sexta-feira, 27 de março de 2026

Teerão promete fazer pagar "preço elevado" por ataques na energia... O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano prometeu que Teerão vai cobrar "um preço elevado" pelos "crimes israelitas", referindo-se aos ataques aéreos de hoje a siderurgias e instalações nucleares civis iranianas.

Por LUSA 

"Israel atacou duas das mais importantes siderurgias do Irão, uma central elétrica e instalações nucleares civis, entre outras infraestruturas, em coordenação com os Estados Unidos", declarou Abbas Araghchi.

A Guarda Revolucionária, exército ideológico da República Islâmica, também reagiu aos bombardeamentos, instando os responsáveis de instalações industriais da região do Médio Oriente ligadas aos Estados Unidos e a Israel a evacuarem esses locais, porque o Irão vai retaliar.

Por seu lado, o diretor-geral da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, reiterou o "apelo para a contenção militar, para evitar qualquer risco de acidente" no Irão, após os ataques israelitas e norte-americanos a instalações nucleares.

"A AIEA foi informada pelo Irão" de um ataque contra a central de Arkadan, na província de Yadz, no centro do país, declarou a agência especializada da ONU nas redes sociais.

"Não foi registado qualquer aumento nos níveis de radiação fora da central", acrescentou.

O ataque aéreo à unidade de processamento de urânio de Ardakan foi inicialmente anunciado pela Organização Iraniana de Energia Atómica e logo confirmado pelo Exército israelita.

As forças israelitas "atacaram a única instalação deste tipo no Irão utilizada para produzir materiais necessários ao processo de enriquecimento de urânio", indicou o Exército num comunicado, acrescentando que Israel "não permitirá" que o Irão "avance com o programa de armas nucleares".

O complexo de processamento de água pesada de Khondab (novo nome do reator de Arak), situado a duas horas da capital, foi também "alvo de um ataque, em duas fases, orquestrado pelo inimigo norte-americano e sionista", informou a agência de notícias Fars, citando uma fonte local.

Foram igualmente bombardeados dois importantes complexos siderúrgicos iranianos, na região de Isfahan, no centro do Irão, e na província de Cuzistão, no sudoeste.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação, o Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.

Desde o início do conflito, as autoridades iranianas contabilizaram pelo menos 1.332 mortos e mais de 10.000 feridos, mas não atualizaram o balanço oficial nos últimos dias.

A organização não-governamental HRANA (Human Rights Activists News Agency), com sede nos Estados Unidos, situa o número total de vítimas mortais no Irão em pelo menos 3.329, entre as quais 1.492 civis.


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O chefe da diplomacia norte-americana disse esperar que o conflito com o Irão termine dentro de duas semanas, enquanto o G7 apelou para o "fim imediato dos ataques contra população e infraestruturas civis" no Médio Oriente.

Ex-ministro diz que Lula "está abusando do direito de falar besteira"... O ex-ministro Geddel Vieira da Lima criticou o presidente brasileiro, Lula da Silva, considerando que "está abusando do direito de falar besteira" em relação às suas declarações sobre gastos com cães no Brasil e na China.

Por LUSA 

O ex-ministro da Integração Nacional do Brasil, Geddel Vieira da Lima, afirmou esta sexta-feira que o presidente do país, Lula da Silva, "abusa do direito de falar besteira".

Geddel Vieira da Lima foi ministro entre 2007 e 2010, durante o segundo mandato de Lula da Silva. Ainda assim, o presidente brasileiro foi criticado pelas suas recentes declarações sobre a presença de cães na China. 

Para o ex-ministro, citado pelo jornal brasileiro Metrópoles, Lula "está abusando do direito de falar besteira".

Em causa está o facto de Lula da Silva ter abordado os gastos que os brasileiros têm com animais de estimação, sobretudo cães, durante uma visita a uma fábrica, em que estava presente o presidente do conselho da empresa chinesa Changan, Zhu Huarong. 

