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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

CABO VERDE: Famílias das pessoas que morreram em acidente com autocarro em Cabo Verde recebem 907 euros por vítima... Pessoas transferidas para a cidade da Praia têm alojamento e refeições garantidos num espaço próximo do Hospital Agostinho Neto, onde continuam a receber acompanhamento.

Por  cmjornal.pt/Lusa  11/09/2026 

As famílias das 25 pessoas que morreram no acidente na ilha cabo-verdiana do Fogo vão receber 907 euros por cada vítima, além de cestas básicas, através de um apoio da autarquia local em parceria com o Governo.

"Já foram identificados e estão a ser processados nas contas os apoios monetários a cada família, no valor de 100 mil escudos (907 euros)", afirmou o presidente da Câmara de São Filipe, Nuías Silva, em declarações aos jornalistas, acrescentando que o apoio é atribuído em função do número de vítimas de cada família.

"Esses apoios não são por famílias, são por vítimas", esclareceu o autarca, explicando que uma família com duas ou três vítimas receberá o apoio correspondente a cada uma.

Além do apoio financeiro, já foram distribuídas cestas básicas às famílias e está a ser prestado acompanhamento psicológico através do gabinete de crise, em articulação com a Câmara Municipal e o Governo.

As pessoas transferidas para a cidade da Praia têm alojamento e refeições garantidos num espaço próximo do Hospital Agostinho Neto, onde continuam a receber acompanhamento.

A Câmara Municipal e o Governo estão também a preparar medidas para a recuperação das famílias afetadas, incluindo intervenções nas suas habitações e a criação de atividades geradoras de rendimento.

Segundo o autarca, os projetos deverão estar concluídos para serem implementados junto das famílias depois da missa do primeiro mês das vítimas, respeitando o período de luto.

Relativamente aos funerais, Nuías Silva disse que todas as urnas já tinham sido adquiridas e que a Câmara isentou as famílias do pagamento das covas, que serão atribuídas a título perpétuo.

A autarquia pretende ainda avançar com um projeto para a construção de túmulos em granito ou mármore, para preservar a memória das vítimas.

"Por mais que possamos intervir, não conseguimos resgatar a vida dessas pessoas, mas podemos ajudar a minimizar o sofrimento das pessoas que sobreviveram e lembrar a memória daqueles que partiram", afirmou.

"Essa é a nossa missão: ajudar a mitigar o sofrimento daqueles que sobreviveram e das famílias que perderam os seus entes queridos e recordar a memória daqueles que faleceram", concluiu.

O autarca considerou a sobrevivência de alguns passageiros um "verdadeiro milagre" e defendeu homenagens às vítimas e aos envolvidos no resgate.

Nuías Silva propôs ainda que 05 de setembro passe a ser uma data de reflexão sobre segurança e prevenção rodoviária e revelou que está a ser ponderado um monumento no local do acidente, com os nomes das vítimas, além de homenagens no cemitério onde foram sepultadas.

O acidente ocorreu no sábado, em Campanas de Cima, no concelho de Santa Catarina do Fogo, quando o autocarro saiu da estrada e caiu cerca de 50 metros por uma ravina.

Morreram 25 pessoas e 13 ficaram feridas.

A maioria das vítimas eram estudantes e jovens.

O Governo cabo-verdiano decretou dois dias de luto nacional.

Equipas médicas, de emergência e de apoio psicológico foram deslocadas para a ilha do Fogo, enquanto prosseguem os trabalhos para determinar as circunstâncias do acidente.

A Estradas de Cabo Verde, empresa pública responsável pela gestão da rede rodoviária nacional, está no local para avaliar as condições da via.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

GUINÉ-BISSAU: Mais partidos e jornalismo instrumentalizado preocupam na Guiné-Bissau... O bastonário da Ordem dos Jornalistas guineenses defendeu hoje que a proliferação de formações políticas "sem matrizes clássicas" e a crescente instrumentalização do jornalismo estão a comprometer a estabilidade institucional e democrática na Guiné-Bissau.

© Lusa    08/09/2026 

A posição de António Nhaga foi publicada pelo jornal online Capital News, órgão consultado pela Lusa nas redes sociais.

Para o também editor-chefe do jornal "O Democrata", o cenário político guineense "tem assistido, desde 2018, ao surgimento contínuo de pequenos grupos" que se "autodenominam partidos políticos, mas que, na prática, divergem dos modelos clássicos de representação".

Para António Nhaga, tirando os partidos históricos e tradicionais guineenses, nomeadamente, o PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), a RGB (Resistência da Guiné-Bissau), o PRS (Partido da Renovação Social) e a UM (União para a Mudança), todas as formações políticas criadas no país "não são partidos".

As declarações surgiram no âmbito de uma análise do jornalista sobre a situação política guineense, com base nas indicações de que estará em curso a criação do Partido Popular Guineense (PPG), que tem sido atribuído ao atual primeiro-ministro de transição, Ilídio Vieira Té.

Nos últimos dias, dirigentes de várias formações políticas têm apresentado renúncias aos seus partidos, alegadamente para se juntarem ao PPG, ainda não anunciado formalmente.

"Estas novas formações funcionam frequentemente como estruturas de interesses particulares, propensas às alianças a facções militares para promover a instabilidade e fomentar golpes de Estado, uma tendência na qual se enquadra o recente debate em torno do autoproclamado Partido Popular Guineense", assinalou António Nhaga.

O analista sublinhou que a fragmentação política na Guiné-Bissau tem gerado reflexos diretos na coesão dos próprios partidos tradicionais, citando os casos do PRS, que, disse, enfrenta divisões internas refletidas em três a quatro facções, enquanto o PAIGC lida com pressões e ameaças de cisão fomentadas externamente.

"Tudo isso acontece num contexto onde está na moda assaltar o Estado e assumir o poder", frisou Nhaga, para quem a crise de governação e o enfraquecimento institucional arrastaram igualmente o setor da imprensa guineense.

O cenário, disse o bastonário da Ordem dos Jornalistas, acaba por gerar um fenómeno em que profissionais da comunicação social, ou indivíduos que exercem a atividade, assumem o papel de "bocas de aluguer", limitando-se a defender agendas de pequenos grupos políticos.

"O ambiente informativo guineense caracteriza-se por uma crescente polarização onde o contraditório é penalizado ao ponto de quem procura escrutinar e apresentar contrapontos à narrativa dos detentores do poder é rotulado de imediato como militante do PAIGC ou de outras forças da oposição", salientou.

Na opinião de Nhaga, a anulação prática do contraditório jornalístico independente "é uma estratégia intencional que alimenta a atual balbúrdia política" no país.

Diante deste cenário de "erosão democrática", o jornalista considera ser urgente que se crie uma frente unida entre os profissionais da comunicação social na Guiné-Bissau.

O resgate da imprensa enquanto "quarto poder" independente, pautado pela solidariedade mútua entre jornalistas, é para Antonio Ngaga "um pré-requisito fundamental para devolver o país aos eixos" da legalidade democrática e restabelecer o contraditório na esfera pública.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Meloni bate recorde de longevidade em Itália, mas reeleição está tremida... A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni torna-se, na sexta-feira, a líder do Governo com maior longevidade em 80 anos de história de Itália, mas tem a continuidade está longe de assegurada nas legislativas de 2027.

