sábado, 17 de janeiro de 2026

👉🏾O general Mamadi Doumbouya, que liderou o golpe militar de 2021, tomou hoje posse como Presidente da Guiné-Conacri, terminando as suas funções de chefe do Governo de transição após mais de quatro anos.

A cerimónia de posse, que durou várias horas, decorreu num estádio na capital Conacri perante 50 mil pessoas.

Doumbouya, que venceu as eleições a 28 de dezembro com 86,72% dos votos, fez o juramento de posse sobre a nova Constituição, aprovada por referendo durante o período de transição, em setembro de 2025.

"Juro perante Deus e perante o povo da Guiné respeitar e assegurar o rigoroso respeito pela Constituição, pelas leis e pelas decisões dos tribunais", declarou, com a mão direita erguida. 

(LUSA)

Trump vai taxar oito países que se opõem ao controlo da Gronelândia... O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse hoje que irá cobrar uma taxa de importação de 10%, a partir de fevereiro, sobre mercadorias de oito países europeus, devido à oposição ao controlo dos Estados Unidos sobre a Gronelândia.

Por LUSA 

Trump disse numa publicação nas redes sociais que a Dinamarca, a Noruega, a Suécia, a França, a Alemanha, o Reino Unido, os Países Baixos e a Finlândia enfrentarão a tarifa, que seria elevada para 25% a 01 de junho, se não for assinado um acordo para a "compra completa e total da Gronelândia" pelos Estados Unidos.

Entretanto, centenas de pessoas na capital da Gronelândia enfrentaram hoje temperaturas próximas de zero, chuva e ruas geladas para marchar em apoio da sua autogovernação, face às ameaças de uma tomada de poder pelos Estados Unidos.

Os groenlandeses agitavam as suas bandeiras nacionais vermelhas e brancas e ouviam canções tradicionais enquanto caminhavam pelo pequeno centro de Nuuk.

Alguns transportavam cartazes com mensagens como "Nós moldámos o nosso futuro", "A Gronelândia não está à venda" e "A Gronelândia já é grande". Foram acompanhados por milhares de outras pessoas em manifestações por todo o reino dinamarquês.

Trump insiste há meses que os Estados Unidos devem controlar a Gronelândia, um território semiautónomo da Dinamarca, membro da NATO, e disse no início desta semana que qualquer coisa menos do que a ilha ártica estar em mãos americanas seria inaceitável.


Leia Também: Gronelândia. Ministra dinamarquesa junta-se aos protestos: "Ameaça real"

Milhares de pessoas juntaram-se hoje no centro de Copenhaga para uma marcha de protesto que terminou em frente à embaixada dos Estados Unidos para exigirem que os norte-americanos recuem nas ameaças de compra ou tomada pela força da Gronelândia.


Delcy Rodríguez afasta aliado de Maduro. "Novas responsabilidades"... A Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou a demissão do ministro da Indústria, Alex Saab, um aliado próximo do Presidente Nicolás Maduro, capturado pelos Estados Unidos em 03 de janeiro.

Por  LUSA 17/01/2026

Numa mensagem publicada na sexta-feira na plataforma Telegram, Rodríguez explicou a mudança com planos para uma fusão entre o Ministério das Indústrias e Produção Nacional e o Ministério do Comércio Nacional.

A "nova entidade" será chefiada por Luis Antonio Villegas, que desempenhava as funções de ministro do Comércio Nacional desde que tinha sido nomeado por Maduro, em fevereiro de 2024.

"Agradeço ao meu colega Alex Saab pelos serviços prestados à nação; ele vai agora assumir novas responsabilidades", disse Delcy Rodríguez sobre o dirigente, um venezuelano nascido na Colômbia.

Preso em 2020, em Cabo Verde, Saab foi mais tarde extraditado para os Estados Unidos, onde foi acusado de criar um esquema para desviar ajuda alimentar em benefício de Maduro e do Governo de Caracas.

O empresário, nascido em Barranquilla, na Colômbia, e de ascendência libanesa, foi trocado em dezembro de 2023 por dez norte-americanos presos na Venezuela, através de um indulto assinado pelo então presidente dos EUA Joe Biden.

