quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

O Ministro do Interior e da Ordem Pública, Mama Saliu Embalo, efetuou, nesta quarta-feira (04.02), uma visita à Brigada da Polícia de Viação e Trânsito, conhecida como antigo “Cala Boca”, com o objetivo de avaliar de perto o funcionamento da unidade e reforçar a autoridade do Estado no ordenamento do trânsito e na segurança pública.

@Radio Voz Do Povo

PAIGC não vai acatar as decisões do Alto Comando Militar... O PAIGC afirmou hoje que não vai alterar a sua bandeira nem os seus símbolos, por serem decisões tomadas por um órgão ilegal, sem respaldo popular, formado através de um golpe de Estado que interrompeu o processo eleitoral e suspendeu a Constituição.

Em entrevista exclusiva à DW, o porta-voz do partido, Muniro Conté, declarou que é o Estado da Guiné-Bissau que deveria mudar a sua bandeira, os seus símbolos e o seu hino, por todos eles pertencerem ao PAIGC, partido que fundou o Estado.

Nesta entrevista, Muniro falou ainda sobre o futuro político de Domingos Simões Pereira, as contestações internas, o governo inclusivo exigido pela CEDEAO e as alegadas tentativas de apagar a história do PAIGC e pôr fim à existência do partido.

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Por:  Rádio Jovem

O Governo de transição da Guiné-Bissau determinou que, no presente ano letivo 2025/2026, a nota mínima para a passagem de classe em todas as escolas do país passa a ser dez valores.

Segundo o Executivo, a decisão enquadra-se na dinâmica adotada pelos países da sub-região da África Ocidental.

Em entrevista à Rádio Jovem, o inspetor-geral da Educação, Mamadú Banjai, afirmou que a Guiné-Bissau é o único país da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) que continua a aplicar a nota positiva a partir de doze valores no sistema de ensino.

De acordo com o responsável, até mesmo Portugal, país cujo modelo educativo a Guiné-Bissau segue em grande medida, considera positiva a classificação a partir de dez valores.

A decisão, no entanto, tem gerado reações divergentes, algumas vozes defendem que o país ainda não reúne condições para aplicar a nota dez como critério de passagem de classe, apontando vários fatores que contribuem para o fracasso do sistema educativo guineense.

Em resposta às críticas, Mamadú Banjai sublinhou que a qualidade do ensino não depende exclusivamente da nota mínima estabelecida.

O inspetor-geral denunciou ainda que, atualmente, muitos professores não estão a cumprir integralmente os programas letivos, frisando que o principal desafio do setor é a qualidade do ensino, e não a fixação da nota dez como média de aprovação.

TRÊS AGENTES DA POP DETIDOS POR SUSPEITA DE ROUBO DE CINCO MILHÕES DE FRANCOS CFA EM BAFATÁ

Por RSM 04 02 2026

Três agentes da Polícia de Ordem Pública (POP) da província Leste, nomeadamente, o chefe de operações do destacamento da região de Bafatá, o delegado da investigação provincial, encontram-se detidos por alegado envolvimento no roubo de cerca de cinco milhões de francos CFA.

Segundo informações apuradas pela Rádio Sol Mansi (RSM) junto de várias fontes próximas da esquadra da POP em Bafatá, os agentes são suspeitos de participação no furto ocorrido num dos estabelecimentos comerciais pertencentes a um cidadão estrangeiro, no mercado principal daquela cidade.

As mesmas fontes indicam que a detenção dos três policiais resulta de uma investigação conduzida por agentes da própria polícia da região.

A POP de Bafatá não quis gravar a entrevista porque "o caso já se encontra sob alçada da justiça".

De acordo com os dados recolhidos, um dos detidos encontrava-se de serviço no local na altura em que o dinheiro foi subtraído, o que levantou suspeitas e motivou o aprofundamento das investigações.

A RSM apurou ainda que os suspeitos estão detidos há mais de sete dias nas celas de detenção da Polícia da Segunda Esquadra, em Bissau, aguardando apresentação às autoridades judiciais competentes.

Contactada pela Rádio Sol Mansi, a Associação dos Comerciantes da região de Bafatá optou por não comentar o caso. Os seus responsáveis justificaram o silêncio com o facto do processo estar, neste momento, sob alçada da justiça.

De acordo com as fontes, o montante em causa pertence a um comerciante de nacionalidade mauritana e o furto terá ocorrido no mês de setembro do ano passado. 

Sabemos que a investigação prolongou-se ao longo dos últimos meses por se tratar de um inquérito conduzido de forma discreta, o que permitiu às autoridades reunir elementos que apontam para a responsabilidade dos agora detidos.

O caso continua a ser acompanhado pelas autoridades judiciais, enquanto se aguarda o seu devido esclarecimento.


Observatório acusa Pequim de destruir liberdades em Hong Kong... O Observatório dos Direitos Humanos (ODH) afirmou hoje que "a repressão do Governo chinês destruiu o que restava das liberdades em Hong Kong", cinco anos após a entrada em vigor da Lei de Segurança Nacional imposta por Pequim.

Por  LUSA   04/02/2026

No relatório anual hoje publicado, a organização traça um retrato sombrio do território, denunciando a eliminação sistemática do espaço cívico, a criminalização da dissidência e o colapso da imprensa independente.

Segundo o relatório, desde 2020, "as autoridades de Hong Kong prenderam dezenas de figuras da oposição, encerraram órgãos de comunicação independentes e forçaram ao encerramento ou exílio grupos da sociedade civil".

O ODH afirma que "centenas de pessoas continuam detidas ou em julgamento sob acusações motivadas politicamente", referindo que o Executivo tem recorrido de forma sistemática a "recusas de fiança, detenção prolongada e atrasos nos julgamentos", em violação do direito a um processo justo.

O relatório alerta que "as autoridades anunciaram planos para introduzir legislação adicional de segurança nacional ao abrigo do Artigo 23 da Lei Básica, que poderá restringir ainda mais os direitos à liberdade de expressão, reunião e associação".

"A repressão levou muitos residentes a fugirem do território, enquanto outros, com medo, deixaram de falar abertamente ou de participar em qualquer forma de ativismo político", acrescenta o documento.

A organização recorda que vários órgãos de comunicação independentes foram encerrados nos últimos anos e que "muitos jornalistas enfrentam atualmente processos judiciais ou estão detidos", num clima de autocensura e intimidação generalizada.

"A Lei de Segurança Nacional teve um efeito devastador sobre a liberdade de imprensa, ao criminalizar o exercício do jornalismo como alegado 'conluio com forças estrangeiras' ou 'subversão do poder do Estado'", aponta o ODH.

Para a ONG, a situação atual representa o desmantelamento de facto do princípio "um país, dois sistemas", acordado no âmbito da transferência da soberania de Hong Kong do Reino Unido para a China, em 1997.

