sábado, 24 de janeiro de 2026

Se Rússia ocupar toda a Ucrânia, Europa pode ter 10 milhões de migrantes... A Europa poderá ver, este ano, regressar a casa cerca de dois milhões de ucranianos caso haja acordo de paz, ou deslocações de 10 milhões de pessoas se a Rússia ocupar todo o país, prevê uma análise internacional.

Por LUSA 

Num relatório divulgado pelo Centro Internacional para o Desenvolvimento de Políticas de Migração (ICMPD, na sigla em inglês) sobre as tendências migratórias esperadas para 2026, os analistas do organismo alertam que, caso o conflito na Ucrânia se agrave, os países europeus poderão enfrentar novas chegadas em grande escala.

A Ucrânia é, atualmente, o conflito que mais afeta as deslocações de pessoas na Europa, mas o ICMPD sublinha que as tendências migratórias para o continente vão ser influenciadas sobretudo por quatro países-chave.

A par da Ucrânia, país alvo de uma ofensiva militar russa desde fevereiro de 2022, o centro de reflexão em matérias migratórias também identifica a Venezuela, a Síria e o Afeganistão.

"As evidências históricas ligam conflitos prolongados a elevados níveis sustentados de deslocação", refere a organização intergovernamental no relatório, adiantando que, no ano passado, foi registado "um pico histórico" nos conflitos globais.

Em 2025, "o Índice Global da Paz registou 59 conflitos ativos entre Estados em todo o mundo, o maior número desde a Segunda Guerra Mundial", nota o ICMPD, admitindo que o cenário global mostra "poucas perspetivas de alívio" em 2026.

"Os conflitos são cada vez mais prolongados e internacionalizados, impulsionados pela fragmentação geopolítica e pela rivalidade entre grandes potências", sustenta a organização com sede em Viena, Áustria.

Para esta organização de apoio às políticas migratórias, "as crises em curso e as emergentes continuam a ser a principal fonte de incerteza nas perspetivas migratórias da Europa", apesar de observar que os pedidos de asilo e as chegadas irregulares à União Europeia (UE) diminuíram acentuadamente (na ordem dos 25%) nos últimos dois anos.

A tendência de decréscimo foi causada, explica, pelo contínuo controlo migratório por parte dos Estados (europeus e parceiros), o que deverá ser reforçado pela implementação, a partir de junho deste ano, do novo Pacto Migratório da UE.

O novo pacto vai absorver, de acordo com a análise do centro internacional, grande parte da capacidade dos Estados-membros ao longo de 2026, mas também levará a um maior reforço da cooperação com os Estados vizinhos, até porque um dos objetivos é aumentar substancialmente o regresso de quem reside ilegalmente no território da União Europeia.

"Em 2025, pela primeira vez em muitos anos, os governos europeus retomaram os regressos de migrantes irregulares à Síria e ao Afeganistão, ao abrigo de acordos com as respetivas autoridades" e afetando pequenos grupos, normalmente de criminosos condenados, aponta, indicando que essa retoma revela uma nova tendência.

"Isto mostra que os objetivos da política migratória têm precedência sobre as preocupações relacionadas com o regime democrático", assinala o ICMPD, acrescentando prever que este ano haja uma intensificação das operações de regresso.

O ICMPD, no qual Portugal está representado, tem como objetivo a cooperação internacional em matéria de asilo e imigração, através de análises e recomendações que visam sobretudo o controlo dos movimentos migratórios, o combate à imigração irregular e a promoção de vias legais e seguras.


Leia Também: Ucrânia denuncia ataques russos durante conversações de paz em Abu Dhabi

A Ucrânia denunciou hoje os ataques russos durante a noite que causaram pelo menos um morto no país, numa altura em que ucranianos, russos e norte-americanos participam em conversações em Abu Dhabi


Irão promete responder a ameaças de Trump no terreno... A Guarda Revolucionária iraniana prometeu hoje responder no terreno às ameaças do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o anúncio do envio de uma "frota enorme" norte-americana para águas próximas do Irão.

Por LUSA 

"Trump fala muito, mas deve estar seguro de que receberá a resposta no campo" de batalha, afirmou o comandante da Força Aeroespacial do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, Majid Mousavi, em declarações citadas pela televisão estatal Press TV.

Mousavi é o responsável pelo programa de mísseis balísticos iraniano como chefe da força aérea do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica.

Com centenas de milhares de efetivos, a força também conhecida por Guarda Revolucionária foi criada na sequência da revolução de 1979, que instituiu a República Islâmica, e tem por missão proteger o regime liderado pelo clero xiita.

Também o antigo general da Guarda Revolucionária e atual membro da Comissão de Segurança Nacional, Esmail Kowsari, reiterou que Teerão responderá de forma letal em caso de ataque, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

"Se os inimigos cometerem um ato agressivo, receberão uma resposta letal e dissuasora, e as bases norte-americanas na região serão um dos principais objetivos", afirmou, citado pela agência iraniana Fars.

