© ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP via Getty Images Por LUSA 14/02/2026
"Os esforços que temos desenvolvido para a construção da África que queremos, não poderão ser alcançados de forma plena sem que façamos investimentos significativos que tragam bons resultados no setor da água e do saneamento", discursava João Lourenço, que cessou hoje a sua liderança à frente da organização, na abertura da 39.ª Cimeira da União Africana, antes da cerimónia da passagem de pastas para o Burundi.
Segundo João Lourenço, a conferência debateu questões de grande importância para o funcionamento e crescimento da UA, bem como refletiu os objetivos traçados pela organização para o ano terminado, sobre os resultados obtidos e sobre o que falta fazer.
O Presidente de Angola destacou a necessidade de se trabalhar "arduamente para que o acesso à água potável e ao saneamento não constitua apenas uma questão técnica, mas um compromisso político e moral" para com os povos.
"Pois, apesar da abundância de recursos hídricos no continente, continuamos a registar situações incontáveis de cidadãos africanos privados do acesso seguro à água potável e ao saneamento adequado, que constitui um desafio coletivo que deve exigir respostas corajosas, integradas e sustentáveis", referiu.
O líder cessante frisou que o objetivo é de igual modo traçar conjuntamente o melhor caminho a seguir para garantir a operacionalização com êxito das questões relativas à água como um recurso vital, insubstituível e determinante para o desenvolvimento económico, a saúde pública, a segurança alimentar, a estabilidade social e a paz em África.
"Só assim conseguiremos garantir o acesso universal e equitativo a estes serviços e concretizar as aspirações da Agenda 2063, em particular no que se refere ao desenvolvimento inclusivo, ao capital humano, à resiliência climática e à boa governação", frisou.
No seu discurso de passagem de pastas, João Lourenço voltou a sublinhar que 2026 é o ano de colocar em marcha "a aplicação de uma questão capital para o continente africano, que consiste em "Assegurar a Disponibilidade Sustentável da Água e Sistemas de Saneamento Seguros para Alcançar os Objetivos da Agenda 2063".
De acordo com o Presidente de Angola, "o acesso à água potável e a sistemas de saneamento seguros, é um imperativo de ordem moral e política, que requer um firme empenho de governos e dos seus parceiros locais, designadamente empresas, associações cívicas e comunidades", apelando à conjugação de esforços "para resolver este sério problema com que a África se debate".
Ao seu sucessor, o Presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, o chefe de Estado angolano destacou a "missão complexa e exigente" que terá pela frente e que "vai absorver uma grande parte das suas energias, da sua disponibilidade de tempo".
"Mas acredite que vale a pena colocar todo o seu empenho nesta incessante busca de soluções em que todos nós africanos estamos envolvidos, para rompermos definitivamente este ciclo de subdesenvolvimento em que nos encontramos, mas que tem perspetivas animadoras, se todos convergirmos as nossas atenções e energias para a consecução deste objetivo", realçou.
Num balanço sobre o seu mandato de um ano, João Lourenço disse que procurou reforçar o papel da UA, como plataforma de concertação política e de ação concreta, promovendo uma maior articulação entre os Estados-membros e as comunidades económicas regionais, o fortalecimento da abordagem preventiva face aos impactos das alterações climáticas, a mobilização de parcerias estratégicas para o financiamento de infraestruturas resilientes, considerando que "o desenvolvimento sustentável é inseparável da estabilidade e da paz duradoura".
João Lourenço referiu-se igualmente aos vários conflitos que o continente regista, sublinhando que continuam as ações no sentido de contribuir para a solução desses casos, nomeadamente no Sudão, República Democrática do Congo (RDCongo), sendo também preocupante a expansão de grupos terroristas "que continuam a atingir severamente o Mali, o Burkina Faso, o Níger, a Nigéria e o norte dos Camarões", citando também os ataques repetidos dos terroristas na Somália, que impactam na África Austral, o norte de Moçambique.

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