Por LUSA Membro do conselho executivo fundador do Conselho de Paz hoje inaugurado, o genro de Donald Trump sustentou que a paz é possível, após mais de dois anos de guerra de Israel para "erradicar" o Hamas da Faixa de Gaza, e agradeceu ao sogro os seus esforços para alcançá-la.
O evento decorreu no âmbito do Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, onde Kushner afirmou que se está a trabalhar "com o novo Governo" em Gaza na desmilitarização do Hamas e insistiu que, se tal não acontecer, "o Hamas acabará com as aspirações de paz" da população.
O genro e conselheiro de Trump apresentou na cerimónia uma série de diapositivos que mostram o plano que o Governo dos Estados Unidos propõe para a Faixa de Gaza, que começa pela cidade de Rafah, no sul -- fase 1A --, e avança para norte, sem especificar prazos.
A última fase do plano, a quarta, diz respeito à cidade de Gaza.
Como se se tratasse de um projeto de planeamento urbanístico, um dos diapositivos mostra o território de Gaza com cores que representam os locais onde se pretende construir empreendimentos turísticos, complexos industriais (incluindo centros de dados), recintos desportivos, parques e zonas residenciais e delimitar terrenos agrícolas.
Outro diapositivo mostra "a nova Gaza", com arranha-céus junto à costa, uma rede de transportes e infraestruturas industriais tecnológicas e energéticas.
Jared Kushner apresentou também números sobre crescimento económico, aumento do rendimento familiar e criação de emprego ao longo de um período de dez anos, mas sem fornecer qualquer documentação para os fundamentar ou explicação pormenorizada.
Assegurou que a ajuda está a chegar à população de Gaza em quantidades suficientes, embora a ONU tenha indicado, desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em outubro, que a assistência vital continua a ser claramente insuficiente.
Não obstante, Kushner insistiu que está a ser feito no enclave palestiniano "o maior esforço humanitário numa zona de guerra".
Indicou igualmente que o funcionamento diário de Gaza será dirigido por uma comissão sem conotações políticas, composta por tecnocratas.
No mesmo evento, Donald Trump destacou a localização da Faixa de Gaza à beira-mar e o potencial para a sua reconstrução graças a essa situação geográfica, que classificou como única.
"No fundo, sou um agente imobiliário, e o mais importante é a localização - por isso, disse: 'Vejam esta localização à beira-mar. Vejam esta bela propriedade, o que poderá significar para tantas pessoas', afirmou Trump ao encerrar a cerimónia de inauguração do Conselho de Paz que criou, com o apoio de uma vintena de países.
A propósito, o seu genro referiu que, no Médio Oriente, não é invulgar assistir à construção de cidades para dois milhões de pessoas (a população aproximada de Gaza) num período de "dois ou três anos".
Destacou ainda as oportunidades de investimento que haverá para o setor privado durante a fase de reconstrução da Faixa de Gaza.
Depois de mencionar como membros do Conselho de Paz o Egito, a Turquia, a Arábia Saudita e Israel, entre outros, Kushner apelou aos países que participam nesta entidade para que deixem de lado as suas divergências "durante 30 dias", para trabalharem juntos em prol dos povos de Israel e da Palestina.
O acordo de cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza constituiu a primeira fase do plano de paz proposto pelo Presidente norte-americano, após negociações indiretas mediadas pelo Egito, Qatar, Estados Unidos e Turquia.
Esta fase da trégua envolveu a retirada parcial do Exército israelita para a denominada "linha amarela" demarcada pelos Estados Unidos, linha divisória entre Israel e a Faixa de Gaza, a libertação de 20 reféns vivos em posse do Hamas e de 1.968 prisioneiros palestinianos.
O cessar-fogo visa pôr fim a dois anos de guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque de 07 de outubro de 2023 do Hamas a Israel, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.
No entanto, desde 10 de outubro de 2025, mais de 466 palestinianos foram mortos por fogo israelita na Faixa de Gaza, segundo as autoridades locais, e a segunda fase do plano, agora em curso, continua a ser marcada por mortes quase diárias de palestinianos em ataques israelitas.
A retaliação de Israel ao ataque de 2023 do Hamas fez, até agora, em Gaza, mais de 71.550 mortos - entre os quais mais de 20.000 crianças - e mais de 172.000 feridos, na maioria civis, segundo números atualizados (com as vítimas das violações do cessar-fogo por Israel) pelas autoridades locais, que a ONU considera fidedignos.
O movimento islamista radical Hamas classificou hoje como injusta a decisão dos Estados Unidos da América (EUA) de sancionar associações palestinianas, consideradas por Washington próximas do grupo autor do ato terrorista de 07 de outubro de 2023 em Israel.