© Mohammed Hamoud/Getty Images Por LUSA 20/09/2026
O Presidente norte-americano, Donald Trump, que deveria passar todo o fim de semana na residência presidencial de Camp David, no estado do Maryland, regressou a Washington no sábado à noite, sem explicação oferecida pela Casa Branca.
Mas este regresso antecipado ocorre quando foi ultrapassado um novo patamar nas hostilidades entre a Arábia Saudita e os Hutis, que controlam grande parte do vizinho Iémen e combatem as forças governamentais, apoiadas por uma coligação liderada por Riade.
Fortes explosões foram ouvidas duas vezes no sábado na capital saudita com um depósito de combustível com o logótipo da gigante petrolífera saudita Aramco em chamas perto do aeroporto, reportou a agência France-Presse.
"Este conflito militar tem potencial para uma rápida escalada", considerou o Departamento de Estado norte-americano, num aviso publicado na rede social X dirigido aos cidadãos norte-americanos que se encontram no Médio Oriente.
O rápido avanço dos Hutis nas últimas semanas no Iémen causou centenas de mortos e, segundo a ONU, mais de 110.000 deslocados.
Estes combates e as hostilidades que se seguiram com o reino vizinho já perturbaram o tráfego marítimo e as exportações da Arábia Saudita, primeiro fornecedor mundial de petróleo.
Como consequência, o barril de petróleo disparou para cima dos 100 dólares (87 euros), fazendo disparar os preços dos combustíveis para os consumidores de todo o mundo, incluindo nos Estados Unidos, onde se aproximam as eleições intercalares.
Na noite de sábado, a coligação liderada pela Arábia Saudita confirmou na rede social X que um míssil tinha sido lançado na noite anterior pelos Hutis em direção a Riade, garantindo que tinha sido destruído.
Segundo a coligação, estes combatentes tentaram também atingir "civis e bens civis" em várias cidades do oeste do reino, incluindo o porto de Yanbu, no mar Vermelho, a partir do qual Riade exporta petróleo. Ataques que foram "frustrados", segundo a mesma fonte.
Os Hutis reivindicaram, por seu lado, dois ataques com mísseis e 'drones', um contra "locais sensíveis em Riade" e outro contra "instalações da Aramco em Yanbu".
Os ataques dos Hutis contra o reino tinham até agora visado sobretudo instalações petrolíferas e bases militares no sul ou na costa do mar Vermelho. A capital saudita não era ameaçada desde o recomeço, em julho, das hostilidades com os combatentes pró-iranianos.
Riade tinha, em contrapartida, sido atingida no auge da guerra regional desencadeada no final de fevereiro pelo ataque norte-americano e israelita contra o Irão, que respondeu lançando ataques contra os países do Golfo aliados dos Estados Unidos.
Em resposta a estes ataques, a Arábia Saudita tem bombardeado diariamente e em larga escala as zonas controladas pelos combatentes no Iémen, sem, contudo, ter conseguido até agora enfraquecê-los.
Os Hutis, que lançaram no início de setembro uma vasta ofensiva no Iémen, controlam agora todo o litoral junto ao mar Vermelho, reforçando o seu domínio sobre o estreito de Bab el-Mandeb.
Esta passagem, que liga a Ásia à Europa através do canal do Suez, ganhou importância após o início da guerra no Médio Oriente, quando o Irão começou a perturbar fortemente o tráfego marítimo no estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica.
Duas fontes do movimento Huti disseram no sábado à AFP que os combatentes estavam a instalar radares e a escavar túneis ao longo da costa do mar Vermelho, acrescentando que membros dos Guardas da Revolução, poderosa força armada do Irão, se deslocaram recentemente à região.
Sob pressão, a Arábia Saudita tem intensificado os contactos diplomáticos, com o meio de comunicação norte-americano Axios a afirmar na semana passada que os Estados Unidos tinham recusado atacar os Hutis a pedido de Riade.
Em declarações à Al-Jazeera, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Mohsen Rezaï, afirmou que Teerão transmitiu indiretamente a Washington as suas condições prévias para qualquer recomeço das negociações, incluindo o fim das hostilidades em todas as frentes e o fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos.
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O presidente do parlamento iraniano afirmou hoje que o Irão está a trocar mensagens com os Estados Unidos através de mediadores, nas quais transmitiu as condições para pôr fim à guerra que os opõe desde 28 de fevereiro.
"Foram trocadas mensagens nas quais as nossas condições foram explicitamente esclarecidas à outra parte através de intermediários", afirmou Mohamad Baqer Qalibaf num discurso numa sessão por videoconferência do Parlamento, segundo a agência noticiosa estatal ISNA.
Qalibaf, que lidera a equipa de negociação com os Estados Unidos, insistiu que enquanto as condições de Teerão não forem cumpridas "não haverá possibilidade de regressar ao estado anterior das negociações nem de reabrir o estreito de Ormuz"...