"Cinco anos após a imposição da Lei de Segurança Nacional, Hong Kong já não é reconhecível como uma sociedade livre", lê-se.


Leia Também: Observatório acusa China de construir "estado policial tecnológico distópico"

O Observatório dos Direitos Humanos (ODH) acusou hoje Pequim de construir "um estado policial tecnológico distópico" e de procurar exportar este modelo autoritário a nível global, visando suprimir qualquer dissidência e consolidar o controlo do Partido Comunista.

Fortes nevões no Japão causam pelo menos 35 mortos nas últimas duas semanas... Fortes nevões mataram 35 pessoas no Japão nas últimas duas semanas, sobretudo na região de Niigata, centro do arquipélago, anunciaram hoje as autoridades japonesas.

Por  LUSA    04/02/2026

Um total de 15 municípios foram afetados, tendo a quantidade de neve acumulada nas áreas mais atingidas sido estimada em dois metros de altura.

Em Niigata, uma região produtora de arroz no norte do Japão, foram registadas mortes, incluindo um homem de 50 anos que foi encontrado caído no telhado da sua casa na cidade de Uonuma a 21 de janeiro.

Na cidade de Nagaoka, um homem de 70 anos foi encontrado caído em frente à sua casa e levado de urgência para o hospital, onde foi declarado morto. As autoridades de Niigata acreditam que o idoso caiu do telhado enquanto limpava a neve.

Foram relatadas ainda sete mortes relacionadas com a neve na província de Akita e cinco na província de Yamagata. O número de feridos em todo o país atingiu os 393, incluindo 126 com ferimentos graves, 42 deles em Niigata.

Catorze casas foram danificadas, três em Niigata e oito na província de Aomori, onde se acumularam até 4,5 metros de neve em zonas isoladas.

Uma forte massa de ar frio trouxe fortes nevões nas últimas semanas ao longo da costa do mar do Japão, com algumas áreas a receberem mais do dobro da quantidade habitual de neve.

O porta-voz do Governo japonês alertou que, embora as temperaturas estejam a subir, poderiam surgir novos perigos, uma vez que a neve começaria a derreter, resultando em deslizamentos de terra e superfícies escorregadias.

"Por favor, prestem muita atenção à vossa segurança, usando capacete ou corda de segurança, especialmente quando trabalham na remoção da neve", disse Minoru Kihara aos jornalistas.

O Governo do Japão criou várias forças-tarefa para responder à forte queda de neve em Niigata e regiões próximas desde 20 de janeiro.

Mortes e acidentes relacionados com a neve não são incomuns no Japão, tendo sido registadas 68 mortes durante os seis meses de inverno anterior, de acordo com a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres nipónica.

Há previsão de mais neve intensa para o fim de semana, com o país a realizar eleições gerais antecipadas no domingo.

A emissora pública japonesa NHK disse que várias agências estão a trabalhar para garantir que as eleições decorrem sem incidentes, e as autoridades pediram aos eleitores que tenham cuidado e verifiquem as condições meteorológicas antes de se deslocarem para votar, incluindo durante o período de votação antecipada.

De acordo com as sondagens mais recentes, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi está a caminho de uma vitória esmagadora nas eleições, convocadas pela líder conservadora há apenas duas semanas para aproveitar as elevadas taxas de aprovação e reforçar o mandato popular para o seu novo governo de coligação.

Esta será a primeira vez desde a década de 1990 que o Japão realiza eleições antecipadas.

EUA afirmam que México irá aumentar fornecimento de água após ameaças de Trump... Os Estados Unidos anunciaram hoje um acordo pelo qual o México se compromete a fornecer mais água aos americanos, após pressão do Presidente Donald Trump, que ameaçou a nação latino-americana com tarifas, alegando incumprimento.

Por  LUSA 04/02/2026

Num comunicado de imprensa conjunto, os Departamentos de Estado e de Agricultura afirmam que o México se comprometeu a fornecer por ano aos Estados Unidos, durante um ciclo de cinco anos, o equivalente a 431,7 milhões de metros cúbicos de água, no mínimo, "proporcionando estabilidade aos produtores agrícolas e às comunidades rurais do Vale do Rio Grande Inferior".

Segundo o comunicado, Trump e a sua homóloga mexicana, Claudia Sheinbaum, chegaram a acordo sobre o assunto numa conversa telefónica na semana passada .

"Os líderes reafirmaram o seu compromisso em resolver os desafios de longa data na gestão da água e em apoiar as comunidades e os produtores de ambos os lados da fronteira", sublinha o texto.

Em dezembro, Trump ameaçou impor uma tarifa de 5% ao México por violação do Tratado da Água de 1944, que rege a gestão dos rios Colorado, Rio Grande e Conchos, que atravessam ambos os países.

De acordo com o tratado, os Estados Unidos devem enviar para o México 1,85 mil milhões de metros cúbicos de água anualmente do Rio Colorado e 2,185 mil milhões de metros cúbicos do Rio Grande em ciclos de cinco anos.

O governo norte-americano afirmou que o México também se comprometeu a apresentar um plano detalhado para liquidar integralmente a dívida hídrica acumulada durante o ciclo anterior.

Segundo Trump, o México ainda deve mais de 986,4 milhões de metros cúbicos acumulados nos últimos cinco anos. 

De acordo com a EFE, a razão do atraso é uma seca histórica no norte do país, que reduziu os níveis das albufeiras.


Leia Também: Rússia aumentou ataques a civis na Ucrânia em 2025

Os civis ucranianos, incluindo crianças, são cada vez mais alvo de ataques da Rússia, denunciou a organização Human Rights Watch (HRW) no seu relatório anual sobre a situação dos direitos humanos no mundo, hoje divulgado.

HRW alerta para aumento do autoritarismo em mais de 100 países... A organização Human Rights Watch (HRW) alertou hoje para o aumento do autoritarismo e retrocesso da democracia em mais de 100 países, apontando sobretudo o caso dos Estados Unidos (EUA), mas também os habituais Rússia e China.

Por  LUSA  04/02/2026

No seu relatório anual, hoje divulgado, a organização não-governamental (ONG) considera que as salvaguardas e proteções dos direitos humanos em todo o mundo "têm sido devastados pelo Presidente dos Estados Unidos", Donald Trump, e pelo crescente autoritarismo, e pede às democracias que formem "uma aliança estratégica para preservar a ordem internacional baseada em regras".

É preciso "conter a onda autoritária que varre o mundo", pediu o diretor executivo da HRW, Philippe Bolopion, citado no relatório, no qual acrescentou que esse "é o desafio de uma geração".

De acordo com o documento, "os recentes abusos dos EUA -- desde os ataques à liberdade de expressão até à deportação de pessoas para países terceiros onde podem sofrer tortura -- mostram o ataque do governo ao Estado de direito".