© Hamad Al Kaabi/UAE Presidential Court/Handout via REUTERS   LUSA  03/09/2026 

Líder do partido conservador nacionalista Irmãos de Itália – que se uniu a duas outras forças de direita para formar a coligação governamental, o Força Itália (direita) e a Liga (extrema-direita) –, Meloni mantém-se popular em Itália e pode agora reivindicar ser garante de uma estabilidade muito rara na cena política italiana, onde em média os governos duram 13 meses, mas as próximas eleições prometem ser um grande desafio. 

Além de o centro-esquerda estar a ganhar força, embalado por alguns triunfos em eleições locais e pela vitória alcançada há poucos meses num importante referendo sobre a reforma do setor da Justiça com a rejeição da proposta do Governo, surgiu este ano, ainda mais à direita dos Irmãos de Itália, um novo partido radical, Futuro Nacional, que ameaça fraturar o eleitorado dos três partidos atualmente no poder.

Com poucos resultados palpáveis para apresentar ao fim de quase quatro anos no poder, sendo praticamente nulas as reformas estruturais prometidas, Meloni reivindica ter moldado a nova política de combate à imigração irregular na União Europeia (UE) e ter recolocado a Itália num lugar de destaque a nível de política externa, mas quando os italianos forem chamados às urnas no próximo ano para escolher o novo governo, tais trunfos podem representar pouco, num país que continua a sofrer com o custo de vida e serviços públicos deteriorados.

Eis alguns pontos essenciais do recorde fixado pela primeira-ministra Giorgia Meloni enquanto líder do Governo com maior longevidade da história da República Italiana:

Meloni supera longevidade dos governos de Berlusconi

Ao alcançar a marca de 1.413 dias, Giorgia Meloni torna-se a chefe do Governo com maior longevidade em Itália desde a II Guerra Mundial e a implementação da República (1946), superando o registo do magnata Silvio Berlusconi, que ocupa agora os segundo e terceiro postos do 'pódio'.

Até agora, o executivo com maior tempo de vida numa República Italiana marcada por sucessivas quedas de governo era o segundo governo de Berlusconi, fundador do Força Itália (direita), que durou 1.412 dias, entre 11 de junho de 2001 e 23 de abril de 2005.

Berlusconi, falecido em junho de 2023, encabeçou também aquele que é o terceiro governo italiano com maior longevidade (1.283 dias), o quarto executivo que liderou em Itália, entre 08 de maio de 2008 e 16 de novembro de 2011.

Na quarta posição encontra-se o primeiro governo de centro-esquerda, liderado por Bettino Craxi (socialista) durante 1.058 dias, entre 04 de agosto de 1983 e 01 de agosto de 1986.

A primeira mulher PM à frente do governo mais à direita desde Mussolini

Fruto da vitória do seu partido pós-fascista Irmãos de Itália nas eleições de 2022, Giorgia Meloni tornou-se a primeira mulher a assumir a chefia de um governo em Itália, por sinal aquele mais à direita desde o ditador Benito Mussolini, pelo qual a atual primeira-ministra admitiu, enquanto jovem, ter admiração.

Apesar de, nos últimos anos, se esforçar por se afastar da ideologia fascista, que diz ter sido "remetida para a história há décadas pela direita italiana", Meloni tarda em dissipar as acusações do centro-esquerda de nutrir simpatia pelo fascismo.

Líder de um partido que se reconhece no lema "Deus, Pátria e Família", pelo qual se candidataram em eleições recentes descendentes (uma neta e um bisneto) de Benito Mussolini, e também presidente da família política europeia dos Conservadores e Reformistas Europeus, que alberga forças de extrema-direita como o espanhol Vox, Meloni, alega a oposição, permanece "refém de um passado do qual não se consegue distanciar".

Certo é que, depois de a sua eleição em 2022 ter feito soar os alarmes em Bruxelas, por receio de Itália se tornar um problema no funcionamento da União Europeia, Meloni rapidamente dissipou quaisquer temores, adotando uma postura diplomática, construtiva e europeísta, incluindo no apoio inequívoco à Ucrânia, tendo para tal tido várias vezes que 'silenciar' um dos seus parceiros de coligação, Matteo Salvini, próximo de Moscovo.

Combate à imigração ilegal a grande 'bandeira' de um governo com poucas reformas

Acusado pela oposição de não ter levado a cabo as reformas estruturais de que o país precisa, o Governo reivindica como uma das suas grandes vitórias a sua política em matéria de imigração irregular, vista como um exemplo a seguir por vários países da União Europeia.

O Governo de Meloni prometeu combater a imigração ilegal e, efetivamente, as chegadas irregulares a Itália diminuíram significativamente graças a uma política de 'mão dura' –"desumana", no entender de organizações não-governamentais –, que teve como maiores símbolos os polémicos centros de deportação de migrantes inaugurados na Albânia e a adoção de legislação para dificultar as operações de resgate de migrantes no Mediterrâneo e desembarque em solo italiano.

Os centros abertos na Albânia, e durante muito tempo mantidos vazios por diferentes acórdãos da Justiça italiana que exasperaram o executivo de Meloni, acabaram por ser 'legalizados' pelo novo Pacto sobre Migração e Asilo da UE, que tem muito o cunho do executivo italiano.

No entanto, com estudos de opinião a revelarem que os italianos estão particularmente insatisfeitos com o aumento do custo de vida, a estagnação dos salários e a deterioração dos serviços públicos, designadamente o sistema de saúde, o combate aos imigrantes ilegais pode ser um trunfo demasiado curto, até porque constitui também a 'bandeira' de outras forças radicais de direita que poderão beneficiar do descontentamento de eleitorado dos Irmãos de Itália.

De potencial interlocutora de Trump às zangas com o Presidente dos EUA

Com o regresso de Donald Trump à Casa Branca após as eleições de 2024, Meloni nunca escondeu a ambição de se tornar a principal interlocutora da nova administração norte-americana com a União Europeia, assumindo um papel de relevo na cena internacional e de "ponte" entre EUA e Europa.

Contudo, o que começou como uma relação muito promissora – Meloni foi a única líder europeia a marcar presença na tomada de posse de Trump para o seu segundo mandato e eram frequentes as trocas de elogios – rapidamente 'descambou' este ano, com o Presidente norte-americano a passar a hostilizar aquela que era até recentemente uma das suas grandes aliadas.

O choque teve início em abril, na sequência das duras críticas do Presidente norte-americano ao Papa Leão XIV, que acusou de ser "fraco" em relação ao crime e "péssimo" em política externa, o que mereceu reparos de Meloni, de que Trump não gostou.

A recusa de Roma em permitir que os Estados Unidos usassem as suas bases militares em Itália para lançar ataques ao Irão levaram à deterioração definitiva das relações, com o Presidente norte-americano a acusar a primeira-ministra italiana de o ter "abandonado" e de ser uma "desilusão".

Meloni perdeu de vez a paciência para as provocações de Trump depois de, em junho e julho, o Presidente norte-americano a ter atacado pessoalmente, primeiro ao garantir que a primeira-ministra italiana lhe tinha "implorado" para tirarem uma foto juntos na cimeira do G7, e depois com uma publicação nas redes sociais de uma fotografia de Meloni a olhar com um sorriso na sua direção, acompanhada da frase "É necessária uma ordem de restrição".

A primeira-ministra italiana foi particularmente dura na resposta, acusando Trump de inventar falsidades, e garantiu que não voltaria a responder a provocações.

