sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Guiné-Bissau - Simões Pereira: "A entidade que pretende promover o referendo não resulta do povo"

Por Rádio Capital Fm 

O líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira (DSP), pronunciou-se esta sexta-feira (07.08), pela primeira vez, sobre o referendo constitucional convocado pelas autoridades de transição na Guiné-Bissau e não tem dúvidas de que a consulta resulta de uma "ilegitimidade".

Em entrevista à RTP, em Lisboa, Domingos Simões Pereira afirmou que, quando o povo é excluído das decisões, a democracia perde a sua essência.

"Quando o povo não está no centro do poder, a democracia não funciona. É o que está a acontecer na Guiné-Bissau. A entidade que neste momento está a pretender promover o referendo não resulta do povo e não resulta da escolha livre dos cidadãos guineenses. E, portanto, não tem as condições para poder cumprir esse objetivo", afirmou o dirigente político.

Domingos Simões Pereira afirmou que a convocação do referendo popular, além de carecer de "legitimidade", não oferece aos guineenses a oportunidade de manter o contacto com o instrumento a ser votado. Para "DSP", o próprio povo da Guiné-Bissau desconhece a "nova" Constituição da República.  

"Ninguém conhece os pontos [da Constituição] e não é público o documento. Portanto, para além dessa questão de legitimidade, está-se a convocar o povo para decidir sobre um documento que não conhece", sublinhou.

Domingos Simões Pereira reconhece que não se sente à vontade de regressar a Bissau, para já, embora afirme que se sente bem fisicamente e a nível mental.

"Se eu não tiver a liberdade, a minha vida fica sem conteúdo", afirmou.

Domingos Simões Pereira foi libertado no passado 23 de julho, por "razão humanitária e legal", 13 dias após ser reconduzido às celas, por ordem do juiz Mamadú Embaló.

ESPANHA: Crise migratória leva médicos de Ceuta a pedir intervenção urgente... O Colégio Oficial de Médicos de Ceuta (COMCE) solicitou hoje ao Ministério da Saúde espanhol a intervenção "urgente", perante uma situação de "catástrofe assistencial" que a cidade atravessa como consequência da crise migratória.

© Adri Salido/Getty Images     Por LUSA  07/08/2026 

Numa carta assinada pelo presidente do Colégio de Médicos, Enrique Roviralta, o COMCE pediu a deslocação da ministra Mónica García a Ceuta para conhecer de perto a realidade que vivem os profissionais de saúde e avaliar no terreno a adoção de medidas extraordinárias que permitam reforçar a capacidade de assistência e proteger a saúde pública.

O COMCE considerou que a resposta sanitária colocada em prática até ao momento "é insuficiente para enfrentar uma emergência destas dimensões".

O atendimento "não pode recair exclusivamente sobre o Hospital Universitário de Ceuta e os recursos ordinários da área de saúde, é imprescindível criar dispositivos sanitários extraordinários "no terreno que permitam garantir cuidados contínuos, preventivos e dignos, bem como o reforço dos recursos humanos e materiais destinados a proteger tanto a população deslocada como os cidadãos de Ceuta", sublinham os médicos no documento.

O Colégio de Médicos acrescentou que Ceuta "não pode enfrentar sozinha uma emergência de saúde destas dimensões" e que "os médicos demonstraram, mais uma vez, um compromisso exemplar, mas agora cabe às instituições responder com a mesma responsabilidade".

O Instituto de Medicina Legal (IML) de Ceuta autopsiou 82 pessoas que morreram no mar tentando atravessar a fronteira da cidade espanhola vindas de Marrocos, após efetuar hoje mais duas, a corpos encontrados na quinta-feira.

Segundo informou o IML em comunicado, foram identificadas até agora seis pessoas e, com a conclusão das autópsias, desativa-se o protocolo de atuação médico-forense e de Polícia científica, em curso desde a semana passada devido à crise migratória na cidade autónoma espanhola no norte de África.

O levantamento do primeiro corpo ocorreu no dia 29 de julho e o do segundo no dia 30 às sete da manhã, pouco antes da entrada maciça de imigrantes, no dia 30 de julho às nove e meia da manhã.

Desde essa entrada massiva, foram recuperados 82 corpos do mar, quase todos de homens, exceto uma mulher.

