A apresentar mensagens correspondentes à consulta Umaro Sissoco Embaló ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta Umaro Sissoco Embaló ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

GUINÉ-BISSAU: MNE guineense responde a primeiro-ministro de Timor: "Falta de dignidade"... O governo guineense de transição manifestou hoje indignação e repúdio pelas declarações do primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, que considerou o país um "Estado falhado", precisando de ajuda no desenvolvimento da democracia e direitos humanos.

©  Ministério dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau  com  Lusa  12/02/2026 

Num comunicado hoje divulgado, o ministério dos Negócios Estrangeiros guineense considera que "as declarações revelam falta de dignidade e de postura política e moral" de Gusmão "para avaliar a realidade" institucional do país.

"Xanana Gusmão, tal como José Ramos-Horta [Presidente timorense], possui um historial de controvérsias públicas que fragilizam a autoridade com que se pronunciam sobre a governação de outros Estados", enfatiza-se na nota.

No documento salienta-se ainda que Xanana Gusmão "tem episódios" políticos que "suscitaram questionamentos sobre a sua conduta", nomeadamente durante períodos de conflito em Timor-Leste.

Na nota do Governo guineense de transição defende-se ainda que o Presidente timorense, José Ramos-Horta, "tem sido associado", no debate público, "a comportamentos e posicionamentos que levantam dúvidas quanto à sua estabilidade e coerência política".

Bissau considera "difícil de compreender" como é que figuras desse perfil assumem responsabilidades de liderança em organizações como a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

"A Guiné-Bissau não aceita qualquer tentativa de humilhação pública, estigmatização política ou desqualificação institucional, sobretudo quando proveniente de um Estado membro da CPLP", sublinha-se.

O primeiro-ministro timorense afirmou hoje que o golpe de Estado de novembro, na Guiné-Bissau, demonstra que o país é um Estado falhado e salientou que é preciso ajudar no desenvolvimento da democracia e direitos humanos.

"Fomos ajudar a montar todo o sistema, nomeadamente a CNE [Comissão Nacional de Eleições] (....) , para realizarem as primeiras eleições democráticas na Guiné-Bissau. Mas depois disto, voltar agora com um golpe militar ou golpe de Estado, já não falamos de Estado frágil, falamos de Estado falhado", salientou Xanana Gusmão.

Na sequência do golpe de Estado de 2012, Timor-Leste prestou durante vários anos apoio à Guiné-Bissau na organização de eleições.

O primeiro-ministro falava aos jornalistas após o encontro semanal com José Ramos-Horta, no Palácio Presidencial, em Díli.

Timor-Leste assumiu em dezembro a presidência da CPLP, que foi retirada à Guiné-Bissau após o golpe de Estado no país africano em 26 de novembro, que depôs o então Presidente, Umaro Sissoco Embaló, e interrompeu o processo eleitoral, impedindo a divulgação dos resultados das eleições gerais de 23 de novembro.

Uma missão de alto nível da CPLP para a Guiné-Bissau chega a Bissau em 18 de fevereiro, para permanecer no país até dia 21, para contactos com o Alto Comando Militar que protagonizou o golpe de Estado, membros do Governo de transição e elementos da sociedade civil.

A delegação, composta por 15 elementos, incluindo quatro de Angola, dois de São Tomé e Príncipe e os restantes de Timor-Leste, será chefiada pelo ministro da Defesa de Timor-Leste, Donaciano do Rosário Gomes.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

GOVERNO APROVA ADESÃO À CONVENÇÃO DA APOSTILHA DE HAIA EM REUNIÃO DO CONSELHO DE MINISTROS

 Radio TV Bantaba 

O Conselho de Ministros da Guiné-Bissau aprovou, esta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, a adesão do país à Convenção da Apostilha de Haia, instrumento internacional que elimina a exigência de legalização de documentos públicos estrangeiros. 

A decisão foi tomada durante a sessão ordinária do Conselho, realizada no Salão Nobre “General Umaro Sissoco Embaló”, no Gabinete do Primeiro-Ministro, em Bissau.

A reunião foi presidida pelo Presidente da República de Transição, general Horta Inta-a.

No capítulo das informações gerais, o Ministro da Economia, Plano e Integração Regional apresentou os fundamentos para a participação do Estado da Guiné-Bissau, na qualidade de acionista, na Assembleia Geral Constituinte da Sociedade Mista de Transformação da Castanha de Caju. Após a exposição, o Conselho de Ministros deu anuência para que o ministro represente o Estado nessa assembleia.

Na parte deliberativa, o Governo aprovou a adesão à Convenção da Apostilha de Haia, considerada um passo importante para facilitar a circulação e o reconhecimento internacional de documentos públicos emitidos no país.

Por outro lado, o Conselho decidiu adiar a adoção de dois instrumentos internacionais: a Convenção para o Estabelecimento da Organização Internacional para a Mediação e a Convenção de Nova Iorque de 1958, relativa ao reconhecimento e execução de sentenças arbitrais estrangeiras.

A reunião terminou sem outras deliberações públicas, ficando as decisões formalizadas no comunicado oficial divulgado no mesmo dia.

Brigada de Ação Fiscal tem novo comandante... A Brigada de Ação Fiscal (BAF), afeta à Direção-Geral das Alfândegas (DGA), passa a contar com nova liderança. O Major Tommy Nhama Cassama foi nomeado novo comandante da BAF, através do Despacho nº 05, de 5 de fevereiro, do Gabinete do Primeiro-Ministro, que acumula a pasta das Finanças.

Por  Radio TV Bantaba

A cerimónia de passagem de comando teve lugar na tarde desta segunda-feira, na sala de reuniões da DGA, e foi presidida por Malam Homi Injai, Diretor dos Recursos Humanos, em representação do Secretário-Geral do Ministério das Finanças. O ato contou com a presença do Diretor-Geral das Alfândegas, Domenico Sanca, diretores de serviços, representantes sindicais e oficiais da Brigada.

Na ocasião, Domenico Sanca sublinhou que as movimentações de comando constituem atos administrativos normais, tendo enaltecido o trabalho desenvolvido pelo ex-comandante Fernando Cá, cuja dedicação e coragem contribuíram de forma significativa para os resultados alcançados pela DGA no último ano. Reafirmou ainda o papel central da BAF no combate à fraude e à evasão fiscal, garantindo total apoio institucional ao novo comandante.

Por sua vez, o ex-comandante Fernando Cá agradeceu ao antigo Presidente da República, General Umaro Sissoco Embaló, ao Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças, Dr. Ilídio Vieira Té, pela confiança depositada na sua nomeação, bem como à direção da DGA e aos agentes da Brigada pelo empenho demonstrado durante o seu mandato.

Já o novo comandante, Major Tommy Nhama Cassama, elogiou o trabalho do seu antecessor e comprometeu-se a manter a disciplina, a dedicação e o rigor na fiscalização aduaneira, assegurando uma atuação baseada na cooperação com todos os agentes e em estreita articulação com a Direção-Geral das Alfândegas, visando “o sucesso da casa”.

