dias", declarou Trump em Washington, antes da primeira reunião do Conselho da Paz.

Durante o encontro, o chefe de Estado norte-americano sublinhou ser necessário "chegar a um acordo significativo" com Teerão, acrescentando que, se tal não acontecer, o desfecho poderá ser mais difícil.

"Agora é o momento de o Irão se juntar a nós num caminho que complete o que estamos a fazer. Se se juntarem a nós, será ótimo. Se não se juntarem, também será ótimo, mas será um caminho muito diferente", explicou Trump.

As declarações surgem num contexto de reforço do destacamento militar norte-americano no Médio Oriente, com mobilização de meios navais e aéreos, numa demonstração de pressão sobre a República Islâmica.

"Estamos preparados para qualquer cenário"

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ameaçou esta quarta-feira, o Irão com uma resposta brutal caso Teerão ataque Israel, após a advertência do Presidente norte-americano ao regime iraniano.

"Se os 'ayatollahs' cometerem o erro de nos atacar, enfrentarão uma resposta que nem sequer conseguem imaginar", declarou Netanyahu, numa alocução televisiva proferida durante uma cerimónia militar, citado pela agência francesa AFP.

"Estamos preparados para qualquer cenário", disse o primeiro-ministro israelita, também citado pela agência espanhola EFE.

O chefe do exército israelita, tenente-general Eyal Zamir, e o ministro da Defesa, Israel Katz, também ameaçaram o Teerão com um "preço imediato e grave" se atacar Israel em resposta a um eventual ataque norte-americano.

Israel, os Estados Unidos e o Ocidente em geral acusam o Irão de pretender dotar-se de armas atómicas, o que Teerão nega, afirmando que o seu programa nuclear se destina a fins civis.

O chefe da Organização de Energia Atómica do Irão, Mohammad Eslami, afirmou esta quarta-feira, que nenhum país pode privar Teerão do direito ao enriquecimento nuclear.

Washington reforça destacamento militar no Médio Oriente

Teerão e Washington realizaram na terça-feira, em Genebra, uma segunda ronda de conversações sob a mediação do sultanato de Omã. As partes concordaram em prosseguir as discussões, embora sublinhando que estão longe de aproximar posições.

Os Estados Unidos exigem que o Irão renuncie ao enriquecimento de urânio e afirmam que um acordo deve abranger também o programa iraniano de mísseis balísticos e o apoio de Teerão a grupos armados hostis a Israel. Teerão afirma querer discutir apenas o programa nuclear.

Nos últimos dias, os Estados Unidos enviaram para o Médio Oriente um destacamento militar que poderá preparar o terreno para uma campanha de ataques contra o Irão.

O diário The Wall Street Journal noticiou esta quarta-feira, que Washington estava a reunir o maior destacamento de força aérea no Médio Oriente desde a invasão do Iraque em 2003.

Segundo a cadeia televisiva CNN e o jornal The New York Times, os militares norte-americanos estarão preparados para lançar um ataque contra o Irão nos próximos dias, embora Trump ainda não tenha tomado uma decisão final sobre a autorização de uma eventual operação.


A empresa estatal russa Rosatom admitiu hoje que aceitar urânio enriquecido do Irão caso seja alcançado um novo acordo com os Estados Unidos nas negociações sobre o programa nuclear iraniano.

Famílias em Mbassine resolvem litígio de posse de terra após mediação do Ministério da Administração Territorial

Por Ministério da Administração Territorial e Poder Local da Guiné-Bissau   19 de fevereiro de 2026 

Uma família da secção de Mbassine, no setor de Safim, pôs fim a um litígio de posse de terra que se arrastava há vários anos nos tribunais, graças à mediação do Ministério da Administração Territorial e Poder Local.

O diferendo, que vinha gerando preocupação na comunidade local, encontrava-se sob apreciação judicial há vários anos. Após sucessivas diligências promovidas pelas autoridades administrativas, as partes chegaram a um entendimento consensual, optando por uma solução extrajudicial.

A assinatura do memorando de entendimento teve lugar esta quarta-feira, 19 de fevereiro, na sala de reuniões do Ministério, formalizando o acordo entre as partes e colocando termo ao processo que corria em tribunal.

No ato estiveram presentes os advogados das partes envolvidas, representantes do Ministério e outras entidades administrativas, garantindo a legalidade e a transparência do processo.

Com este desfecho, o Diretor-Geral da Administração do Território, Abdulai Injai, manifestou a expectativa de que o acordo contribua para a consolidação da paz social na secção de Mbassine e sirva de referência para a resolução dialogada de conflitos fundiários no país.

O Ministério do Interior anuncia o fim do prazo para a regularização das viaturas... Após este período, será retomada a operação stop para exigir a documentação obrigatória aos condutores, sob pena de sanções previstas na lei.

O Presidente de Transição da Guiné-Bissau, General de Exército Horta Inta, recebe em audiência o Enviado Especial da União Africana, Patrice Trovoada, no âmbito da sua visita oficial ao país. O encontro decorre no Palácio da República e insere-se na ronda de consultas promovidas pela União Africana junto das autoridades nacionais.


Polónia avisa Rússia: fronteira pode ser totalmente minada em apenas 48 horas

Polónia constrói 210 quilómetros de arame farpado para se proteger do enclave russo de Kaliningrado (Getty Images) Por  CNN Portugal   

Primeiro-ministro do país afirma que novo projeto de minas é "crucial" para a segurança do território

O primeiro-ministro polaco admitiu esta quinta-feira que o país poderá vir a colocar minas antipessoais ao longo da sua fronteira em apenas 48 horas caso surja uma ameaça. O anúncio foi feito um dia antes de a Polónia tornar efetiva a sua saída da Convenção de Ottawa.

O tratado internacional proíbe a produção e a utilização de minas antipessoais. No entanto, vários países europeus vizinhos da Rússia - com exceção da Noruega - têm vindo a abandonar o acordo, invocando preocupações com a segurança na região. 