Em março de 2024, os tribunais norte-americanos rejeitaram as acusações contra Saab.

Em dezembro de 2024, Saab foi nomeado ministro da Indústria. Antes da nomeação, desempenhava as funções de presidente do Centro Internacional de Investimento Produtivo da Venezuela.

Também na sexta-feira, Rodríguez nomeou três novos ministros para as tutelas da Comunicação e Informação, dos Transportes e do Eco-socialismo.

O vice-almirante Aníbal Coronado é o novo ministro dos Transportes, enquanto Freddy Ñáñez irá "promover políticas públicas para a proteção da Mãe Terra (Pachamama) e de todas as questões ambientais", disse a chefe de Estado.

O filósofo e escritor Miguel Pérez Pirela é o novo ministro para a Comunicação e Informação. "A sua formação académica, experiência e convicção continuarão a fortalecer a luta pela comunicação em defesa da verdade na Venezuela", argumentou Rodríguez.

Desde que assumiu a presidência interina, após a captura do presidente Nicolás Maduro durante o ataque militar norte-americano na Venezuela, em 03 de janeiro, Rodríguez iniciou um processo 'exploratório' para retomar as relações com os Estados Unidos.

O Governo interino, que Trump alega estar sob proteção de Washington, concordou em enviar milhões de barris de crude para os EUA para venda e abriu a indústria petrolífera ao investimento estrangeiro com o apoio do executivo republicano.

Em 03 de janeiro, as forças militares norte-americanas atacaram Caracas e três regiões próximas da capital, capturando Maduro e Flores, que foram levados para Nova Iorque, onde serão julgados por acusações relacionadas com narcoterrorismo.

A então vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez, assumiu a presidência interina dois dias após o ataque, por ordem do Supremo Tribunal de Justiça.

Ativistas convocam protestos nos EUA contra Trump no aniversário da tomada de posse... Sob o lema "Free America Walkout" ("América Livre nas Ruas", numa tradução livre para português), as ações estão marcadas para a tarde de terça-feira (dia 20) em dezenas de cidades dos Estados Unidos.

  SIC Notícias/ Com Lusa 17/01/2026

Vários grupos de ativistas convocaram para 20 de janeiro uma jornada nacional de protestos contra Donald Trump, de forma a assinalar o primeiro aniversário da tomada de posse do Presidente norte-americano com marchas de repúdio por todo o país.

Sob o lema "Free America Walkout" ("América Livre nas Ruas", numa tradução livre para português), as ações estão marcadas para a tarde de terça-feira (dia 20) em dezenas de cidades dos Estados Unidos, incluindo Los Angeles, São Francisco, Nova Iorque, Seattle, Dallas, Las Vegas, Portland, Tucson, Salt Lake City, Houston, Minneapolis, Oklahoma e Detroit.

Os organizadores pedem às pessoas que saiam do trabalho, das escolas e dos serviços e comércio para marchar nas ruas a partir das 14:00 locais, "porque uma América livre começa no momento em que deixamos de cooperar".

As rusgas do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) são um dos principais motivos dos protestos, depois de pelo menos nove pessoas terem sido abatidas a tiro por agentes desta agência federal. A morte mais recente foi a da cidadã norte-americana Renee Good, a 07 de janeiro em Minneapolis, que motivou manifestações em várias cidades.

"A 20 de janeiro, vamos juntar-nos em todo o país para protestar contra o fascismo", declarou Emiliana Guereca, presidente da organização Women's March Foundation, num comunicado sobre a iniciativa.

"As nossas crianças estão a olhar para nós. O mundo está a olhar para nós. A História está a olhar para nós", afirmou, acrescentando: "O que fizermos agora vai decidir se vão herdar medo ou liberdade".

A Women's March, organização criada para protestar a primeira eleição de Donald Trump, em 2016, é a principal organizadora das marchas.

Entre os parceiros que vão coordenar as ações no terreno está também o movimento 50501, cujo nome representa "50 Protests, 50 States, One Movement" ("50 protestos, 50 estados, um Movimento").