"Meu caro Zhu, na China não deve ter esse problema, mas aqui no Brasil nós gostamos muito de cachorro", disse Lula da Silva.

Sublinhe-se que o consumo de carne de cão na China tem raízes históricas antigas, associadas sobretudo a períodos de escassez alimentar. No entanto, trata-se de uma prática regional e minoritária.

União Africana recusa apoiar candidatura de Macky Sall à chefia da ONU... A candidatura do ex-Presidente senegalês Macky Sall ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas para substituir António Guterres foi recusada pela União Africana (UA), depois de ser rejeitada por 20 dos 55 Estados-membros da organização.

Por LUSA 

Segundo a agência France-Presse (AFP), um total de 20 Estados-membros da UA, cujos nomes não foram comunicados, opuseram-se à candidatura de Sall, que liderou o Senegal de 2012 a 2024 e que não é apoiado pelo seu país. A candidatura de Sall tinha sido proposta pelo Burundi, que ocupa a presidência rotativa da UA.

O projeto de decisão que apoiava a candidatura de Sall, submetido aos Estados-membros segundo o procedimento de "aprovação tácita", não deveria suscitar objeções de mais de um terço dos 55 países pertencentes à organização continental.

"Em consequência, o projeto de decisão relativo à candidatura ao cargo de secretário-geral da ONU de Macky Sall, antigo Presidente da República do Senegal, não foi adotado", indicou a organização pan-africana.

As atuais autoridades do Senegal, eleitas em 2024 - o Presidente, Bassirou Diomaye Faye, e o seu primeiro-ministro, Ousmane Sonko -, acusam os antigos dirigentes, a começar por Macky Sall, de atos culposos na gestão deste país vizinho da Guiné-Bissau.

A ONU enviou em novembro uma carta aos Estados-membros para que propusessem candidatos ao cargo de secretário-geral.

O próximo chefe das Nações Unidas iniciará o seu mandato a 01 de janeiro de 2027, sucedendo ao antigo primeiro-ministro de Portugal António Guterres.

Cada candidato deve ser apresentado oficialmente por um Estado ou por um grupo de Estados, mas não necessariamente pelo seu país de origem.

Segundo uma tradição de rotação geográfica, nem sempre seguida, o cargo é desta vez reivindicado pela América Latina.

Numerosos Estados defendem igualmente que uma mulher ocupe, pela primeira vez, este cargo.

A antiga presidente chilena Michelle Bachelet, o chefe da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) Rafael Grossi e a antiga vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan são candidatos ao cargo de secretário-geral.

A diplomata argentina Virginia Gamba, cuja candidatura havia sido apresentada pelas Maldivas, acabou por ser eliminada da corrida ao cargo, anunciou quinta-feira a porta-voz da Assembleia-Geral da organização.

A candidatura da ex-representante especial da ONU para a proteção de crianças em conflitos armados foi anunciada em meados de março, mas as Maldivas informaram a ONU "da sua decisão de retirar a nomeação", disse La Neice Collins à comunicação social.

Como a candidatura foi apresentada apenas por um Estado, ficou automaticamente invalidada.

Escassez de combustível em postos de abastecimento e restrições em África... A guerra no Médio Oriente está a obrigar muitos países africanos, do Quénia à África do Sul ou Egipto, a tomarem medidas face à escassez de combustível e condutores a passarem horas em filas para atestarem os veículos.

Por LUSA 

O Quénia é um exemplo do impacto que os ataques lançados por Israel e os Estados Unidos da América contra o Irão está a ter em África, principalmente depois da interrupção - uma retaliação de Teerão - do tráfego no Estreito de Ormuz, via de escoamento para o petróleo do Golfo Pérsico, por onde passa 20% da produção mundial e 70% do gasóleo que alimenta, por exemplo, a aviação em África.

Desde a semana passada, ficámos vários dias sem gasolina e gasóleo, o que nunca nos tinha acontecido antes", disse à agência espanhola de notícias, a Efe, a gerente de um posto de abastecimento na zona industrial de Nairobi.