Irmãos de Itália, de Meloni, sempre à frente nas sondagens, mas esquerda ameaça

Tal como sucede desde as eleições que lhe permitiram chegar ao poder, em 2022, Meloni continua a liderar as sondagens, com o seu partido Irmãos de Itália a seguir em primeiro lugar com cerca de 27% das intenções de voto, em linha com o resultado alcançado há sensivelmente quatro anos.

No entanto, de acordo com as mais recentes sondagens, a grande coligação de esquerda, o chamado "Campo Largo", que ainda não elegeu um líder para fazer frente a Meloni mas parece apostado em superar as tradicionais divisões que marcam a esquerda italiana, está a encurtar distâncias, com a principal força da oposição, o Partido Democrático (PD), de Elly Schlein, a ter cerca de 20,7% das intenções de votos, seguindo-se, no terceiro lugar, o Movimento Cinco Estrelas, que faz parte do tal "campo largo", com 12,7%.

As próximas eleições legislativas terão de se realizar até 22 de dezembro, mas muito provavelmente terão lugar meses antes, eventualmente até na próxima primavera.

Meloni sofreu este ano primeiro desaire nas urnas

Eleita presidente dos Irmãos de Itália em 2014, Meloni teve uma trajetória ascendente até chegar, em outubro de 2022, ao Palácio Chigi, sede do Governo italiano, tendo conhecido apenas este ano a primeira grande derrota nas urnas, a sensivelmente um ano de novas eleições legislativas.

Desde que assumiu o poder, o Governo de Meloni tem atacado sistematicamente o poder judicial, acusando-o de estar "politizado" e a minar o seu trabalho, e a reforma do setor era provavelmente a grande prioridade da legislatura, mas foi chumbada de forma clara, com o "não" (apoiado pela oposição) a vencer com perto de 54% e cerca de mais dois milhões de votos do que o "sim".

O resultado foi tanto mais significativo dado a afluência às urnas, num referendo que nem precisava de quórum de participação mínima, ter sido a segunda mais alta de sempre em referendos confirmativos (59%), superando por exemplo por larga margem a afluência registada em Itália nas últimas eleições europeias de 2024 (49,7%).

De acordo com a generalidade dos analistas, tal afluência deu um cariz mais político ao referendo, quase de moção de confiança, tendo Meloni arriscado demais com uma consulta que ditou o fim da sua aura de invencibilidade, intocável até à realização do referendo, e deu novo fôlego à oposição, que passou a apresentar-se como uma alternativa viável.

General Vannacci, a nova ameaça (ainda mais) à direita

A coligação encabeçada por Meloni corre o risco de ver parte do seu eleitorado virar-se para Roberto Vannacci, um antigo general que critica regularmente os migrantes e a comunidade LGBTQ+ e que, mês após mês, tem visto a sua popularidade crescer.

Recém-criado, o seu partido, Futuro Nacional, conta já, de acordo com as mais recentes sondagens já após a pausa de verão, com cerca de 7,5% das intenções de voto, superando mesmo quer o Força Itália (7,1%), quer a Liga (5,7%), partidos liderados respetivamente por Antonio Tajani e Matteo Salvini, os dois vice-primeiros-ministros do atual Governo.

Meloni quer uma nova lei eleitoral – à sua medida, segundo a oposição

Com as próximas eleições parlamentares a aproximarem-se, o Governo de Meloni pretende alterar o sistema eleitoral italiano, propondo um bónus de assentos parlamentares para um bloco político que obtenha um resultado acima de determinada fasquia.

O executivo de direita e extrema-direita defende esta reforma com o argumento de que tal criaria governos mais fortes e estáveis num país onde os executivos, por regra, não terminam a legislatura, mas a oposição é unânime em apontar que a mesma visa apenas e só beneficiar de forma desproporcional a coligação conservadora e aumentar as suas hipóteses de se manter no poder.

Num editorial publicado esta semana, intitulado "O termómetro do medo de Giorgia Meloni", o jornal La Repubblica nota que, na sua versão original, a proposta da primeira-ministra previa um bónus de 70 deputados e 35 senadores ao bloco político que conseguisse chegar aos 45% dos votos – numa altura em que as sondagens apontavam para intenções de voto nessa ordem para os partidos da coligação –, tendo entretanto descido para 40%, ou mesmo 38%, precisamente o que os estudos de opinião agora atribuem ao Governo.

Também esta reforma da lei eleitoral poderá 'cair', não só porque há dúvidas em torno da sua constitucionalidade, mas também porque mesmo os dois atuais aliados de Meloni – Força Itália e Liga – não estão muito convencidos de virem a ser beneficiados com uma mudança à lei que receiam ser feita à medida dos Irmãos de Itália, de forma mais destacada o partido mais popular na direita italiana.


Leia Também: Governo mais duradouro de Itália: Meloni estabelece recorde (1.413 dias)

O governo de direita radical liderado por Giorgia Meloni torna-se na sexta-feira o executivo mais duradouro dos 80 anos de história da República Italiana, marcada pela instabilidade política, com constantes mudanças de executivo, nada menos que 68.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Colapso de glaciar na origem da tragédia no Nepal... A temperatura aumentou e a neve derreteu, provocando uma avalanche de rochas e gelo. Há três portugueses desaparecidos.

 cmjornal.pt 28 de agosto de 2026 

Subiu para três o número de portugueses desaparecidos na tragédia do Nepal. Inicialmente, pensou trata-se de um terramoto. 

O Serviço Geológico dos Estados Unidos chegou a registar um sismo de magnitude 4.4 na região, antes do mar de lama e pedras cruzar a fronteira entre o Nepal e o Tibete. Não parecia suficientemente intenso para provocar tamanha reação da Natureza, apenas o facto de ter sido registado a pouca profundidade, a cerca de 10 quilómetros da superfície, poderia justificar o que estava a acontecer. 

Só mais tarde se percebeu a origem do fenómeno: o colapso de um glaciar, a mais de cinco mil metros de altitude, na região montanhosa dos Himalaias, que provocou uma avalanche de rochas e gelo, e atingiu o rio Lhende Khola, criando uma barreira natural. Sob a forte pressão da água, a barreira acabou por ceder, levando tudo à sua frente, com a violência de um tsunami.

Colapso de glaciar na origem da tragédia no Nepal 

Ainda é prematuro para fazer o balanço da tragédia. O número de mortos e desaparecidos, muitos deles estrangeiros, entre os quais três  portugueses (um homem e duas mulheres), aumenta a cada minuto que passa. Até ao fim do dia desta quinta-feira já tinham sido contabilizadas mais de 350 vítimas mortais, desconhecendo-se ainda o paradeiro de mais de 1300 pessoas. Mas são números provisórios. 

Há zonas de difícil acesso, onde as equipas de resgate não conseguem chegar. Ainda assim, policias, militares, escoteiros, voluntários e socorristas já resgataram com vida mais de 500 pessoas. As imagens de quem sobreviveu são impressionantes. Os seus corpos estão completamente cobertos de lama. 

Á luta contra o tempo para encontrar quem resistiu à enxurrada, junta-se uma outra preocupação. "O lago que se formou (após a avalanche) no rio ainda não recuou completamente", segundo os primeiros relatórios da situação de emergência. "A possibilidade de outro deslizamento de lama não pode ser, para já, descartada", alerta.