Trump tem ameaçado Teerão com uma intervenção desde o início dos protestos no Irão, no final de dezembro, motivados pela desvalorização da moeda do país, o rial, e que evoluíram para contestação ao regime da República Islâmica.

As autoridades iranianas reprimiram as manifestações, que atribuem a uma instigação dos Estados Unidos e de Israel, resultando em milhares de mortos.

Organizações não-governamentais (ONG) da oposição têm divulgado balanços que variam entre 3.000 e 5.000 mortos, maioritariamente manifestantes, mas também membros das forças da ordem.

Trump afirmou na quinta-feira que uma "frota enorme" se dirigia para as proximidades do Irão e advertiu Teerão para que cessasse a repressão contra os manifestantes.

O porta-aviões "Abraham Lincoln", que se encontrava no mar da China Meridional, foi enviado para o Golfo Pérsico, de acordo com as autoridades de defesa dos Estados Unidos.

Face ao aumento de tensão, várias companhias aéreas europeias, incluindo a Air France, a alemã Lufthansa e a neerlandesa KLM cancelaram voos para a região do Médio Oriente.


Leia Também: Trump diz que 800 prisioneiros foram poupados. Irão aponta "falsidades"

O procurador-geral do Irão classificou hoje como "completamente falsas" as repetidas declarações do presidente dos EUA que suspendeu as execuções por enforcamento de 800 manifestantes detidos naquele país


Elon Musk: "A morte tem alguns benefícios"... O magnata multimilionário e dono da Tesla, da SpaceX, do X e da xAI marcou presença no Fórum Económico Mundial e afirmou que acredita que, eventualmente, se encontrará uma forma de combater os efeitos do envelhecimento.

Por Noticiasaominuto.com 

O magnata multimilionário Elon Musk marcou presença no Fórum Económico Mundial que teve lugar esta semana em Davos, na Suíça, e, numa conversa com o CEO da BlackRock, Larry Fink, afirmou que o envelhecimento é um “problema muito solucionável”.

O dono da Tesla, da SpaceX, do X e da xAI acredita que, eventualmente, se encontrará formas de combater os efeitos do envelhecimento, mas também se questionou se será benéfico fazê-lo.

Musk começou por indicar que, eventualmente, se entenderá o que causa o envelhecimento e notou que deverá serer algo “incrivelmente óbvio” dado que faz com que todas as células envelheçam ao mesmo ritmo.

“Nunca vi na minha vida ninguém com um braço esquerdo velho e um braço direito novo, portanto, porque é que isso acontece? Deve haver um relógio que está a sincronizar 35 biliões de células no teu corpo”, afirmou Musk, notando logo a seguir que combater o envelhecimento do corpo não deverá ser totalmente benéfico para a sociedade.

“Sabes, a morte tem alguns benefícios”, notou o empresário de acordo com o site Business Insider. “Há uma razão para não vivermos mais tempo, porque se as pessoas viverem mais, penso que haveria o risco de uma ossificação da sociedade. De as coisas ficarem estagnadas. Pode tornar-se algo sufocante. Uma falta de vitalidade, mas, dito isto, penso que encontremos formas de prolongar a vida e talvez até de reverter o envelhecimento? Acho que isso é altamente provável”.

Lula da Silva acusa Trump de querer "criar uma nova ONU"... O Presidente brasileiro, Lula da Silva, acusou esta noite o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, de querer "criar uma nova ONU", na qual "ele, sozinho, é o dono".

Por LUSA 

"O multilateralismo está sendo jogado fora pelo unilateralismo, ou seja, está prevalecendo a lei do mais forte. A carta da ONU está sendo rasgada", criticou Lula da Silva hoje, na cidade de Salvador, durante o 14.º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra.

O chefe de Estado brasileiro disse ainda que em vez de se tentar corrigir a ONU "com a entrada de novos países, com a entrada de México, do Brasil, de países africanos", o que Donald Trump está a fazer é "uma proposta de criar uma nova ONU, e ele, sozinho, é o dono da ONU".

Até agora, cerca de 20 nações, algumas delas lideradas por aliados próximos de Trump, manifestaram o seu apoio à iniciativa, mas as grandes potências e a maioria dos países europeus têm-se mostrado reticentes, por considerarem que o Conselho  da Paz enfraquece a ONU.

Lula da Silva criticou ainda os planos revelados esta semana por Trump no Fórum Económico Mundial, em Davos (Suíça), para a construção de complexos hoteleiros de luxo numa Gaza devastada pela guerra entre o Hamas e Israel.

"Você viu a fotografia do que vão tentar fazer em Gaza? Um resort, ou seja, derrubaram e mataram mais de 80 mil pessoas para agora fazer hotel de luxo", criticou.


Leia Também: João Lourenço critica "contexto de humilhação" vivido pelas Nações Unidas

O Presidente angolano criticou hoje o "retrocesso assustador" mundial nas conquistas democráticas já alcançadas, com as Nações Unidas a viverem "num contexto de autêntica humilhação, sem capacidade de exercer o papel que lhe cabe".