quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Mali: Três dias de luto após ataques que mataram dezenas de militares

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Por LUSA  11/08/22 

As autoridades malianas decretaram três dias de luto nacional a partir de hoje, depois de dois ataques terroristas terem matado dezenas de militares e polícias em todo aquele país da África Ocidental.

O Exército do Mali disse que um ataque no domingo na região norte de Gao matou 42 soldados. Num comunicado, adiantou que o ataque foi realizado por extremistas islâmicos que usaram drones, artilharia e viaturas armadilhadas.

Também no mesmo dia, cinco polícias foram mortos no sul do país, quando radicais atacaram uma esquadra perto da fronteira com o Burkina Faso. Três outros agentes continuam desaparecidos após a ofensiva à esquadra da polícia da fronteira de Sona, disse o diretor-geral da polícia nacional, Soulaimane Traore.

Na segunda-feira, terroristas do Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (GSIM, JNIM em árabe), filiado na organização Estado Islâmico, reivindicaram a responsabilidade dos ataques.

O Mali e os seus parceiros internacionais têm lutado contra extremistas islâmicos há quase uma década, e a situação revelou sinais de deterioração depois de a França ter começado a retirar as suas tropas após uma série de disputas com o Governo maliano.

Em 2013, a França liderou uma operação militar para expulsar militantes islâmicos do poder nas principais cidades do norte do Mali. Mas os 'jihadistas' reagruparam-se e começaram a realizar ataques no sul contra os militais e as forças de paz da ONU.

O plano de retirada francês aconteceu depois de uma junta liderada pelo coronel Assimi Goïta ter executado dois golpes num período de nove meses em 2020 e 2021 e da presença no país do grupo paramilitar russo Wagner.


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Notícias ao Minuto  10/08/22 

O chefe da junta militar no poder no Mali, Assimi Goïta, revelou hoje que conversou com o Presidente russo, Vladimir Putin, por telefone, um dia depois de ter recebido equipamento militar da Rússia.

"Falámos do apoio da Federação Russa à transição política maliana e saudei a qualidade da nossa parceria atenciosa da soberania do Mali e das aspirações da sua população", declarou no Twitter o líder maliano.

O Mali tem estado em tumulto desde 2012. A propagação 'jihadista', inicialmente confinada ao norte do país, estendeu-se ao centro e sul do Mali, bem como aos países vizinhos Burkina Faso e Níger.

Os coronéis, que tomaram o poder pela força em agosto de 2020 naquele país africano, relançaram a cooperação com a Rússia depois de se afastarem do antigo aliado francês empenhado na luta contra os 'jihadistas' desde 2013.

Na terça-feira, o Exército maliano recebeu novos equipamentos militares, incluindo cinco aviões e um helicóptero de combate, numa cerimónia oficial com a presença do chefe da junta militar e de militares russos, durante a qual foi elogiada a "parceria mutuamente benéfica com a Federação Russa".

O Mali acolheu em grande número desde o início do ano o que a junta apresenta como instrutores russos.

Alguns países parceiros têm denunciado, por sua vez, o uso pela junta dos serviços da empresa de segurança privada russa Wagner. A junta nega e fala de uma antiga parceria com o Exército russo.

A Rússia havia admitido em maio a presença do grupo Wagner no Mali "com caráter comercial".

Assimi Goïta também recebeu hoje Amina J. Mohammed, vice-secretária-geral das Nações Unidas, e Mahamat Saleh Annadif, chefe do gabinete das Nações Unidas para a África Ocidental e Sahel, num contexto de tensões com a organização.

Segundo a Presidência maliana, falaram de "preocupações comuns".

Há um mês, 49 soldados costa-marfinenses foram detidos em Bamako, tendo sido acusados pelos militares no poder do Mali de serem "mercenários", o que Abidjan nega, assegurando que estavam em missão para a ONU.

Quarenta e dois militares malianos foram mortos num ataque terrorista no domingo no nordeste do Mali, perto das fronteiras do Burkina Faso e do Níger, segundo informações hoje divulgadas.


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