Segundo Donald Tusk, Varsóvia pretende integrar este tipo de armamento no projeto de defesa fronteiriça "East Shield", destinado a reforçar a proteção das fronteiras com a Bielorrúsia e com o enclave russo de Kaliningrado. 

"Estamos a finalizar este projeto de minas, que é crucial para a nossa segurança, para a segurança do nosso território e da nossa fronteira", afirmou o chefe de governo numa conferência de imprensa. 

Já em dezembro, o vice-ministro da Defesa Pawel Zalewski tinha afirmado que Varsóvia iria retomar a produção de minas antipessoais - algo que não acontecia desde o fim da Guerra Fria - com o objetivo de as instalar na fronteira oriental e, potencialmente, exportá-las para a Ucrânia. 

A Polónia iniciou formalmente o processo de retirada da Convenção de Ottawa em agosto de 2025. O período de seis meses previsto no tratado termina a 20 de fevereiro, data em que a saída do país passa a ser oficial.

ENVIADO ESPECIAL DA UNIÃO AFRICANA INICIA CONTACTOS DIRETOS COM AUTORIDADES DE TRANSIÇÃO EM BISSAU

Com Rádio Sol Mansi  19.02.2026

O Enviado Especial da União Africana, Patrice Trovoada, iniciou esta quinta-feira uma intensa ronda de contactos diretos com as autoridades de transição da Guiné-Bissau, numa missão considerada crucial para o futuro político do país.

Os encontros inserem-se nos esforços da União Africana para reforçar o diálogo político-institucional e acompanhar de perto o processo de transição, num momento em que crescem as expectativas sobre o regresso à ordem constitucional.

Na véspera da visita, Trovoada sublinhou que “há ainda muito trabalho a fazer” para que o país regresse a uma ordem constitucional “legítima, inclusiva e aceite por todos”, deixando claro que a missão em Bissau tem carácter estratégico.

A jornada diplomática começou com uma audiência no Palácio Djokarendam com o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades, João Bernardo Vieira. De seguida, o Enviado Especial reuniu-se com o Presidente da Comissão Nacional das Eleições, Npabi Cabi.

No Palácio da Justiça, Trovoada manteve encontro com o Procurador-Geral da República, Amadu Tidjane Baldé. Ainda na agenda constam encontros com o Primeiro-Ministro, Ilídio Vieira Té, na Primatura, e com o Presidente do Conselho Nacional de Transição, Tomas Djassi, na Assembleia Nacional Popular.

O momento mais aguardado será a audiência com o Presidente de Transição, Horta Inta-a, no Salão João Bernardo Vieira do Palácio da República. O encontro é visto como determinante para o alinhamento estratégico entre Bissau e a União Africana, sobretudo no que diz respeito ao calendário político e às garantias institucionais.

O dia 20 de fevereiro está reservado para encontros internos e reuniões técnicas no âmbito da Representação da União Africana na Guiné-Bissau, com enfoque na consolidação da estabilidade política e no acompanhamento do processo de transição.

Ucrânia: Costa acredita em adesão à UE a curto prazo mas não aponta datas... O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse hoje acreditar numa adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) "a curto prazo", mas não se comprometeu com datas, dado que tal processo "faz parte do próprio processo de paz".

© Dursun Aydemir/Anadolu via Getty Images   Lusa   19/02/2026 

"Ninguém compreenderia que não se chegasse a um acordo de paz por falta de entendimento no processo de adesão. Por isso, precisamos de trabalhar - e trabalhar muito -, mas penso que é realista afirmar que a perspetiva de adesão da Ucrânia à União Europeia é bastante concreta no curto prazo", disse António Costa.

Em declarações à imprensa em Oslo, no âmbito de uma visita oficial à Noruega, o líder da instituição que junta os chefes de Governo e de Estado da UE assinalou que "este processo de adesão faz parte do próprio processo de paz", pelo que "não é apenas essencial para consolidar a paz após a guerra, mas é também um elemento-chave de um futuro acordo de paz".

Já questionado sobre os próximos passos em tais processos, António Costa disse esperar que, "o mais rapidamente possível, se possam abrir formalmente as negociações e avançar neste processo de alargamento".

"Não posso dizer se será em 2027, em 2026 ou mais tarde, mas o que é importante é não perdermos o impulso", apelou, nestas declarações junto ao primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre.

Já quando confrontado com o bloqueio húngaro, disse estar "muito otimista de que se consiga avançar em breve".

"Estas negociações, por vezes, são difíceis e podem demorar bastante tempo. Lembro que o meu país [Portugal] esperou nove anos para aderir à União Europeia, e, no caso da Ucrânia, o processo está a avançar muito mais rapidamente do que com outros países", adiantou, descrevendo ainda a guerra da Ucrânia como "o desafio mais significativo" da UE.

A Ucrânia obteve o estatuto de país candidato ao bloco comunitário em junho de 2022, após ter sido invadida pela Rússia em fevereiro desse ano.

A Hungria, que justifica a posição com preocupações políticas e culturais, tem vindo a opor-se à adesão do país à UE, apesar de ter permitido tal estatuto.

Num relatório divulgado no ano passado sobre o processo de alargamento, a Comissão Europeia descreveu que a Ucrânia "continua fortemente empenhada no seu caminho para a adesão à UE, tendo concluído com sucesso o processo de avaliação e avançado em reformas fundamentais".

O alargamento ocorre quando novos países aderem à UE.

Atualmente, encontram-se na lista de países candidatos à adesão à UE a Albânia, a Bósnia-Herzegovina, a Geórgia, a Macedónia do Norte, a Moldova, o Montenegro, a Sérvia, a Turquia e a Ucrânia.

A UE e os seus Estados-membros têm reafirmado de forma consistente o seu compromisso com a integração plena destes países, especialmente dos Balcãs Ocidentais, reconhecendo que o alargamento, assente no princípio do mérito, representa uma prioridade estratégica com benefícios políticos, económicos e de segurança para toda a União.

A 01 de dezembro de 2024, António Costa começou o seu mandato de dois anos e meio à frente do Conselho Europeu, sendo o primeiro socialista e o primeiro português neste cargo.