Encerrando o ato, Malam Homi Injai destacou o desempenho do ex-comandante Fernando Cá e exortou o novo responsável a pautar a sua liderança pela cooperação, respeito hierárquico e espírito de equipa, em prol da eficiência e transparência das Alfândegas.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Conselho de Ministros autoriza contrato para exploração de bauxite em Boé

Por  RTB

O Conselho de Ministros reuniu-se esta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, em sessão extraordinária, no Salão Nobre General Umaro Sissoco Embaló, em Bissau, sob a presidência do Presidente da República de Transição, General do Exército Horta Inta.

No capítulo deliberativo, o Governo deu anuência à assinatura do contrato com a Empresa de Mineração de Boé (EMB), uma sucursal da companhia russa RUSSAL, com vista à construção de infraestruturas necessárias ao início da exploração de bauxite na localidade de Boé.

Durante a reunião, foram igualmente aprovados, com alterações, o projeto de decreto sobre o Regime Jurídico de Empreendimentos Turísticos de Alojamento e o projeto de decreto relativo ao Regulamento de Inspeção do Turismo.

No âmbito das informações gerais, o Ministro do Turismo e Artesanato apresentou uma exposição sobre os constrangimentos enfrentados por turistas à entrada e durante a circulação no território nacional, situações que foram denunciadas por agências de viagens da Gâmbia.

O Conselho de Ministros deliberou ainda sobre nomeações na Administração Pública. No Ministério dos Transportes, Telecomunicações e Economia Digital, foram nomeados Manuel José da Silva Júnior como Diretor-Geral e Lucas Na Sanhá como primeiro vogal do Conselho de Administração do Conselho Nacional de Carregadores. No Ministério das Obras Públicas, Habitação e Urbanismo, foram nomeados Luzia Fernandes para o cargo de Diretora-Geral de Infraestruturas de Transporte, Armando Bame Ié como Diretor-Geral de Geografia e Cadastro e Aguinaldo Garcia Varela como Diretor-Geral de Habitação e Urbanismo.

Em consequência destas nomeações, foi dada por finda a comissão de serviço, nas mesmas funções, dos anteriores titulares.

A reunião teve lugar em Bissau e o comunicado foi assinado pelo Ministro da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares, Usna António Quadé.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Guiné-Bissau. PAIGC acusa grupo contestatário de querer assaltar partido... A direção do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) acusou hoje o grupo de dirigentes que pede o afastamento do líder Domingos Simões Pereira de querer "assaltar o partido".

 𝗣𝗔𝗜𝗚𝗖 - 𝗡𝗢𝗧𝗔 𝗗𝗘 𝗘𝗦𝗖𝗟𝗔𝗥𝗘𝗖𝗜𝗠𝗘𝗡𝗧𝗢  𝟬𝟯.𝟬𝟮.𝟮𝟲👇

 

Com LUSA 

A direção do histórico partido da libertação da Guiné-Bissau reagiu nesta terça-feira, em comunicado, ao "grupo de reflexão de alguns dirigentes e militantes do PAIGC que defendeu, a 30 de janeiro, uma direção de transição, alegando que o presidente Simões Pereira não tem condições para continuar no cargo por se encontrar em prisão domiciliária.

No comunicado divulgado nos canais oficiais do PAIGC, a direção refere que o grupo é "sobejamente conhecido por tentar destabilizar, fragilizar e assaltar a direção do partido, como já aconteceu com outras formações políticas nacionais".

O comunicado refere "ações de ataques sistemáticos e incessantes ao partido por encomenda do regime instalado desde 2019" na Guiné-Bissau, numa referência ao ex-presidente Umaro Sissoco Embaló.

Acrescenta que "este grupo mantém esta postura de hostilidade apenas para servir de instrumento de manipulação do seu verdadeiro mandante e receber em troca nomeações ou promoções nos cargos públicos".

"Por isso, o referido grupo aparece sempre conformado calado ou mesmo satisfeito com a detenção ou espancamento de dirigentes e militantes" e "invasões às sedes do PAIGC", lê-se no comunicado.

A direção refere-se a este "grupo disfarçado de militantes e dirigentes" como estando "ao serviço de interesses alheios ao partido (...) fingindo ignorar as ondas de perseguição e de injustiça de que tem sido alvo, com a intenção de afastar o PAIGC do pleito eleitoral".

O referido grupo responsabilizou a direção do partido pela exclusão do processo eleitoral, pela primeira vez na história do PAIGC, quando a candidatura do presidente Simões Pereira e da coligação PAI-Terra Ranka, liderada pelo partido, foi rejeitada pelo Supremo Tribunal de Justiça, nas eleições gerais de novembro de 2025.

O PAIGC apoiou o candidato Fernando Dias, que reclamou vitória na primeira volta sobre o Presidente cessante Umaro Sissoco Embaló, que concorreu a um segundo mandato.

O processo eleitoral foi interrompido por um golpe militar a 26 de novembro de 2025, na véspera de serem divulgados os resultados eleitorais.

O Presidente cessante foi deposto e saiu do país, Fernando Dias refugiou-se na embaixada da Nigéria e Simões Pereira foi preso e libertado mais de dois meses depois, a 30 de janeiro, encontrando-se em prisão domiciliária.

O grupo de dirigentes e militantes defendeu, em conferência de imprensa, através do porta-voz Aladje Seco Sanó, uma direção de transição até ao congresso de novembro, por entender que o líder não tem condições para continuar à frente do partido.

No comunicado de reação, a direção argumenta que "os estatutos estão a ser plenamente observados para assegurar o funcionamento do partido, mesmo estando encerradas as suas sedes e expressamente proibidas as manifestações políticas pelo regime".

A direção considera "totalmente falsas as afirmações de Aladje Seco Sanó" de que "o partido se encontra totalmente inativo, a sua direção e vice-presidentes ausentes em acantonamento total".

"Estando o partido em funcionamento pleno de acordo com o contexto político-militar imposto ao país, não fazem sentido as alegadas preocupações do dito grupo", conclui.

Os militares tomaram o poder na Guiné-Bissau a 26 de novembro de 2025, nomearam o general Horta Inta-a Presidente da República de Transição e substituíram o parlamento por um Conselho Nacional de Transição.

O Alto Comando Militar alegou que pretendeu impedir uma guerra civil e anunciou que o período de transição durará 12 meses.

Entre as medidas já adotadas pelos militares consta a revisão da Constituição, conferindo mais poderes ao Presidente da República, e a convocação de novas eleições gerais, presidências e legislativas, para 6 de dezembro.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

OS HOMENS QUE TORNAM SEU PAÍS GRANDE NOVAMENTE...

DONALD TRUMP 👉MAKE AMERICA GREAT AGAIN –  UMARO SISSOCO EMBALÓ 👉'TORNE A GUINÉ-BISSAU GRANDE DE NOVO'

sábado, 31 de janeiro de 2026

Porta-voz do PAIGC promete que “a luta vai continuar” com Domingos Simões Pereira

Por: Carina Branco  rfi.fr/pt  31/01/2026 

O líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, regressou a casa esta sexta-feira à noite, depois de ter passado dois meses detido pelos militares na Guiné-Bissau. “Agora, a luta vai continuar”, assegura o porta-voz do PAIGC, Muniro Conté, que aponta o regresso a casa de Domingos Simões Pereira como o cumprimento da resolução da Cimeira de chefes de Estado e de Governo da CEDEAO de Dezembro.