Apesar de ter grandes países produtores de petróleo, como Nigéria ou Angola, o continente compra cerca de 70% das suas necessidades aos países do Golfo Pérsico, que aprofundaram os laços comerciais com o continente nos últimos anos, investindo em setores como a logística ou a energia, muitas vezes com acordos que implicavam a compra de petróleo a estes países.

Para além da tradicional vulnerabilidade às flutuações dos preços do petróleo, com impactos a nível das finanças públicas, os países africanos enfrentam também uma forte dependência das importações de gasóleo, devido à baixa capacidade de refinação, muito abaixo das necessidades energéticas.

"O primeiro grande impacto nos consumidores africanos é o aumento nos preços da gasolina em países como a África do Sul, o Zimbabué ou os Camarões", explicou o presidente executivo da Câmara Africana de Energia (AEC), NJ Ayuk.

O líder desta entidade vocacionada para promover o investimento energético em África terá na mente exemplos como os da África do Sul, onde as perdas para as empresas que vendem combustível subiram de 17 cêntimos para 30 cêntimos por litro, ou na Nigéria, onde os preços subiram aos 80 cêntimos, face aos 50 cobrados antes da guerra, de acordo com a agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP).

Mesmo com a subida de preços, os consumidores não encontram alternativas, o que já obrigou alguns governos a tomarem medidas como a limitação do horário de abertura de centros comerciais, bares, cafés e restaurantes.

No Egito, o governo decretou hoje o fecho destes estabelecimentos a partir das 21 horas e pondera impor dias de teletrabalho para os funcionários públicos a fim de evitar consumos de combustível, para além de ter tomado mais medidas para controlar os gastos de energia.

O objetivo é conseguir limitar a utilização do petróleo enquanto ainda há reservas, algo que preocupa também o vice-presidente da Associação de Petroleiros da República Democrática do Congo, que disse que receia "esgotar as reservas sem conseguir renová-las".

O Sudão do Sul começou a racionar eletricidade na capital, Juba, o Zimbábue está a aumentar o teor de etanol na sua gasolina e nas Maurícias o governo impôs restrições para reduzir o desperdício, especialmente em áreas de alto consumo de energia.

Ereneo Mogga, um engenheiro elétrico que vive numa das áreas mais afetadas de Juba, disse à BBC que a energia frequentemente é cortada às 16:00 e não volta até às 04:00 do dia seguinte.

"Isso paralisa a maioria dos negócios", disse, acrescentando que alguns daqueles que podem pagar estão mudando para energia solar.

O Sudão do Sul possui algumas das maiores reservas de petróleo da África Oriental, mas a maior parte é exportada, e importa o produto refinado necessário para combustível. De acordo com a Agência Internacional de Energia, o Sudão do Sul gera 96% da sua eletricidade a partir do petróleo.

Atacada central de processamento de urânio no Irão... A Organização de Energia Atómica Iraniana denunciou hoje ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel a uma central de processamento de urânio no centro do Irão.

Por  LUSA 

A central de Ardakan, localizada na província de Yazd, "foi alvo de um ataque realizado há poucos minutos pelo inimigo norte-americano-sionista", escreveu a organização na plataforma digital Telegram.

De acordo com a organização da República Islâmica, o ataque "não causou qualquer libertação de materiais radioativos".


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O secretário de Estado norte-americano disse hoje que espera o fim do conflito com Irão "nas próximas duas semanas" e que acredita no cumprimento dos objetivos de guerra sem operações terrestres na República Islâmica.

Israel vai intensificar ataques e quer continuar a matar responsáveis... Israel avisou hoje que o seu exército vai "intensificar e expandir" os ataques contra o Irão e ameaçou continuar a assassinar altos responsáveis iranianos, no contexto da ofensiva conjunta com os Estados Unidos, iniciada a 28 de fevereiro.