Rússia nega envolvimento no recrutamento de quenianos para forças armadas... A embaixada russa no Quénia negou hoje o envolvimento da Rússia no recrutamento forçado de cidadãos quenianos para lutar na guerra contra a Ucrânia, em resposta a denúncias crescentes.

© Ukrinform/NurPhoto via Getty Images    Lusa  19/02/2026 

A missão diplomática russa acusou os denunciantes de estarem a fazer uma "campanha de propaganda perigosa e enganosa" ao afirmarem que o Kremlin recrutou forçosamente cidadãos quenianos para incorporarem o exército russo e combaterem na Ucrânia. 

Vários meios de comunicação, incluindo a agência de notícias France-Presse (AFP), mostraram recentemente como centenas de quenianos, frequentemente sem qualquer passado militar, acabaram a combater as tropas ucranianas, servindo de "carne para canhão", como descreveram as autoridades do Quénia.

A embaixada russa afirmou que nunca encorajou nenhum queniano a alistar-se, que não emitiu vistos para que participassem na guerra e que também não colaborou com entidades ou indivíduos para coagir ou atrair os cidadãos.

"A campanha culminou recentemente em acusações diretas contra a Embaixada da Rússia em Nairobi e o seu pessoal, acusando-os de estarem envolvidos em esquemas irregulares de recrutamento de quenianos para se tornarem combatentes no conflito na Ucrânia. A Embaixada rejeita tais acusações nos termos mais enérgicos possíveis", adiantou o comunicado.

Embora tenha reconhecido contactos com as autoridades quenianas sobre os cidadãos que viajaram para a Rússia para lutar no conflito, Moscovo insistiu que nunca participou no "recrutamento ilegal" para servir nas suas Forças Armadas.

No entanto, explicou que a legislação russa não impede que cidadãos estrangeiros se alistem voluntariamente no seu exército se estiverem no país legalmente e se optarem por participar na "batalha contra o nazismo ucraniano apoiado pela NATO".

Por último, a embaixada mostrou-se aberta a um diálogo "construtivo e despolitizado" com o Quénia para abordar as suas preocupações a este respeito.

Foi hoje apresentado no parlamento queniano um relatório do Serviço Nacional de Inteligência queniano (NIS) que afirma que a Rússia recrutou pelo menos 1.000 cidadãos quenianos para lutar na Ucrânia.

De acordo com o documento do NIS, muitos quenianos acabaram no exército russo devido ao engano de agências de emprego e de viagens que faziam promessas de empregos bem remunerados nas áreas de segurança e logística no estrangeiro.

Na segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros e da Diáspora do Quénia, Musalia Mudavadi, anunciou que viajará em março até Moscovo para abordar precisamente esta questão.

Os cidadãos quenianos, uma vez chegados à Rússia, foram forçados a assinar um contrato com o exército russo para serem rapidamente transferidos para a frente de batalha na Ucrânia, onde muitos foram mortos ou feridos, de acordo com a AFP.

Desde o início da invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, foi relatada a presença de centenas de africanos a lutar no lado russo.

Embora alguns o façam voluntariamente como mercenários, outros denunciaram enganos e coações.

A Ucrânia revelou que cidadãos de países como Somália, Serra Leoa, Togo, Cuba e Sri Lanka, entre outros, estão presos em campos ucranianos, embora a maioria deles morra ou fique gravemente ferida antes disso.

A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, desencadeando uma guerra que em quatro anos causou dezenas de milhares de vítimas civis e militares, bem como milhões de pessoas deslocadas.

A guerra também provocou a destruição de muitas infraestruturas da Ucrânia, que conta com o apoio do Ocidente no fornecimento de armamento para combater as tropas russas.

As duas partes têm estado envolvidas nos últimos meses num processo de negociações sob mediação dos Estados Unidos, com mais uma ronda realizada na terça e na quarta-feira na Suíça, mas sem um acordo de cessar-fogo.

As principais divergências prendem-se com questões territoriais, com Moscovo a exigir o controlo de várias regiões da Ucrânia e ainda da central nuclear de Zaporijia, a maior da Europa, o que é rejeitado por Kyiv.

A Ucrânia exige também garantias de segurança do Ocidente, nomeadamente da NATO, a cuja adesão Moscovo se opõe.

EUA consideram que existem “muitas razões” para atacar o Irão... Segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, existem "muitas razões" para atacar o Irão, apesar de pequenos avanços nas negociações nucleares realizadas em Genebra.

BEN CURTIS / AP  Por  sicnoticias.pt

A porta-voz da Casa Branca afirmou esta quarta-feira que o Irão "faria bem" em chegar a um acordo com os Estados Unidos e considerou que existem "muitas razões" para atacar o país.

"Existem muitas razões e argumentos a favor de um ataque ao Irão", disse Karoline Leavitt numa conferência de imprensa.

"O Irão faria bem em chegar a um acordo com o Presidente [norte-americano Donald] Trump", acrescentou.

Ainda assim, Leavitt disse que se registaram "pequenos avanços" diplomáticos, mas que ainda persistem diferenças no curso das negociações nucleares, depois de segunda ronda realizada na terça-feira em Genebra.

"Houve algum progresso, mas ainda estamos muito distantes em alguns temas. Acredito que se espera que os iranianos nos apresentem mais detalhes nas próximas semanas, por isso o Presidente continuará a observar os avanços", acrescentou.

As declarações da Casa Branca surgiram num momento em que os Estados Unidos estão a intensificar o contingente militar no Médio Oriente o que pode indicar a possibilidade de atacar Teerão.

Trump ameaçou o Irão várias vezes com uma intervenção militar se as discussões em curso não resultarem num acordo sobre o programa nuclear iraniano.

O exército norte-americano conta atualmente com 13 navios de guerra no Médio Oriente: o porta-aviões "Abraham Lincoln", que chegou no final de janeiro, nove contratorpedeiros e três fragatas, indicou um responsável norte-americano citado pela agência de notícias France-Presse.