Na Guiné-Bissau, o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, que se encontrava detido há mais de dois meses na Segunda Esquadra de Bissau foi transferido para a sua residência na sexta-feira à noite. Ele foi acompanhado pelo ministro da Defesa do Senegal, general Birame Diop, enviado especial do Presidente senegalês, Bassirou Diomaye Faye. O Presidente eleito da Assembleia Nacional Popular estava detido desde 26 de Novembro, dia em que os militares tomaram o poder e inviabilizaram a divulgaçao dos resultados das eleições gerais.

Também esta sexta-feira Fernando Dias da Costa, candidato presidencial apoiado pelo PAIGC e que reclamou vitória nas eleições de 23 de Novembro, saiu da embaixada da Nigéria em Bissau (onde estava refugiado para evitar ser preso) e pôde ir para casa. O mesmo aconteceu com  Geraldo Martins, antigo primeiro-ministro e quadro do PAIGC. Recordo que Domingos Simões Pereira e o histórico partido PAIGC tinham sido afastados das eleições gerais por decisão judicial e apoiaram Fernando Dias da Costa.

Muniro Conté, porta-voz do PAIGC, diz que se trata de uma libertação dos presos políticos conforme a recomendação da Cimeira de chefes de Estado e de Governo da CEDEAO de Dezembro e rejeita que se trate de uma prisão domiciliária.

“É uma libertação dos prisioneiros políticos. Neste caso, faltava o presidente do PAIGC e da Assembleia Nacional Popular, o engenheiro Domingos Simões Pereira, que era suposto ser libertado desde o mês de Dezembro, após a realização da Cimeira dos Chefes de Estado da CEDEAO. A resolução que saiu desta cimeira teve um carácter de decisão, recomendou-se a libertação de todos os prisioneiros políticos. Então, faltava o caso do presidente do PAIGC e presidente da Assembleia Nacional Popular, o que foi efectivado ontem”, declarou Muniro Conté à RFI.

O porta-voz do PAIGC faz questão de sublinhar que Domingos Simões Pereira não foi transferido para “prisão domiciliária”. Muniro Conté destaca que “os contornos dessa libertação oportunamente serão anunciados” e afirma que a única resolução “com carácter decisório” que foi cumprida foi a que saiu da Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO de 14 de Dezembro.

Muniro Conté avisa que, apesar dos dois meses presos, Domingos Simões Pereira “está bem” e que “agora a luta vai continuar”.

A luta vai continuar. Ele escolheu este caminho. Podia ter escolhido uma caminho como outros tantos escolheram a comodidade de ir contra os princípios e valores em detrimento de mordomias. Ele escolheu o sacrifício em prol do povo da Guiné-Bissau para que a nossa democracia seja uma democracia verdadeira e não uma democracia para fazer a política servir-se do povo em vez de servir o povo”, acrescentou.

O porta-voz do PAIGC rejeitou, ainda, a alegada possibilidade de uma direcção transitória do partido, algo abordado ontem, em Bissau, por Aladje Sano, que se apresentou aos jornalistas, numa conferência de imprensa difundida pela comunicação social local, como “representante de um grupo de dirigentes e militantes” do PAIGC.

O Comité Central do PAIGC é composto por 535 membros e qualquer intervenção em nome do Comité Central tem que ser feita após uma deliberação deste órgão. Não existe nenhuma deliberação do Comité Central que diz que alguém não deve estar à frente do partido, que o partido deve ser entregue aos combatentes da liberdade da Pátria. Aliás, em caso de substituição, os estatutos do partido são claros (...) O Congresso do PAIGC está previsto estatutariamente para o mês de Novembro e se o presidente do partido não tiver disponibilidade, por uma questão de impedimento, ele pode delegar um dos quatro vice-presidentes até à realização do Congresso. Saindo desta situação de detenção ou de sequestro, numa linguagem mais clara, se ele entender que um dos vice-presidentes pode, por delegação, dirigir o partido até à realização do Congresso, ele pode fazê-lo. Agora, está fora de questão entregar o partido aos combatentes porque não existe nos nossos estatutos em nenhuma linha. Não há nada que vai impedir Domingos Simões Pereira de continuar na vida política”, declarou Muniro Conté.

Recordo que esta sexta-feira, a agência Lusa adiantava que o presidente do PAIGC ia ser libertado no final do dia e ficaria em prisão domiciliária, citando o porta-voz de um grupo que pedia uma direcção transitória no partido. As declarações eram de Aladje Sano que se apresentou como “representante de um grupo de dirigentes e militantes” do PAIGC. De acordo com a agência de notícias, Aladje Sano disse que DSP “não pode dirigir o partido em prisão domiciliária” e que o grupo que representa ia pedir uma direcção de transição até ao congresso do PAIGC em Novembro, data em que termina o mandato da actual direcção. Sano, que disse ser também membro do Comité Central do partido, é um dos assessores de João Bernardo Vieira, actual ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de transição e conhecido adversário de Domingos Simões Pereira no PAIGC.

Regresso a casa acompanhados pelo ministro da Defesa do Senegal

O regresso a casa dos opositores políticos acontece depois de o Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, ter enviado o ministro da Defesa a Bissau.O chefe de Estado senegalês faz parte de um grupo de chefes de Estado encarregados pela CEDEAO para acompanhar e encontrar soluções para a crise política pós-eleitoral na Guiné-Bissau.

De acordo com a agência Lusa, o ministro da Defesa do Senegal saudou a “boa vontade do Presidente de transição, general Horta Inta-a” e apelou aos guineenses para “abrir uma nova página” do diálogo. O governante senegalês disse que os guineenses devem preparar-se para as eleições legislativas e presidenciais, marcadas pelos militares, para 6 de Dezembro.

Dois meses de poder militar na Guiné-Bissau

A 26 de Novembro de 2025, os militares tomaram o poder, depuseram o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, e o processo eleitoral foi interrompido sem a divulgação dos resultados oficiais. Vários opositores políticos do regime de Sissoco Embaló foram detidos, entre eles o principal líder da oposição, Domingos Simões Pereira. Nos dois meses no poder, os militares alteraram a Constituição, atribuindo mais poderes ao Presidente da República, e marcaram novas eleições gerais para 6 de Dezembro.

PR cabo-verdiano e francês expressam desejo de "estabilidade" em Bissau... Os presidentes cabo-verdiano e francês falaram sobre a situação na Guiné-Bissau num encontro concedido, na sexta-feira, em Paris, por Emmanuel Macron a José Maria Neves, que descreveu a conversa em torno de um desejo de estabilidade.

Por  LUSA 

"Falámos sobre a situação na Guiné-Bissau. O nosso desejo comum é que haja estabilidade", referiu o chefe de Estado do arquipélago aos jornalistas, num vídeo publicado pela presidência cabo-verdiana, no Facebook.

Questionado sobre como pode França ajudar, José Maria Neves apontou caminhos, "a promover a reconciliação, o diálogo entre as partes e uma governação inclusiva de modo que as questões sejam efetivamente resolvidas".

"Acho que todos temos um papel a desempenhar nesse sentido, positivo, construtivo, de não ingerência, mas de busca comum de vias para a solução definitiva das questões que se colocam à Guiné-Bissau", concluiu.