Cenário que pode agravar-se, caso se confirmem as previsões meteorológicas para os próximos dias, que para períodos de chuva. Os detritos resultantes do colapso do glaciar, que resultou da grande quantidade de neve que derreteu abruptamente nas 24 horas anteriores à tragédia face ao aumento súbito da temperatura na região, continuam a formar barreiras naturais instáveis ao longo dos rios, não sendo de excluir novas enxurradas. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Mais de 250 mortos e 1500 desaparecidos no Nepal. Há 700 turistas, entre os quais dois portugueses, por localizar... Último balanço aponta para 700 mortes e 1500 desaparecidos

Nepal (Getty Images)  CNN Portugal,  27/08/2026

Os números da tragédia no Nepal aumentam a cada hora que passa. Na manhã desta quinta-feira, o balanço apontava para pelo menos 270 mortos do lado do Nepal e 1.500 desaparecidos na enxurrada. Destes últimos, mais de 700 estrangeiros, incluindo dois portugueses.

O mau tempo, as estradas bloqueadas e as próprias características do terreno estão a dificultar o resgate.

Balanço de mortes 

As autoridades nepalesas recuperaram 270 corpos. A China reportou três mortes. É certo que o número de vítimas mortais vai continuar a disparar nas próximas horas e nos próximos dias, dado que muitas das vítimas estão soterradas pela lama.

700 turistas com paradeiro incerto

Do lado do Nepal fala-se em 826 desaparecidos. Do lado chinês, outros 558, no território tibetano de Gyirong. Mas os balanços mais recentes na imprensa falam já em mais de 1.500 desaparecidos.

O número de estrangeiros desaparecidos – mais de 700, que resulta do somatório dos dados da China e do Nepal - é particularmente alto porque uma das zonas mais atingidas é a da fronteira entre os dois países.

Entre os estrangeiros desaparecidos estão dois portugueses, como confirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal.

A nacionalidade mais representada é a indiana, com quase 200 desaparecidos. Destaque também para mais de 60 americanos e 50 ucranianos.

Lista divulgada pelas autoridades:

Índia: 178

Estados Unidos: 65

Malásia: 55

Ucrânia: 53

Austrália: 35

Reino Unidos: 33

Canadá: 25

Coreia do Sul e Singapura: 9

Alemanha e Rússia: 8

África do Sul e Letónia: 6

Japão e Nova Zelândia: 5

Além dos dois portugueses desaparecidos, há ainda cidadãos de Bielorrússia, Bélgica, Bulgária, Cazaquistão, Espanha, Filipinas, Finlândia, França, Hungria, Irlanda, Israel, Itália, Lituânia, Países Baixos, Sérvia, Suíça e Suécia.

Resgates e evacuações

É um esforço contra o tempo no terreno. As autoridades chinesas dizem que as equipas médicas já evacuaram mais de 360 residentes para áreas seguras. Por sua vez, o Nepal refere que foram resgatadas 123 pessoas, 29 delas estrangeiras.

Segundo a polícia nepalesa, estão no terreno mais de sete mil operacionais. O lado chinês não revelou o seu efetivo.

Possíveis causas

As autoridades estão ainda a avaliar o que estará na origem desta enxurrada. Chegou a ser considerada a possibilidade de rutura ou transbordamento de um lado glaciar no Tibete. O governo nepalês já mencionou um terramoto.

O serviço geológico dos EUA fala num deslizamento de terras de magnitude 5,2, localizando a sua origem a cerca de 55 quilómetros a noroeste de Kodari.

Os cientistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas já vieram alertar para o risco de novas inundações, uma vez que os sedimentos transportados pela enxurrada podem criar barragens naturais.


Leia Também: Cerca de 15.800 mortes relacionadas com o calor este verão na Alemanha

Cerca de 15.800 pessoas morreram até 16 de agosto na Alemanha devido às ondas de calor, alcançando um novo máximo, segundo estimativas publicadas hoje pelo Instituto Robert Koch (RKI), a autoridade de saúde pública da Alemanha.

Nepal: exército resgata 123 pessoas com vida após cheias, 29 estrangeiras... O Exército nepalês e as forças de segurança resgataram hoje 123 pessoas com vida, 29 das quais com cidadania estrangeira, que estavam isoladas após a cheia repentina do rio Bhotekoshi, no distrito de Rasuwa, na fronteira com o Tibete.

Nepal (AP)  Por cnnportugal.iol.pt /Lusa,  27/08/2026

Há dois portugueses desaparecidos

De acordo com os dados mais recentes da Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal, um contingente militar transportou por via aérea 95 pessoas de Timure para Dhunche, a capital do distrito.

A polícia nepalesa elevou hoje o número de mortos para 177 após as devastadoras inundações repentinas na fronteira com o Tibete, onde as forças de segurança realizam uma grande operação de busca depois de o rio Bhotekoshi ter transbordado.

As operações prosseguem para tentar transportar por via aérea de estrangeiros para Katmandu, enquanto trabalham simultaneamente no resgate aéreo de um grupo de 21 turistas indianos que se encontravam em Timure e na retirada de vários trabalhadores ainda retidos na central hidroelétrica de Haku.

O governo nepalês intensificou as operações de ajuda ao longo do leito do rio e nas zonas devastadas, mobilizando mais de 7.400 agentes de segurança e helicópteros das forças armadas, da polícia e do setor privado.

De acordo com a autoridade de gestão de emergências, a inundação destruiu ou danificou 35 pontes rodoviárias, 45 pontes suspensas e 40 quilómetros de estradas pavimentadas, dificultando o acesso às zonas afetadas.

A súbita enxurrada de água, lama e pedras também impactou o setor energético no corredor dos rios Bhotekoshi e Trishuli, onde pelo menos 12 projetos hidroelétricos sofreram danos graves.

Dezenas de técnicos e engenheiros destas instalações estão entre os mais afetados pelo isolamento, após o colapso de túneis e infraestruturas de acesso.

O último balanço oficial aponta para 826 desaparecidos no Nepal, incluindo 466 estrangeiros.

Outras 558 pessoas estão desaparecidas no Tibete, aguardando um acordo formal entre os dois países sobre a forma de compilar os dados.

Sunil Sharma, porta-voz do organismo de turismo do Nepal, afirmou que entre os desaparecidos estavam 133 cidadãos indianos que participavam numa peregrinação ao monte Kailash, no Tibete, um local sagrado para os hindus.

Estavam também desaparecidos 47 cidadãos dos Estados Unidos, 34 da Austrália, 33 do Reino Unido e 24 do Canadá, segundo o responsável.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros disse à Lusa que pelo menos dois cidadãos portugueses, um homem e uma mulher, estão entre os desaparecidos.

sábado, 22 de agosto de 2026

Ataque russo a shopping causou 16 mortos, Kiev responde e atinge refinaria... O ataque russo a um centro comercial em Kivi Rih causou um total de 16 mortos, anunciou hoje o Presidente ucraniano, no dia em que a Ucrânia fez um novo ataque a uma refinaria no sul da Rússia.

Stringer - Reuters   Por  rtp.pt   22 Agosto 2026

"Em Kivi Rih, prosseguem as operações de resgate após o ataque russo a um centro comercial. O incêndio, que se alastrou por uma área de 9.000 metros quadrados, foi extinto", afirmou Zelenski na sua conta do X, acrescentando que continuam as buscas por pessoas presas entre os escombros na sua cidade natal.