A caminho de região está também o maior porta-aviões do mundo "Gerald Ford", depois de Trump ter ordenado o envio para a região em meados de fevereiro.

O "Gerald Ford" está acompanhado por três contratorpedeiros.

É raro que dois porta-aviões norte-americanos, que transportam dezenas de aviões de combate e operam com milhares de marinheiros a bordo, estejam posicionados ao mesmo tempo no Médio Oriente.

Isso aconteceu em junho passado, quando Trump decidiu realizar ataques aéreos contra três instalações nucleares iranianas durante uma guerra de 12 dias desencadeada por Israel.

Entretanto, o meio de comunicação social norte-americano Axios avançou, citando um conselheiro próximo da administração Trump, que a probabilidade de os Estados Unidos atacarem o Irão era de 90%.

Outras fontes não identificadas mencionadas no artigo disseram que uma eventual campanha militar seria uma iniciativa conjunta com Israel e teria um alcance muito superior aos ataques disferidos pelos EUA às instalações nucleares iranianas em junho do ano passado.

Uma operação militar dos EUA no Irão seria provavelmente uma campanha maciça, com duração de semanas, que se assemelharia mais a uma guerra total do que à operação pontual do mês passado na Venezuela, afirmaram as fontes.

Os Estados Unidos também mobilizaram uma grande frota aérea no Médio Oriente, de acordo com contas especializadas e o site de rastreamento de voos Flightradar24.

O contingente aéreo inclui caças furtivos F-22 Raptor, caças F-15 e F-16 e aviões de reabastecimento KC-135 para apoiar as suas operações.

O Flightradar24 mostrava vários KC-135 a voar no Médio Oriente ou nas proximidades, bem como aviões de vigilância aérea E3 Sentry e aviões de carga em atividade na região.

O Irão afirmou que Teerão e Washington chegaram a um acordo na Suíça na terça-feira sobre "um conjunto de princípios orientadores" para um possível acordo, mas o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, observou que as divergências persistiam em relação às "linhas vermelhas" impostas pelos norte-americanos.

O Irão e os Estados Unidos concluíram esta segunda ronda de negociações em três horas e meia.

As conversações indiretas abordaram questões técnicas relacionadas com o levantamento das sanções impostas ao Irão e os compromissos nucleares.

Washington insistiu em incluir o programa de mísseis balísticos do Irão, o que Teerão rejeitou, realçando diferenças significativas entre os dois lados.

Trump, multiplicou os avisos após a repressão sangrenta de manifestações maciças em janeiro no Irão, deixando aberta a porta a uma solução diplomática, nomeadamente sobre o programa nuclear iraniano.

Na ausência de acordo, Trump ameaçou na sexta-feira o Irão com "consequências traumatizantes" e evocou mesmo abertamente a hipótese de uma mudança de regime.

O Irão tem reafirmado o direito de enriquecer urânio no âmbito de um programa nuclear para fins civis.

O Ocidente e Israel contestam a versão de Teerão, argumentando que não existe uma justificação civil credível para a escala das ambições atómicas iranianas.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Atualização: SOBE PARA 3 NÚMERO DE MORTES EM INCÊNDIO QUE HOSPITALIZOU 163 PESSOAS NOS HOSPITAIS DE BAFATÁ E SIMÃO MENDES EM BISSAU

Por RSM 18.02.2026

A cidade de Bafatá está mergulhada em luto após a confirmação de mais uma vítima mortal do incêndio devastador que abalou a região esta semana.

A terceira vítima fazia parte do grupo de 21 pessoas transferidas em estado crítico para o Hospital Nacional Simão Mendes, em Bissau, onde recebiam cuidados intensivos devido à gravidade das queimaduras.

Autoridades de saúde indicam que vários pacientes continuam em estado delicado, o que mantém o país em alerta.

A tragédia provocou uma reação imediata do Executivo. Na segunda-feira, o primeiro-ministro de transição, Ilídio Vieira Té, anunciou o encerramento imediato das bombas improvisadas de venda de combustível, consideradas uma das principais causas de incidentes do género no país.

Num gesto de solidariedade, o futebolista guineense Roger Fernandes, atualmente a atuar na Arábia Saudita, doou 10 milhões de francos CFA para apoiar o tratamento das vítimas.

O gesto foi amplamente elogiado por diversas organizações nacionais, sendo visto como um exemplo de união num momento de dor coletiva.

Diversas organizações nacionais continuam a mobilizar apoios para as famílias afetadas. Enquanto isso, as autoridades reforçam os apelos ao cumprimento das novas medidas de segurança.

A tragédia de Bafatá reacende o debate sobre a comercialização informal de combustível e a necessidade urgente de maior fiscalização para evitar que episódios semelhantes voltem a acontecer.

Em Ruanda, a prisão de Gitarama ganhou a reputação aterrorizante de ser um verdadeiro inferno na Terra. Embora tenha sido projetada originalmente para comportar apenas 400 detentos, a instalação chegou a abrigar cerca de 7.000 pessoas no período caótico que sucedeu o genocídio no país.

@Desvendando o infinito
A superlotação atingiu um nível tão extremo que o espaço físico se tornou insuficiente para o básico, obrigando os prisioneiros a permanecerem de pé durante todo o dia e noite, encostados uns nos outros em uma massa compacta de corpos onde não existe a mínima possibilidade de deitar ou sentar para descansar.

As condições insalubres resultantes desse confinamento são devastadoras para a saúde física dos encarcerados. Como muitos são forçados a ficar pisando continuamente em um chão coberto de sujeira úmida e dejetos, o desenvolvimento de gangrena nos pés tornou-se uma consequência comum, levando a inúmeras amputações para tentar salvar a vida dos detentos. O local não possui celas convencionais, funcionando apenas como um pátio aberto de sofrimento coletivo que serve como um retrato brutal do colapso total do sistema penal e da inexistência completa de direitos humanos.

Senegal: A adjunta do presidente da câmara municipal de Kaffrine, Astou Ba, faleceu na sequência dos ferimentos que sofreu.