No dia 26 de novembro, um dia antes da divulgação dos resultados das eleições presidenciais e legislativas, os militares depuseram Umaro Sissoco Embaló, que estava no poder na Guiné-Bissau desde 2020, e suspenderam o processo eleitoral.

O candidato da oposição, Fernando Dias da Costa, que reivindica vitória, refugiou-se na Embaixada da Nigéria em Bissau, e o líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, foi detido.


Leia Também: Parlamento português condena golpe de Estado na Guiné-Bissau

A Assembleia da República condenou hoje o golpe de Estado na Guiné-Bissau, apelando à cessação da violência, reposição da normalidade constitucional e "imediata libertação incondicional de todos os detidos".

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

COMUNICADO DO CONSELHO DE MINISTROS: Governo delibera sobre saúde pública, microfinança e procede a novas nomeações

O Conselho de Ministros da Guiné-Bissau reuniu-se esta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, em sessão ordinária, no Salão Nobre General Umaro Sissoco Embaló, do Gabinete do Primeiro-Ministro, em Bissau, sob a presidência do Primeiro-Ministro, Ilídio Vieira Té.

No capítulo das Informações Gerais, o Ministro da Economia, Plano e Integração Regional apresentou uma exposição sobre o Relatório Anual de Registo de Empresas e Licenciamento de Atividades Económicas, referente ao ano de 2025.

A Ministra das Pescas e Economia Marítima destacou as consequências negativas do atual processo de fabrico local de farinha e óleo de peixe, à base de sardinela e etmalosa na Guiné-Bissau, tendo igualmente apresentado o Plano Anual de Gestão dos Recursos Halieúticos para o ano de 2026.

Por sua vez, o Ministro da Saúde Pública anunciou o lançamento do projeto de introdução da vacina contra o paludismo na região sanitária de Gabú, com o objetivo de garantir a prevenção e proteção das crianças com idades compreendidas entre os 5 e os 59 meses. O governante prestou ainda esclarecimentos sobre a intenção de implementação do processo de vacinação contra a Hepatite B. Na sequência destas informações, e por razões de ordem técnica, o Conselho de Ministros deliberou a proibição da importação, distribuição e utilização, no território nacional, da referida vacina, por se tratar de um produto em fase experimental/teste, até que sejam reunidas todas as garantias científicas, sanitárias e regulamentares exigidas pelas autoridades competentes.

Na parte Deliberativa, o Conselho de Ministros aprovou a Proposta de Lei relativa à Regulamentação da Microfinança.

No capítulo das Nomeações, foi autorizada, por despacho do Primeiro-Ministro, a movimentação de pessoal dirigente da Administração Pública. No Ministério da Economia, Plano e Integração Regional, Mamadu Ciren Djabi foi nomeado Diretor-Geral da Agência de Poupança e Microcrédito. No Ministério da Administração Territorial e Poder Local, Queba Djaita foi nomeado Diretor-Geral do Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral (GTAPE). Já no Ministério dos Transportes, Telecomunicações e Economia Digital, Nadilé Jean Pereira Lima Banjaqui assumiu o cargo de Diretor-Geral de Viação e Transportes Terrestres.

Em consequência destas nomeações, o Conselho de Ministros deu por finda a comissão de serviço, nos mesmos cargos, dos anteriores titulares.

Bissau, 27 de janeiro de 2026.




quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Guiné-Bissau rejeita interferência portuguesa: “Não somos quintal de Portugal”

Por expresso.pt 

Durante a inauguração das obras de dragagem do porto de Bissau, o primeiro-ministro de transição guineense reafirmou a independência do país desde 1973 e garantiu que não aceitará ordens de ninguém

O primeiro-ministro de transição guineense, Ilídio Vieira Té, afirmou hoje que a Guiné-Bissau "não é quintal de Portugal" e avisou que haverá "resposta adequada" no dia em que o assunto do país africano for debatido no parlamento português.

As declarações de Ilídio Vieira Té foram feitas no discurso de inauguração das obras de dragagem do porto de Bissau e transmitidas pela comunicação social local.

O primeiro-ministro de transição guineense afirmou que o país é governado desde a sua independência, em 1973, pelos seus filhos e que não aceitará ordens de ninguém.

"Desde 1973 que ninguém manda aqui, e a Guiné-Bissau não é anexo de Portugal, nem quintal, nem da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa], razão pela qual autossuspendemos o nosso país dessa organização", afirmou Vieira Té.

O Governo de transição anunciou a suspensão de "todas as suas atividades" na CPLP, "com efeito imediato", a 15 de dezembro, dez dias depois do Conselho de Ministro da organização lusófona ter recomendado aos chefes de Estado a suspensão do país neste organismo.

O dirigente guineense avisou hoje que haverá "resposta adequada" no dia em que o assunto do país for debatido no parlamento português.

"Dizer-vos que na Guiné-Bissau quem manda são os guineenses (...) nem o ministro dos Negócios Estrangeiros português, nem é Marta Temido [eurodeputada socialista], e nem ninguém. Andamos com os nossos pés e pensamos com as nossas cabeças", declarou.

O primeiro-ministro de transição guineense disse ainda ter escutado o chefe da diplomacia portuguesa, Paulo Rangel, afirmar que o país não terá as sanções levantadas no âmbito da CPLP enquanto os "presos políticos não forem libertados".

O presidente do último parlamento eleito, Domingos Simões Pereira, que é também líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), encontra-se detido, sem culpa formada, desde o dia 26 de novembro na sequência do golpe de Estado militar, e várias figuras políticas da oposição estão com a liberdade condicionada, encontrando-se escondido em local incerto.

Ilídio Vieira Té afirmou que as atuais autoridades da Guiné-Bissau "não pediram o levantamento de sanções" da CPLP e insistiu que foi o país que se afastou da organização lusófona.

O responsável abordou também as ameaças da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) de aplicar sanções ao país caso o período de transição, proposto pelos militares para 12 meses, não seja encurtado e não seja formado um Governo civil inclusivo.

Segundo Ilídio Vieira Té, a Guiné-Bissau "é membro de pleno direito com quotas em dia" na CEDEAO, "mais do que muitos países".

"Portanto, quem manda aqui é o Presidente de transição, Horta Inta-a, o primeiro-ministro, sou eu, Ilídio Vieira Té, e temos um Governo que governa com as suas ideias", declarou.

Os militares tomaram o poder há cerca de dois meses na véspera da divulgação dos resultados das eleições gerais, presidenciais e legislativas, e o processo eleitoral foi interrompido.

O Presidente cessante e recandidato a um segundo mandato, Umaro Sissoco Embaló, foi deposto e saiu do país, enquanto o candidato da oposição, Fernando Dias, que reclamou vitória, terá procurado refúgio na Embaixada da Nigéria em Bissau.

No golpe de Estado, que várias vozes nacionais e internacionais consideraram ter sido uma encenação do Presidente cessante, foram detidos vários políticos, entre eles Domingos Simões Pereira.

O líder e o partido foram excluídos das eleições pelo Supremo Tribunal de Justiça e decidiram apoiar a candidatura de Fernando Dias, presidente de uma das alas do Partido de Renovação Social (PRS) que se dividiu, com uma fação fiel a Dias e outra apoiante de Sissoco Embaló.