Este grupo tem sido um dos mais ativos a mobilizar manifestantes contra Donald Trump desde que o Presidente republicano regressou à Casa Branca e tomou posse para um segundo mandato, há um ano.

"2025 foi um ano de marchas que provaram a nossa força coletiva", salientaram os organizadores no 'website' dedicado à jornada de protesto.

"O regime MAGA [Make America Great Again] já sinalizou que um segundo mandato significa uma onda mais profunda e mais aberta de misoginia, racismo, xenofobia e violência que o primeiro", destacaram ainda os promotores.

"Este momento exige um empenho redobrado do nosso movimento", frisaram.

As marchas pretendem ser pacíficas e apropriadas para famílias, segundo as descrições em vários eventos, como o de Burbank no condado de Los Angeles.

O site da ação da Women's March contabiliza 451 eventos de protesto marcados para os próximos dias.

Yoga do riso: rir sem motivo faz mesmo bem à saúde?... Num tempo marcado pelo stress e ansiedade, há quem se junte apenas para rir. Não são necessárias piadas engraçadas, um humor afinado, nem motivos. É isso que propõe o yoga do riso. Para assinalar o Dia Internacional do Riso, que se celebra este domingo, fomos acompanhar uma sessão do Clube do Riso de Oeiras.

Por sicnoticias.pt

Entram devagar. À porta chegam com um sorriso tímido, enquanto os mais experientes já ocupam a sala. Dizem o nome da inscrição, tiram os sapatos e ficam de meias. Ouve-se alguém a perguntar se vão fazer posições de yoga difíceis, mas a resposta tranquiliza os mais apreensivos. Aqui não há posturas complicadas, apenas gargalhadas que, curiosamente, já se ouviam antes mesmo da ordem do professor.

É assim que começa mais uma sessão do Clube do Riso de Oeiras, onde rir não depende do humor, nem de piadas. Ri-se porque sim, como exercício, em grupo e, sobretudo, ri-se sem medo de parecer ridículo, mesmo que custe no início.

Um riso forçado que passa a genuíno

Antes de começar a sessão, há regras simples, explicadas pelo professor Márcio Fidalgo, fundador do Clube do Riso de Oeiras. Chama a atenção para problemas de saúde que possam existir, como hérnias, dores no peito ou cirurgias recentes e avisa: quem não conseguir correr pode andar e quem apresentar alguma limitação pode optar por rir de forma mais moderada.

Na sala estão 13 participantes e o professor. Um jovem estrangeiro, um grupo de amigos, uma família, mais alguns praticantes habituais e outros estreantes absolutos. Há também uma grávida de quatro meses, a quem Márcio deu indicações e pediu cautela. Nos primeiros três meses de gestação, não é aconselhada a prática yoga do riso, por causa do esforço abdominal. Agora, pode participar, de forma controlada, sem fazer muitos esforços. Às amigas revela que o bebé é uma menina. "O mundo precisa de mulheres", ouve-se na sala. Fica o sorriso cúmplice de todos: foram os primeiros a saber.

A música começa a tocar e as caras mudam à medida que o corpo aquece. O aquecimento faz-se com palmas e o clássico "ho ho ha ha". O corpo entra no ritmo da música, mexem-se os pés, ancas, tronco, braços, cabeça e, em poucos segundos, todos estão a dançar.

Ao longo da sessão, há ainda exercícios que envolvem o toque, começando pelos dedos, passando para "high fives" e, por fim, abraços. Aos participantes é dito, várias vezes, que nada é imposto, ninguém é obrigado a tocar nos colegas e o objetivo é que se respeitem os limites de cada participante.

Depois do aquecimento físico dá-se espaço ao mental. Andar, parar, saltar, bater palmas. O desafio é ouvir a palavra e fazer o contrário. Ou seja, quando Márcio diz 'andar', os participantes devem 'parar', quando diz 'bater palmas' a indicação é que 'saltem'. Uma verdadeira provocação para o cérebro, que fica 100% compenetrado naquele jogo. Se no início o riso era forçado, agora é, inevitavelmente, verdadeiro.

