Por LUSA
Uma investigação publicada pela revista The Royal Society revelou que o vírus Chikungunya representa uma "ameaça à saúde na Europa maior do que se pensava anteriormente, pois pode ser transmitido quando as temperaturas do ar estão tão baixas quanto 13 graus Celsius".
A pesquisa notou que o vírus pode ser transmitido em temperaturas de 13 a 14 graus Celsius, contrariando desta forma estudos anteriores que indicavam que o mínimo eram 18 a 16 graus.
Tal significa que existe o risco de surtos locais de Chikungunya em mais áreas e por períodos mais longos do que se pensava anteriormente, alertaram os investigadores, que criaram um mapa para a Europa com três níveis de risco.
Portugal está enquadrado na área de maior risco, em conjunto com países como a Grécia, Itália, Malta e Espanha, com o estudo a prever que a transmissão posso ocorrer durante cerca de seis meses por ano.
O que é o vírus Chikungunya?
Segundo o website do Institut Pasteur, o vírus Chikungunya é uma doença de foro viral transmitida aos humanos através da picada dos mosquitos Aedes albopictus e Aedes aegypti.
Embora raramente leve à morte, esta pode causar dor intensa e sintomas que afetam a qualidade de vida dos pacientes.
O Chikungunya é um vírus do género Alphavirus. O seu mecanismo de ação ainda não é totalmente conhecido, mas acredita-se que o vírus infete sobretudo os músculos, articulações, tecidos de contêm glóbulos brancos e, em alguns casos, o sistema nervoso.
De que forma este vírus se espalha?
O vírus Chikungunya é um arbovírus, ou seja, é transmitido por artrópodes. Os seus vetores são mosquitos fêmeas do género Aedes, que podem ser identificados pelas suas riscas pretas e brancas. As duas espécies que transmitem a doença são o Aedes albopictus e o Aedes aegypti.
Estes dois mosquitos também transmitem outros arbovírus, incluindo dengue, febre amarela e o vírus Zika. Os mosquitos geralmente picam durante o dia, especialmente no início da manhã e pouco antes do pôr do sol.
Quais os sintomas do vírus Chikungunya?
Após um período de incubação de dois a 10 dias, este vírus causa dores articulares que afetam sobretudo os pulsos, dedos, tornozelos, pés e joelhos - e, raramente, a zona do quadril e ombros.
A dor articular é frequentemente acompanhada de dor de cabeça, febre, fortes dores musculares, erupções cutâneas no tronco e membros, conjuntivite e inflamação de um ou mais linfonodos cervicais.
Em alguns casos podem ocorrer manifestações neurológicas graves, incluindo meningoencefalite e neuropatia periférica. Estas afetam principalmente idosos ou pessoas imunocomprometidas, bem como recém-nascidos que foram infetados no útero ao mesmo tempo que a mãe.
Este vírus raramente leva à morte, pelo que as pessoas que perderam a vida já apresentavam outros problemas de saúde. A maioria dos pacientes recupera de sintomas clínicos rapidamente, sendo que a febre e as erupções cutâneas desaparecem em pouco tempo.
Como o vírus é diagnosticado?
O diagnóstico baseia-se nos sintomas, no histórico de viagens dos pacientes para áreas onde o vírus é endémico e em exames laboratoriais. Os testes diagnósticos incluem ensaios sorológicos para detetar anticorpos contra o vírus e testes de biologia molecular, como a PCR, para detectar o material genético do vírus.
Quais os tratamentos disponíveis?
Ainda não existem tratamentos antivirais específico para este vírus. O tratamento baseia-se em analgésicos e anti-inflamatórios.
Como prevenir este vírus?
A melhor forma de prevenir a propagação do vírus Chikungunya passa por medidas de controlo dos mosquitos. As pessoas deverão proteger-se vestindo roupas mais compridas, aplicando repelentes e usando inseticidas.
No ano passado, os Estados Unidos suspenderam a autorização da vacina contra o vírus Chikungunya do laboratório franco-austríaco Valneva, uma das primeiras a ser desenvolvida contra esta doença viral.

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