© Getty Images Por LUSA 13/02/2026
O ensaio, conduzido na quarta-feira na província insular de Hainan, envolveu dois componentes-chave do programa lunar chinês: um teste em voo do sistema de escape da cápsula tripulada Mengzhou e uma simulação completa de lançamento, reentrada e aterragem controlada do primeiro estágio do novo foguetão de grande capacidade.
Citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, Rand Simberg, engenheiro aeroespacial e analista de política espacial, classificou o teste como "um marco significativo para o programa lunar chinês", acrescentando que "provavelmente, a China já está pronta para enviar tripulações".
Citado pelo mesmo jornal, Jonathan McDowell, historiador espacial e ex-astrónomo da Universidade de Harvard, destacou a ousadia do ensaio, que combinou pela primeira vez o teste simultâneo do foguetão e da cápsula. Para McDowell, tal demonstra "elevada confiança da China no seu sistema".
O avanço chinês ocorre num momento em que a NASA se prepara para lançar a missão Artemis II, que colocará astronautas em órbita lunar, mas sem alunagem. A missão Artemis III, inicialmente prevista para 2027, foi silenciosamente adiada para 2028 no portal da agência espacial norte-americana.
Para McDowell, mesmo assim, esse novo calendário é irrealista: "Não vejo 2028 como viável. Na minha opinião, será em 2030, no mínimo".
Um dos principais obstáculos ao calendário dos EUA é o módulo de alunagem. A SpaceX, de Elon Musk, tem previsto usar uma versão modificada do Starship, originalmente concebido para Marte. O veículo é volumoso e tecnicamente complexo, exigindo várias operações de reabastecimento orbital nunca antes realizadas.
Face aos atrasos, a Blue Origin, empresa fundada por Jeff Bezos, emergiu como alternativa com o seu módulo Blue Moon, mais pequeno e possivelmente pronto antes da SpaceX.
"Haverá uma corrida de curto prazo entre a SpaceX e a Blue Origin pelo módulo lunar", afirmou Simberg. "A Blue Origin pode até vencer, sendo o primeiro módulo dos EUA a chegar à Lua".
Simberg acrescentou que 2030 continua a ser um prazo plausível tanto para os EUA como para a China. No entanto, considera a SpaceX "o fator imprevisível que poderá acelerar os prazos norte-americanos".
Segundo a analista Namrata Goswami, especialista em política espacial, o recente progresso lunar da China está diretamente ligado ao objetivo estratégico de construir uma base na Lua e utilizar os seus recursos ainda nesta década.
Goswami sublinhou que a competição entre Washington e Pequim vai além de marcos simbólicos: "Está em curso uma disputa por quem conseguirá manter atividade humana, infraestrutura e extração de recursos na superfície lunar".
A especialista considera que o programa Artemis aposta numa economia lunar de iniciativa comercial, enquanto a China constrói um sistema estatal, voltado para uma presença sustentada e controlo estratégico dos recursos lunares.
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A contaminação terá origem em óleos fornecidos pela empresa chinesa Cabio Biotech Wuhan e envolve marcas como Nestlé, Danone e Lactalis, entre outras.


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