Na sua mensagem, Zelenski pediu mais apoios para repelir os bombardeamentos, dando o exemplo de outros ataques esta madrugada, um em Kiev (uma infraestrutura ferroviária foi afetada e uma pessoa morreu) e outro contra um miniautocarro em Zaporijya, causando três feridos.

"Cada dia que passa sem que a Ucrânia disponha de defesas antiaéreas suficientes implica mortes que poderiam ter sido evitadas", acrescentou.

"A proteção de vidas humanas exige a tomada de decisões diárias e o apoio efetivo de todo o mundo e, neste preciso momento, o envio de intercetores de mísseis e de mísseis poderia ajudar", afirmou ainda Zelenski.

Também esta madrugada drones ucranianos atacaram uma refinaria na região russa de Samara, 855 quilómetros a sudeste de Moscovo, segundo notícias divulgadas por canais do Telegram, citando testemunhas oculares.

Essas instalações já tinham sido alvejadas em abril passado, o que, segundo os meios de comunicação, a obrigou a suspender totalmente as suas operações.

A refinaria pertence à maior petrolífera do país, a Rosneft, que está a ter dificuldades em fornecer combustível aos condutores nas estações de serviço.

A empresa Ozon, outro gigante do comércio eletrónico tal como a Wildberries, também confirmou hoje o primeiro ataque ucraniano às suas instalações em Samara.

As autoridades russas reconheceram que o país está a atravessar a "segunda fase" da crise de combustível devido à intensificação dos ataques ucranianos à infraestrutura petrolífera.

Na quarta-feira, soube-se que pelo menos duas redes de postos de abastecimento voltaram a restringir as vendas de combustível em Moscovo.

Para além de limitar a venda de combustível, o Governo russo autorizou a venda de gasolina abaixo dos padrões de qualidade habituais, numa tentativa de conter a crise no mercado.

O Presidente russo, Vladimir Putin, tentou minimizar a importância dos bombardeamentos ucranianos: "estes ataques não têm consequências graves, nunca tiveram nem terão".

Mas depois admitiu que "prejudicam" a economia nacional.


Leia Também: Ucrânia? Macron manifesta "horror" e anuncia novos mísseis "intercetores"

O presidente francês manifestou hoje o seu "horror" e a sua "emoção", após os últimos ataques russos que atingiram um centro comercial na Ucrânia, anunciando o envio de novos mísseis "intercetores" para defesa daquele país.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Coordenador humanitário da ONU condena ataque russo a centro comercial... O coordenador humanitário da ONU para a Ucrânia, Matthias Schmale, condenou hoje o "ataque descarado" da Rússia a um centro comercial na cidade ucraniana de Kryvyi Rig, que fez dezenas de mortos e feridos, incluindo crianças.

© Lusa      21/08/2026 

"As imagens de moradores mortos e feridos num movimentado centro comercial na tarde de sexta-feira são absolutamente estarrecedoras", lamentou Schmale em comunicado.

Segundo o mais recente balanço, pelo menos 19 pessoas morreram e mais de 130 ficaram feridas, incluindo 23 crianças, num ataque de um drone russo num centro comercial em Kryvyi Rig, na região ucraniana de Dnipropetrovsk.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou o ataque como um "golpe absolutamente cínico e covarde".

Um segundo ataque foi lançado meia hora depois dos primeiros ataques, enquanto as equipas de resgate operavam, segundo a ONU.

Em comunicado, o coordenador humanitário da ONU para a Ucrânia frisou que o direito internacional humanitário proíbe ataques indiscriminados contra civis e bens civis.

"Os civis devem ser protegidos em todos os momentos», insistiu, lembrando que, nas últimas semanas, ataques em diversas cidades densamente povoadas da Ucrânia destruíram ou danificaram casas, um hospital, uma escola, mercados, autocarros públicos e, hoje, um centro comercial, afetando drasticamente a vida dos moradores locais.

Kryvyi Rig, terra natal de Zelensky, tem sido alvo frequente de ataques aéreos russos desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

O ataque de hoje ocorre apenas 24 horas depois de a Rússia ter bombardeado a capital ucraniana, Kyiv, com dezenas de mísseis e drones durante a noite, matando pelo menos 16 pessoas, a poucos dias da celebração do 35.º aniversário da independência da Ucrânia, que se assinala na segunda-feira.

"Esse tipo de ataque é, simplesmente, um ato de terrorismo. E a comunidade internacional deve reagir de acordo: com pressão real sobre o agressor. Para que haja paz, a Rússia precisa de assumir uma responsabilidade real", afirmou hoje Zelensky.

Zelensky afirmou ter discutido "os ataques russos em curso e as numerosas vítimas civis" numa chamada telefónica com o secretário-geral da ONU, António Guterres.

As forças de Moscovo intensificaram nos últimos meses os seus ataques com mísseis balísticos contra Kyiv, explorando a escassez crónica de intercetores de defesa aérea norte-americanos Patriot.

As Nações Unidas alertaram na semana passada que Kyiv foi uma das cidades mais atingidas em julho, com pelo menos 54 civis mortos e 202 feridos.

Ao longo dos últimos meses, os bombardeamentos em grande escala tornaram-se numa ocorrência frequente na Ucrânia, enquanto as forças de Kyiv realizam ataques em profundidade contra infraestruturas em território russo, sobretudo energéticas, provocando graves danos à economia do país.


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As forças de segurança da Nigéria resgataram 88 pessoas que tinham sido sequestradas por homens armados em duas operações distintas realizadas nos estados de Kaduna e Benue, no norte e centro do país, anunciaram hoje as autoridades.

domingo, 16 de agosto de 2026

Irão dá recompensa de 30 mil a quem matar ou capturar soldados dos EUA... O exército iraniano anunciou hoje uma recompensa de 30 mil dólares (cerca de 26 mil euros) para quem matar ou capturar um soldado norte-americano, sendo o montante duplicado se a ação for levada a cabo por mulheres.

© Iran International    Por  LUSA  16/08/2026 

"Quem matar ou capturar e entregar ao Exército da República Islâmica do Irão um soldado norte-americano invasor receberá uma recompensa equivalente a 30 mil dólares, ou cinco mil milhões de tomans" (moeda informal equivalente a 10 mil riais iranianos), anunciou o chefe do Estado-Maior do Exército, Amir Hatami, citado pela agência noticiosa oficial iraniana, IRNA, afirmou que o programa foi implementado após "numerosos pedidos" de pessoas dispostas a contribuir financeiramente.

O chefe do Estado-Maior do Exército afirmou que o programa foi implementado após "numerosos pedidos" de pessoas dispostas a contribuir financeiramente, avançou a IRNA.

Ao utilizar o termo "invasor", Amir Hatami sugere que se refere a uma situação em que o território iraniano seja violado.

Não há registos de qualquer destacamento de tropas terrestres norte-americanas no Irão durante a guerra no Médio Oriente, com exceção de uma missão de resgate, em abril, para salvar um piloto norte-americano cujo avião se tinha despenhado.

"As corajosas mulheres iranianas que realizarem tal ação receberão o dobro da recompensa", acrescentou Amir Hatami.

A guerra entre Teerão e Washington começou em 28 de fevereiro com ataques aéreos conjuntos dos Estados Unidos (EUA) e de Israel contra a República Islâmica, que retaliou lançando ataques contra os Estados do Golfo aliados a Washington.

Foi alcançado um cessar-fogo em abril, seguido de um acordo preliminar em junho para conversações de paz, que posteriormente falhou.

