Terrorismo em França (Matthieu Alexandre/AP) Por cnnportugal.iol.pt/Agencia EFE, 23/10/2026
Haverá igualmente mais agentes da polícia judiciária e administrativa a trabalhar no tratamento das detenções, além de helicópteros em Paris e veículos blindados do tipo Centauro destacados por todo o país
O ministro francês do Interior, Laurent Nuñez, anunciou esta sexta-feira o destacamento de 70 mil polícias e gendarmes em todo o país, perante a convocação de novos protestos e a deteção de apelos nas redes sociais à prática de saques e atos de vandalismo.
"Seremos implacáveis com os saqueadores e os desordeiros. As instruções que dei são para que se atue com a máxima firmeza", afirmou Nuñez numa conferência de imprensa, numa mensagem de advertência a quem procure provocar cenas de caos como as registadas no passado fim de semana, quando se estima que cerca de 3.000 estabelecimentos comerciais tenham sofrido danos.
Em concreto, indicou que, para além das convocatórias de manifestações promovidas por vários sindicatos, organizações estudantis e diferentes forças políticas, foram também identificados "numerosos apelos" nas redes sociais, provenientes da "extrema-esquerda radical", à prática de "atos de violência".
"Além disso, voltam a surgir numerosos apelos que dão conta de saques e que, evidentemente, são mensagens difundidas pelos desordeiros", acrescentou o ministro.
Tendo em conta o precedente do passado sábado, quando os atos de violência associados aos protestos sociais ultrapassaram a capacidade do dispositivo de segurança, Nuñez justificou a decisão — anunciada na quinta-feira pelo presidente francês, Emmanuel Macron — de restringir o número de manifestações autorizadas e permitir a sua realização apenas fora dos centros urbanos das cidades.
O ministro indicou também que caberá aos prefeitos, representantes do Governo, decidir caso a caso quais as marchas e concentrações autorizadas, em função do risco de graves perturbações da ordem pública.
"Permitir a realização de uma manifestação num local com muitos estabelecimentos comerciais, tendo em conta o que aconteceu na semana passada, é algo que, para muitos prefeitos, e com razão, não é possível", afirmou, embora o sindicato da magistratura e uma associação de defesa das liberdades constitucionais tenham contestado estas orientações junto do Conselho Constitucional na quinta-feira.
Quanto aos detalhes do dispositivo de 70 mil polícias e gendarmes, Nuñez precisou que serão mobilizadas unidades de vários tipos, incluindo forças especializadas e de elite, bem como outros efetivos que normalmente não são destacados para este tipo de missões, embora estes últimos não participem diretamente no restabelecimento da ordem pública.
Haverá igualmente mais agentes da polícia judiciária e administrativa a trabalhar no tratamento das detenções, além de helicópteros em Paris e veículos blindados do tipo Centauro destacados por todo o país.
"O que aconteceu a 17 de outubro é totalmente inaceitável e, por isso, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para impedir esses saques, essas agressões e esses ataques a edifícios públicos."
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