segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Setor de Cacheu: AGENTES DE POLÍCIA DE ORDEM PÚBLICA SEM MEIOS DE TRABALHO E FAZEM PATRULHA A PÉ

[REPORTAGEM] Agentes da Polícia de Ordem Pública (POP) do Setor de Cacheu deparam-se com falta de condições de trabalho, particularmente de viaturas ou motorizadas, facto que os obriga a fazer o patrulhamento a pé, bem como percorrem quilômetros (a pé) para procurar suspeitos de crime, soube O Democrata.

A esquadra desta força de segurança (POP) funciona nas instalações dos Correios, onde também há grandes dificuldades e inclusive a falta de cela para a detenção dos criminosos. A precariedade das instalações limita a capacidade de operação dos agentes, sobretudo nas deslocações a procura dos suspeitos ou outros serviços à comunidade.

O sector de Cacheu, uma zona estratégica, conta com diferentes corpos de segurança, nomeadamente agentes da Guarda Nacional, Guarda Costeira, Bombeiros, POP e inclusive uma força de militares da Marinha de Guerra Nacional.

O Democrata apurou junto de um responsável daquela força de segurança que dantes a esquadra funcionava numa casa particular, que estava num avançado estado de degradação e que constituía um perigo para os agentes, razão pela qual mudaram para o edifício dos Correios. Avançou, contudo que as instalações onde estão instalados agora também não dispõem de condições para albergar uma esquadra da polícia, mas não têm como fazer.

Confrontado com a situação, o C0missário da POP de Cacheu disse que não tinha permissão para falar do assunto. Lembrou que, depois de uma entrevista anterior relativa à situação da esquadra, foi demitido das suas funções. Ainda assim, detalhou a situação de segurança em Cacheu sem ter desmentido nem respondido às questões da repórter em relação ao que constatou na esquadra.

O Comissário da Polícia da Ordem Pública (POP) do Sector de Cacheu, Alexandre Luís Gomes, disse que é difícil comentar a situação de violência no sector, porque ao longo de 2017 quase não houve nada em termos de denúncias ligadas a roubos, agressões e violência. Segundo o Comissário, a população não denuncia e, por vezes, a polícia acaba por tomar conhecimento de casos por via de boatos.

“Uma vez a recuperamos gado roubado, mas não conseguimos capturar os ladrões. Fugiram porque não tivemos como continuar a perseguição”, explicou.

Alexandre sublinhou que atualmente as instalações da POP têm eletricidade graças ao projeto Chinês e que as refeições são asseguradas pelo ministério do interior.

Durante a curta entrevista, a nossa repórter constatou que na esquadra só havia uma motorizada parada num dos escritórios. As secretárias estavam vazias e bem velhas. Máquinas de datilografia remotas e cadeiras a modo dos correios.

Também a nossa reportagem visitou as antigas instalações da POP que agora está cheia de lixo com o teto em más condições e sem iluminação.

BOMBEIROS HUMANITÁRIOS DE CACHEU TÊM UM AGENTE E SEM INSTALAÇÕES PARA FUNCIONAR

A cidade histórica de Cacheu, que conta com mais de 18 mil habitantes, de acordo com os sensos do Instituto Nacional de Estatística de 2009, a semelhança de várias cidades do país, enfrenta enormes dificuldades no concernente as infraestruturas rodoviárias, bem como aos edifícios públicos para albergar as instituições do Estado.

As autoridades decidiram criar os serviços dos Bombeiros humanitários na cidade histórica com apenas um agente deslocado da região de Gabú, leste do país, onde se encontrava a exercer a função do comandante do Serviço dos Bombeiros, para exercer a mesma função em Cacheu.

O recente criado Bombeiros de Cacheu não dispõe de um edifício para se instalar e muito menos de uma viatura cisterna de combate aos incêndios. Contudo, o agente conformou-se com a situação, aceitando ser o comandante dos bombeiros de Cacheu, o “Comandante sem tropa e sem quartel”.

Em entrevista ao repórter do semanário “O Democrata”, o Comandante de Corpos dos Bombeiros do Sector de Cacheu, Constantino Francisco Mendes, revelou que é o único membro do corpo dos bombeiros no sector. Porém garante que brevemente terá soldados.

Explicou ainda que após a sua chegada houve um incidente de fogo numa casa, mas graças à colaboração da população conseguiram fazer face ao fogo, com baldes de água. Cada um ajudou a combater o fogo. Não houve nem feridos nem mortos. Disse ainda que até o momento não houve incidentes ligados ao afogamento.

Apesar das dificuldades que a sua corporação enfrenta, Constantino diz acreditar que para breve terá soldados e meios de trabalho, porque há diligências nesse sentido. 

Por: Epifania Mendonça
OdemocrataGB

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