As ações da administração Trump, somadas aos "esforços de longa data" da China e da Rússia para enfraquecer a ordem global baseada em regras, "têm enormes repercussões em todo o mundo", afirmou a organização.

Para inverter a tendência, defendeu o diretor executivo da HRW, é preciso que os governos que ainda valorizam os direitos humanos, em conjunto com os movimentos sociais, a sociedade civil e as instituições internacionais, formem "uma aliança estratégica".

Para a HRW, a situação foi impulsionada sobretudo pelos EUA e, em particular, por Donald Trump, que "reduziu a responsabilização do governo, atacou a independência judicial, desrespeitou ordens judiciais, cortou drasticamente a ajuda alimentar e subsídios de saúde, revogou os direitos das mulheres, obstruiu o acesso ao aborto, minou as medidas de reparação por danos raciais, retirou as proteções às pessoas trans e intersexo e corroeu a privacidade", além de "ter usado o poder do governo para intimidar adversários políticos, meios de comunicação social, escritórios de advogados, universidades, a sociedade civil e até mesmo comediantes".

Também a política externa da administração Trump é criticada pelo diretor executivo da HRW.

"Alegando um risco de 'apagamento civilizacional' na Europa e apoiando-se em estereótipos racistas para retratar populações inteiras como indesejáveis nos EUA, a administração Trump adotou políticas e retórica que se alinham com a ideologia nacionalista branca", disse Bolopion.

A política externa de Trump "subverteu os fundamentos da ordem internacional baseada em regras que procura promover a democracia e os direitos humanos. Trump vangloriou-se de não precisar do direito internacional como restrição, apenas da sua própria moralidade", acusou ainda.

O líder do país que costumava ser descrito como a maior democracia adotou uma conduta de "flagrante desrespeito pelas obrigações dos EUA em matéria de direitos humanos", lamentou o responsável da organização, apontando também o afastamento drástico de Washington da promoção dos direitos humanos.

"O governo [de Trump] cancelou abruptamente quase toda a ajuda externa dos EUA, incluindo o financiamento para ajuda humanitária vital e retirou os EUA de instituições multilaterais essenciais para a proteção global dos direitos humanos, incluindo o Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas e o Acordo de Paris sobre o Clima", criticou Philippe Bolopion.

O enfraquecimento das instituições multilaterais por parte dos EUA representou também um sério golpe nos esforços globais de prevenção ou interrupção de crimes internacionais graves.

Foi o caso do Darfur, onde, há 20 anos, os EUA e a sociedade civil foram fundamentais para galvanizar uma resposta às atrocidades em massa, sendo que, agora, "o Sudão está novamente em chamas, mas, desta vez, com relativa impunidade".

Foi o caso também dos Territórios Palestinianos Ocupados, onde "as forças armadas israelitas cometeram atos de genocídio, limpeza étnica e crimes contra a humanidade, matando mais de 70.000 pessoas" desde os ataques liderados pelo Hamas contra Israel, em outubro de 2023, e deslocando a grande maioria da população de Gaza.

"Estes crimes receberam uma condenação global desigual, e Trump continuou uma política de longa data dos EUA de apoio quase incondicional a Israel, mesmo enquanto o Tribunal Penal Internacional avaliou alegações de genocídio", afirmou a ONG.

Foi ainda o caso na Ucrânia, onde "os esforços de paz de Trump têm consistentemente minimizado a responsabilidade da Rússia por graves violações" e, em vez de exercer uma pressão significativa sobre o Presidente russo, Vladimir Putin, para que ponha fim a estes crimes, "Trump repreendeu publicamente o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, exigiu um acordo exploratório de minerais, e pressionou a Ucrânia a ceder grandes extensões de território, além de propor uma 'amnistia total' para os crimes de guerra".

Com os EUA a virarem costas aos direitos humanos, alguns dos países que poderiam ter liderado a luta para os preservar foram enfraquecidos por forças internas iliberais, prosseguiu Philippe Bolopion, citado no documento que faz uma retrospetiva dos direitos humanos no último ano.

Os países são também impedidos pelo receio de antagonizar os EUA e a China, e muitos consideram os direitos humanos e o Estado de direito como um obstáculo, em vez de um benefício, à segurança e ao crescimento económico, de acordo com a HRW.

Face a tal cenário, a organização internacional e o seu diretor executivo apelam à união dos Estados que valorizam os direitos humanos para que possam "tornar-se uma força política poderosa e um bloco económico substancial".


Leia Também: UE tolerou declínio do Estado de direito e prejudicou migrantes, diz HRW

A Human Rights Watch (HRW) acusou hoje, no relatório anual da organização, as instituições da União Europeia de terem tolerado o declínio do Estado de direito em 2025 e de adotarem regras que prejudicaram os direitos dos migrantes.

EUA reativam acordo comercial preferencial com 30 países africanos... Os Estados Unidos reativaram o acordo de acesso preferencial de produtos de cerca de 30 países da África subsaariana ao mercado norte-americano por mais um ano.

Por  LUSA   04/02/2026

O acordo, que inclui Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, tem "efeitos retroativos a 30 de setembro de 2025", data em que tinha expirado, acrescentou Jamieson Greer, em comunicado, na terça-feira.

A extensão do acordo foi incluída numa lei promulgada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

O documento, aprovado pela Câmara dos Representantes após mais de três dias de paralisação, prolonga até 30 de setembro o financiamento de agências governamentais, à exceção do Departamento de Segurança Interna.

Em 12 de janeiro, a Câmara dos Representantes (câmara baixa) do parlamento dos EUA tinha aprovado a continuidade da AGOA, por mais três anos, mas o Senado (câmara alta) reduziu a extensão para um ano.

A AGOA, lançada em 2000, durante a presidência do democrata Bill Clinton, é a pedra angular das relações económicas entre os Estados Unidos e os países da África subsariana.

O acordo permite aos países africanos exportar mais de sete mil produtos para os Estados Unidos sem impostos, desde que cumpram uma série de condições, incluindo pluralismo político, respeito pelos direitos humanos e medidas anticorrupção.

A Administração Trump usou o fim do acordo como forma de pressionar os países africanos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Gana, Samuel Okudzeto Ablakwa, admitiu em outubro que Washington condicionou a prorrogação da AGOA à aceitação, por parte do Gana, de indivíduos deportados dos Estados Unidos.

A Casa Branca tem também afirmado repetidamente que, para obter a prorrogação da AGOA, os países africanos precisavam de se tornar mais recetivos aos produtos norte-americanos.

"A AGOA do século XXI deve exigir mais dos nossos parceiros comerciais e proporcionar um melhor acesso ao mercado para as empresas, agricultores e criadores de gado americanos", afirmou Jamieson Greer na terça-feira.