Os militares anunciaram que o período de transição seria por um ano e uma das primeiras iniciativas legislativas foi a revisão da Constituição, conferindo mais poderes ao Presidente da República.

Hoje, o Presidente de transição anunciou a realização de eleições gerais a 6 de dezembro deste ano.

A Guiné-Bissau foi suspensa de várias organizações internacionais que pedem a retoma da ordem constitucional e a libertação dos presos políticos, nomeadamente, a União Africana, a CEDEAO e a CPLP, que substituiu a Guiné-Bissau na presidência da organização, que ocupava até 2027, por Timor-Leste.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Sociedade civil da Guiné-Bissau rejeita revisão da Constituição feita pelos militares.... ??? Organizações da sociedade civil guineense rejeitam a revisão da Constituição na Guiné-Bissau, numa carta aberta dirigida ao Alto-Comando Militar, que tomou o poder no país, e a que a Lusa teve hoje acesso.

Por LUSA 

A carta aberta é assinada pelas organizações Frente Popular, Firkidja di Púbis e Movimento Revolucionário Pó di Terra.

Os três movimentos interpelam o Alto-Comando Militar  "para a dita" Restauração da Segurança Nacional e Ordem Pública "sobre o perigo que a sua atuação representa para os valores fundamentais da República da Guiné-Bissau.

As organizações que afirmam representar os estudantes, trabalhadores livres, conscientes e mobilizados rejeitam "a tentativa de reforma legislativa" que o Comando Militar "pretende impor aos guineenses" e lembram que rever a Constituição só pode ocorrer num período da normalidade político-administrativa e perante um consenso alargado sobre o que deve ser alterado.

O Conselho Nacional de Transição, órgão criado pelos militares para substituir o parlamento guineense, aprovou, na terça-feira, uma nova versão da Constituição do país que reforça os poderes do Presidente da República, mantendo, contudo, um regime semi-presidencialista.

O documento aguarda, porém, pela promulgação do Presidente de transição, general Horta Inta-A, e pela publicação no Boletim Oficial do país.

"Para nós, o que se chamou da "revisão constitucional" não passa de uma brincadeira que visa produzir um panfleto -- por isso -- descartável", refere-se na carta aberta dos três movimentos da sociedade civil.

As mesmas organizações rejeitam igualmente a determinação do Alto-Comando Militar de proibir as conferências de imprensa e as declarações públicas durante o período de transição.

Voltam a exigir aos militares que abandonem as instituições do Estado da Guiné-Bissau para permitir que "entidades legitimadas" governem o país "pela escolha soberana do povo" e ainda alertam sobre "as imprevisíveis consequências" que "a teimosia em tentar, desesperadamente, confiscar a vontade popular" expressa nas urnas poderá provocar.

A revisão da Constituição surge menos de dois meses após a tomada do poder pelos militares, em 26 de novembro de 2025, três dias depois das eleições gerais e um dia antes da divulgação dos resultados oficiais.

A oposição já tinha reclamado vitória sobre o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, que concorreu a um segundo mandato.

Embaló saiu do país, o candidato que se declarou vencedor, Fernando Dias, ter-se-á refugiado na Embaixada da Nigéria em Bissau e o principal opositor, Domingos Simões Pereira, foi detido depois de ter apoiado Dias, na sequência da decisão judicial que o impediu e ao histórico partido PAIGC de concorrerem, pela primeira vez, a eleições.

Um denominado Alto-Comando Militar tomou o poder e nomeou o general Horta Inta-a como Presidente da República de Transição.

Os militares suspenderam a Constituição e substituíram a Assembleia, dissolvida há dois anos, por um Conselho Nacional de Transição, com o anunciado propósito de fazer uma transição política pelo período de um ano.

A tomada do poder foi justificada com um alegado golpe de Estado que estaria a ser preparado para travar o processo eleitoral que acabou por ser interrompido com a destruição de atas e material da Comissão Nacional de Eleições.

A Guiné-Bissau está suspensa das principais organizações internacionais de que era membro, com a exigência do regresso à normalidade democrática e libertação dos presos políticos para voltar a ter assento em organismos como a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) ou União Africana.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Corrigido anúncio de poderes do presidente na nova Constituição guineense... O porta-voz do Conselho Nacional de Transição da Guiné-Bissau corrigiu hoje a declaração que fez, na terça-feira, relativamente aos poderes do Presidente da República na nova versão da Constituição guineense aprovada pelos militares.

Por LUSA 

Fernando Vaz contactou a Lusa para dizer que quer "corrigir o que foi dito ontem [terça-feira]", concretamente que o Presidente da República passava a ser o único chefe da Nação e do Governo.

"Ontem eu disse que o Presidente da República era o chefe da Nação e o chefe do Governo, acontece que não é bem assim. O que eu referi foi a proposta de alteração apresentada, aquela que foi aprovada foi aprovada com emendas e nas emendas o Presidente da República não é o chefe do Governo", concretizou.

O porta-voz do Conselho acrescentou que "há alterações em relação aos poderes do Presidente, que passa a presidir ao Conselho de Ministros, mas não é chefe do Governo".

Na nova versão da Constituição aprovada em plenário do Conselho, o Presidente da República passa também "a nomear o primeiro-ministro" e "a nomeação não depende nesta revisão dos resultados eleitorais", disse.

"O primeiro-ministro é escolhido pelo Presidente, independentemente da existência ou não de força política maioritária no parlamento", concretizou.

Fernando Vaz confirmou outras alterações como a retirada da Constituição de "toda a questão ideológica revolucionária que existia no preâmbulo".

Fernando Vaz explicitou o teor dos artigos com "mudanças profundas", a começar pelo artigo 79, alínea g, que determina que "a nomeação do primeiro-ministro não depende agora dos resultados eleitorais. O primeiro-ministro é escolhido pelo Presidente da República, independentemente da existência ou não da força política maioritária no parlamento".

O artigo 79 fixa que "o Presidente da República, doravante, é quem preside o Conselho de Ministros, contrariamente àquilo que acontecia com a Constituição anterior que dizia que o Presidente da República preside quando bem entender".

Ainda no artigo 79, nº3, "foi introduzida a fiscalização preventiva da constitucionalidade pelo Tribunal Constitucional", órgão judicial que esta reforma cria, já que, até agora, as questões constitucionais eram tratadas pelo Supremo Tribunal de Justiça.

Noutra alteração, segundo Fernando Vaz, o Presidente da República passa a ser investido pelo Tribunal Constitucional e não pela Assembleia Nacional, como acontecia na Constituição anterior.

Sobre o Conselho de Estado, houve alterações no artigo 86, onde foram introduzidos como membros por inerência o presidente do Tribunal Constitucional e os antigos Presidentes da República.

A revisão introduz ainda alterações à Assembleia Nacional, que deixa de ter no nome o termo Popular, e, no artigo 89, faz a revisão dos círculos eleitorais, alterados dos 29 atuais para 11, sendo dois da diáspora, África e Europa, e nove correspondentes às regiões existentes na Guiné-Bissau.

Relativamente às autarquias locais, o porta-voz do Conselho disse que esta matéria "está mais desenvolvida" na revisão e, quanto ao Governo, o primeiro-ministro continua como chefe do Governo, mas quem preside ao Conselho de Ministros é o Presidente da República.