Desde então, o Irão e os EUA têm trocado ataques esporádicos, concentrados sobretudo em torno do estratégico Estreito de Ormuz.

ZIMBABUÉ: Número de mortos no naufrágio no Zimbabué subiu para 80... O número de mortos no naufrágio de um barco no Lago Kariba, no Zimbabué, esta semana, subiu para 80 após a recuperação, hoje, de mais corpos, anunciou a polícia zimbabueana.

© Jekesai NJIKIZANA / AFP via Getty Images    Por LUSA  16/08/2026 

Num comunicado na rede social X da Polícia da República do Zimbabué (ZRP), refere-se que "o número de mortos no acidente com o barco da RIDA (Agência de Desenvolvimento de Infraestruturas Rurais) em Kariba atingiu os 80, após a recuperação de mais oito corpos em 16 de agosto".

Na passada sexta-feira, a polícia divulgou a identidade das 44 vítimas identificadas até ao momento, incluindo 18 crianças, com idades entre 1 e 5 anos, além de crianças mais velhas.

O naufrágio ocorreu na tarde de terça-feira e envolveu um barco da RIDA que fazia a travessia entre as cidades de Chalala e Kariba.

Embora os relatos iniciais indicassem que a embarcação transportava 120 pessoas, as investigações policiais sugerem que o número pode ser superior, apesar da capacidade máxima autorizada do barco ser de 90 pessoas, segundo disse fonte do Centro de Coordenação de Resgate Marítimo do Zimbabué (ZRP), na quarta-feira passada.

Na altura, a Polícia afirmou que 67 pessoas tinham sido resgatadas, embora a Unidade de Proteção Civil (CPU), a agência de gestão de catástrofes do Zimbabué, tenha divulgado o número de sobreviventes em 77, que nadaram até à costa ou foram arrastados para um ilhéu próximo, de onde foram retirados por barcos de resgate.

Dada a magnitude da tragédia, o Presidente do Zimbabué, Emmerson Mnangagwa, declarou o estado de calamidade pública para mobilizar recursos militares, mergulhadores de resgate e aeronaves.

O Presidente reconheceu publicamente que o incidente expôs graves deficiências nos sistemas de inspeção e segurança marítima do país.

O Lago Kariba, o maior reservatório artificial do mundo em volume, com uma capacidade de aproximadamente 180 quilómetros cúbicos, foi criado pela construção da Barragem de Kariba, erguida entre 1956 e 1959 por engenheiros italianos no Rio Zambeze, na fronteira entre o Zimbabué e a Zâmbia.

Além de abastecer a Central Hidroelétrica de Kariba, este corpo de água é uma importante rota de transporte na região.

A mais recente reabilitação desta central elétrica foi financiada pela União Europeia (UE), que contribuiu com 113 milhões de euros para um projeto lançado há mais de dez anos com outros parceiros, como o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), tendo as obras arrancado em 2017.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

COLÔMBIA: Sismo na Colômbia deixa hospitais sobrecarregados e leva a recolher obrigatório... Os hospitais estão sobrecarregados na Colômbia, onde duas cidades impuseram o recolher obrigatório para evitar pilhagens após o sismo de segunda-feira, que deixou pelo menos 132 mortos e mais de 570 feridos.

© Raul ARBOLEDA / AFP      Por  LUSA  11/08/2026 

Em Cali, capital do Valle del Cauca, a câmara decretou o recolher obrigatório entre as 20h00 de segunda-feira e as 06h00 de hoje (entre as 02h00 e as 12h00 de hoje em Lisboa), além da militarização da cidade, devido a ameaças de pilhagens e para facilitar o trabalho das equipas de emergência.

"Temos ameaças de pilhagens, por isso ordenei o recolher obrigatório e a militarização de Cali", afirmou o autarca Alejandro Eder, que explicou que a presença da polícia e do exército será reforçada, sobretudo nas zonas mais afetadas.

Eder indicou que as primeiras 48 horas são críticas para o resgate de pessoas com vida que ainda possam estar presas em edifícios que ruíram.

No âmbito do reforço das operações de emergência, a cidade vai receber 60 socorristas de Bogotá e outros 32 membros das Forças Armadas.

Os hospitais de Cali também declararam alerta vermelho, atingindo 100% da sua capacidade após o sismo que fez pelo menos 26 mortos e 456 feridos na cidade, segundo o secretário de Saúde local, Germán Escobar.

Quatro grandes centros médicos tiveram de ser completamente evacuados, incluindo o Hospital Universitário Evaristo García do Valle, que sofreu o colapso parcial de uma das suas alas.

Pelo menos 132 pessoas morreram e mais de 570 ficaram feridas após o sismo de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na segunda-feira, segundo um balanço parcial da Associação Colombiana de Capitais (Asocapitales).

De acordo com o balanço, o maior número de vítimas mortais, 60, foi registado em Pereira, capital do departamento de Risaralda, que faz fronteira com San José del Palmar (Chocó), epicentro do sismo, ocorrido às 07h34 (13h34 em Lisboa).

O presidente da Câmara de Pereira, Mauricio Salazar, decretou na segunda-feira o recolher obrigatório para evitar pilhagens após o sismo.

"A partir das 18h00 de hoje [segunda-feira; 00h00 de hoje em Lisboa], decretamos recolher obrigatório até às 05h00 da manhã para proteger o comércio da cidade. O recolher obrigatório estará em vigor no centro de Pereira, no bairro universitário e no subdistrito de Cuba", disse Salazar.

"Alguns hospitais ruíram devido à procura, temos 18 edifícios que foram reportados como completamente destruídos e 60 edifícios que foram parcialmente afetados", acrescentou o autarca de Pereira, cidade com cerca de 490 mil habitantes.

O transporte aéreo sofreu interrupções significativas e vários aeroportos nas regiões centro e oeste da Colômbia suspenderam as operações enquanto são realizadas avaliações estruturais dos terminais.

A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), por sua vez, suspendeu dois jogos das competições continentais previstos para esta semana na Colômbia.

O Deportes Tolima iria receber em Ibagué os equatorianos do Independiente del Valle, em partida dos oitavos de final da Taça dos Libertadores, enquanto para Bogotá estava marcado o jogo entre o Santa Fe e os argentinos do River Plate.

A comunidade internacional começou a mobilizar recursos e equipamentos para auxiliar a Colômbia.

O Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciaram donativos que totalizam 700 mil dólares (606 mil euros), informou o vice-presidente colombiano, José Manuel Restrepo.

O Banco Mundial contribuirá com 200 mil dólares (173 milhões de euros) de ajuda não reembolsável para a avaliação de danos, enquanto o BID atribuirá 500 mil dólares (433 mil euros), dos quais 350 mil dólares (303 mil euros) estarão imediatamente disponíveis para a Cruz Vermelha e outros 150 mil dólares (130 mil euros) serão alocados ao apoio técnico.


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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Sobe para 41 número de mortos em deslizamento de terras no município chinês de Chongqing... As autoridades chinesas anunciaram hoje mais 30 vítimas mortais do deslizamento de terras que, em 17 de julho, soterrou mais de dez edifícios no município de Chongqing (centro), elevando para pelo menos 41 o número de mortos.

Foto: Rede Social X @iChongqing_CIMC   Por  rtp.pt    29/07/2026

O acidente ocorreu às 09:08 locais (01:08 em Lisboa), quando uma grande quantidade de rochas e terra se desprendeu de uma encosta, provocando o colapso de vários edifícios residenciais situados no sopé da montanha, deixando pessoas soterradas e obrigando à retirada de cerca de 1.100 residentes.