O dirigente especificou que deseja trabalhar com os legisladores norte-americanos para "modernizar o programa e alinhá-lo com a política 'América Primeiro' do Presidente Trump".

Em 12 de janeiro, o presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, saudou "a aprovação esmagadora, pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, de uma extensão por três anos da AGOA".

"Há mais de duas décadas que a AGOA tem sido um pilar das relações económicas entre os Estados Unidos e África, apoiando a industrialização, a criação de emprego, as cadeias de valor regionais e o crescimento inclusivo em todo o continente", afirmou Youssouf.

O programa beneficiou amplamente setores como a agricultura a têxteis, até metais e combustíveis, de países como Madagáscar, Lesoto e África do Sul, embora o impacto tenha sido desigual no continente.

Países como Angola, República Democrática do Congo ou Nigéria - cujas exportações são principalmente de combustíveis e minerais - enfrentam aumentos tarifários mínimos, visto que as suas principais exportações beneficiam de tarifas baixas ou isenções de impostos adicionais.


Leia TambémHRW denuncia abusos policiais e contra liberdade de imprensa em Angola

A Human Rights Watch (HRW) denunciou abusos das forças de segurança angolanas e restrições à liberdade de imprensa num relatório hoje divulgado, incluindo detenções arbitrárias e a expulsão de jornalistas da RTP de um evento.

Estados Unidos enviaram "pequena equipa" militar para a Nigéria... Os Estados Unidos enviaram uma "pequena equipa" de militares para a Nigéria, país vítima do terrorismo, o que levou Washington a realizar ataques aéreos em dezembro, disse hoje o chefe do Comando dos Estados Unidos para a África (Africom).

Por LUSA 

Os dois países decidiram há duas semanas reforçar a sua cooperação militar na sequência das pressões diplomáticas exercidas por Washington sobre Abuja, cidade onde está instalado o poder central, relativamente à violência cometida por terroristas e outros grupos armados.

O presidente Donald Trump afirmou, nomeadamente, que os cristãos da Nigéria estavam a ser "perseguidos" e vítimas de um "genocídio" levado a cabo por "terroristas", o que Abuja e a maioria dos especialistas negaram veementemente, uma vez que a violência afeta indistintamente cristãos e muçulmanos no país mais populoso de África.

Os Estados Unidos e a Nigéria decidiram uma "colaboração reforçada", o que levou à "participação de uma pequena equipa americana, que traz competências únicas para reforçar os esforços envidados pela Nigéria há vários anos", afirmou hoje o general Dagvin R.M. Anderson numa conferência de imprensa virtual, sem, no entanto, especificar a natureza das atividades dessa equipa.

O Africom já tinha explicado à agência de notícias francesa AFP, no final de janeiro, que o exército americano estava a aumentar as entregas de material e a partilha de informações com a Nigéria, no âmbito de uma estratégia destinada a perseguir os terroristas do grupo Estado Islâmico (EI).

No dia de Natal, os Estados Unidos realizaram ataques contra alvos do EI no estado de Sokoto, no noroeste da Nigéria.

O Africom precisou à AFP que o apoio dos americanos se concentraria nessa região, bem como no nordeste da Nigéria, onde a violência causada pelo terrorismo, orquestrada pelo Boko Haram e sua fação dissidente, o Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP), massacra o país desde 2009.

A Nigéria está dividida quase igualmente entre um norte predominantemente muçulmano e um sul principalmente cristão.

Embora milhões de pessoas vivam pacificamente lado a lado, a identidade religiosa e étnica continua a ser um assunto sensível neste país marcado pela violência confessional.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Guiné-Bissau. PAIGC acusa grupo contestatário de querer assaltar partido... A direção do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) acusou hoje o grupo de dirigentes que pede o afastamento do líder Domingos Simões Pereira de querer "assaltar o partido".

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Com LUSA 

A direção do histórico partido da libertação da Guiné-Bissau reagiu nesta terça-feira, em comunicado, ao "grupo de reflexão de alguns dirigentes e militantes do PAIGC que defendeu, a 30 de janeiro, uma direção de transição, alegando que o presidente Simões Pereira não tem condições para continuar no cargo por se encontrar em prisão domiciliária.

No comunicado divulgado nos canais oficiais do PAIGC, a direção refere que o grupo é "sobejamente conhecido por tentar destabilizar, fragilizar e assaltar a direção do partido, como já aconteceu com outras formações políticas nacionais".

O comunicado refere "ações de ataques sistemáticos e incessantes ao partido por encomenda do regime instalado desde 2019" na Guiné-Bissau, numa referência ao ex-presidente Umaro Sissoco Embaló.

Acrescenta que "este grupo mantém esta postura de hostilidade apenas para servir de instrumento de manipulação do seu verdadeiro mandante e receber em troca nomeações ou promoções nos cargos públicos".

"Por isso, o referido grupo aparece sempre conformado calado ou mesmo satisfeito com a detenção ou espancamento de dirigentes e militantes" e "invasões às sedes do PAIGC", lê-se no comunicado.

A direção refere-se a este "grupo disfarçado de militantes e dirigentes" como estando "ao serviço de interesses alheios ao partido (...) fingindo ignorar as ondas de perseguição e de injustiça de que tem sido alvo, com a intenção de afastar o PAIGC do pleito eleitoral".

O referido grupo responsabilizou a direção do partido pela exclusão do processo eleitoral, pela primeira vez na história do PAIGC, quando a candidatura do presidente Simões Pereira e da coligação PAI-Terra Ranka, liderada pelo partido, foi rejeitada pelo Supremo Tribunal de Justiça, nas eleições gerais de novembro de 2025.

O PAIGC apoiou o candidato Fernando Dias, que reclamou vitória na primeira volta sobre o Presidente cessante Umaro Sissoco Embaló, que concorreu a um segundo mandato.

O processo eleitoral foi interrompido por um golpe militar a 26 de novembro de 2025, na véspera de serem divulgados os resultados eleitorais.

O Presidente cessante foi deposto e saiu do país, Fernando Dias refugiou-se na embaixada da Nigéria e Simões Pereira foi preso e libertado mais de dois meses depois, a 30 de janeiro, encontrando-se em prisão domiciliária.

O grupo de dirigentes e militantes defendeu, em conferência de imprensa, através do porta-voz Aladje Seco Sanó, uma direção de transição até ao congresso de novembro, por entender que o líder não tem condições para continuar à frente do partido.

No comunicado de reação, a direção argumenta que "os estatutos estão a ser plenamente observados para assegurar o funcionamento do partido, mesmo estando encerradas as suas sedes e expressamente proibidas as manifestações políticas pelo regime".