© Lusa   27/03/2026 

"Os ataques das Forças de Defesa de Israel (FDI) contra alvos militares e de segurança do Irão continuam sem descanso", afirmou o ministro da Defesa israelita, Israel Katz. 

Katz acrescentou que Israel "advertiu o regime terrorista iraniano" contra o disparo de mísseis contra a população civil israelita.

"Apesar dos avisos, os disparos continuam, pelo que os ataques das FDI se intensificarão e expandirão para alvos e áreas adicionais que ajudam o regime a fabricar e operar armas contra cidadãos israelitas", declarou, antes de sublinhar que Israel continuará a assassinar "líderes do regime terrorista e os seus comandantes, bem como a destruir as suas capacidades estratégicas".

Katz sublinhou que as autoridades iranianas "pagarão um preço elevado e crescente" pelos seus "crimes de guerra" em Israel. 

"A frente interna em Israel e as FDI são fortes e continuaremos a operar no Irão com todo o nosso poderio até que todos os objetivos da guerra sejam alcançados", concluiu, segundo um comunicado divulgado pelo seu gabinete.

As autoridades iranianas confirmaram no seu último balanço mais de 1.500 mortos na ofensiva de Israel e dos Estados Unidos, entre os quais figuras de destaque como o líder supremo, o aiatola Ali Khamenei, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, e os ministros da Defesa e da Inteligência, Aziz Nasirzadeh e Esmaeil Khatib, respetivamente, bem como altos responsáveis das Forças Armadas e de outros organismos de segurança.

A ofensiva foi lançada no meio de um processo de negociações entre os Estados Unidos e o Irão para tentar alcançar um novo acordo nuclear, o que levou Teerão a responder com ataques contra território israelita e interesses norte-americanos na região do Médio Oriente, incluindo bases militares.


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A Guarda Revolucionária do Irão reiterou hoje que o estreito de Ormuz continua fechado e ameaçou que qualquer embarcação que atravesse esta rota vital "enfrentará consequências graves".

Portugal aumentou capacidade de processamento e emissão de vistos em Cabo Verde... Os serviços consulares da embaixada de Portugal em Cabo Verde aumentaram a capacidade de processamento e receberam mais 62% de pedidos de vistos (Schengen e nacionais) em 2025 face a 2023, ano dos últimos dados da Lusa.

© Lusa   27/03/2026 

Houve um "aumento enorme da capacidade de processamento", referiu fonte da representação diplomática, numa alusão a reforços de pessoal, de recursos e reformas de gestão.

O incremento é visto como "um sucesso" no combate ao açambarcamento de vagas, motivo recorrente de queixas de quem procura vistos, mas não consegue agendamentos.

Além dos vistos nacionais, Portugal gere o Centro Comum de Vistos (CCV), na capital cabo-verdiana, onde são emitidos os vistos Schengen até 90 dias para vários países europeus.

A emissão destas autorizações de curta duração, em 2025, cresceu 58,3% em relação às 11.600 emitidas em 2023, superando agora as 18.000.

Segundo a mesma fonte, trata-se de "um aumento muito grande de mobilidade não relacionada com emigração", uma vez que o visto Schengen não permite residência e as regras ficaram mais apertadas (com o fim da "manifestação de interesse") para quem não respeitar o prazo fixado no passaporte.

Por outro lado, a possibilidade de alargamento progressivo do prazo de validade destes vistos "tem sido cada vez mais utilizada", quando um requerente volta a pedir autorização de entrada, acrescentou.

O crescimento da mobilidade Schengen coincide também com a expansão de companhias e rotas aéreas entre diferentes ilhas cabo-verdianas, Portugal e o resto da Europa.

Por outro lado, os serviços consulares da embaixada portuguesa em Cabo Verde emitiram 6.894 vistos com fins laborais durante o ano de 2025, um crescimento de 9% face aos 6.319 vistos atribuídos em 2023.

Na altura, os vistos atribuídos tinham quadruplicado em relação a 2022 e a maioria (quase 4.000) eram destinados à procura de trabalho, modalidade que deixou de existir, sendo residual nos números de 2025.