Cerca de 72.000 pessoas entraram na cidade autónoma espanhola de Ceuta, situada no norte de África, em apenas 24 horas, na semana passada, e 70.000 já voltaram a Marrocos, segundo dados atualizados pelas autoridades de Espanha.

Pelo menos 82 pessoas morreram a tentar chegar aquela cidade a nado.

Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.


Senado dos EUA aprova sanções mais duras contra Rússia e Irão... O Senado norte-americano aprovou hoje, por ampla maioria, um projeto de lei bipartidário que impõe sanções mais severas à Rússia e ao Irão.

© Getty Images   Por LUSA   07/08/2026 

A votação do texto, que foi aprovada por 86 votos a favor e 11 contra, pôs fim a mais de um ano e meio de negociações entre republicanos e democratas.

O texto tem agora de ser aprovado pela Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso), onde a votação só terá lugar no início de setembro, devido às férias parlamentares.

O projeto de lei permite ao Governo dos Estados Unidos impor direitos aduaneiros de até 100% aos cinco principais compradores de petróleo e gás russos, bem como aos países que contribuam para contornar as sanções em vigor contra o setor energético russo, entre os quais a China e a Índia.

As sanções estendem-se também ao Irão, uma vez que, há algumas semanas, a pedido do Presidente norte-americano, Donald Trump, a República Islâmica foi incluída no documento.

O texto prevê, nomeadamente, impedir o fim das sanções sobre os setores energético e de armamento do Irão.

No entanto, o projeto de lei, que foi apresentado pela primeira vez em abril de 2025, incide sobretudo na Rússia, com o objetivo de aumentar a pressão sobre Moscovo por causa da guerra e a ocupação do território ucraniano.

O texto engloba, por exemplo, novas sanções contra o Presidente russo, Vladimir Putin, bem como contra outros altos responsáveis.

"Esta lei aproxima-nos do fim do conflito" entre a Rússia e a Ucrânia, afirmou o senador republicano Jim Risch, presidente da Comissão dos Negócios Estrangeiros.

"Terá um impacto decisivo que vai além do que pode ser alcançado no campo de batalha; cortará o fluxo de dinheiro que alimenta a máquina de guerra de Putin", acrescentou o senador num discurso no hemiciclo antes da votação.

Pela primeira vez, os Estados Unidos também têm como alvo a chamada "frota fantasma" da Rússia, os navios utilizados por Moscovo para contornar os embargos ocidentais desde a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022.

O diploma foi batizado com o nome de Lindsey Graham, senador republicano que morreu a 11 de julho, que era um acérrimo defensor da causa ucraniana e defendia novas sanções contra Moscovo.

Um dia antes da sua morte, Graham tinha anunciado, juntamente com outros senadores republicanos e democratas, que tinha conseguido obter o acordo da Casa Branca para a aprovação destas novas sanções sobre os hidrocarbonetos produzidos pela Rússia, medidas que até então tinham sido bloqueadas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

Para a irmã do antigo senador, Darline Graham, que o substituiu no Senado, a aprovação final do projeto de lei servirá para homenagear o irmão, mas também "atingirá Putin onde mais dói".

A lei inclui medidas que "visam particularmente aqueles que apoiam a guerra da Rússia na Ucrânia", afirmou Darline Graham no Senado antes da votação.

"Obriga os principais países que mantêm a economia da Rússia à tona a fazer uma escolha simples, mas crítica, entre fazer negócios com os Estados Unidos ou comprar energia russa barata", acrescentou a representante.

Para a senadora democrata Jeanne Shaheen, membro da Comissão dos Negócios Estrangeiros, "Putin só compreende a força e só responde à pressão".

"Esta lei representa a nossa melhor oportunidade de, finalmente, fazer ceder a máquina de guerra russa e forçar Putin a sentar-se à mesa das negociações", afirmou a senadora num comunicado na terça-feira.

No entanto, alguns políticos democratas mostraram-se preocupados com os novos poderes em matéria de direitos aduaneiros que seriam conferidos a Trump com esta nova lei.

No final de julho, a embaixada da Rússia nos Estados Unidos tinha condenado o projeto de lei que, na sua opinião, "presta um mau serviço aos Estados Unidos".

Tendo em conta a guerra no Irão, "com uma crise energética iminente e o aumento dos preços na véspera das eleições intercalares, sancionar a Rússia e os seus parceiros comerciais (...) seria extremamente contraproducente para os próprios Estados Unidos", afirmou na ocasião a embaixada num comunicado.