A direção considera "totalmente falsas as afirmações de Aladje Seco Sanó" de que "o partido se encontra totalmente inativo, a sua direção e vice-presidentes ausentes em acantonamento total".

"Estando o partido em funcionamento pleno de acordo com o contexto político-militar imposto ao país, não fazem sentido as alegadas preocupações do dito grupo", conclui.

Os militares tomaram o poder na Guiné-Bissau a 26 de novembro de 2025, nomearam o general Horta Inta-a Presidente da República de Transição e substituíram o parlamento por um Conselho Nacional de Transição.

O Alto Comando Militar alegou que pretendeu impedir uma guerra civil e anunciou que o período de transição durará 12 meses.

Entre as medidas já adotadas pelos militares consta a revisão da Constituição, conferindo mais poderes ao Presidente da República, e a convocação de novas eleições gerais, presidências e legislativas, para 6 de dezembro.

São Tomé: "Guiné-Bissau não precisa de mais achas para a fogueira"... O presidente são-tomense declarou hoje que gostaria que o objetivo da nomeação do ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada como enviado especial da Comissão da União Africana à Guiné-Bissau fosse "para fortalecer o processo de paz" naquele país.

Por LUSA 

Carlos Vila Nova disse que "o Estado são-tomense não foi consultado" sobre a nomeação, por isso não tem nenhuma posição oficial a declarar, tendo no entanto sublinhado que a escolha de Patrice Trovoada foi feita pela comissão executiva da União Africana, que é um dos órgãos, e não pela própria organização da União Africana.

"Manifesto um desejo que é sincero: o povo da Guiné-Bissau não precisa de mais achas para a fogueira, nem de intrigas, nem de coisas a que nós estamos habituados. Precisa é de paz e ter esperança", disse Vila Nova.

O chefe de Estado são-tomense disse que a comissão terá os seus objetivos com esta nomeação, mas declarou que "gostaria que esses objetivos fossem para fortalecer o processo de paz na Guiné-Bissau" e "que significasse o retorno de todas as instituições democraticamente eleitas" e que "trouxesse esperança".

O chefe de Estado acrescentou ainda que esta esperança se devia traduzir, nomeadamente, na "libertação incondicional de todos os presos", para que possam "fazer parte do processo" e "que seja uma forma de trazer a Guiné-Bissau à vivência democrática".

Questionado sobre se Patrice Trovoada pode contribuir para este processo, o Presidente são-tomense escusou responder, apontando que "a organização da União África pode".

O primeiro-ministro são-tomense, Américo Ramos, desvalorizou a questão.

"Não vi nada de especial, só vi que [...] alguém foi indicado para mediar um conflito internacional, portanto, nada que diz respeito a São Tomé e Príncipe. Mas, com preocupação, olhamos [para] a situação na Guiné-Bissau. Isso é que é mais importante e queremos que, o mais urgente possível, a situação se resolva", disse Américo Ramos.

Carlos Vila Nova, Américo Ramos e Patrice Trovoada são da Ação Democrática Independente (ADI), mas tornaram-se adversários desde janeiro de 2025, quando o Presidente são-tomense demitiu o então Governo liderado por Trovoada e escolheu Américo Ramos em substituição.

Patrice Trovoada, que é presidente da ADI, tem apelidado Carlos Vila Nova e Américo Ramos de traidores, tendo ameaçado expulsá-los do partido.

O antigo primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Patrice Trovoada, foi nomeado enviado especial da União Africana à Guiné-Bissau para conduzir as negociações para o restabelecimento da ordem constitucional.

A nomeação foi comunicada a Patrice Trovoada numa carta assinada pelo presidente da comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, datada de 23 de janeiro e à qual a Lusa teve acesso.

Na carta, o presidente da comissão informa Patrice Trovoada de que o nomeou com o propósito de apoiar os esforços da organização para restaurar a ordem constitucional na Guiné-Bissau.

O presidente da comissão escreve que "as qualidades profissionais e pessoais" de Patrice Trovoada dão-lhe "a confiança de que vai exercer o seu mandato eficazmente". 

Exército israelita alega ter encontrado armas em carga da agência da ONU... O Exército israelita indicou hoje que encontrou 110 projéteis de morteiro, entre outro equipamento militar, escondidos em carregamentos de ajuda humanitária da agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (UNRWA).

Por LUSA 

Numa mensagem nas redes sociais, as forças israelitas relataram que, durante buscas no sul da Faixa de Gaza, os militares descobriram "cerca de 110 projéteis de morteiro, vários foguetes e outros equipamentos de combate".

As armas e munições "estavam escondidos em cobertores e sacos de ajuda humanitária da UNRWA", de acordo com a mensagem do exército.

Os militares israelitas enquadraram as buscas como parte das operações a leste da Linha Amarela, que marca a zona da retirada das tropas no âmbito do cessar-fogo na Faixa de Gaza, "com o objetivo de limpar a área de infraestruturas terroristas e armas pertencentes a organizações terroristas" no enclave palestiniano.

A UNWRA ainda nãos e pronunciou sobre as alegações de Israel.

Uma trégua na Faixa de Gaza entre Israel e o grupo islamita Hamas está em vigor desde 10 de outubro e as próximas etapas do acordo preveem a desmilitarização do território devastado por mais de dois anos de guerra e sob grave crise humanitária e o desarmamento das milícias palestinianas.

O parlamento israelita declarou ilegal a atividade da UNRWA no país, prejudicando o trabalho durante o conflito na Faixa de Gaza, bem como em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia ocupada, uma vez que os acessos e a circulação nestes territórios são controlados quase na totalidade por Israel.

Em causa estão acusações de Israel de agência da ONU albergar elementos do Hamas, que o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) concluiu que não foram provadas, tal como uma alegada falta de neutralidade da entidade.

Num parecer divulgado em outubro, o TIJ acrescentou que Israel "tem a obrigação" de concordar e facilitar a distribuição das Nações Unidas e entidades na Palestina, incluindo a UNRWA.

O secretário-geral da ONU manifestou já apoio à UNRWA e condenou as leis israelitas que "dificultam o seu trabalho", bem como a demolição recente das instalações da agência em Jerusalém Oriental.

"As instalações da ONU são invioláveis ??e devem ser respeitadas", alertou António Guterres.

Guiné-Bissau. Mandatário de Said Raïs pidi audiência a PRESIDENTE de Transição.

Filho do antigo ditador líbio Muammar Kadhafi assassinado em casa... Seif al-Islam Kadhafi, filho do antigo ditador líbio Muammar Kadhafi, e outrora apontado como seu sucessor, foi morto hoje em casa, em Zintan na Líbia, por quatro homens armados, segundo um dos seus advogados.

Por LUSA 03/02/2026

Marcel Ceccaldi, representante francês do político líbio de 53 anos, disse à agência France-Presse (AFP) que por enquanto desconhecia a origem dos homens armados.

