terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Taiwan quer adquirir mais de 200 mil "drones" através de orçamento de Defesa... Taiwan pretende adquirir mais de 200 mil veículos aéreos não tripulados ("drones") através de um orçamento especial de Defesa no valor de 1,25 biliões de dólares taiwaneses (cerca de 33.893 milhões de euros), noticiou hoje a imprensa local.

Por LUSA 

Durante uma sessão de esclarecimento realizada na segunda-feira com os deputados, o Ministério da Defesa Nacional (MDN) de Taiwan revelou sete categorias de armamento previstas neste plano, concebido para reforçar as capacidades defensivas da ilha face à crescente pressão militar da China.

O projeto prevê a compra de aproximadamente 200 mil veículos aéreos não tripulados -- incluindo "drones" costeiros de vigilância e reconhecimento, bem como "drones" de ataque --, mais de mil embarcações não tripuladas, munições "vagueantes" como o modelo Altius-700M e diversos sistemas "antidrones".

A formação de uma vasta frota de "drones" tornou-se uma das prioridades para a defesa de Taiwan, que vê na experiência ucraniana um exemplo de como a tecnologia pode ser utilizada para fazer face a uma eventual agressão de Pequim.

Entre os armamentos que Taiwan pretende adquirir contam-se ainda 82 sistemas lançadores de foguetes múltiplos HIMARS, acompanhados de 1.203 contentores com projéteis de precisão e 420 mísseis táticos, bem como artilharia autopropulsionada -- 60 obuses M109A7 -- e mísseis antitanque, entre os quais 1.050 Javelin e 1.545 TOW-2B.

Estas aquisições seriam financiadas através de um orçamento especial anunciado no ano passado pelo líder de Taiwan, William Lai, para vigorar entre 2026 e 2033, com o objetivo de consolidar umas forças armadas capazes de "defender permanentemente" o "Taiwan democrático" face à "ameaça chinesa".

Os fundos serviriam ainda para apoiar o desenvolvimento do denominado "Escudo de Taiwan" (T-Dome), um sistema de defesa aérea em camadas, anunciado por Lai a 10 de outubro, inspirado na "Cúpula de Ferro" (Iron Dome) de Israel e na "Cúpula Dourada" (Golden Dome) proposta pelos Estados Unidos.

Contudo, os dois principais partidos da oposição -- o Kuomintang (KMT) e o Partido Popular de Taiwan (PPT) --, favoráveis a uma maior aproximação entre Taipé e Pequim, têm bloqueado a tramitação do orçamento graças à maioria legislativa que detêm, acusando ainda o Governo de falta de transparência no plano de despesas.

Pequim considera Taiwan como "parte inalienável" do território chinês e não exclui o uso da força para recuperar o seu controlo, uma posição rejeitada pelo Executivo de Taipé, que defende que apenas os 23 milhões de taiwaneses têm o direito de decidir o seu futuro político.


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