Tinha sido gravemente atingida na cabeça durante incidentes violentos ocorridos no final de dezembro de 2025, à margem de uma cerimónia oficial de entrega das chaves de salas de aula reabilitadas nas escolas 3 e 4 da cidade.

Os factos aconteceram num clima de forte tensão política e social. De acordo com informações do Seneweb, o incidente deflagrou na escola 4, na sequência de uma discussão entre jovens pertencentes aos campos do presidente da câmara, Abdoulaye Saydou Sow, e do partido Pastef. Os confrontos deslocaram-se depois para a escola 3, onde a situação degenerou em violência física.

Foi no decurso desses distúrbios que Astou Ba foi atingida na cabeça por um pedaço de bloco de pavê. Gravemente ferida, foi evacuada com urgência para o hospital Thierno Birahim Ndao, em Kaffrine, antes de ser transferida para Touba para receber cuidados especializados.

Em coma durante mais de três meses, a eleita local não sobreviveu, finalmente, aos ferimentos, provocando grande comoção na população de Kaffrine e na classe política local.

Conselho de Paz de Trump arranca amanhã. Quem vai? Portugal participa?... O Conselho de Paz, organismo composto por líderes mundiais criado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, arranca na quinta-feira com a primeira reunião em Washington e a promessa de destinar 5.000 milhões de dólares para reconstruir Gaza.

Por  LUSA 

Em 19 de fevereiro de 2026, estarei novamente acompanhado pelos membros do Conselho de Paz no Instituto Donald J. Trump para a Paz, em Washington, D.C., onde anunciaremos que os Estados-membros prometem mais de 5.000 milhões de dólares [4.227 milhões de euros, ao câmbio atual] para os esforços humanitários e de reconstrução de Gaza", escreveu Trump no domingo, na rede Truth Social.

A nova organização internacional, cuja carta de criação foi assinada por Trump em 22 de janeiro deste ano, teve uma reunião fundacional nessa altura em Davos, na Suíça, e conta com pelo menos 35 chefes de Estado e de Governo, a grande maioria aliados da atual administração norte-americana, como Israel, Argentina, Arábia Saudita e Egito.

Eis algumas perguntas e respostas sobre este organismo criado pelo líder dos Estados Unidos:

O que pretende o Conselho de Paz?

O organismo foi criado no âmbito do plano de 20 pontos apoiado por Washington para pôr fim à guerra na Faixa de Gaza, que começou após o ataque sem precedentes do movimento extremista palestiniano Hamas e outras fações contra Israel, em 07 de outubro de 2023, desencadeando uma ofensiva israelita que se prolongou até 10 de outubro de 2025, quando entrou em vigor uma trégua.

O objetivo do Conselho seria consolidar "um cessar-fogo permanente, apoiar a reconstrução de Gaza e promover uma paz justa e duradoura baseada no direito palestiniano à autodeterminação e ao estabelecimento do seu Estado de acordo com o direito internacional", abrindo assim caminho à segurança e estabilidade dos países e povos da região.

Donald Trump tem insistido que "é muito importante que o Hamas cumpra o seu compromisso de desmilitarização completa e imediata".

No entanto, embora o Conselho tenha sido inicialmente concebido como um órgão que mediaria a guerra de Israel contra Gaza e a estabilidade na região, desde então expandiu a sua Carta para resolver conflitos em todo o mundo -- o que tem levantado suspeitas sobre intenções do Presidente Trump de criar um organismo paralelo às Nações Unidas, de que é um crítico feroz.

Como funciona o Conselho de Paz?

Um conjunto de organismos anunciados pela administração Trump ficará encarregado de gerir a Faixa de Gaza na segunda fase do cessar-fogo. O Conselho de Paz integra este conjunto de organismos.

Trump será o primeiro presidente do Conselho de Paz, cujos poderes previstos são muito extensos, como definir a agenda e convidar ou afastar outros líderes, salvo em caso de veto por uma maioria de dois terços dos Estados-membros.

Um responsável norte-americano confirmou que Trump poderá conservar a presidência, incluindo após o fim do mandato na Casa Branca, até que se demita.

Cada Estado-membro exerce um mandato com uma duração máxima de três anos, renovável pelo presidente do Conselho.

O mandato de três anos não se aplica aos Estados-membros que paguem mais de mil milhões de dólares (cerca de 845 milhões de euros) ao Conselho de Paz durante o primeiro ano após a entrada em vigor da Carta.

Do Comité Executivo, que tem a incumbência de operacionalizar a visão do Conselho de Paz, fazem parte o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio; o enviado especial Steve Witkoff; o genro de Trump Jared Kushner; o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair; o líder de uma empresa de investimento privado, Marco Rowan; o diretor-geral do Banco Mundial, Ajay Banga, e o conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos (EUA), Robert Gabriel.

Jared Kushner apresentou um projeto de reconstrução -- incluindo resorts de praia e torres altas -- para Gaza, criticado por palestinianos como "imperialista".

Está ainda contemplada a criação de um Comité Nacional para a Administração de Gaza (CNAG), composto por 15 tecnocratas palestinianos independentes, entre os quais apenas uma mulher, para supervisionar a situação do pós-guerra no enclave palestiniano, em colaboração com o Conselho Executivo de Paz de Gaza.

É liderado pelo engenheiro Ali Shaaz, natural de Khan Yunis (sul da Faixa de Gaza), mas residente na Cisjordânia, que exerceu funções de vice-ministro dos Transportes na década de 1990 na Autoridade Nacional Palestiniana (ANP).

O que se espera da primeira reunião

O foco principal é o plano de reconstrução de Gaza, após dois anos de uma operação militar israelita em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 72 mil mortos, segundo as autoridades locais, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.

Além do anúncio dos fundos que os Estados-membros vão disponibilizar "para os esforços humanitários e de reconstrução de Gaza", também poderão ser conhecidos mais detalhes sobre uma chamada Força Internacional de Estabilização, igualmente previsto no plano de 20 pontos da administração Trump.