No entanto, referiu que soube há cerca de dez dias, através de um dos colaboradores próximos de Saif al-Islam Kadhafi, que "havia problemas com a sua segurança".

Dois responsáveis de segurança líbios no oeste do país, citados sob anonimato pela agência Associated Press (AP), confirmaram a morte de Saif al-Islam Kadhafi, que era procurado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade, na cidade de Zintan, a 136 quilómetros a sudoeste da capital líbia.

Khaled al-Zaidi, outro dos seus advogados, e Abdullah Othman Abdurrahim, que o representou no diálogo político mediado pela ONU para terminar o longo conflito no país, também anunciaram a sua morte nas redes sociais.

Abdurrahim corroborou o relato do advogado francês e precisou que quatro homens armados "invadiram a residência de Seif al-Islam Khadafi depois de desativarem as câmaras de vigilância e, em seguida, executaram-no".

Nascido em junho de 1972, em Tripoli, Seif al-Islam era o segundo filho do coronel e ditador que governou o país durante décadas até ser deposto e assassinado durante uma revolta popular em 2011.

Estudou num doutoramento na London School of Economics e era visto como a face reformista do regime de Kadhafi.

No entanto, a revolta que afastou o antigo líder líbio deu lugar a combates que se transformaram numa guerra civil e a um país mergulhado no caos e dividido entre grupos armados e milícias rivais.

Seif al-Islam Kadhafi foi capturado por combatentes em Zintan, no final de 2011, quando tentava fugir para o Níger e libertado apenas em junho de 2017, depois de um dos governos rivais da Líbia lhe ter concedido uma amnistia.

Um tribunal líbio condenou-o por incitar à violência e assassínio de manifestantes, sentenciando-o à morte à revelia em 2015.

Era também procurado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade relacionados com a revolta de 2011.

Em novembro de 2021, o político anunciou a candidatura à eleição presidencial, numa manobra polémica que gerou protestos das forças políticas anti-Kadhafi no oeste e leste da Líbia.

O Alto Comité Nacional de Eleições do país desqualificou-o entretanto e a eleição acabou por não ser realizada devido a disputas entre administrações rivais e grupos armados que governam a Líbia dividida desde a sangrenta deposição de Muammar Kadhafi.

Ex-marido de Jill Biden detido e acusado do homicídio da atual mulher... O ex-marido da antiga primeira-dama Jill Biden foi detido e acusado pela morte da atual esposa. William Stevenson, de 77 anos, foi detido na segunda-feira e enfrenta uma acusação de homicídio em primeiro grau pela morte de Linda Stevenson.

Por LUSA 03/02/2026

O ex-marido da antiga primeira-dama Jill Biden foi detido e acusado pela morte da atual esposa, segundo referiram as autoridades esta terça-feira. William Stevenson, de 77 anos, foi detido, na segunda-feira, e enfrenta uma acusação de homicídio em primeiro grau pela morte de Linda Stevenson, de 64.

A polícia do condado de New Castle não forneceu detalhes sobre a morte, mas num comunicado anterior era descrito que os agentes da polícia foram chamados para uma ocorrência de violência doméstica a 28 de dezembro de 2025 numa residência na região de Wilmington, em Delaware, conta a NBC News. 

Linda Stevenson foi encontrada inconsciente na sala de estar e acabou por não resistir apesar das tentativas de reanimação realizadas pelos agentes no local. O comunicado de imprensa da altura dava ainda conta de que o corpo foi encaminhado para a Divisão de Ciências Forenses de Delaware para autópsia.

A causa da morte não foi incluída na declaração sobre a detenção de William Stevenson e a acusação formal do júri, que ocorreu na segunda-feira, foi resultado de uma "extensa investigação que durou semanas" sobre o óbito, segundo a polícia.

William Stevenson está atualmente sob custódia na Instituição Correcional Howard Young após não conseguir pagar a fiança de 500 mil dólares (cerca de 420 mil euros) em dinheiro, informaram ainda as autoridades.

Até ao momento, o ex-presidente Joe Biden e Jill Biden não comentaram a situação.

A antiga primeira-dama e William, um antigo jogador de futebol americano universitário, casaram-se em fevereiro de 1970, quando tinham 18 e 23 anos, respetivamente. Pouco tempo depois, lembra o mesmo meio, o homem abriu o The Stone Balloon Club, que se tornou um dos bares universitários mais populares do país, perto da Universidade de Delaware, em Newark, onde Jill era estudante, e onde artistas como Bruce Springsteen, Dave Matthews e The Allman Brothers Band tocaram para o público durante décadas.

William e Jill foram casados durante cinco anos e em março de 1975, a jovem conheceu um senador do estado do Delaware chamado Joe Biden. O divórcio foi assinado em maio de 1975.

Cerca de uma década depois, o homem casou-se com Linda.

Linda Stevenson era mãe e avó, e tinha fundado recentemente uma empresa de contabilidade, a BMB Bookkeeping, recorda a CBS News. Era fã da equipa de futebol americano Philadelphia Eagles e "será lembrada como tenaz, bondosa e extremamente leal", segundo um obituário. O marido não foi mencionado no texto.

Os membros do Conselho Nacional de Transição (CNT) apresentaram, nesta terça-feira (03.02), cumprimentos de Ano Novo ao Presidente, do Conselho Nacional de Transição, Major-General Tomás Djassi.

 @Radio Voz Do Povo


Presidente são-tomense aponta perda de credibilidade no TC... O presidente são-tomense defendeu hoje que é preciso lutar contra "o desmando" no país, face aos confrontos entre deputados que obrigaram a intervenção policial, e reafirmou que o Tribunal Constitucional perdeu credibilidade face às recentes decisões.

Por LUSA 

"Nós temos que lutar contra o desmando. Não podemos permitir que o país seja bloqueado por meia dúzia de pessoas, sejam eles de que nível for", declarou Carlos Vila Nova, questionado hoje sobre a crise parlamentar que tem marcado a política são-tomense há uma semana.

Em causa está uma sessão plenária, que decorreu na Universidade de São Tomé e Príncipe, sob forte proteção policial, e presidida pelo segundo vice-presidente do parlamento Arlindo Barbosa, com presença de 29 deputados, e do Governo, representado pela ministra da Justiça, Assuntos Parlamentares e Direitos da Mulher.

Durante a sessão, 29 deputados do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), do Movimento Basta e parte de deputados da ADI que apoiam o atual Governo, destituíram a presidente do parlamento, Celmira Sacramento, exoneraram os cinco juízes do Tribunal Constitucional, elegeram o presidente da Comissão Eleitoral e decidiram que todos os trabalhos das comissões especializadas passariam para o plenário.

