Por LUSA
A polémica tem crescido em França após deputados do campo do partido do Presidente Emmanuel Macron terem acusado a perita da ONU de designar "Israel como um inimigo comum da humanidade".
Albanese negou ter feito tais declarações e denunciou "acusações mentirosas" e uma manipulação das palavras que proferiu há cerca de duas semanas.
Deputados pediram a Barrot em 10 de fevereiro que a França trabalhasse para que a relatora fosse "destituída de qualquer mandato na ONU".
No dia seguinte, o ministro, sem repetir as acusações dos deputados, apelou à demissão de Albanese, após o que classificou como "declarações ultrajantes e culposas".
Segundo Barrot, as declarações "somam-se a uma longa lista de tomadas de posição escandalosas, justificando o 07 de outubro, o pior massacre antissemita (...) desde o Holocausto, evocando o 'lobby' judeu ou comparando Israel ao Terceiro Reich".
Barrot aludia aos ataques do grupo fundamentalista islâmico Hamas contra Israel em 2023, que foram a causa direta para a ofensiva israelita na Faixa de Gaza, numa guerra que causou mais de 73.000 mortos dos dois lados.
A ofensiva israelita provocou também a destruição de grande parte da Faixa de Gaza e acusações a Israel de genocídio contra a população palestiniana do território pertencente à Palestina.
Numa carta aberta divulgada hoje, as 150 personalidades condenaram "o recurso a elementos inexatos e manipulados para desacreditar a titular de um mandato independente das Nações Unidas".
"Albanese reafirmou um princípio fundamental do direito internacional: a imputabilidade de violações graves do direito internacional constitui uma obrigação jurídica, não uma escolha política, e os responsáveis devem ser processados", afirmaram.
O grupo, que inclui antigos diplomatas neerlandeses e ex-ministros gregos, argentinos e dinamarqueses, disse que Albanese "não classificou Israel como 'inimigo comum da humanidade'", como negou a relatora da ONU.
Os signatários apelaram ao Ministério dos Negócios Estrangeiros francês para "rever as declarações inexatas atribuídas a Albanese e retificá-las publicamente".
As declarações no centro da polémica foram proferidas numa intervenção por videoconferência, durante um fórum organizado pela estação Al-Jazeera, no qual Albanese mencionou um "inimigo comum" que permitiu, na sua opinião, um genocídio em Gaza.
"O facto de, em vez de travarem Israel, a maioria dos países do mundo o ter armado, fornecido desculpas políticas, um guarda-chuva político, bem como apoio económico e financeiro, é um desafio", afirmou.
"Nós, que não controlamos vastos capitais financeiros, nem os algoritmos, nem as armas, constatamos agora que, enquanto humanidade, temos um inimigo comum", acrescentou, segundo a AFP.
Posteriormente, Albanese defendeu-se em declarações à estação televisiva France24 e garantiu que "nunca disse 'Israel é o inimigo comum da humanidade'".
"Falei dos crimes de Israel, do 'apartheid', do genocídio, e condenei como o inimigo comum o sistema que não permite levar à justiça e à cessação dos crimes de Israel", esclareceu.
A Alemanha e a República Checa também se insurgiram contra Albanese e pediram a demissão da relatora especial da ONU para os Territórios Palestinianos Ocupados, com base nas declarações que lhe foram atribuídas.

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