Os vistos agora atribuídos baseiam-se em contratos de trabalho verificados pelos serviços consulares.

Seja qual for o pedido de visto, o apelo dos serviços mantém-se: os interessados devem contactar a embaixada de Portugal sempre que tiverem dificuldades no agendamento, em vez de recorrerem a terceiros -- o agendamento não tem custos para vistos Schengen e, no caso de vistos para Portugal, aplica-se uma taxa (através da empresa VFS Global) no valor de 4.400 escudos (cerca de 40 euros).

As autoridades cabo-verdianas têm realizado detenções, desde 2024, após denúncias relacionadas com burlas e redes que açambarcam vagas em processos de agendamento de vistos, exigindo depois diferentes valores pelas marcações.

As questões migratórias têm motivado debate, em Cabo Verde.

Uma das principais associações de empresários do arquipélago alertou para a crise de mão-de-obra nalguns setores de atividade.

Marcos Rodrigues, presidente da Câmara de Comércio Indústria e Serviços de Sotavento, disse em fevereiro, à Lusa, que Cabo Verde deve deixar claro que compreende as necessidades de Portugal, "mas não pode ser à custa de pressão" sobre o mercado interno.

Um mês depois conflito mostra imprevisibilidade e risco global crescente... Um mês depois do início do conflito militar no Golfo, a guerra permanece longe do rápido desfecho antecipado pelo Presidente norte-americano e ameaça a estabilidade regional e a economia global.

Por LUSA 

Fontes militares e analistas sublinharam que, apesar da "inegável superioridade operacional" das forças norte-americanas, Washington parece ter sido apanhado desprevenido pela resiliência iraniana, nomeadamente no uso de mísseis balísticos e redes regionais de influência.

A realidade no terreno na ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão, marcada por avanços táticos, recuos estratégicos e uma elevada imprevisibilidade, tem contrariado a previsão inicial de Donald Trump, expondo a complexidade de um conflito que rapidamente extravasou o quadro de uma operação militar limitada.

Logo nas primeiras horas da operação Fúria Épica, em 28 de fevereiro, forças norte-americanas e israelitas realizaram cerca de 900 ataques aéreos em 12 horas, atingindo sistemas de defesa, bases de mísseis e centros de comando em todo o Irão, numa ofensiva que incluiu bombardeiros estratégicos e cerca de 200 caças israelitas.

Entre os alvos esteve a liderança iraniana, com Washington e Telavive primeiro, e Teerão posteriormente, a confirmarem a morte do líder supremo Ali Khamenei, num ataque de "decapitação" que marcou o ponto de viragem inicial do conflito.

A resposta iraniana foi imediata e significativa: cerca de 170 mísseis balísticos foram lançados contra Israel e contra bases norte-americanas no Golfo, atingindo infraestruturas no Bahrein e áreas urbanas como Haifa e Telavive.

Nos dias seguintes, Teerão intensificou o uso combinado de mísseis e drones, numa estratégia de desgaste que visou não apenas alvos militares, mas também a disrupção logística e energética da região.

Rapidamente, o conflito assumiu contornos particularmente sensíveis com a extensão das operações iranianas a países vizinhos que acolhem bases ou interesses norte-americanos, alimentando receios de um alargamento do teatro de guerra.

Apesar de ataques pontuais contra alvos ligados aos Estados Unidos em territórios como Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, estes países têm mantido uma postura de contenção, evitando uma escalada direta que podia desencadear um conflito regional de maiores dimensões.

A partir da segunda semana, o conflito expandiu-se de forma mais visível ao Líbano, com o movimento xiita Hezbollah, apoiado por Teerão, a lançar foguetes e drones contra o norte de Israel e este a responder com bombardeamentos intensos e, posteriormente, com operações terrestres no sul libanês.

Trump tem criticado repetidamente os aliados, em particular os países-membros da NATO, por não contribuírem de forma mais ativa para garantir a segurança da navegação no estreito de Ormuz, alegando que a Europa precisa mais daquela passagem do que os EUA.

