segunda-feira, 27 de julho de 2026

EUA abandonam reunião na ONU em protesto contra críticas de França... Os Estados Unidos abandonaram hoje uma reunião do Conselho de Segurança da ONU porque o embaixador francês terá comparado os EUA à Coreia do Norte e à Rússia durante uma votação relacionada com os direitos humanos.

© Getty Images   Por LUSA    27/07/2026 

"Um membro deste Conselho finge indignação moral e pretende dar lições a toda a gente sobre todos os assuntos, quer se trate do conflito que ainda hoje estamos a debater [invasão da Rússia à Ucrânia], quer de questões relacionadas com a paz e a segurança, como os direitos humanos. Foi por isso que nos retiramos durante a intervenção da França", disse o embaixador adjunto norte-americano, Dan Negrea.

Uma saída deste tipo do Conselho é extremamente rara.

Negrea denunciou uma "postura hipócrita e entediante" de Paris que Washington tinha até então tolerado devido ao respeito entre os membros permanentes do Conselho.

Na sexta-feira, os Estados Unidos tinham sido um dos dez países a votar na Assembleia Geral contra a renovação, por quatro anos, do mandato do alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, juntamente com a Coreia do Norte, a Rússia, a Nicarágua e o Mali.

"Os Estados Unidos eram outrora um modelo em matéria de direitos humanos. Já não é esse o caso. Hoje, encontram-se ao lado da Coreia do Norte, da Nicarágua, do Mali e da Rússia. Isolados. E o mundo já não lhes dá ouvidos", publicou então na rede social X, em inglês, a missão da França junto das Nações Unidas em Genebra.

"Apoiámos este Estado-membro em todos os conflitos que ameaçavam as suas liberdades. E hoje, quero lembrar-lhes que os Estados Unidos continuam a ser o modelo de liberdade no mundo", insistiu Dan Negrea.

"Por conseguinte, não lhes concederemos o privilégio de ouvir as suas divagações politizadas enquanto não renunciarem à sua retórica condescendente e desrespeitosa e não se comportarem de forma digna", acrescentou.

"Este ano celebramos o 250.º aniversário dos Estados Unidos e todos sabem o papel que a França desempenhou nesse país", respondeu o embaixador francês Jérôme Bonnafont.

Bonnafont garantiu ainda que a França trabalha na ONU, seja no Conselho de Segurança ou na Assembleia Geral, "para preservar esta instituição, a sua independência e a sua capacidade de ação ao serviço da Carta, dos direitos humanos e da paz".


Oficial: Botche Candé deixa Estrela da Amadora e assina pelo Javor Matis... O Estrela da Amadora, da I Liga portuguesa de futebol, anunciou hoje a saída do médio Botche Candé para os sérvios do Javor Matis, com os quais assinou um contrato válido por três temporadas.

© CF Estrela da Amadora     Por  LUSA  27/07/2026 

Na época passada, o centrocampista de 22 anos atuou, por empréstimo, no Lusitano de Évora, na Liga 3, competição na qual ajudou o clube alentejano a garantir a manutenção para 2025/2026, antes de regressar ao emblema da Reboleira para ser posteriormente transferido rumo ao futebol sérvio.

"O CF Estrela da Amadora vem, por este meio, informar que chegou a acordo com o FK Javor Matis para a transferência, a título definitivo, do atleta Botche Candé", publicaram os 'tricolores', em comunicado.

No texto publicado, o Estrela da Amadora, que não especifica os valores pelos quais chegou a acordo com o Javor Matis, deseja ao atleta "a melhor continuidade para a sua carreira desportiva e agradece o trabalho desenvolvido ao serviço do clube".