Segundo o líder dos EUA, os membros do Conselho "comprometeram milhares de elementos com a Força Internacional de Estabilização e a Polícia Local para manter a segurança e a paz para os habitantes de Gaza".

Portugal integra o Conselho?

Não. Em janeiro, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, confirmou que Portugal recebeu o convite, mas afirmou que a adesão só se concretizaria se o âmbito da organização se cingir ao conflito israelo-palestiniano, enquanto acentuou a centralidade da ONU.

"O que está previsto na resolução do Conselho de Segurança [da ONU que aprovou, em novembro, a criação desta organização] é que haja uma espécie de comissão de paz (...) com um papel de supervisão política de um governo tecnocrático que atua em Gaza", lembrou.

Por isso, a organização em causa "terá de ter uma arquitetura diferente da apresentada", reforçou o ministro.

Para Portugal, "como para a generalidade dos países europeus, as Nações Unidas são uma sede fundamental de governação mundial", comentou.

"E, portanto, aí é o espaço para o diálogo, é o espaço para as decisões, é o espaço multilateral em que nós nos queremos afirmar", observou Rangel.

Que países confirmaram a participação?

A Casa Branca convidou formalmente 50 países, incluindo Rússia e Israel, e 35 chefes de Estado e de Governo demonstraram interesse. Até ao momento, 26 países aderiram e foram designados como membros fundadores.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, próximo de Trump, vai enviar o ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Saar, à reunião de quinta-feira, onde deverão estar presentes Javier Milei (Argentina) e Viktor Órban (Hungria, o único país da União Europeia a participar como Estado-membro), entre outros.

Ainda na Europa, Kosovo e Albânia, aceitaram o convite, tal como vários países do Médio Oriente e árabes: Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Egito, Turquia, Jordânia, Qatar, Marrocos e Bahrein. Também consta da lista, entre outros, Indonésia, Azerbaijão, Arménia, Kuwait, Vietname, Paquistão e Uzbequistão.

Índia e Austrália indicaram que estavam a analisar o convite. Moscovo também ainda não respondeu.

A União Europeia, que recusou o convite para integrar a estrutura, vai fazer-se representar na reunião inaugural pela comissária para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, mas Bruxelas não esclareceu se terá a condição de observadora.

De acordo com o executivo comunitário, Dubravka Suica participará nas conversações "para facilitar a coordenação e a complementaridade das ações [europeias] com os esforços internacionais para a recuperação e reconstrução pós-guerra de Gaza", tendo ainda várias reuniões bilaterais marcadas "com atores-chave".

Quem recusou participar?

Pelo menos 14 países.

A União Europeia afirmou que não pretende aderir ao Conselho de Paz devido a preocupações com o estatuto do organismo.

O convite de Trump ao Presidente russo, Vladimir Putin, dificultou a presença de europeus, nomeadamente do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

As principais potências europeias, como Alemanha, França, Reino Unido e Espanha rejeitaram o convite.

Por outro lado, alguns países europeus, como Itália, Roménia, Bulgária, Grécia, Eslováquia e Chipre, vão ter o estatuto de observadores.

O Papa Leão XIV não irá aderir ao Conselho, considerando que a resolução de situações de crise compete à ONU.

Qual é a posição do Hamas e das autoridades palestinianas?

Na terça-feira, o Hamas exortou o Conselho de Paz a agir para obrigar Israel a "pôr fim às violações" da trégua na Faixa de Gaza.

Na semana passada, as autoridades de Gaza, controladas pelo Hamas, insistiram na urgência da chegada do CNAG para iniciar rapidamente as funções governativas.

Este comité palestiniano defendeu a necessidade de ter "controlo total" sobre o território.

O que disse a ONU?

Em 21 de janeiro, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, considerou, através de um porta-voz, que o Conselho de Paz era, até então, "amorfo", enfatizando que o apoio ao órgão é "estritamente" pelo trabalho no enclave.

"O Conselho de Paz, em termos do que vai fazer, continua amorfo. Teremos que ver o que fará. Estamos a manter-nos fiéis ao nosso programa. A ONU tem a sua Carta, uma longa história de conquistas e um amplo conjunto de tarefas que devemos cumprir constantemente, e é isso que estamos a fazer", disse o porta-voz adjunto de Guterres, Farhan Haq.

O que disseram outras organizações?

A organização de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional considerou que a criação do Conselho de Paz "revela um desrespeito gritante pelo Direito internacional e pelos direitos humanos e representa uma nova manifestação do ataque crescente aos mecanismos das Nações Unidas, às instituições de justiça internacional e às normas universais".

Cientistas resolvem mistério sobre origem da vida complexa na Terra... Cientistas descobriram que os nossos antepassados microbianos usavam ambos oxigénio, resolvendo o mistério presente na teoria de que a vida complexa na Terra surgiu após a união de dois micróbios muito diferentes, foi hoje divulgado.

Por LUSA 

O problema da teoria "mais amplamente aceite" para a evolução das "plantas, animais e fungos, conhecidos coletivamente como eucariotas" era não conseguir explicar como é que os dois micróbios estavam tão próximos para se unirem, quando um precisa de oxigénio para sobreviver e o outro era conhecido por viver em espaços sem este gás.

Segundo um estudo publicado na revista científica Nature, algumas arqueias Asgard, grupo de organismos do qual fazia parte um daqueles antepassados e que hoje em dia vivem sobretudo nas profundezas do mar e noutros espaços sem oxigénio, "usam, ou pelo menos toleram, o oxigénio".

"A maioria dos Asgards vivos de hoje foram encontrados em ambientes sem oxigénio", diz um dos autores do estudo, Brett Baker, professor associado de Ciências Marinhas e Biologia Integrativa na Universidade do Texas, nos Estados Unidos, citado num comunicado de divulgação do estudo desta instituição.

"Mas aqueles que estão mais relacionados com os eucariotas vivem em locais com oxigénio, como sedimentos costeiros pouco profundos, flutuando na coluna de água, e têm muitas vias metabólicas que utilizam oxigénio. Isto sugere que o nosso antepassado eucariótico provavelmente também possuía estes processos", acrescenta.

