Por RSM 21 01 2026
O Presidente do Sindicato Nacional dos Professores (SINAPROF) manifestou indignação face à decisão do Governo de Transição de efetuar o pagamento presencial dos salários aos professores afetos ao Setor Autónomo de Bissau e ao setor de Biombo.
A posição foi tornada pública esta quarta-feira pelo presidente do SINAPROF numa entrevista telefónica à Rádio Sol Mansi, em reação à medida adotada pelo Governo de Transição, que considera o pagamento à mão como um mecanismo adequado para o controlo dos professores.
Segundo Domingos de Carvalho, o SINAPROF não se opõe ao controlo no aparelho do Estado, mas defende que essa medida deveria abranger todos os funcionários públicos e não apenas os professores.
“Concordamos com o controlo porque a administração pública exige organização, controlo e gestão dos recursos humanos, mas estamos indignados com a medida do governo que será aplicada apenas ao Ministério da Educação, sobretudo aos professores”, afirmou o presidente do SINAPROF.
Confrontado sobre os critérios que serão utilizados no processo de pagamento e sobre o número de meses em que a medida será aplicada, o líder sindical afirmou desconhecer esses detalhes, manifestando, no entanto, preocupação quanto à transparência do processo de pagamento à mão aos professores.
“Desconhecemos os critérios e muito menos como será aplicado o pagamento, assim como o dia previsto. Para garantir transparência, deveriam integrar a equipa de pagamento os centrais sindicais, a sociedade civil e os líderes religiosos”, defendeu Domingos de Carvalho.
O presidente do SINAPROF, Domingos de Carvalho, alertou ainda para o risco de perda de um número elevado de dias letivos, caso a medida avance, situação que poderá comprometer a realização dos exames nacionais no país.
“Podemos perder ainda mais dias letivos com este pagamento à mão. Já perdemos aulas devido ao golpe de Estado de 26 de novembro e ao boicote de vários professores contratados desde janeiro. Somando tudo isso, os exames nacionais podem ficar comprometidos”, sublinhou este sindicalista.
O SINAPROF advertiu igualmente o Governo de Transição que qualquer bloqueio de salários a professores em exercício das suas funções poderá ter consequências, tendo em conta experiências anteriores, e apelou à criação de condições adequadas que permitam resolver o problema do controlo sem prejudicar o funcionamento do sistema educativo.

Sem comentários:
Enviar um comentário