Despacho judicial... Proceso número 1/2025


Milei chama "ladrão" e "prisioneiro" a Lula. Brasil convoca embaixador na Argentina após as "declarações ofensivas"

Presidente argentino Javier Milei na convenção do Partido Liberal brasileiro, mostrando o seu apoio  a Flavio Bolsonaro (AP)    Por  Cnnportugal.iol.pt

O chefe de Estado ultraliberal argentino, que apoia candiratura de Flávio Bolsonaro, referiu-se — sem o mencionar diretamente — ao presidente brasileiro de esquerda como "ladrão" e "prisioneiro"

O Brasil chamou este domingo o seu embaixador na Argentina para consultas, após declarações consideradas "ofensivas" do presidente argentino, Javier Milei, contra o homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Brasília.

Presente no lançamento da candidatura, no sábado, em São Paulo, de Flávio Bolsonaro às presidenciais de outubro no Brasil, o chefe de Estado ultraliberal argentino referiu-se — sem o mencionar diretamente — ao presidente brasileiro de esquerda como "ladrão" e "prisioneiro".

Figura destacada da direita latino-americana, Milei alertou ainda para "o risco Lula" nas eleições e apelou ao Brasil para que se libertasse da "escravidão à esquerda".

Por outro lado, mais uma vez sem nomear o juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, o Presidente argentino afirmou ainda que "aquele careca nojento" o tinha impedido de visitar o seu "amigo injustamente preso", Jair Bolsonaro, pai de Flavio e ex-presidente (2019-2022), detido por tentativa de golpe de Estado em 2022 e posteriormente colocado em prisão domiciliária em Brasília.

"O embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado para consultas", o Presidente Milei "ofendeu dois poderes, o povo e a democracia brasileira", disse à agência de notícias France-Presse (AFP) uma fonte diplomática brasileira, não identificada.

O Governo brasileiro convocou ainda, este domingo, o embaixador argentino no país.

"No Brasil, não aceitamos que ninguém se intrometa onde não foi convidado a fazê-lo", afirmou no domingo o Presidente Lula, sem especificar a quem se referia, durante um evento com sindicalistas, no qual prometeu continuar a governar o país "sem interferência de ninguém".

Javier Milei voltou a pronunciar-se este domingo e acusou o Governo brasileiro, bem como o México e o Partido Democrata dos Estados Unidos, de terem financiado uma "campanha anti-argentina", no que pareceu referir-se, pelo menos em parte, às críticas dirigidas ao país e à sua equipa, à margem do Mundial de Futebol.

Vários jogadores e membros da comissão técnica da Argentina, derrotada por 1-0 pela Espanha na final, atacaram fisicamente alguns jogadores espanhóis após o apito final, o que suscitou críticas contra a seleção argentina.

"Quem investiu mais dinheiro nesta campanha anti-argentina? O Governo do Brasil. Vinte e cinco por cento dos recursos vieram do Governo do Brasil", acusou Milei numa entrevista à Rádio Mitre.

"São os líderes progressistas que não querem que as ideias de liberdade funcionem", acrescentou, sem apresentar elementos que sustentassem as acusações.

O presidente do Supremo Tribunal Federal do Brasil, Edson Fachin, reagiu através de um comunicado às declarações de Milei relacionadas com Alexandre Moraes, criticando a "referência desrespeitosa" e lamentando "declarações incompatíveis com o espírito cívico que deve caracterizar as relações entre Estados".

Também o presidente do Partido dos Trabalhadores (no poder), Edinho Silva, considerou que o chefe de Estado argentino se tinha mostrado "indigno do cargo que ocupa".

Lula da Silva mantém relações frias com Javier Milei desde que este assumiu, em 2023, a Presidência da Argentina, país vizinho e parceiro estratégico do Brasil. Embora se tenham cruzado em encontros multilaterais, nunca realizaram uma reunião bilateral.

Na última viagem à Argentina, em 2025, Lula visitou, pelo contrário, a ex-presidente e atual figura da oposição Cristina Fernández de Kirchner, que se encontra em prisão domiciliária por corrupção.

Este sábado, Milei acusou Lula de ter tentado prejudicá-lo durante a campanha presidencial argentina de 2023. "Tinha um vizinho que se intrometia na política argentina para tentar distorcer o curso da história a favor desses canalhas de esquerda", afirmou, sem, mais uma vez, nomear o Presidente brasileiro.