‎PRESIDENTE DO INE DEFENDE HARMONIZAÇÃO DAS ESTATÍSTICAS ECONÓMICAS E NEGA DÍVIDAS A AGENTES DO RECENSEAMENTO

‎Por RSM

O presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE), Roberto Vieira, defendeu esta sexta-feira a necessidade de harmonizar as estatísticas económicas, considerando que a medida poderá contribuir para uma melhor compreensão e resolução dos desafios que afetam a economia nacional.

‎A declaração foi feita à margem do encerramento do atelier regional sobre a utilização da plataforma de estatísticas na zona da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA), realizado em Bissau. O encontro reuniu, desde segunda-feira, peritos estatísticos dos países-membros do bloco económico com o objetivo de reforçar a produção e a harmonização de dados estatísticos na região.

‎Segundo Roberto Vieira, a harmonização das estatísticas económicas constitui um instrumento fundamental para melhorar a qualidade da informação disponível aos decisores políticos e promover uma gestão mais eficaz das políticas públicas.

‎Questionado sobre as reclamações de alguns agentes envolvidos no último Recenseamento Geral da População e Habitação (RGPH), que alegam não ter recebido a segunda tranche dos pagamentos pelos serviços prestados, o presidente do INE negou a existência de qualquer dívida da instituição para com esses trabalhadores.

‎Roberto Vieira assegurou que o processo de pagamento foi tratado de acordo com os procedimentos estabelecidos, rejeitando as acusações de incumprimento por parte do instituto.

‎Os resultados provisórios do último Recenseamento Geral da População e Habitação foram divulgados no passado dia 23 de julho. Apesar disso, um grupo de agentes continua a reivindicar o pagamento da segunda tranche dos honorários, alegando que os valores ainda não foram liquidados após a conclusão dos trabalhos de recenseamento.


Roma "não aceita ultimato" de Madrid sobre controlos de fronteiras... O Governo italiano anunciou hoje que não vai suprimir os controlos fronteiriços a viajantes oriundos de Espanha até ao próximo domingo, como reclamou Madrid, apontando que Itália "não aceita ultimatos" de outros países em matéria de segurança nacional.

© Simona Granati - Corbis/Corbis via Getty Images Por  LUSA  07/08/2026 

Horas depois de Espanha ter exortado Itália a levantar os controlos de fronteiras que adotou após a entrada de 72.000 pessoas em Ceuta, ameaçando com "medidas proporcionais" caso tal não suceda até ao final de domingo, o gabinete da primeira-ministra Giorgia Meloni divulgou um comunicado, no qual anunciou que vai manter os controlos "pelo menos até 15 de agosto", data de uma possível nova chegada em massa de migrantes ao enclave espanhol no norte de África. 

"A Itália não aceita ultimatos nem imposições do estrangeiro no que diz respeito à segurança nacional e ao controlo das fronteiras. Não tencionamos, em caso algum, rever a decisão de suspender a aplicação do Acordo de Schengen aos cidadãos de países terceiros provenientes de Espanha, pelo menos até 15 de agosto e, em qualquer caso, até que os riscos de segurança e de terrorismo para a Itália sejam completamente excluídos", indicou uma nota oficial publicada pelo Palácio Chigi, sede do Governo italiano.

Sublinhando que, "nessa data, tal como anunciado pelas próprias autoridades espanholas, espera-se, de facto, uma nova onda migratória em Ceuta", o executivo de direita e extrema-direita liderado por Meloni apontou que "só quando houver a certeza de que não haverá riscos de segurança e de terrorismo para a Itália, de que não haverá uma nova onda e de que não haverá migrantes em situação irregular a dirigir-se para o território europeu, é que se poderá rever o que já foi decidido".

"Isto sem prejuízo de um país amigo como a Espanha, à semelhança de decisões semelhantes adotadas no passado pelo Governo italiano, por exemplo, em relação à Eslovénia, e por governos europeus em relação à Itália e à própria Espanha", acrescentou a nota informativa.

Reforçando que, "caso todas estas condições deixem de se verificar, a Itália está pronta para prosseguir um diálogo construtivo com o Governo de Madrid", o governo de Roma destacou ainda que "as autoridades fronteiriças italianas farão tudo o que estiver ao seu alcance para garantir a máxima facilidade de circulação aos cidadãos espanhóis e europeus que, é importante sublinhar, não são afetados pelo restabelecimento dos controlos nas fronteiras aéreas e marítimas".