O bloqueio de Ormuz tem provocado perturbações significativas nos mercados energéticos globais, com reflexos diretos nos preços do petróleo e do gás, alimentando receios de uma nova crise energética com impacto na economia mundial.

No plano diplomático, a ONU tem reiterado apelos para um cessar-fogo imediato, enquanto líderes europeus e a NATO defendem uma solução negociada que evite uma escalada irreversível.

No que respeita ao balanço humano, as estimativas disponíveis --- com forte variação consoante as fontes --- apontam para vários milhares de mortes na região ao fim de um mês de combates.

No Líbano, o Ministério da Saúde do Líbano anunciou que os ataques israelitas fizeram 1.094 mortos desde o início da guerra, mais de 3.000 feridos e mais de um milhão de deslocados.

Do lado norte-americano, fontes militares apontam para pelo menos 13 militares mortos e cerca de 150 feridos; em Israel, as autoridades têm sido reservadas, mas admitem várias vítimas entre militares e civis, sobretudo na sequência de ataques com mísseis e drones iranianos e de confrontos diretos com o Hezbollah no norte do país.

Já no Irão, além das baixas militares - estimadas em mais de mil apenas na primeira semana - o número de civis mortos tem aumentado, particularmente em resultado de ataques a infraestruturas em zonas urbanas.

Nos últimos dias, Trump tem referido a existência de contactos diplomáticos com o Irão, afirmando que "as discussões continuam e são produtivas" e, embora estas declarações tenham sido negadas pelas autoridades iranianas.

Ainda na quinta-feira, o enviado norte-americano Steve Witkoff falava em "fortes indícios" da possibilidade de uma solução de paz a curto prazo, com a mediação das autoridades do Paquistão.

Nos últimos dias, Teerão admitiu trocas indiretas de mensagens, mas rejeitou um plano de paz de 15 pontos proposto pelos Estados Unidos, o que mantém o impasse, com novas ameaças de escalada de todas as partes.

A questão central permanece em aberto: como sair de uma guerra que, apesar de inicialmente concebida como rápida e cirúrgica, se transformou num teste prolongado à capacidade de gestão estratégica de Washington, Telavive e Teerão.

Ataques de drones ucranianos atrasam mais de 50 voos na Rússia... Ataques de drones lançados pela Ucrânia contra território russo obrigaram as autoridades de aviação russas a atrasar hoje mais de 50 voos, principalmente nos aeroportos de São Petersburgo e Kaliningrado.

© Sergei Mikhailichenko/SOPA Images/LightRocket via Getty Images    Por  LUSA  27/03/2026 

De acordo com um comunicado do Aeroporto de Pulkovo, na antiga capital imperial, 43 voos sofreram atrasos superiores a duas horas e 23 foram cancelados.

Outros 23 voos foram desviados para aeroportos alternativos, informou o aeroporto.

Entretanto, 11 voos foram atrasados no Aeroporto de Kaliningrado, segundo o 'site' oficial do terminal.

No total, segundo o Ministério da Defesa russo, 85 drones de asa fixa foram "intercetados e destruídos" sobre nove regiões russas e o Mar Negro.


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O principal porto comercial do Kuwait foi hoje alvo de um ataque com drones inimigos, anunciaram as autoridades portuárias locais, esclarecendo que a infraestrutura de Shuwaikh teve somente danos materiais, sem quaisquer vítimas, em comunicado na rede social X.

China adverte para riscos de ataque a instalações nucleares... O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou que atacar instalações nucleares no Médio Oriente "teria consequências incalculáveis" e mergulharia a região na miséria, numa reunião com o diretor-geral da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA).

© Kevin Frayer/Getty Images    Por  LUSA   27/03/2026 

"Devemos impedir que o confronto se intensifique (...). Só um cessar-fogo imediato e o reinício do diálogo e da negociação podem eliminar verdadeiramente as causas do conflito [entre o Irão e os EUA e Israel]", afirmou na quinta-feira o chefe da diplomacia chinesa, que recebeu Rafael Grossi na quinta-feira, de acordo com um comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. 