Momentos antes, deputados da Ação Democrática Independente (ADI) opositores ao Governo de São Tomé e Príncipe entraram em confronto com a polícia para impedir a sessão plenária convocada à revelia da presidente do parlamento, tendo uma deputada alegadamente agredido o ex-presidente do parlamento, Delfim Neves, com uma pedra na cabeça.

"Eu espero que todos esses incidentes ou atos que têm acontecido nos últimos tempos na Assembleia Nacional sirvam de aprendizagem a todos nós, para fortalecer a nossa democracia. Temos o compromisso de consolidar a nossa democracia e eu espero que isso seja uma aprendizagem", reagiu Carlos Vila Nova.

Carlos Vila Nova assegurou que agirá em consciência quando receber as leis aprovadas pelos 29 deputados, e voltou a atacar o TC face ao acórdão publicado no dia dos confrontos, no qual se declarou inconstitucional a convocatória e nulas as deliberações adotadas pela maioria de deputados durante a sessão.

"O Tribunal Constitucional através deste ato... parece que é uma fuga (...). O elevado índice de descrença e de credibilidade retira credibilidade a este órgão, infelizmente, que deveria ser um órgão a serviço da nação", disse Carlos Vila Nova.

O chefe de Estado são-tomense manifestara já esta posição há duas semanas quando o TC divulgou, um ano depois, um acórdão no qual se declarava inconstitucional o decreto-presidencial que demitiu o anterior Governo, do ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada.

O primeiro-ministro, Américo Ramos, disse hoje que o Governo vai fazer cumprir as decisões tomadas pelos deputados no quadro das suas competências.

"A suspensão da presidente da Assembleia é um ato praticado pelos deputados, previstos no próprio regimento da Assembleia, daí que o que nos resta é acatar essa decisão, uma vez que ela foi tomada pela maioria dos deputados", disse Américo Ramos.

O chefe do Governo são-tomense lamentou o confronto e prometeu tomar medidas. "Assistimos uma cena de violência durante este ato, que lamentamos e condenamos, uma vez que houve situações de agressão física a um deputado e o Governo tomará todas as medidas necessárias para proteger qualquer cidadão, para que cenas dessas não voltem a acontecer", declarou.

Os governantes são-tomenses falavam à imprensa no final de uma iniciativa na qual se assinalavam os acontecimentos de 03 de fevereiro de 1953, conhecido como o Massacre de Batepá.

A crise no parlamento são-tomense começou terça-feira, levando à suspensão da sessão pela presidente, após discussões acesas entre parlamentares pró e contra uma moção de censura ao Governo, apresentada por uma parte de deputados da ADI, mas que acabou por ser retirada no dia seguinte.

O presidente são-tomense marcou as eleições presidenciais para 19 de julho, e as legislativas, regional e autárquicas para 27 de setembro.


Leia Também: Deputados da ADI em confronto com polícia para impedir sessão parlamentar

Deputados da Ação Democrática Independente (ADI) opositores ao Governo de São Tomé e Príncipe entraram hoje em confronto com a polícia para impedir uma sessão plenária convocada à revelia da presidente do parlamento.


Petroleiro dos EUA abordado por barcos iranianos no estreito de Ormuz... Um petroleiro norte-americano foi abordado por embarcações armadas iranianas no estreito de Ormuz, antes de prosseguir a rota, anunciou hoje a empresa de segurança marítima Vanguard Tech.

Por LUSA 

O navio "Stena Imperative" foi abordado por seis pequenas embarcações dos Guardas da Revolução "enquanto atravessava o estreito de Ormuz, a cerca de 16 milhas marítimas a norte de Omã", afirmou a empresa britânica.

As embarcações contactaram o navio por rádio e ordenaram ao capitão que "parasse os motores e se preparasse para ser abordado".

Apesar da ordem, o petroleiro aumentou a velocidade e prosseguiu o trajeto, explicou a Vanguard Tech, precisando que o navio não entrou em águas territoriais iranianas.

"É agora escoltado por um navio de guerra norte-americano", acrescentou a empresa, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A agência de segurança marítima britânica UKMTO já tinha relatado o incidente anteriormente, mas sem especificar a nacionalidade do navio ou das embarcações que se aproximaram.

O estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o transporte mundial de petróleo e de gás natural liquefeito, tem sido palco de vários incidentes e voltou a estar no centro das atenções devido às tensões entre o Irão e os Estados Unidos.

Um responsável das forças navais dos Guardas da Revolução, o exército ideológico da República Islâmica, ameaçou na semana passada bloquear o estreito em caso de ataque norte-americano.

Quatro em cada 10 cancros podem ser evitáveis, diz OMS... Quase quatro em cada dez cancros a nível global podem ser prevenidos, uma vez que estão associados a fatores de risco evitáveis, como o consumo de tabaco e de álcool, alertou hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Por LUSA 

Em 2022, "aproximadamente 7,1 milhões dos 18,7 milhões de novos cancros diagnosticados em adultos foram atribuíveis a fatores de risco", salientou Isabelle Soerjomataram, uma das autoras do estudo apresentado em conferência de imprensa, na véspera do Dia Mundial do Cancro.

A investigação da OMS analisou 30 causas preveníveis, incluindo tabaco, álcool, elevado índice de massa corporal, inatividade física, poluição do ar, radiação ultravioleta e, pela primeira vez, nove infeções causadoras de cancro.

Segundo Isabelle Soerjomataram, os casos ligados a estas 30 causas evitáveis representaram cerca de 37,8% do total de novos cancros, o que constitui uma "proporção muito substancial" a nível mundial.

A especialista da agência de investigação sobre o cancro da OMS adiantou ainda que, dos 7,1 milhões de cancros ligados a fatores de risco evitáveis, 3,3 milhões foram associados ao tabaco, 2,2 milhões a várias infeções e 700 mil ao consumo de álcool.

"Estes três fatores apenas representam a grande maioria" dos casos de cancro associados a causas que podem ser evitadas, realçou Isabelle Soerjomataram, para quem os esforços de prevenção podem ter um grande impacto na redução de novos casos.

O estudo da OMS, que analisou 36 tipos de cancro em vários países, concluiu que os cancros do pulmão, do estômago e do colo do útero representaram quase metade de todos os casos evitáveis em homens e mulheres.

O cancro do pulmão foi associado principalmente ao tabagismo e à poluição do ar, o do estômago foi amplamente atribuído à infeção pela bactéria Helicobacter pylori e o do colo do útero foi causado predominantemente pelo papilomavírus humano (HPV), refere o estudo.

A carga de cancro evitável foi mais elevada nos homens do que nas mulheres, apurou ainda a OMS, que estima que estima que o tabagismo seja responsável por cerca de 23% de todos os novos casos de cancro nos homens, seguido das infeções com 9% e do álcool com 4%.