A mais recente descoberta da equipa de Baker, que investiga genomas de arqueias Asgard, descobrindo novas linhagens, expandindo a diversidade enzimática e explorando as suas vias metabólicas, dá mais credibilidade à ideia de que a vida complexa evoluiu como a teoria previa e aparentemente num ambiente rico em oxigénio.

De acordo com a ciência, até há cerca de 1,7 mil milhões de anos a atmosfera terrestre tinha muito pouco oxigénio, mas os níveis do gás aumentaram drasticamente durante o período conhecido como o Grande Evento de Oxidação e "algumas centenas de milhares de anos" depois "surgiram os primeiros microfósseis de eucariotas conhecidos", o que indica que a presença de oxigénio pode ter sido importante para a origem da vida complexa.

"O facto de alguns dos Asgardianos, que são os nossos antepassados, serem capazes de usar oxigénio encaixa muito bem nisso", adianta Baker.

"O oxigénio apareceu no ambiente e os Asgardianos adaptaram-se a ele. Descobriram uma vantagem energética na utilização de oxigénio e, então, evoluíram para eucariotas".

Para os cientistas, os eucariotas surgiram quando uma arqueia Asgardiana desenvolveu uma relação simbiótica com uma alfaproteobactéria e esta terá evoluído, tornando-se "uma organela produtora de energia dentro dos eucariotas, chamada mitocôndria".

A coautora Kathryn Appler, investigadora de pós-doutoramento no Instituto Pasteur, em Paris, França, destaca "o enorme esforço de sequenciação e a sobreposição de métodos de sequenciação e estruturais" realizados pelos cientistas e que permitiram" ver padrões que não eram visíveis antes desta expansão genómica."

Segundo o comunicado, esta investigação resulta do trabalho de doutoramento de Appler no Instituto de Ciências Marinhas da Universidade do Texas, que começou com a extração de ADN de sedimentos marinhos em 2019.

A equipa da UT e os seus colaboradores reuniram mais de 13.000 novos genomas microbianos, tendo conseguido "centenas de novos genomas de Asgard" e "quase duplicando a diversidade genética" do grupo que era conhecida.

Com base em semelhanças e diferenças genéticas, os cientistas construíram uma árvore da vida alargada das arqueias de Asgard, tendo os novos genomas permitido também descobrir novos grupos de proteínas, "duplicando o número de classes enzimáticas conhecidas".

Os ex-investigadores da UT Xianzhe Gong (atualmente na Universidade de Shandong, na China), Pedro Leão (agora na Universidade Radboud, Países Baixos), Marguerite Langwig (agora na Universidade de Wisconsin-Madison, Estados Unidos) e Valerie De Anda (atualmente na Universidade de Viena, Áustria) são outros autores do estudo.

Air Force One será pintado com cores favoritas de Trump (sim... dourado)... Mais de 60 anos depois, o avião oficial do Presidente dos Estados Unidos vai mudar a paleta de cores, por desejo de Donald Trump. O novo design vai incluir azul, vermelho, branco e... dourado.

Por  LUSA 

A Força Aérea norte-americana deverá repintar a sua frota presidencial (que inclui o Air Force One) e a VIP (que transporta altas figuras, incluindo a primeira-dama, o vice-presidente e membros do governo), para combinar com o esquema de cores preferidas do presidente Donald Trump.

A paleta que remonta à era de Kennedy está a ser substituída nos aviões à medida que vão chegando para reparações ou manutenções programadas, segundo referiram fontes militares à CBS News.

Os aviões visados incluem o  jato doado pelo Qatar e duas aeronaves que a Boeing está a converter para servirem como Air Force One.

Segundo a imprensa norte-americana, que cita fontes governamentais, as cores escolhidas são o azul marinho escuro, vermelho escuro e branco. Além das cores da bandeira americana já mencionadas, espera-se que os aviões recebam também uma faixa dourada, refletindo outra preferência do presidente, que decorou a Sala Oval com vários detalhes em dourado.

Isto marca o fim do design branco e azul, que data dos anos 60 durante a Administração de John F. Kennedy.

O primeiro C-32 (VIP) já foi pintado e a previsão é de que seja entregue nos próximos meses.

Trump já queria que a renovação fosse feita durante o seu primeiro mandato, de 2017 a 2021, mas o pedido foi cancelado pela Força Aérea sob a administração de Joe Biden, por preocupações com custos e aspetos técnicos relacionados ao efeito de aquecimento das cores mais escuras.

Até ao momento, a Casa Branca não comentou as alterações.


Leia Também: Marco Rubio revela que… se esconde de Trump para dormir no Air Force One

Marco Rubio disse, numa entrevista, que costuma esconder-se para dormir uma sesta quando viaja com Donald Trump no Air Force One. Porquê? Porque não quer que o presidente norte-americano pense que é um "homem fraco".

Portugal na área de risco do Chikungunya. O que se sabe sobre este vírus... Um estudo divulgado pela revista The Royal Society revelou que o vírus Chikungunya representa uma ameaça à saúde da Europa, sendo que Portugal está inserido na área de maior risco. O que é? Quais os sintomas? E os tratamentos? Eis o que se sabe sobre este vírus.

Por  LUSA 

Uma investigação publicada pela revista The Royal Society revelou que o vírus Chikungunya representa uma "ameaça à saúde na Europa maior do que se pensava anteriormente, pois pode ser transmitido quando as temperaturas do ar estão tão baixas quanto 13 graus Celsius". 

A pesquisa notou que o vírus pode ser transmitido em temperaturas de 13 a 14 graus Celsius, contrariando desta forma estudos anteriores que indicavam que o mínimo eram 18 a 16 graus. 

Tal significa que existe o risco de surtos locais de Chikungunya em mais áreas e por períodos mais longos do que se pensava anteriormente, alertaram os investigadores, que criaram um mapa para a Europa com três níveis de risco. 

Portugal está enquadrado na área de maior risco, em conjunto com países como a Grécia, Itália, Malta e Espanha, com o estudo a prever que a transmissão posso ocorrer durante cerca de seis meses por ano.

