© Lusa 23/06/2026 A prevalência de desnutrição crónica nas crianças menores de cinco anos é de 41,2%, segundo o documento, que se baseia nos dados do Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde 2023-2024 (IIMS 2023-2024), realizado entre setembro de 2023 e janeiro de 2024.
Registou-se ainda uma prevalência de desnutrição aguda de 8,3% e de sobrepeso de 2,5% nas crianças da mesma faixa etária.
A desnutrição crónica, medida pela relação altura/idade indica um défice nutricional prolongado que compromete o crescimento físico e o desenvolvimento cognitivo da criança. A desnutrição aguda, medida pela relação peso/altura, indica défice nutricional recente e grave, associado a perda de peso súbita. Já o sobrepeso resulta de peso superior ao considerado saudável para a altura.
As províncias com piores indicadores nutricionais tendem também a apresentar níveis mais elevados de mortalidade infantil e infantojuvenil, sublinha-se no documento, acrescentando-se que a desnutrição crónica "constitui o principal problema nutricional infantil no país".
Angola tem 36,6 milhões de habitantes, segundo os últimos censos, dos quais 17,5 milhões são crianças e adolescentes com menos de 18 anos. As maiores proporções desta faixa etária observam-se nas províncias do Bié, Uíge e Moxico, onde correspondem a entre 57% e 58% da população total.
No estudo são assinalados progressos em vários indicadores face ao IIMS 2015-2016: a mortalidade infantil baixou de 44 para 32 óbitos por mil nascidos vivos, a mortalidade infantojuvenil desceu de 68 para 52 por mil, o trabalho infantil recuou de 23,4% para 13%, e aumentou a cobertura do registo de nascimento e o acesso aos serviços de prevenção do VIH.
A mortalidade infantojuvenil apresenta, contudo, assimetrias provinciais marcadas, variando de nove óbitos por mil nascidos vivos em Malanje para 87 por mil no Cuando Cubango, a província com o índice mais elevado do país, seguida de Benguela e do Huambo.
Apenas 37,8% das crianças menores de cinco anos têm registo de nascimento, com Huambo, Cunene e Bié a registarem as proporções mais baixas, entre 16% e 25%.
No capítulo da educação, a taxa líquida de frequência escolar no ensino primário atingiu 66% a nível nacional, com o Bié (44%) e o Cunene (48%) a apresentarem os valores mais baixos, e o Zaire (87%) o mais elevado.
Em matéria de prevenção da malária, apenas 22% das crianças entre os zero e os quatro anos dormiram debaixo de uma rede mosquiteira na noite anterior ao inquérito, com o Moxico (5%), a Huíla (8%) e o Namibe (10%) a registarem os índices de proteção mais baixos.
No relatório são analisados 58 indicadores relativos a 18 províncias --- anterior à criação, em janeiro de 2025, das províncias de Icolo e Bengo, Cuando e Moxico Leste --- e conclui que, apesar da melhoria geral face a 2015-2016, "persistem assimetrias no acesso a serviços públicos essenciais", nomeadamente no ensino secundário, na assistência ao parto em unidades de saúde e no acesso a redes mosquiteiras tratadas.
Dois terços das crianças angolanas entre um e 14 anos foram sujeitas a algum método de disciplina violenta, indica o relatório Perfil da Criança em Angola divulgado hoje em Luanda.