© Reuters Por LUSA 14/02/2026
"Qualquer país que preze a paz deve gritar isto aos quatro ventos: se regressarem ao caminho antigo, chegarão a um beco sem saída, e se optarem por apostar nele novamente, a derrota será ainda mais rápida e devastadora", declarou Wang Yi ao discursar na Conferência de Segurança de Munique.
O chefe da diplomacia chinesa reagia à "retórica militarista" da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, referindo-se à Guerra Sino-Japonesa entre 1937 e 1945, que causou cerca de 20 milhões de mortos e que terminou com a derrota do Japão Imperial, segundo a agência noticiosa privada espanhola Europa Press.
O ministro chinês acusou o Japão de continuar a homenagear militares considerados criminosos de guerra, adiantando que tal parece indicar que "o espectro do militarismo continua a assombrar" o país e se reflete em "ambições persistentes em relação a Taiwan", cuja soberania é reivindicada pela China há décadas.
Wang referiu que a Alemanha fez uma análise minuciosa dos crimes nazis após a Segunda Guerra Mundial, tendo aprovado legislação que proíbe discursos e ações que promovam a ideologia nazi, criticando Tóquio por não ter, segundo ele, adotado medidas semelhantes.
A tensão na relação entre os dois países aumentou depois de Takaichi ter insinuado a possibilidade de uma resposta militar japonesa caso a China intervenha em Taiwan, levando Pequim a exigir um pedido de desculpas.
A primeira-ministra japonesa continua a insistir que o Japão "não poderá ignorar" um conflito que surja na região e aponta como um dos seus objetivos reformar a Constituição, pondo fim à era pacifista do país, iniciada logo após a Segunda Guerra Mundial, quando Tóquio renunciou "para sempre" à guerra como "direito soberano" e limitou significativamente a movimentação das suas tropas.
"As lições da história não estão longe de nós", declarou Wang, uma semana depois de Takaichi ter conquistado uma vitória tão expressiva nas eleições legislativas que lhe permite considerar a reforma da Lei Fundamental do país.

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