A reação do executivo de Meloni surge depois de o Governo liderado pelo socialista Pedro Sánchez ter exortado Itália "a pôr fim aos controlos e a tratar os espanhóis como os restantes cidadãos europeus".

"Caso não o faça até ao final do domingo, 09 de agosto, Espanha ver-se-á obrigada a adotar medidas proporcionais para proteger os interesses e a dignidade dos seus cidadãos", disse o executivo de Madrid, num comunicado.

Itália reintroduziu controlos fronteiriços em portos e aeroportos para passageiros oriundos de Espanha em 01 de agosto, depois da entrada de 72.000 pessoas em 24 horas em Ceuta, um enclave espanhol no norte de África.

O Governo espanhol sublinhou hoje que a decisão de Itália não tem precedentes "na história recente" e foi adotada "sem aviso prévio, de forma unilateral, e com argumentos espúrios que não se ajustam nem ao Código de Fronteiras Schengen nem à verdade".

Espanha destacou que nenhum dos migrantes que acedeu de forma irregular a Ceuta na semana passada "pôde ou pode entrar livremente no espaço Schengen" e que "a quase totalidade" já regressou a Marrocos.

Por outro lado, lembrou que Itália é o Estado-membro da União Europeia com mais entradas irregulares nos últimos anos, "com números que chegaram a duplicar os de Espanha", e que "Espanha nunca introduzir controlos para Itália".

A medida adotada por Itália é, assim, "contrária aos interesses da União Europeia, e discriminatória para a população espanhol", frisou o Governo de Espanha no mesmo comunicado.

"Os governos existem para promover o entendimento entre os países e o interesse geral das suas populações, e não para criar divisões e conflitos infrutíferos motivados por interesses eleitorais internos", defendeu ainda o Governo de Madrid.


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A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni (à esquerda) e o presidente dos EUA Donald Trump (à direita) apertam as mãos durante a cerimónia de boas-vindas antes da foto de família na Cimeira de Paz de Gaza, em Sharm El-Sheikh, Egito, em 13 de outubro de 2025.

Secretas dos EUA acreditam que Rússia prepara ação limitada contra NATO... Serviços de inteligência norte-americanos acreditam que Putin poderá estar a planear um ataque a um país pertencente à NATO, até 2029. Polónia, Estónia, Letónia ou Lituânia poderão ser os países visados.

© Getty Images   Por  Notícias ao Minuto   07/08/2026 

Os serviços de informações norte-americanos acreditam que a Rússia poderá realizar, entre o próximo outono e 2029, alguma espécie de ação de ataque contra um território de estado-membro da NATO, de acordo com relatório a que o The Wall Street Journal teve acesso.

Vladimir Putin poderá tentar "testar a determinação da NATO" com um ataque limitado a um país aliado nos próximos anos, diz o mesmo documento.

Segundo a publicação norte-americana, o ataque poderá assumir variadas formas, podendo consistir numa incursão militar terrestre em pequena escala ou num ciberataque.

O relatório refere que o período em que a Rússia poderá agir situa-se entre este outono e 2029. Uma das teorias é a de que Putin poderia ocupar uma cidade ou região na Polónia ou num dos três Estados Bálticos — Estónia, Letónia e Lituânia - todos membros da NATO que têm apoiado firmemente a Ucrânia.

Recorde-se aliás, nesta senda, que o presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, já tinha adiantado a hipótese de operações cinéticas limitadas contra infraestruturas críticas, nomeadamente instalações energéticas e de transportes, mas sem indicar regiões ou datas para tais ataques.

"Recebemos esse tipo de sinais por parte dos nossos serviços de informações", afirmou Nauseda numa entrevista à agência de notícias báltica BNS, citada pela espanhola Europa Press (EP), em julho. O líder lituano disse que os ataques poderiam ser limitados e direcionados contra infraestruturas críticas. "Isso, simplesmente, é impossível de determinar", afirmou.

Vários membros da NATO acreditam que Putin já está a realizar vários ataques para testar e fragmentar a aliança. Recorde-se que caças romenos abateram três drones que entraram no espaço aéreo do país em três dias consecutivos.

Além disso, registou-se um aumento de 250% nas descolagens de alerta para intercetar e identificar aeronaves junto ao flanco oriental, em julho de 2026, face a julho de 2025, à medida que a Rússia continua a sondar as defesas do Ocidente.