Na quinta-feira passada, as autoridades locais indicaram que o número de mortos subiu para 11, com 50 pessoas dadas como desaparecidas.

Hoje, a agência oficial chinesa Xinhua informou que foram identificadas mais 30 vítimas mortais, após testes de ADN e exames aos restos mortais recuperados nos últimos dias.

As autoridades acrescentaram que prossegue a identificação de outros restos mortais, entretanto, encontrados, enquanto continuam as operações de busca.

Segundo estimativas preliminares, o deslizamento tinha cerca de 60 metros de comprimento, 30 metros de altura e 10 metros de espessura, com um volume aproximado de 18.000 metros cúbicos.

A maior rocha deslocada tinha um volume estimado em cerca de 3.000 metros cúbicos, equivalente a pouco mais do que o volume de uma piscina olímpica.

Elementos das equipas de socorro explicaram aos órgãos de comunicação locais que as operações de resgate foram dificultadas pelo terreno montanhoso, pelas encostas e pelas linhas de água existentes na zona, que limitaram o acesso de maquinaria pesada, situação agravada pelas chuvas registadas no fim de semana seguinte ao acidente.

Após a tragédia, o Presidente chinês, Xi Jinping, apelou à realização de operações de busca e salvamento "científicas", defendendo também a prevenção de desastres secundários, o tratamento adequado dos feridos e uma gestão eficaz das consequências do acidente.

O deslizamento de Chongqing ocorreu poucas semanas após outro acidente semelhante na província de Gansu, no noroeste da China, que soterrou inicialmente 33 pessoas, provocando 21 mortos e sete feridos ligeiros.


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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Ucrânia: Pelo menos 13 mortos em ataques aéreos russos... Os ataques aéreos russos na Ucrânia provocaram ao longo do dia a morte a pelo menos 13 pessoas e feriram cerca de 50 em várias regiões, divulgaram hoje autoridades locais.

© Karina Galunova/Suspilne Ukraine/JSC "UA:PBC"/Global Images Ukraine via Getty Images   Por LUSA   15/07/2026 

A Ucrânia enfrentou um total de 122 drones de ataque, dos quais 101 foram abatidos, e dois mísseis disparados pela Rússia durante a noite, informou a Força Aérea Ucraniana no seu relatório diário.

Em Sumi, três pessoas foram mortas e 17 ficaram feridas, incluindo um rapaz de 16 anos, por bombas planadoras russas, informou Oleg Grygorov, governador desta região fronteiriça com a Rússia, através da rede social Telegram.

A região de Odessa foi alvo de mísseis e drones russos pelo quinto dia consecutivo, resultando em três mortos e oito feridos, anunciou o governador regional, Oleg Kiper, no Telegram.

Segundo o responsável, um armazém, um gasoduto e outro edifício foram danificados.

Durante o dia, as autoridades ucranianas e os serviços de resgate reportaram mais uma morte na região de Mykolaiv (sul), uma morte em Kryvyi Rig, no leste do país, e duas mortes na região de Donetsk (leste), que está quase totalmente ocupada pelas forças russas.

Na região de Zaporijia (sul), ataques aéreos russos mataram três pessoas e feriram 15, informaram os serviços de resgate no Telegram, publicando imagens que mostram bombeiros a retirar corpos e feridos, bem como edifícios com fachadas destruídas.

Mais de quatro anos após o início da invasão russa, os ataques aéreos em ambos os lados da fronteira são diários e têm vindo a intensificar-se há vários meses, resultando num número crescente de vítimas civis.

Segundo a ONU, junho de 2026 foi o mês mais letal para os civis na Ucrânia desde abril de 2022.

O Ministério da Defesa russo, por sua vez, informou ter realizado ataques aos portos de Odessa, Chornomorsk e Dnipro-Bug, "utilizados para abastecer as forças armadas ucranianas".

O texto menciona ainda ataques a depósitos de combustível, fábricas de drones e navios de abastecimento militar.

As forças ucranianas também intensificaram os seus ataques a navios de carga no mar de Azov nos últimos dias.

Esta zona marítima é uma rota crucial para o transporte de produtos agrícolas russos vendidos no estrangeiro, bem como para o abastecimento da Crimeia anexada.

Estes ataques levaram a Rússia a examinar "rotas de transporte alternativas", anunciou o Ministério da Agricultura na terça-feira.


segunda-feira, 6 de julho de 2026

Bombardeio contra Kiev mata 14 pessoas antes da reunião de cúpula da Otan

Por   swissinfo.ch  06 julho 2026 
A Rússia lançou mísseis e drones nesta segunda-feira (6) contra prédios residenciais em Kiev pela segunda vez em uma semana, uma ofensiva que deixou pelo menos 14 mortos um dia antes do início de uma reunião de cúpula crucial da Otan.

O presidente ucraniano Volodimir Zelensky fez um apelo aos países aliados a adotarem “decisões firmes” para aumentar o fornecimento de sistemas de defesa aérea à Ucrânia após o ataque, que aconteceu poucos dias após outro bombardeio russo matar mais de 30 pessoas em Kiev.

O ataque desta segunda-feira abriu uma cratera em um bloco de apartamentos de vários andares na capital ucraniana, destruindo os andares superiores. Durante a noite, jornalistas da AFP em Kiev ouviram mais de 10 explosões durante um alerta de mísseis balísticos.

Este foi o segundo ataque em que a Rússia utilizou mísseis balísticos difíceis de interceptar, o que provocou um novo e desesperado apelo de Zelensky para que os aliados enviem mísseis avançados para os sistemas de defesa aérea Patriot, de fabricação americana.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Zelensky devem conversar sobre a guerra iniciada em 2022, à margem da cúpula da Otan que começa na terça-feira em Ancara (Turquia).

“É de importância crucial que o mundo — e, sobretudo, os Estados Unidos e nossos parceiros europeus — saia da cúpula da Otan em Ancara com decisões firmes em apoio à nossa defesa aérea e, portanto, à proteção da vida”, declarou Zelensky nas redes sociais.

Pelo menos 14 pessoas morreram em Kiev e sua região após o lançamento de 68 mísseis e 351 drones, acrescentou o presidente. Os ataques também deixaram mais de 60 feridos.

As autoridades de Vyshneve, um subúrbio de Kiev, ordenaram a saída dos moradores devido à possível presença de munições não detonadas entre os escombros.

– Um ataque contundente –

Os habitantes do distrito de Podilski, zona norte da capital, viveram momentos de angústia.

“Às 1h30, aconteceu um impacto muito forte. Uma onda expansiva, todas as janelas voaram. E depois atacaram mais três vezes”, contou à AFP Oleksandr Bakhlukov, que mora em um prédio próximo. “Pedaços de vidro caíram por todos os lados. Não sobrou uma janela de vidro no apartamento”, acrescentou o homem de 68 anos.

O Ministério da Defesa da Rússia anunciou um “ataque em larga escala” com mísseis e drones contra o que descreveu como “empresas do complexo militar-industrial” e contra instalações de energia em várias regiões ucranianas.

Quase 30 edifícios residenciais em Kiev foram atingidos e as equipes de resgate continuavam removendo os escombros várias horas depois do ataque, informaram as autoridades.

