quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Candidatos à liderança do PRS da Guiné-Bissau questionam posição do partido na atual crise

Alguns candidatos à liderança do Partido de Renovação Social (PRS) da Guiné-Bissau, que na terça-feira inicia o seu quinto Congresso, acusam a atual direção de alimentar o impasse político que o país atravessa.

"A forma como esta direção está a conduzir o PRS representa um perigo para o partido no futuro. É errada a forma como Alberto Nambeia (atual presidente do partido) tem estado a conduzir o PRS, porque está a criar um precedente grave em democracia", afirmou o candidato Sori Djalo, antigo presidente do parlamento guineense.

O antigo primeiro-ministro do país Artur Sanhá, também candidato à liderança do partido, partilha da mesma opinião.

"Infelizmente, se não voltarmos para trás vamos ter muita dificuldade de sair desta crise", afirmou Artur Sanhá, alertando que a atual situação pode transbordar para a próxima legislatura.

Já o atual presidente do partido, que se recandidata ao cargo, Alberto Nambeia, considerou que o PRS "sempre esteve do lado da parte que tem razão na crise".

A Guiné-Bissau vive um impasse político devido à implementação do Acordo de Conacri, patrocinado pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que prevê a formação de um governo consensual integrado por todos os partidos representados no parlamento e a nomeação de um primeiro-ministro de consenso e da confiança do chefe de Estado, entre outros pontos.

O atual Governo da Guiné-Bissau, de iniciativa presidencial, não tem o apoio do partido que ganhou as eleições com maioria absoluta, o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), mas tem o apoio do PRS.

"Um partido ganha as eleições, mas aparece outro, neste caso o nosso partido, que não ganhou, a governar. Isso é mau para a democracia. Imagina que se amanhã o PRS vem a ganhar as eleições e se alguém lhe tirasse o poder e entregasse a quem perdesse as eleições. Eu quero colocar um ponto final nisso. Queremos mudar a direção do partido para estancar esta hemorragia democrática", disse Sori Djaló.

Para Artur Sanhá, é preciso as pessoas sentarem-se à mesa e "desenharem uma solução única para a Guiné-Bissau em vez de uma solução fragmentada e infrutífera", que "castiga o povo e atrasa o país".
Salientando que avisou "muito cedinho" o parlamento guineense sobre o caminho que o país estava a seguir, Artur Sanhá admite que poderá haver muitas dificuldades para sair da atual crise.

"As próximas eleições legislativas serão eleições cujo resultado vai refletir um parlamento fraturado e de bancadas desavindas. Isso interessa a quem, qual é o resultado disso?", questionou Artur Sanhá.

Sori Djalo vai mais longe e diz que vai questionar no congresso o atual presidente do partido sobre um alegado acordo com o atual Presidente da República, José Mário Vaz, para o apoiar nas próximas eleições presidenciais.

Para Alberto Nambeia, só a estabilidade do país interessa.

"Quero ver a Guiné-Bissau como os outros países, os nossos vizinhos, por exemplo. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Os guineenses têm essa cultura de 'matchundadi' (valentia), mas temos estado a apelar que devemos deixar essa cultura e apostamos mais na cultura da unidade", disse.

Dn.pt/lusa

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