Mais de quatro anos após o início da ofensiva russa em larga escala contra a Ucrânia, a diplomacia está estagnada e ambos os países intensificam os ataques de longo alcance, provocando um número crescente de vítimas civis.


"Eu sou um homem livre", afirma Domingos Simões Pereira à DW, duas semanas depois da sua chegada a Portugal... O líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) quebrou o silêncio, depois de ter sido autorizado pela justiça militar a viajar para Portugal, para tratamento médico.

Simões Pereira assegura que não se sente impedido de fazer política e que é um homem absolutamente livre.

O político diz, em entrevista exclusiva à DW, que em nenhum momento reconheceu a validade do Tribunal Militar. "Quero retomar a integridade das minhas competências, das minhas liberdades", refere. 

CEUTA: Polícia de Ceuta foi instruída para "não atuar" e "convidar a abandonar"... A atuação da polícia e as decisões tomadas durante a crise de migrantes em Ceuta estão a ser alvo de análise e debate político. Forças de segurança revelam que receberam ordens para não atuar de forma coerciva.

© Adri Salido/Getty Images   Por  Notícias ao Minuto  07/08/2026 

As forças de segurança em Ceuta receberam indicações para não agir de forma coerciva contra nenhum dos imigrantes, mas antes a "convidá-los" a regressar a casa, a Marrocos, noticia o ABC espanhol.  

As instruções foram difundidas por escrito há uma semana. 

"Em estrito cumprimento da legislação em vigor, fica excluída do nosso âmbito de aplicação a condução forçada de qualquer cidadão estrangeiro, salvo se tal for motivada pela prática de um crime", podia ler-se no documento a que este jornal espanhol teve acesso.

A instrução foi assinada pelo superintendente da polícia local de Ceuta, que a transmitiu aos chefes de zona por e-mail, tendo esta, por sua vez, começado a circular nos chats internos da polícia na cidade autónoma.

Segundo informações partilhadas, sob anonimato, por elementos da Guarda Civil e do Exército os comandantes destacados na fronteira tinham recebido uma ordem idêntica" para "não agir" e permanecer na zona como força de contenção e para exercer um efeito dissuasor.

A informação volta a colocar em destaque as ordens que os agentes receberam depois de, na quinta-feira, se ter registado uma tentativa de travessia em massa de marroquinos para Ceuta. Recorde-se que a atuação policial e as decisões tomadas durante a crise estão a ser alvo de análise e debate político.

Mais de 70 mil tentaram entrar em Ceuta

Cerca de 72.000 pessoas entraram na cidade autónoma espanhola de Ceuta, situada no norte de África, em 24 horas na semana passada e 70.000 já voltaram a Marrocos, segundo dados atualizados pelas autoridades de Espanha.

Pelo menos 77 pessoas morreram a tentar chegar a Ceuta a nado.

Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.

Novo ataque com drones provoca incêndio em centro logístico russo... Um incêndio deflagrou hoje num centro logístico da gigante russa do comércio eletrónico Wildberries, em Ecaterimburgo, na Rússia, após um novo ataque contra armazéns da empresa, que tem sido alvo de drones ucranianos desde meados de julho.

Ucrânia atingiu cerca de 20 instalações pertencentes à Wildberries desde meados de julho Reuters
  Por  RTP  7 Agosto 2026 

"Os bombeiros foram mobilizados para o centro logístico da empresa em Ecaterimburgo, na região de Sverdlovsk, onde um incêndio teve início devido a um ataque", anunciou a Wildberries em comunicado, garantindo que todos os funcionários tinham sido previamente retirados.

Segundo o governador regional, Denis Pasler, três drones caíram hoje sobre o telhado do centro logístico, sem deixar vítimas.

Desde meados de julho, a Ucrânia atingiu cerca de 20 instalações pertencentes à Wildberries --- uma plataforma de comércio online muito popular, frequentemente chamada de "Amazon russa" --- espalhadas por quase toda a Rússia e na Crimeia anexada.

Os primeiros ataques, ocorridos na noite de 17 para 18 de julho, fizeram oito mortos e quase 90 feridos em instalações nas regiões de Moscovo e Tambov (centro-oeste).

Desde então, ataques de drones ucranianos visaram locais próximos a São Petersburgo (noroeste), Simferopol (na Crimeia), Krasnodar e Volgogrado (sul) e também Samara (na margem leste do rio Volga).