Zelensky disse que o Exército ucraniano derrubou os drones e mísseis de cruzeiro russos, mas que dispõe de “um fornecimento insuficiente de mísseis interceptadores” para deter os mísseis balísticos.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o ataque demonstra que a Ucrânia precisa “com urgência” de mais defesa aérea e que a questão será abordada na reunião da Otan.

O Exército russo afirmou que suas forças também derrubaram mais de 500 drones ucranianos durante a noite.

– Apagão na Crimeia –

Na Crimeia, o governador da península designado por Moscou, Mikhail Razvozhayev, anunciou no Telegram que, “após um ataque inimigo contra a infraestrutura de energia perto de Sebastopol”, a cidade ficou sem eletricidade.

O presidente Trump deve se encontrar com Zelensky na terça-feira em Ancara. “Obviamente vai se reunir com ele para conversar sobre como acabar com a guerra”, declarou um funcionário de alto escalão do governo americano que pediu anonimato.

Trump também tem em sua agenda uma conversa com o presidente russo, Vladimir Putin, para tentar reativar os esforços de paz na Ucrânia.

A Rússia lança com frequência ondas de mísseis e drones contra as cidades ucranianas desde o início da invasão do país vizinho, em fevereiro de 2022.

O conflito entre Ucrânia e Rússia é o mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Ataques e xenofobia na África do Sul: Fuga da África do Sul expõe transportadores moçambicanos a medo... Por entre o fluxo constante de moçambicanos que escapam a ataques xenófobos na África do Sul, transportadores relatam, em Maputo, fugas marcadas pelo medo e a urgência de resgatar compatriotas, enfrentando a incerteza de perder o sustento.

© Lusa    06/07/2026 

João Zandamela, transportador moçambicano com mais de 20 anos de experiência nas rotas entre Maputo, Joanesburgo e Durban, descreve à Lusa um cenário que se alterou rapidamente nos últimos dias, com o fluxo de passageiros a inverter-se quase por completo, apenas de regresso a Moçambique, entre tensões e incertezas em cada viagem desde o país vizinho.

"Fui ontem a tarde [à África do Sul], cheguei ontem à noite. Carreguei e saí lá para as 22:00, agora estou a chegar, mas na nossa ida para Durban as coisas não estavam bem", explica, no meio do movimento intenso na terminal rodoviário da Junta, arredores de Maputo, onde se acumulam passageiros, moçambicanos e malauianos.

Todos estão em fuga dos ataques e xenofobia na África do Sul, carregados de bagagens e incerteza, enquanto aguardam por um transporte que os leve para casa.

O transportador relata que, durante a última viagem, foram alvo de ameaças de grupos xenófobos, mas a urgência de retirar o maior número possível de moçambicanos e malauianos falou mais alto, levando-os a prosseguir. Descreve que terá sido a sua última viagem de resgate, concluída antes de 30 de junho, data limite imposta por estes grupos anti-imigração sul-africanos para a saída dos estrangeiros, africanos, do país.

"Tínhamos de ir até lá porque os nossos compatriotas são muitos e esses nossos vizinhos malauianos estavam super cheios do outro lado", diz, admitindo que o receio o acompanhava ao longo do percurso, pela possibilidade de ser interpelado por esses grupos violentos, num contexto em que pelo menos nove moçambicanos perderam a vida.

Para João Zandamela, os próximos dias são de incerteza, à medida que a África do Sul - a única rota em que trabalha - se esvazia rapidamente, deixando a certeza da aproximação de uma crise sem precedentes.

"Saímos daqui vazios para Durban, Durban para Maputo, com passageiros. Daqui em diante, há-de haver crise", lamenta, admitindo, ainda assim, que não vai abandonar a rota, enquanto der.

Também Armindo Machavane, que opera desde 2016 na rota entre a província de Gaza, sul de Moçambique, e Pretória, prevê que o negócio se torne cada vez mais difícil nos próximos dias.

"Não tem clientes que vão para a África do Sul agora, só tem aqueles que estão a abandonar", conta, apontando como principal causa o ultimato lançado por manifestantes anti-imigração na África do Sul para a saída de estrangeiros.

Acabado de regressar da África do Sul, e enquanto os passageiros rapidamente tentam descer da viatura, o transportador relata que, apesar do atual pico de saídas "muito bom", a rota deverá enfrentar uma quebra na procura nos próximos dias.

"Daqui a nada não teremos trabalho, porque já não tem ninguém lá na África do Sul", lamenta Machavane.

Na terminal da Junta, passageiros e bagagens amontoam-se, disputando espaço com o movimento constante de viaturas, entre as quais algumas, as últimas, vindas da África do Sul, incluindo carros particulares mobilizados para trazer compatriotas, aumentando a pressão sobre quem procura lugar nas viagens seguintes rumo às províncias, mais a norte de Maputo.

Entre essas viaturas particulares está a de Pedro Massango, que desde 2008 assegura o transporte de passageiros entre Maputo e a cidade de Stanger, na África do Sul, num trajeto regular de ida e volta.

"Em Stanger não tem grande problema, o grande problema está na cidade de Durban", relata Massango, já de saída do terminal rodoviário para mais uma viagem, acrescentando que, apesar da insegurança, terá de voltar porque "as pessoas estão mal lá".

Segundo o transportador, algumas pessoas vivem agora escondidas no mato, em condições precárias, tentando escapar à violência e à insegurança: "Mesmo agora, estou a receber muitas chamadas de pessoas que estão no mato (...), precisam de ajuda".

Se para os transportadores que fazem a rota entre África do Sul e Moçambique o movimento representa uma corrida para retirar compatriotas, para quem assegura o transporte interno o impacto faz-se sentir na redistribuição desse fluxo pelo país.

É o caso de Sérgio Kivi, que opera na rota Maputo-Gaza, e que tem registado um aumento do número de passageiros provenientes da África do Sul, refletindo a chegada de migrantes em regresso do país vizinho.

Ainda assim, o motorista evita encarar o fenómeno como positivo, sublinhando que o aumento resulta de dificuldades enfrentadas pelos passageiros. "Não é para tanto dizer que fico feliz por isso".

Acrescenta que esse aumento do fluxo intensificou-se há pouco mais de uma semana, não escondendo agora a preocupação com a sustentabilidade da atividade daqui para a frente.

Kivi diz que o momento exige cautela, já que o fluxo poderá diminuir rapidamente assim que cessarem os regressos, deixando o setor novamente com pouca procura e sem alternativas claras.

Oficialmente, deixaram a África do Sul, retirados pelas autoridades nas últimas semanas, menos de mil moçambicanos.

Pelo menos 283 moçambicanos foram agredidos, viram as suas casas incendiadas e bens vandalizados na última vaga de ataques xenófobos na vizinha África do Sul, avançou na quarta-feira o Governo de Moçambique, que tenta assegurar assistência e o repatriamento.

O Governo moçambicano admitiu recentemente desafios relativos ao repatriamento e reintegração de cidadãos nacionais vítimas de xenofobia na vizinha África do Sul, quando nove moçambicanos já foram mortos e 738 repatriados devido aos ataques.

As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul. Inúmeras comunidades de imigrantes foram repatriadas pelos próprios países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de críticas internacionais por xenofobia.

Moçambique tem cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul. A Presidência indicou, em comunicado, que "milhares" já regressaram ao país face à violência.

*** Lina Cebola (texto e fotos), Fernando Cumaio (vídeo), da agência Lusa ***