O que é o vírus Chikungunya?

Segundo o website do Institut Pasteur, o vírus Chikungunya é uma doença de foro viral transmitida aos humanos através da picada dos mosquitos Aedes albopictus e Aedes aegypti. 

Embora raramente leve à morte, esta pode causar dor intensa e sintomas que afetam a qualidade de vida dos pacientes. 

O Chikungunya é um vírus do género Alphavirus. O seu mecanismo de ação ainda não é totalmente conhecido, mas acredita-se que o vírus infete sobretudo os músculos, articulações, tecidos de contêm glóbulos brancos e, em alguns casos, o sistema nervoso. 

De que forma este vírus se espalha?

O vírus Chikungunya é um arbovírus, ou seja, é transmitido por artrópodes. Os seus vetores são mosquitos fêmeas do género Aedes, que podem ser identificados pelas suas riscas pretas e brancas. As duas espécies que transmitem a doença são o Aedes albopictus e o Aedes aegypti. 

Estes dois mosquitos também transmitem outros arbovírus, incluindo dengue, febre amarela e o vírus Zika. Os mosquitos geralmente picam durante o dia, especialmente no início da manhã e pouco antes do pôr do sol.

Quais os sintomas do vírus Chikungunya?

Após um período de incubação de dois a 10 dias, este vírus causa dores articulares que afetam sobretudo os pulsos, dedos, tornozelos, pés e joelhos - e, raramente, a zona do quadril e ombros. 

A dor articular é frequentemente acompanhada de dor de cabeça, febre, fortes dores musculares, erupções cutâneas no tronco e membros, conjuntivite e inflamação de um ou mais linfonodos cervicais. 

Em alguns casos podem ocorrer manifestações neurológicas graves, incluindo meningoencefalite e neuropatia periférica. Estas afetam principalmente idosos ou pessoas imunocomprometidas, bem como recém-nascidos que foram infetados no útero ao mesmo tempo que a mãe.

Este vírus raramente leva à morte, pelo que as pessoas que perderam a vida já apresentavam outros problemas de saúde. A maioria dos pacientes recupera de sintomas clínicos rapidamente, sendo que a febre e as erupções cutâneas desaparecem em pouco tempo. 

Como o vírus é diagnosticado?

O diagnóstico baseia-se nos sintomas, no histórico de viagens dos pacientes para áreas onde o vírus é endémico e em exames laboratoriais. Os testes diagnósticos incluem ensaios sorológicos para detetar anticorpos contra o vírus e testes de biologia molecular, como a PCR, para detectar o material genético do vírus.

Quais os tratamentos disponíveis?

Ainda não existem tratamentos antivirais específico para este vírus. O tratamento baseia-se em analgésicos e anti-inflamatórios. 

Como prevenir este vírus?

A melhor forma de prevenir a propagação do vírus Chikungunya passa por medidas de controlo dos mosquitos. As pessoas deverão proteger-se vestindo roupas mais compridas, aplicando repelentes e usando inseticidas. 

No ano passado, os Estados Unidos suspenderam a autorização da vacina contra o vírus Chikungunya do laboratório franco-austríaco Valneva, uma das primeiras a ser desenvolvida contra esta doença viral.

Guiné-Bissau: PR transição exonera presidente do Tribunal Militar Superior... O Presidente guineense de transição, general Horta Inta-a, exonerou hoje o general Augusto Bicoda do cargo de presidente do Supremo Tribunal Militar, sem indicar os motivos, anunciou a Presidência do país através de decreto.

PRT General de Exército Horta Inta-A confere posse ao novo presidente do Tribunal Militar Superior

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Por LUSA 

Também em decreto presidencial, consultado pela Lusa nas redes sociais, Horta Inta-a nomeou o general Ioba Embaló para ocupar as funções agora deixadas por Bicoda, que havia sido indicado para o cargo em março de 2025 pelo então Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló.

O brigadeiro-general Ioba Embaló é um quadro militar guineense desde sempre afeto ao Tribunal Militar Superior, tendo, no entanto, trabalhado como conselheiro de segurança das Nações Unidas na Guiné-Bissau.

As mudanças na chefia do Supremo Tribunal Militar ocorrem numa altura em que o principal opositor ao regime em vigor na Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, foi ouvido no Tribunal Militar Regional de Bissau, no âmbito de um processo sobre uma alegada tentativa de golpe de Estado.

Pereira, que é líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e presidente eleito do parlamento guineense, foi ouvido, segundo a sua defesa, na qualidade de declarante de um caso que teria ocorrido em outubro passado.

Várias vozes guineenses e internacionais têm questionado o facto de um civil estar a ser ouvido num tribunal militar.

O decreto que exonera Augusto Bicoda e o que nomeia Ioba Embaló indicam que as mudanças ocorreram por iniciativa do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas e foram aprovadas pelo Conselho Superior da Defesa Nacional.

Um Alto Comando Militar tomou o poder na Guiné-Bissau, a 26 de novembro de 2025, um dia antes da divulgação dos resultados oficiais das eleições gerais, presidenciais e legislativas, de 23 de novembro.

O candidato da oposição, Fernando Dias, tinha reclamado vitória sobre o Presidente cessante e candidato a um segundo mandato, Umaro Sissoco Embaló.

Dias foi apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) que, pela primeira vez, foi afastado de eleições por decisão judicial.

O processo eleitoral foi interrompido, os militares aprovaram uma nova Constituição com mais poderes para o Presidente da República e convocaram novas eleições gerais para 06 de dezembro.

O Presidente cessante, Sissoco Embaló, saiu do país após o golpe, o candidato da oposição Fernando Dias, esteve refugiado na embaixada da Nigéria até 30 de janeiro, data em que saiu da cadeia para prisão domiciliária o presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira.

As autoridades militares anunciaram que tinha  libertado todos os presos políticos do golpe de novembro de 2025 e que Simões Pereira, considerado o principal opositor de Embaló, continua sob custódia por questões ligadas à justiça civil, sem especificar de que processo se trata.