Entre as mulheres, as infeções foram responsáveis por 11% de todos os novos casos de cancro, seguidas pelo tabagismo com 6% e de um elevado índice de massa corporal com 3%.

Para a OMS, as conclusões realçam a necessidade de estratégias de prevenção específicas para cada contexto, que incluam "medidas rigorosas" de controlo do tabaco, regulamentação do álcool, vacinação contra infeções cancerígenas, como o papilomavírus humano (HPV) e a hepatite B, melhoria da qualidade do ar, locais de trabalho mais seguros e ambientes mais saudáveis para a alimentação e atividade física.

A ação coordenada entre setores, desde a saúde e a educação à energia, aos transportes e ao trabalho, "pode evitar que milhões de famílias sofram o fardo de um diagnóstico de cancro", alertou a organização das Nações Unidas para a área da saúde global.

"Hoje estamos aqui para celebrar boas notícias assentes na ciência. Muitos cancros são preveníveis", salientou Andre Ilbawi, líder da Equipa de Controlo do Cancro da OMS, para quem o estudo concluiu que os números de novos casos "podem ser alterados" com medidas de prevenção a vários níveis.

Mais de 50.200 detidos pelas autoridades iranianas devido a protestos... As autoridades iranianas detiveram mais de 50.200 pessoas no âmbito dos protestos contra o regime, segundo dados divulgados hoje por uma organização não-governamental (ONG), que denunciou que a repressão continuava a intensificar-se no país.

Por LUSA 

A República Islâmica esmagou com violência, no início do ano, um vasto movimento de contestação que começou no final de dezembro e atingiu o auge em 08 e 09 de janeiro.

As autoridades iranianas reconheceram a morte de milhares de pessoas, mas disseram que a grande maioria eram membros das forças de segurança ou transeuntes mortos por terroristas ao serviço dos Estados Unidos e de Israel.

A ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), que anteriormente tinha reportado mais de 42.000 detenções, reviu hoje o número em alta, registando agora pelo menos 50.235 detenções ligadas às manifestações.

A HRANA, fundada em 2005 e que afirma ter uma rede de informadores em todo o país, deu conta na segunda-feira de um balanço de 6.854 mortos no âmbito da repressão dos protestos, incluindo 152 jovens com menos de 18 anos.

O balanço inclui ainda a morte de 214 elementos das forças governamentais e de 58 civis que não participavam nos protestos, continuando pelo menos 11.280 casos sob investigação das autoridades e organizações de direitos humanos.

As detenções visaram "um vasto leque de cidadãos, nomeadamente estudantes, escritores e professores", segundo a organização registada nos Estados Unidos, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Nalguns casos, as detenções foram acompanhadas de "buscas domiciliárias e confisco de bens pessoais".

A HRANA assinalou ainda mais de 300 "confissões forçadas" transmitidas pela televisão.

A Amnistia Internacional também se manifestou preocupada na semana passada com a detenção de milhares de pessoas, incluindo crianças.

A ONG com sede em Londres alertou para o "grave risco de desaparecimento forçado, tortura e outros maus-tratos, morte em detenção e execuções arbitrárias após julgamentos manifestamente injustos".

O chefe do poder judicial no Irão, Gholamhossein Mohseni Ejei, advertiu que não haverá "qualquer indulgência" para com os envolvidos nas manifestações.

O Ministério Público iraniano esclareceu que alguns detidos enfrentam acusações passíveis de pena de morte.

Entre os detidos está o cineasta iraniano Mehdi Mahmoudian, coargumentista do filme "Foi Só Um Acidente", exibido em Portugal e Palma de Ouro em Cannes em 2025, por suspeita de ter ajudado a redigir uma declaração crítica do poder.

Mahmoudian foi interpelado no domingo juntamente com o líder estudantil Abdollah Momeni e a jornalista e ativista dos direitos das mulheres Vida Rabbani, segundo a agência de notícias iraniana Fars.

O texto em causa, assinado por mais de uma dezena de opositores, compara a repressão a um "crime de Estado contra a Humanidade", explicou a fundação da Nobel da Paz Narges Mohammadi.

Mohammadi está detida desde dezembro por ter participado num protesto anterior à recente vaga de contestação.

‼🇬🇼 PAIGC obrigado a mudar a bandeira... O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) tem três meses para alterar a sua bandeira, por ser considerada idêntica à bandeira nacional. A medida resulta da revisão da Lei-Quadro dos Partidos Políticos, já em vigor na Guiné-Bissau.

Em entrevista à DW, o porta-voz do Conselho Nacional de Transição, Fernando Vaz, explica que a nova lei reforça a proibição do uso de símbolos nacionais por partidos políticos e estabelece um período transitório de três meses para a adaptação às novas regras. A lei introduz ainda um limiar mínimo de 5% dos votos válidos nacionais para a participação dos partidos nas eleições legislativas.

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Guiné-Bissau: MNE acusa Carlos Vila Nova de ser “instigador de um golpe palaciano”... O ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de transição da Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira, defendeu esta terça-feira, 03 de Fevereiro, a suspensão de São Tomé e Príncipe da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), alegando que está em curso um golpe de Estado institucional naquele país.

As declarações foram feitas durante o balanço dos primeiros 65 dias do seu exercício à frente da diplomacia guineense. Segundo o governante, a destituição do presidente da Assembleia Nacional Popular são-tomense configura um “golpe de Estado constitucional” e representa uma grave violação dos princípios democráticos.

“Em São Tomé e Príncipe houve um golpe de Estado parlamentar. Um golpe de Estado Constitucional, na medida em que 29 deputados destituíram o presidente da Assembleia Nacional Popular”, afirmou João Bernardo Vieira, sublinhando que o conceito de golpe de Estado não deve ser limitado apenas a intervenções militares.

O chefe da diplomacia guineense acusou ainda o Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova, de estar directamente envolvido no processo, classificando-o como “instigador de um golpe palaciano”. Para João Bernardo Vieira, a substituição do presidente da Assembleia ocorreu “sem qualquer legitimidade” e “sem qualquer constitucionalidade”.

No contexto da CPLP, João Bernardo Vieira criticou o que considera serem critérios desiguais na actuação da organização. Recordou que a Guiné-Bissau optou pela auto-suspensão do bloco lusófono, por entender que não estavam reunidas as condições que estiveram na base da criação da comunidade.

“Temos uma CPLP onde parece existir dois pesos e duas medidas. Nós condenamos isso”, afirmou, acrescentando que aguarda uma posição firme da organização em relação aos acontecimentos em São Tomé e Príncipe, que classificou como “vergonhosos e escandalosos”.

O Governo da Guiné-Bissau lamentou hoje que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) ainda não tenha enviado uma missão de bons ofícios ao país desde o golpe militar de 26 de novembro de 2025.