Mais de quatro anos após o início da ofensiva russa em larga escala contra a Ucrânia, a diplomacia está estagnada e ambos os países intensificam os ataques de longo alcance, provocando um número crescente de vítimas civis.


Veja Também: "A Rússia não tem capacidade para se defender do tipo de guerra que a Ucrânia está a fazer"

Diana Soller, comentadora da CNN Portugal, afirma, por outro lado, que a Ucrânia "desenvolveu uma capacidade ofensiva que ainda hoje nos espanta, mas nunca teve necessidade de desenvolver a capacidade defensiva", o que agora espelha as frágeis defesas anti-aéreas.

Eclipse do Sol será oportunidade para ver o que o brilho esconde... O eclipse total do Sol da próxima quarta-feira será uma oportunidade para o físico solar Ricardo Gafeira e outros cientistas observarem a camada mais externa da atmosfera solar que o brilho da estrela ofusca.

© Shutterstock     Por  LUSA  07/08/2026 

"Será uma oportunidade para registo de dados e ver se as simulações que já fizemos são precisas ou não", adiantou à Lusa o investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e diretor do Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra.

Ricardo Gafeira integra uma expedição informal de cientistas europeus que vai observar o eclipse total do Sol em Espanha, na província de Palência, onde o fenómeno terá a duração de quase minuto e meio.

Em Portugal, o eclipse total do Sol terá uma duração menor, de cerca de 26 segundos, e será apenas visível numa pequena zona do Parque Natural de Montesinho, em Bragança.

Para os cientistas que estudam o Sol, um eclipse total é uma janela que se abre para observar em terra a coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol composta por plasma e que, em situações normais, é "contaminada" pelo brilho da estrela.

"Permite-nos utilizar instrumentos mais versáteis para observar a coroa solar", sublinhou Ricardo Gafeira, assinalando que os telescópios espaciais possuem "resoluções mais limitadas".

O investigador levará consigo para Espanha um telescópio com um "filtro especial" e uma câmara fotográfica para captar, por breves instantes, as imagens de um halo de luz branca em redor do disco solar que será tapado pela Lua e observar algum evento inesperado, ou não.

Com essas imagens, Ricardo Gafeira espera incluir os dados obtidos em trabalhos científicos e "aumentar o conhecimento" sobre a atividade do Sol, nomeadamente sobre como o seu campo magnético se propaga para a coroa, influenciando o clima no espaço, e sobre como o vento solar está a ser ejetado.

O vento solar é um fluxo contínuo de partículas subatómicas com carga elétrica projetadas pela coroa e interage com a magnetosfera da Terra, um escudo protetor gerado pelo seu campo magnético.

Alterações no campo magnético do Sol podem causar erupções solares, ejeções de partículas que podem desencadear tempestades.

No espaço, as tempestades solares podem provocar danos em satélites, sondas e em naves, comprometendo a segurança de astronautas. Na Terra, podem perturbar as redes elétricas e telecomunicações.

"O Sol influencia a nossa vida diária, os satélites e os astronautas no espaço. Podemos aproveitar este momento para aprofundar a nossa compreensão dessa influência", afirmou, citada pela agência noticiosa Efe, a cientista da agência espacial norte-americana (NASA) Kelly Korreck.

Um avião científico da NASA equipado com quatro câmaras vai voar a grande altitude na quarta-feira, seguindo a trajetória do eclipse, e captar imagens da coroa solar durante quase três minutos (o tempo estimado para se ver a coroa solar em terra é de pouco mais de dois minutos).

Os cientistas esperam com estas imagens de alta resolução aprender mais, inclusive, sobre a formação de proeminências solares, estruturas de plasma que se estendem da superfície do Sol até à camada mais externa da sua atmosfera.

Balões científicos serão lançados em Espanha e na Islândia antes, durante e depois do eclipse para se compreender melhor as alterações na atmosfera terrestre.

Durante um eclipse total do Sol, em que o céu diurno fica repentinamente noturno, a atmosfera da Terra muda.

O eclipse será visível, se as condições de observação do céu o permitirem, numa faixa que atravessa o Ártico, a Gronelândia, a Islândia, Espanha e Portugal.

Em Portugal, o fenómeno será visto maioritariamente de forma parcial, com exceção da pequena zona do Parque Natural de Montesinho, variando a percentagem de ocultação do Sol entre 92% e 99% no continente e entre 74% e 77% nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

Para observar o raro fenómeno em segurança será necessário usar óculos protetores ou telescópios com filtros solares, de modo a evitar possíveis lesões nos olhos.