"Pode começar forçado, fingido", explica Marta, de 48 anos, que pratica yoga do riso desde a pandemia. Vem de Torres Vedras até Oeiras para participar nas sessões. A camisola que usa, estampada com a frase "Clube do Riso do Oeste", dá a entender que, na arte de rir, já é veterana.

"O riso é mais contagioso do que uma gripe. Um puxa o outro. Entramos naquela onda e é muito bom. Dá uma paz, uma tranquilidade. É um bálsamo para a alma", acrescenta com um sorriso.

Tainá veio pela primeira vez. Já tinha ouvido falar do yoga do riso, mas foi o convite de um amigo que a levou a experimentar. "Sentia que precisava de trazer mais leveza à minha vida", confessa.

A primeira impressão é de estranheza, admite Tainá, explicando que as pessoas não estão habituadas a rir-se assim, sem motivo. "É um pouco constrangedor", afirma.

"Depois percebi que era uma dinâmica, que era para soltar, sair dessa seriedade, desse controlo", continua.

O corpo não tardou a responder. No final da sessão, a sensação era de "um formigueiro, muita energia e leveza".

O que é o yoga do riso?

O yoga do riso foi desenvolvido por Madan Kataria, um médico indiano, e combina exercícios de riso com técnicas simples de respiração do yoga. Embora a evidência científica distinga os conceitos de "riso simulado" e "riso espontâneo", aqui defende-se que o corpo não os diferencia e que reage da mesma forma a ambos.

"Quando estamos a rir, estamos a criar neurotransmissores como a dopamina, as endorfinas e a serotonina", explica Márcio. "Essas substâncias entram na corrente sanguínea e criam sensações de bem-estar. Ajudam também a atenuar a dor".

No caso do Márcio, a história começou a ser escrita na primeira pessoa. "Passei por um período de depressão, ataques de pânico e ansiedade generalizada. Era muito tímido. O Yoga do Riso trouxe tanta competência à minha vida que senti vontade de divulgar e partilhar esta prática com outras pessoas", continua.

O Clube do Riso de Oeiras foi criado em 2017 e oferece sessões regulares e gratuitas, em Queijas. Também leva o riso a escolas, lares, empresas, associações e hospitais. É um projeto comunitário, sem fins lucrativos, onde o riso é visto como uma ferramenta de saúde.

No princípio o riso, no final o yoga

Nos minutos finais, há um momento de relaxamento, com uma meditação guiada por Márcio, seguida de um período de silêncio, não total, porque toca, baixinho, a música "Ciclos", de Madayati e Mayah. Os participantes são chamados a virarem-se para a direita e a colocar a mão no braço de quem está à frente. As três amigas abraçam-se, num gesto que comove.

Finalizada a introspeção, é hora de voltar a mexer o corpo, numa espécie de dança da despedida entre aqueles que ali se cruzaram pela primeira vez. Agora ao som de "Sunny Sunny", de Neha Kakkar, uma canção mais mexida. O riso já não precisa de ser chamado. Está lá.

"Saio de coração cheio, mais otimista. Mesmo com problemas, conseguimos olha-los de outra forma. É uma higiene mental", resume Marta.

Antes de fazer o caminho de regresso a casa, Marta deixa um convite de quem já sabe ao que vem.

"Permitam-se, experimentem. Não perdem nada. O riso e o choro são ferramentas incríveis com que todos vimos equipados de fábrica. E quase desaprendemos a rir. É uma pena porque o riso é maravilhoso", apela.

Segundo o médico e investigador espanhol, Mora-Ripoll, conhecido por estudar abordagens inovadoras para a saúde mental, o riso tem diversos efeitos no corpo: diminui os níveis de cortisol e aumenta as betaendorfinas; aumenta a frequência cardíaca, a frequência respiratória e o consumo de oxigénio (pode ajudar a reduzir o risco de doenças cardiovasculares); diminui a pressão arterial; relaxa os músculos; aumenta os limites da dor e desconforto; e gasta calorias.

Rir pode não resolver tudo, mas, durante uma hora, no Clube do Riso, o mundo parece ter ficado mais leve.