Fernando Vaz indicou que estas alterações foram aprovadas e aguardam pela promulgação do Presidente de Transição e publicação oficial.

As alterações foram aprovadas na plenária do Conselho Nacional de Transição que, até março, "vai fazer a revisão de uma série de leis que constam no cronograma do Alto Comando Militar", segundo o porta-voz.

Para revisão estão as leis políticas, nomeadamente a lei dos partidos políticos, a lei eleitoral, a lei do recenseamento e a lei do financiamento dos partidos políticos.

As alterações serão anunciadas "após a sua aprovação", de acordo com Fernando Vaz.

O porta-voz tinha anunciado terça-feira, em conferência de imprensa, em Bissau, que o Conselho Nacional de Transição, que assume as funções parlamentares, aprovou a nova Lei magna, 30 anos depois da aprovação da Constituição que impunha um regime semi-presidencialista na Guiné-Bissau. 

A nova versão foi apresentada como uma continuação do sistema semi-presidencialista, mas com concentração do poder no Presidente da República, que passaria a ser chefe do Governo e a nomear o primeiro-ministro, ministros e membros do executivo. 

O porta-voz disse que a nova Constituição vinha clarificar poderes e esclareceu que "o chefe" passaria a ser o Presidente da República e que tudo dependeria de "um só líder de cooperação institucional entre intervenientes políticos".

A revisão da Constituição surge menos de dois meses após a tomada do poder pelos militares, a 26 de novembro de 2025, três dias depois das eleições gerais e um dia antes da divulgação dos resultados oficiais.

A oposição já tinha reclamado vitória sobre o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, que concorreu a um segundo mandato.

Embaló saiu do país, o candidato que se declarou vencedor, Fernando Dias, ter-se-á refugiado na Embaixada da Nigéria em Bissau e o principal opositor, Domingos Simões Pereira, foi detido depois de ter apoiado Dias, na sequência da decisão judicial que impediu Simões Pereira e o histórico partido PAIGC de concorrerem a eleições.

Um denominado Alto Comando Militar tomou o poder e nomeou o general Horta Inta-a como Presidente da República de Transição.

Os militares suspenderam a Constituição e substituíram a Assembleia dissolvido há dois anos por um Conselho Nacional de Transição, com o anunciado propósito de fazer uma transição política pelo período de um ano.

A tomada do poder foi justificada com um alegado golpe de Estado que estaria a ser preparado para travar o processo eleitoral que acabou por ser interrompido com a destruição de atas e material da Comissão Nacional de Eleições.

A Guiné-Bissau está suspensa de todas as organizações internacionais de que era membro, com a exigência do regresso à normalidade democrática e libertação dos presos políticos para voltar a ter assento em organismos como a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) ou a União Africana.


Leia Também: Banco Mundial suspende operações e desembolsos na Guiné-Bissau... 

O Banco Mundial suspendeu todas as operações e financiamentos à Guiné-Bissau, no seguimento do golpe de Estado de final de novembro, e está a "monitorizar atentamente" a situação no país, disse hoje à Lusa fonte da instituição.

Banco Mundial suspende operações e desembolsos na Guiné-Bissau... O Banco Mundial suspendeu todas as operações e financiamentos à Guiné-Bissau, no seguimento do golpe de Estado de final de novembro, e está a "monitorizar atentamente" a situação no país, disse hoje à Lusa fonte da instituição.

Por LUSA 

"O Grupo Banco Mundial está a monitorizar atentamente a situação na Guiné-Bissau", disse uma fonte oficial em resposta a questões da Lusa, nas quais confirma que os desembolsos e os projetos foram suspensos neste país lusófono africano.

De acordo com a política do Banco, pausámos os desembolsos em todas as operações em curso no país até que os critérios relevantes ao abrigo da Política Operacional (OP) 7.30 sejam satisfatoriamente cumpridos", acrescentou, salientando que "enquanto parceiro de desenvolvimento, o Grupo Banco Mundial continua comprometido em apoiar o povo da Guiné-Bissau".

Em causa está o golpe de Estado no país, no final de novembro do ano passado, na véspera da divulgação dos resultados das eleições presidenciais do país.

A OP7.30 é um manual sobre como o Grupo Banco Mundial deve agir em caso de golpes de Estado quando tem de lidar com 'governos de facto' que não são constitucionalmente legítimos nos países onde a maior instituição multilateral de financiamento opera.

Entre os projetos em curso no país, o Banco Mundial tem um projeto de resposta a emergências, vários na área da melhoria da conectividade, fortalecimento da administração pública e um financiamento significativo ao recenseamento da população, previsto para começar no final deste mês.

A notícia sobre a suspensão dos projetos e dos pagamentos surge na altura em que os militares no poder na Guiné-Bissau aprovaram uma nova Constituição para o país, em que o Presidente da República passa a ser "chefe único".

O Conselho Nacional de Transição, que assume as funções parlamentares, aprovou na terça-feira a nova Lei magna, 30 anos depois da aprovação da Constituição que impunha um regime semipresidencialista na Guiné-Bissau. A revisão da Constituição surge menos de dois meses após a tomada do poder pelos militares, a 26 de novembro de 2025.

A oposição tinha reclamado vitória sobre o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, que concorreu a um segundo mandato.

Embaló saiu do país, o candidato que se declarou vencedor, Fernando Dias, ter-se-á refugiado na Embaixada da Nigéria em Bissau e o principal opositor, Domingos Simões Pereira, foi detido depois de ter apoiado Dias, na sequência da decisão judicial que impediu Simões Pereira e o histórico partido PAIGC de concorrerem, pela primeira vez, a eleições.

Um denominado Alto Comando Militar tomou o poder e nomeou o general Horta Inta-a como Presidente da República de Transição.

Os militares suspenderam a Constituição e substituíram a Assembleia, dissolvida há dois anos, por um Conselho Nacional de Transição, com o anunciado propósito de fazer uma transição política pelo período de um ano.

A tomada do poder foi justificada com um alegado golpe de Estado que estaria a ser preparado para travar o processo eleitoral que acabou por ser interrompido com a destruição de atas e material da Comissão Nacional de Eleições.

A Guiné-Bissau está suspensa das principais organizações internacionais de que era membro, com a exigência do regresso à normalidade democrática e libertação dos presos políticos para voltar a ter assento em organismos como a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) ou União Africana.


Leia Também: Guiné cancela vacina à nascença e estudo sobre hepatite B em crianças... 

O Governo de transição da Guiné-Bissau cancelou a vacinação ao nascer contra a hepatite B e um ensaio clínico com crianças guineenses previsto para o início deste ano, disseram hoje à Lusa fontes médicas contactadas em Bissau.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

PAIGC denuncia invasão e encerramento da sua sede em Bissau

Por RTB
O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) denunciou, esta segunda-feira, a invasão e o encerramento da sua Sede Regional no Sector Autónomo de Bissau (SAB) por agentes da Polícia da Ordem Pública, acusando as autoridades de violarem a lei e de promoverem uma escalada de perseguição política.

Em comunicado divulgado pelo Secretariado Nacional, o PAIGC afirma que a ação ocorreu no dia 5 de janeiro de 2026, depois de, a 28 de novembro de 2025, ter sido igualmente ordenado o encerramento da Sede Nacional do partido, em Bissau. Segundo a nota, os agentes policiais impediram o acesso dos funcionários às instalações, numa medida classificada como “ilegal e abusiva”.