O ministro salientou que a AIEA desempenha "um papel vital na governação nuclear mundial", manifestou o desejo do seu país de reforçar a cooperação com a agência para salvaguardar o regime internacional de não proliferação e reiterou o desejo da China de fortalecer a ONU.

De acordo com o comunicado oficial, Grossi apelou para que todos os países colaborem para enfrentar os "preocupantes" desafios atuais e assegurou que a AIEA está disposta a aprofundar a comunicação e a cooperação com a China "para resolver as questões críticas pertinentes e promover a utilização pacífica da energia nuclear".

Esta semana, Grossi afirmou numa entrevista concedida ao jornal italiano Corriere della Sera que poderão realizar-se em Islamabade (Paquistão), este fim de semana, novas conversações entre delegações do Irão e dos Estados Unidos, nas quais Washington poderá exigir o "enriquecimento zero" por parte de Teerão como condição para o acordo.

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês intensificou esta semana os contactos com os homólogos de outras potências e do Médio Oriente, com quem já falara quando o conflito teve início no final de fevereiro, na sequência dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, aos quais Teerão respondeu com o lançamento de mísseis e veículos aéreos não tripulados ("drones") contra Israel e alvos estratégicos no Golfo, além de manter bloqueado o estreito de Ormuz, por onde transita um quinto do abastecimento mundial de petróleo bruto.

Perante a crise, Pequim enviou o enviado especial para o Médio Oriente, Zhai Jun, numa visita a vários países da região, onde manteve contactos com representantes da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Bahrein, do Kuwait, do Qatar e do Egito, bem como com o Conselho de Cooperação do Golfo e a Liga Árabe.


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O Presidente chinês felicitou hoje o líder norte-coreano, Kim Jong-un, pela reeleição à frente do Comité de Assuntos de Estado, o cargo mais alto do principal órgão de orientação política do país, informou a imprensa estatal.

Assinatura de Trump vai passar a aparecer nas notas de 100 dólares... A assinatura do presidente dos Estados Unidos da América (EUA) aparecerá pela primeira vez nas futuras notas de dólares norte-americanos, anunciou esta sexta-feira o Departamento do Tesouro dos EUA.

Por  sicnoticias.pt

"Em homenagem ao 250.º aniversário dos Estados Unidos da América, a assinatura do presidente Donald Trump passará a aparecer nas futuras notas de papel-moeda dos EUA juntamente com a do Secretário do Tesouro", revelou o Departamento do Tesouro dos EUA, em comunicado.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse, citado em comunicado, que as notas de dólares com o nome de Donald Trump são a forma mais "poderosa de reconhecer as conquistas históricas" dos Estados Unidos e do atual presidente norte-americano.

As primeiras notas de 100 dólares com a nova assinatura serão impressas em junho, de acordo com a agência de notícias francesa Agence France-Press (AFP).

Segundo a mesma fonte, a medida será depois alargada a outras denominações.

Desde 1861 que apenas as assinaturas do Secretário do Tesouro e do Tesoureiro dos EUA apareciam nas notas de dólares.

O anúncio sobre a presença do nome do presidente dos Estados Unidos nas notas de dólares norte-americanos faz parte de uma série de decisões que visam colocar a assinatura de Donald Trump em vários edifícios e símbolos dos EUA, segundo a AFP.

No dia 19 de março, uma comissão federal de belas-artes (cujos membros foram todos nomeados por Donald Trump) aprovou a cunhagem de uma moeda de ouro comemorativa com a imagem do presidente dos EUA.

Vários edifícios públicos já foram renomeados em homenagem a Donald Trump desde o seu regresso à Casa Branca, no ano passado, como a instituição cultural de renome em Washington, o Kennedy Center.

