terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

ONU defende estratégia de desenvolvimento para os países menos desenvolvidos... A Organização das Nações Unidas (ONU) defendeu hoje que os países menos desenvolvidos, que incluem Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor-Leste, devem criar uma estratégia de desenvolvimento para acomodar 13 milhões de novos trabalhadores anualmente.

© LUSA    10/02/2026 

"Os países menos desenvolvidos enfrentam um desafio sem precedentes em matéria de emprego: entre agora e 2050, terão de criar empregos para cerca de 13,2 milhões de novas pessoas no mercado de trabalho todos os anos, tornando a criação de emprego uma restrição determinante para as estratégias de desenvolvimento", lê-se no relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) sobre os países menos desenvolvidos. 

Embora o setor dos serviços tenha absorvido grande parte desta força de trabalho cada vez maior, "o crescimento do emprego não foi acompanhado por ganhos de rendimento", por isso "a pobreza no trabalho continua a ser generalizada, sublinhando a diferença entre ter um emprego e ter uma vida digna", de acordo com a UNCTAD.

No relatório deste ano salienta-se que o setor dos serviços está a expandir-se rapidamente nos países menos desenvolvidos, mas alerta que "o crescimento concentra-se em atividades de baixa produtividade que sustentam os meios de subsistência, mas não geram prosperidade em grande escala".

O emprego nestes países ainda é dominado pelo comércio informal, serviços pessoais e atividades de subsistência, enquanto os serviços de maior produtividade, que poderiam apoiar a industrialização e a competitividade, permanecem subdesenvolvidos.

"A produtividade do trabalho nos países menos desenvolvidos é, em média, 11 vezes inferior à das economias de desenvolvimento médio", o que determina "o tipo de serviços que os países podem realisticamente desenvolver e exportar".

São precisas, conclui a UNCTAD, "estratégias de desenvolvimento nacional coerentes e apoiadas por um ambiente global favorável, já que, sem isso, a expansão dos serviços corre o risco de aprofundar a marginalização, em vez de a reduzir".

No relatório, a UNCTAD aborda também a questão do turismo e dos serviços digitais, muitas vezes apontados como áreas em que os países menos desenvolvidos poderiam apostar para garantir um desenvolvimento rápido e inclusivo das suas economias.

"As elevadas receitas do turismo muitas vezes não se traduzem na criação substancial de empregos, na adição de valor local ou na transformação económica, o que reflete as limitações de infraestrutura, as ligações fracas e a elevada dependência das importações", alerta a UNCTAD, apontando também que os serviços digitais, que são dos segmentos mais dinâmicos do comércio global, representam apenas 0,16% das exportações dos países menos desenvolvidos.

Reduzir as disparidades digitais, reforçar as capacidades e apoiar ativamente os exportadores de serviços, em particular as pequenas e médias empresas, é essencial para que os países menos desenvolvidos possam competir nos serviços modernos e transformar o crescimento económico num desenvolvimento abrangente e inclusivo, afirmam os peritos, concluindo que "a cooperação regional e global pode ajudar os países menos desenvolvidos a expandir o comércio de serviços, mas apenas se refletir as suas necessidades de desenvolvimento".

Os países menos desenvolvidos são um grupo estatístico de 44 países, a maior parte dos quais em África, onde cada cidadão recebe menos de 1.088 dólares por ano, ou 913 euros, correspondendo a 2,5 euros diários.


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