O partido sustenta que estas ações violam a Lei Quadro dos Partidos Políticos, nomeadamente os princípios da integridade e inviolabilidade das sedes partidárias. O PAIGC considera ainda paradoxal que tais atos sejam praticados por autoridades que se apresentam como promotoras da segurança nacional e da ordem pública, acusando-as de alinhamento com o regime do Presidente Umaro Sissoco Embaló, que o partido associa a violações dos direitos fundamentais.

No comunicado, o PAIGC relaciona estes acontecimentos com o que classifica como uma “deriva ditatorial e anticonstitucional” na sequência do alegado golpe de Estado de 26 de novembro de 2025. Segundo o partido, esse episódio teria tido como objetivo impedir a divulgação dos resultados eleitorais que, de acordo com a sua versão, confirmariam a vitória do seu candidato, Fernando Dias da Costa, logo na primeira volta.

A direção do PAIGC enumera ainda um conjunto de práticas que, no seu entender, se mantêm inalteradas, incluindo perseguição a opositores, restrições à liberdade de expressão, de imprensa e de manifestação, detenções arbitrárias, atos de violência, alegada delapidação de fundos públicos e cobrança coerciva de impostos sem base legal.

Perante este cenário, o partido condena formalmente a invasão e ocupação das suas sedes nacional e regional, exige a retirada imediata dos agentes policiais e responsabiliza o que designa por “regime golpista” pelos danos materiais e morais causados. O PAIGC reitera igualmente o pedido de libertação imediata e incondicional do seu presidente e de outros dirigentes políticos detidos após o alegado golpe.

O comunicado apela ainda à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para que exija ao Alto Comando Militar o cumprimento das resoluções da 68.ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo, com destaque para a libertação dos prisioneiros políticos, o regresso dos militares aos quartéis e a reposição da ordem constitucional.

Apesar das denúncias, o PAIGC apelou à calma e serenidade dos seus militantes e da população em geral, manifestando convicção de que a ordem constitucional, que considera ter sido subvertida em novembro de 2025, será restabelecida em breve.

O comunicado foi emitido em Bissau, a 5 de janeiro de 2026, pelo Secretariado Nacional do partido.

domingo, 4 de janeiro de 2026

MADEM-G15 (Ala de Braima) – Sede do Coqueiro encerrada em Bissau por ordem militar.🇬🇼🚨

Fonte: CNEWS / Digital Mídia Global TV  ​Bissau, 04 de janeiro de 2026

 A sede do Movimento para Alternância Democrática (MADEM-G15), da ala liderada por Braima Camará, foi encerrada na manhã deste domingo, 4 de janeiro. 

O encerramento terá ocorrido supostamente por ordem das novas autoridades militares no país, avançou ao Capital News uma fonte partidária que, no entanto, não precisou dos motivos da decisão.

​"Mandaram fechar a sede sem qualquer informação adicional", revelou a fonte, acrescentando que a estrutura aguarda agora por orientações da Direção Superior e do Coordenador Nacional, que se encontra atualmente no estrangeiro.

De recordar que Camará havia pedido recentemente aos militantes da sua ala que não o tratassem pelo título de coordenador.

Na ocasião, o líder reunia a sua estrutura nacional no decurso da campanha para as eleições gerais — processo que acabou por ser interrompido pelos militares que tomaram o poder e suspenderam o calendário eleitoral.

 Durante o período de campanha, as duas alas do MADEM-G15 tinham-se unido, num esforço de reconciliação interna, à Plataforma Republicana NÓ KUMPU GUINÉ.

Esta coligação agrupa partidos leais a Umaro Sissoco Embaló, ex-Presidente da Guiné-Bissau, que concorria a um segundo mandato antes da interrupção do processo democrático.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Governo de transição da Guiné-Bissau criticou hoje o Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, o ex-Presidente moçambicano Filipe Nyusi e a eurodeputada portuguesa Marta Temido pelas análises sobre a situação atual do país.

Texto por Lusa/RTP

 O Governo de transição da Guiné-Bissau criticou hoje o Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, o ex-Presidente moçambicano Filipe Nyusi e a eurodeputada portuguesa Marta Temido pelas análises sobre a situação atual do país.

Numa declaração partilhada nas redes sociais, o ministro da Comunicação Social do Governo de transição, Aduramane Turé, começou por dizer que “há timorenses que não têm emenda” e que o Presidente, Ramos-Horta, é um desses casos.

“No passado, ele e os seus camaradas da Fretilin [Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente] agitaram a ideia de fundar um Estado timorense comunista. Essa loucura histórica provocou a invasão de Timor-Leste pela Indonésia. Depois, a Guiné-Bissau teve um papel de destaque no movimento de solidariedade com Timor, então ocupado”, contextualizou o ministro, referindo as relações históricas entre as duas comunidades lusófonas.

“A diplomacia guineense e as Forças Armadas da Guiné-Bissau foram as instituições mais relevantes na articulação dessa solidariedade guineense com o povo de Timor-Leste”, acrescentou.

Para o governante, tratar “de forma leviana e desrespeitosa os militares guineenses e, por extensão, o próprio povo guineense, revelam um claro afastamento da verdade objetiva dos factos” históricos.

“Ramos Horta traiu a responsabilidade moral que lhe é exigida enquanto figura pública, que foi um símbolo da paz”, declarou.

O executivo guineense respondeu assim às declarações de quarta-feira proferidas por Ramos-Horta à Lusa, em que este disse ser impossível ficar indiferente à arrogância de uma fação militar que não deixa a Guiné-Bissau ter um rumo normal e que é óbvio que Sissoco Embaló perdeu as eleições.

O ministro guineense disse ainda que Ramos-Horta devia questionar o ex-Presidente moçambicano Filipe Nyusi – que liderou a missão de observação eleitoral da União Africana à Guiné-Bissau -, cujas declarações Bissau considera que “ultrapassaram claramente os limites da tolerância, do bom senso e da prudência diplomática”.

Filipe Nyusi tinha declarado, a 4 de dezembro, que existia um vencedor no escrutínio eleitoral de 23 de novembro e que este deveria ser anunciado.

Por fim, o representante do executivo guineense referiu também, no discurso de hoje, que ao “coro de posições precipitadas junta-se de forma igualmente preocupante a eurodeputada portuguesa Marta Temido”.

“Ela [Marta Temido] esqueceu-se, ou ela esquece, que a Guiné-Bissau não está sob tutela de ninguém, nem da União Europeia e, menos ainda, de Portugal”, acrescentou, referindo também que a eurodeputada “ofendeu a dignidade do povo guineense com as suas declarações patéticas, esquecendo-se das relações históricas de amizade e cooperação entre o povo guineense e o povo português”.

“Como é que esta senhora (…) ainda não percebeu que era preferível calar-se do que pedir sanções contra a Guiné-Bissau, país amigo de Portugal?”, frisou.

Para si, apenas compete à Comissão Nacional Eleitoral “preparar, controlar e declarar os resultados eleitorais”.

“A Guiné-Bissau não precisa de julgamento precipitados, nem de ameaças, menos ainda de lições de moral que não recebe de ninguém”, concluiu.