Na Florida, onde fica a residência privada do presidente dos EUA, foi aprovada uma lei que alterará o nome do Aeroporto Internacional de Palm Beach em homenagem a Donald Trump.


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O Pentágono está a considerar a possibilidade de enviar mais 10 mil soldados para o Médio Oriente, incluindo tropas terrestres, de acordo com notícia avançada na quinta-feira pelo The Wall Street Journal.

Irão lança novos ataques contra Israel e alvos dos EUA no Golfo Pérsico... O Irão anunciou hoje uma nova vaga de ataques contra Israel e alvos norte-americanos em países do Golfo Pérsico, tendo explosões sido ouvidas também no sul de Beirute, com a comunicação social a noticiar ataques israelitas.

© Lusa   27/03/2026 

A Guarda Revolucionária iraniana publicou um comunicado, divulgado pela agência Fars, no qual detalhou os alvos da 83.ª vaga de bombardeamentos, desta vez dirigida contra a localidade israelita de Modiin e os depósitos de petróleo de Ashdod, uma das maiores refinarias de Israel, bem como as bases militares de Al Dafra (Emirados Árabes Unidos), Al Adairi e Ali Al Salem (Kuwait) e Sheikh Isa (Bahrein).

As Forças de Defesa de Israel (FDI) identificaram, por sua vez, pelo menos duas salvas de mísseis sobre o país, que não causaram feridos nem vítimas, de acordo com serviços de emergência israelitas.

O Exército do Kuwait afirmou ter intercetado drones, tal como o Ministério da Defesa da Arábia Saudita.

Os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, iniciados no passado dia 28 de fevereiro, provocaram a resposta de Teerão sob a forma de lançamentos constantes de mísseis sobre Israel e bases militares norte-americanas no Golfo.

Entretanto, explosões foram ouvidas no sul de Beirute nas primeiras horas de hoje, de acordo com jornalistas da agência France-Presse (AFP), com os meios de comunicação locais a noticiarem ataques israelitas.

Imagens da AFP mostraram fumo a subir dos subúrbios a sul da capital libanesa, considerada por Israel como um reduto do movimento pró-Irão Hezbollah. Não se sabe para já se o ataque causou vítimas.

Esta zona tem sido alvo de ataques regulares desde que o Líbano foi arrastado para a guerra no Médio Oriente, em 02 de março.

O exército israelita não emitiu qualquer aviso ou pedido de evacuação prévia na zona atingida pelo ataque.

Normalmente densamente povoada, esta área ficou praticamente deserta desde o início das hostilidades.

O Líbano foi arrastado para a guerra no início de março, quando o Hezbollah, apoiado por Teerão, começou a disparar foguetes contra Israel para vingar o assassínio do líder supremo iraniano Ali Khamenei, morto no primeiro dia da ofensiva americano-israelita no Irão.

Enquanto Israel manifesta determinação em intensificar a campanha militar contra o movimento islamista, este último reivindicou uma série de ataques contra as tropas israelitas que estão a realizar uma incursão terrestre no sul do Líbano.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou na quarta-feira que Israel estava a alargar uma "zona tampão" no Líbano para "afastar a ameaça dos mísseis" do Hezbollah.

O movimento declarou que combatentes continuavam hoje os ataques contra as tropas israelitas no sul do Líbano.

Na quinta-feira, meios de comunicação oficiais noticiaram ataques mortíferos de Israel em várias zonas do sul do país. O Hezbollah reivindicou mais de 90 ataques contra alvos israelitas no interior do Líbano e do outro lado da fronteira.

Por seu lado, o exército israelita declarou na quinta-feira que dois soldados foram mortos no sul do Líbano, enquanto os serviços de emergência israelitas indicaram que um foguete disparado a partir do Líbano matou um homem na região de Nahariya, no norte de Israel.

De acordo com as autoridades libanesas, os ataques israelitas realizados desde 02 de março causaram pelo menos 1.116 mortos, incluindo 121 crianças, e mais de um milhão de pessoas foram deslocadas.


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