Em Espanha, as pessoas cegas (ou com baixa visão) vão poder seguir o eclipse com um dispositivo criado pela universidade norte-americana de Harvard que converte, em tempo real, as alterações na intensidade da luz solar em sons.

Em Portugal, no Centro Ciência Viva de Constância - Parque de Astronomia, o eclipse poderá ser "sentido" através de modelos táteis e descrições auditivas feitas por monitores.

Um eclipse total do Sol acontece quando a Terra, a Lua e o Sol estão perfeitamente alinhados e a Lua oculta completamente o disco solar por alguns momentos, tornando visível no céu o efeito de 'anel de diamante'.

Nas regiões onde a ocultação será mais acentuada deverá ser percetível um escurecimento da luminosidade, a temperatura do ar cai, o ruído ambiente diminui, as sombras tornam-se mais nítidas, os pássaros param de cantar.

O anterior eclipse total do Sol em Portugal ocorreu em 1912 e o próximo será só em 2144.

Taiwan bloqueou plataforma chinesa de emprego para jovens... Taiwan bloqueou uma plataforma chinesa que promovia oportunidades educativas e de emprego na China para jovens taiwaneses, alegando violações da lei e riscos para os dados pessoais.

© I-HWA CHENG/AFP via Getty Images    Por  LUSA   07/08/2026 

Numa conferência de imprensa em Taipé, na quinta-feira, o vice-presidente e porta-voz do Conselho para os Assuntos do Continente (MAC, na sigla em inglês), Liang Wen-chieh, afirmou que o Governo taiwanês tomou medidas para bloquear a plataforma "Taiwan Youth e-Home" gerida pela China.

O anúncio surgiu um dia depois de o presidente do MAC, Chiu Chui-cheng, ter declarado que o Governo iria procurar a remoção ou o bloqueio da plataforma.

"A plataforma exige que os utilizadores forneçam informações pessoais, permitindo-lhe recolher dados sobre os jovens taiwaneses", afirmou Liang. "Acreditamos que isso representa um risco extremamente elevado."

O MAC já tinha alertado anteriormente para a possibilidade de as autoridades chinesas utilizarem os dados recolhidos através da plataforma para outros fins ou para exercer pressão sobre os jovens de Taiwan.

Liang assinalou que o conteúdo da plataforma violava a Lei de Supervisão de Acordos Transfronteiriços, que regula, respetivamente, o recrutamento para instituições de ensino chinesas, a ocupação de cargos por taiwaneses em determinadas organizações partidárias ou políticas chinesas e as atividades publicitárias que envolvam bens e serviços chineses.

O MAC clarificou posteriormente que a plataforma fazia publicidade a estágios com a Liga da Juventude Comunista da China, uma organização de juventude sob a liderança do Partido Comunista Chinês que funciona como "força assistente e de reserva" do partido.

A "Taiwan Youth e-Home" foi lançada a 15 de julho com o objetivo declarado de apoiar o "desenvolvimento integrado" dos jovens de ambos os lados do estreito de Taiwan, segundo o Gabinete de Assuntos de Taiwan (TAO, na sigla em inglês) da China.

A plataforma abrange estágios, emprego, intercâmbios e educação, permitindo aos utilizadores taiwaneses procurar vagas e submeter candidaturas 'online'.

O porta-voz do TAO, Chen Binhua, rejeitou as alegações da parte de Taiwan como "difamações deliberadas".

"Existe alguma plataforma de procura de emprego 'online' na região de Taiwan que não exija que os utilizadores forneçam os seus nomes ou submetam currículos?", questionou Chen.

Chen afirmou que quase 2.000 empresas se tinham juntado à plataforma e publicado cerca de 6.000 vagas, acrescentando que esta seguia um princípio de "mínimo necessário" na recolha de informações e protegia os dados pessoais dos candidatos a emprego nos termos da lei.

Atualmente, não existem informações públicas disponíveis sobre quantos jovens taiwaneses garantiram estágios, empregos ou outras oportunidades na China através da plataforma.

As declarações surgem numa altura de crescente tensão entre Taiwan e a China, que considera a ilha, governada autonomamente desde 1949, uma "parte inalienável" do seu território e não exclui o recurso à força para assumir o seu controlo.