A eurodeputada afirmou que a Guiné-Bissau vive a “rutura do seu Estado de direito” e “uma campanha de terror”, durante o seu discurso de quarta-feira Parlamento Europeu (PE).

Já hoje, o PE aprovou uma resolução em que condena a mudança inconstitucional na Guiné-Bissau e insta o Conselho Europeu a ponderar a imposição de medidas restritivas aos responsáveis pelo golpe de Estado e violações dos direitos humanos.

Timor-Leste assumiu terça-feira a presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), estatuto retirado à Guiné-Bissau na sequência de uma cimeira de chefes de Estado e de Governo.

O país já tinha sido suspenso da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) e da União Africana.

A oposição e figuras internacionais têm afirmado que o golpe de Estado foi uma encenação orquestrada por Umaro Sissoco Embaló, por alegadamente ter sido derrotado nas urnas, impedindo assim a divulgação de resultados e mandando deter de forma arbitrária diversas figuras que apoiavam o candidato que reclama vitória, Fernando Dias.

Entre estes está Domingos Simões Pereira, presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), enquanto Fernando Dias está refugiado na embaixada da Nigéria em Bissau.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Neste processo em específico, mando mensagem de coragem e determinação para vossa Excelência Major General e Presidente Horta Inta, igualmente para Primeiro -Ministro Ilídio Vieira Té e consequentemente ao Ministro das Relações (João Bernardo Vieira).

Concluindo: Umaro Sissoco Embaló enfrentou o Paigc como um Herói da resistência e destruiu quadrilha crônica que virou uma escrescência histórica, sim o ex-presidente da República será lembrado por essa quadrilha que representa memória da fome e da miséria extrema como um Herói e ficará na memória dos militantes Paigcistas subservientes e bajuladores para sempre. Parabéns Alto comando militar.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Família de Domingos Simões Pereira pede "prova de vida"... A família de Domingos Simões Pereira quer "uma prova de vida" do político guineense que estará detido numa esquadra de Bissau, desde o golpe de 26 de novembro, uma informação que, segundo a filha, permanece por confirmar.

Por LUSA 

Denisa Pereira disse hoje à Lusa, numa entrevista telefónica, que a família "teme pela vida" de Simões Pereira, que não consegue contactar há quase 15 dias, e que aquilo que sabe é o que lhe contam terceiros, que "supostamente ele está na segunda esquadra".

"Sem o contacto, depois de quase 15 dias, nós precisamos de uma prova de vida, se houvesse alguém, algum organismo que tivesse entrado e confirmasse que estão detidos em tal sítio e encontram-se vivos, já era qualquer coisa", afirmou.

A filha contou que a última vez que a família viu o político guineense foi "antes da hora de almoço" de 26 de novembro, dia em que, depois de um tiroteio, os militares tomaram o poder na Guiné-Bissau.

"O que eu sei do meu pai é aquilo que nos contam, supostamente que ele está na segunda esquadra, que pertence ao Ministério do Interior, e é para lá que nós temos enviado alimentação", afirmou à Lusa.

Fora isso, acrescentou, "não existe telefonema, nem existiu, não existe contacto direto" nem com a filha, "nem outro membro da família, nem com advogados, nem com nenhum membro da sociedade civil".

Denisa Pereira indicou que, "inclusive, organizações religiosas já tentaram fazer essa aproximação e ninguém conseguiu" saber de Simões Pereira e de outros políticos que terão sido detidos a 26 de novembro.

A informação da detenção, segundo disse, chegou através de pessoas que "conseguiram perceber o trajeto que foi feito" da base aérea próxima do aeroporto de Bissau, onde estaria inicialmente Simões Pereira, até ao Ministério do Interior.

Das autoridades guineenses disse não terem tido, até agora, qualquer informação.

A filha adiantou que a família decidiu "partir para outras formas de luta", que passam por "chamar a atenção da comunidade internacional, das pessoas dentro e fora da Guiné", para a situação.

"Tudo o que nós podemos fazer é chamar a atenção para aquilo que está a acontecer, explicarmos que é uma situação, [que] os direitos e liberdades e garantias das pessoas que foram detidas, nomeadamente Domingos Simões Pereira, que é o meu pai, estão a ser espezinhados completamente", declarou.

Para a família, estas pessoas encontram-se "sequestradas" por não haver uma explicação e não terem acesso à família e a advogados ou outros direitos que a lei confere.

Denisa Pereira disse ainda que a família não tem tido apoio de entidades regionais e dirigiu-se em concreto à CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) para dizer que não se sentem protegidos por esta organização, da qual a Guiné-Bissau faz parte.

Denisa lembrou que a CEDEAO esteve no país depois do golpe e que teve "encontros com alguns membros do Governo, com o Presidente de transição e não houve nenhuma movimentação no sentido de tentar chegar junto à segunda esquadra para perceber qual a real situação de Domingos Simões Pereira e demais detidos".

"Nós sentimo-nos desprotegidos, não estamos a sentir uma mão firme da parte de uma organização que devia ter uma voz firme em relação à Guiné-Bissau. Em comparação, curiosamente tivemos notícias há dois dias de uma tentativa de golpe de Estado no Benim, que é um país que faz parte da CEDEAO tal como a Guiné-Bissau, e conseguimos perceber que a CEDEAO consegue agir, às vezes, quando quer", comparou.

Denisa Pereira apontou também a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa), atualmente presidida pela Guiné-Bissau, para lamentar a falta de "voz firme".

"Toda a gente condena [o] ato e depois ficamos pela intenção, marcam reuniões distantes da data em que os acontecimentos se deram, nós não entendemos", observou.

Domingos Simões Pereira era considerado o principal adversário do Presidente guineense Umaro Sissoco Embaló, com quem disputou as presidenciais de 2019.

Simões Pereira preparava-se para voltar à corrida eleitoral, mas foi excluído das candidaturas pelo Supremo Tribunal de Justiça, assim como a coligação PAI-Terra Ranka, liderada pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Enquanto líder da coligação e do histórico partido da libertação, Simões Pereira decidiu apoiar o candidato independente Fernando Dias que reclamou vitória sobre Sissoco Embaló, que concorreu a um segundo mandato, nas eleições gerais, presidenciais e legislativas, de 23 de novembro.

Três dias depois das eleições, e um dia antes da data anunciada para a divulgação dos resultados, os militares tomaram o poder, destituíram o Presidente cessante e suspenderam o processo eleitoral.

Um Alto Comando Militar nomeou Presidente de transição o general Horta Inta-A e este deu posse a um Governo com 23 ministérios e cinco secretarias de Estado, tutelados por vários nomes ligados ao Presidente deposto.

Os militares suspenderam parcialmente a Constituição e fixaram uma estrutura política com o Presidente da República de Transição, o Alto Comando Militar, o Conselho Nacional de Transição com as funções do parlamento e o Governo de Transição.

As organizações regionais africanas de que a Guiné-Bissau faz parte, suspenderam o país dos seus órgãos, nomeadamente a CEDEAO (Comunidade Económica dos Países da África Ocidental) e a União Africana (UA).

Os chefes de Estado e de Governo da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) irão analisar a situação na próxima cimeira, com a recomendação do Conselho de Ministro de suspender e substituir a Guiné-Bissau na presidência da organização.

A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância