sábado, 26 de setembro de 2026

UCRÂNIA/RÚSSIA: Russos terão de pagar do seu bolso o que restar da guerra. Porquê?... Logo após o partido do Kremlin ter vencido por maioria as recentes eleições legislativas, o Governo russo propôs um aumento impopular dos impostos, do qual só ficarão isentos aqueles que combatem na Ucrânia.

© Mikhail METZEL / POOL / AFP via Getty Images  Por  LUSA  26/09/2026 

Os russos aperceberam-se do que significa o mandato eleitoral: terão de pagar do próprio bolso o que restar da guerra. E a campanha militar avança para o quinto aniversário, mas o dinheiro nos cofres russos está a esgotar-se.

Segundo fontes independentes, a máquina de guerra russa gasta cerca de 30 milhões de dólares por dia (2 mil milhões de rublos) e alguém tem de arcar com a conta.

Se os empresários já pagam para proteger as suas próprias fábricas, os contribuintes também terão de preparar os bolsos.

O Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que não cometeria o mesmo erro da URSS relativamente a uma nova corrida ao armamento com o Ocidente, mas na sexta-feira declarou que os ataques ucranianos durante as últimas eleições afastam a possibilidade de retomar as negociações, que se encontram num impasse desde fevereiro, com a mediação dos EUA.

Não é a primeira vez, mas o Kremlin não cumpriu a sua promessa. O porta-voz presidencial, Dmitri Peskov, negou, antes das eleições, que se estivesse a considerar um aumento de impostos. Assim que o ministro das Finanças propôs o aumento (o próprio ministro, Antón Siluánov, também o tinha negado em maio), Peskov remeteu a pergunta para o executivo.

A desculpa é a apresentação do projeto de orçamento para o próximo triénio, precisamente quando o défice público disparou (a previsão é de 2,2 % do PIB) e as regiões não dispõem de dinheiro para financiar os programas sociais.

"A prioridade estratégica do orçamento é garantir financeiramente as necessidades de defesa e segurança do país, bem como o apoio social aos participantes na operação militar especial e às suas famílias", referiu-se no comunicado.

Ou seja, acrescenta-se, os recursos arrecadados servirão para "o fornecimento às Forças Armadas do armamento e do equipamento necessários, bem como para a modernização das empresas da indústria de armamento".

O Estado russo já gasta cerca de 40% do orçamento em defesa e segurança, embora, na altura, o Presidente tenha afirmado que, com o passar dos anos, as despesas militares iriam diminuir.

O Ministério das Finanças propõe incluir "os rendimentos passivos na base geral do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares", que passaria assim de 13-15 % para 22% e afetaria cerca de 6% dos russos, ou seja, cerca de 4 milhões de pessoas.

Trata-se de "rendimentos provenientes de dividendos e outras participações no capital, juros de depósitos, operações com títulos e direitos digitais, venda de imóveis e participações sociais, bem como rendimentos decorrentes de seguros e contratos de doação", explica.

No caso dos dividendos pagos a cidadãos estrangeiros não residentes, nas chamadas contas "C" criadas após o início da guerra, o imposto ascenderia a 35%.

O economista Dmitri Polevói estima que as receitas para os cofres do Estado russo, decorrentes da introdução deste novo imposto, se situem entre 500.000 e 700.000 milhões de rublos por ano (entre 6.000 e 8.000 milhões de dólares).

As grandes empresas também não escapam à crise. Anteriormente, foram os pequenos e médios empresários que tiveram de fechar as portas por esse motivo.

Agora, o Ministério das Finanças propõe aumentar os encargos sobre os lucros dos grandes produtores de ouro (20%), fertilizantes e metais não ferrosos (30 %). Quando o Governo aumentou em 10% os impostos sobre as empresas de hidrocarbonetos e carvão, arrecadou cerca de 320.000 milhões de rublos (quase 4.000 milhões de dólares).

O Governo propõe também aumentar em 22% os impostos sobre as compras 'online' no estrangeiro e sobre as remessas provenientes de países terceiros. Além disso, os russos terão de pagar adicionalmente 100 rublos (pouco mais de um dólar) por cada artigo adquirido no estrangeiro com um valor superior a 200 euros.

Prevê-se ainda a cobrança de uma taxa aos passageiros do transporte aéreo, que terão de pagar até 2.000 rublos (cerca de 24 dólares) por bilhete, e o aumento da carga fiscal sobre os trabalhadores independentes, especialmente os estafetas e motoristas que trabalham por conta própria, de 4-6% para 13%.

Além disso, os impostos sobre a importação de automóveis poderão aumentar entre 10% e 20%, uma medida que já anteriormente tinha feito disparar os preços dos veículos. E também aumentarão as taxas sobre a venda de bebidas alcoólicas, desde a cerveja à vodka, um negócio muito lucrativo na Rússia.

A isto acrescem as despesas municipais, que aumentarão 42,5% entre 2025 e 2029, de acordo com as previsões oficiais. Para tal, a partir de 01 de outubro, os russos pagarão quase mais 10% e, a partir de 1 de julho do próximo ano, mais 11%.


Trump rejeita proposta do Irão para reabrir Ormuz em sete dias... O Presidente dos EUA rejeitou uma proposta do Irão para reabrir o estreito de Ormuz dentro de sete dias e Donald Trump poderá retomar os ataques após as eleições intercalares, avançou o Wall Street Journal.

© Lusa    26/09/2026 

Citando responsáveis norte-americanos não identificados, o jornal noticiou que Donald Trump rejeitou a proposta na sexta-feira, por desconfiar da capacidade de Teerão para corresponder às suas exigências.

Na sexta-feira à noite, o bilionário republicano voltou a publicar na plataforma que detém, a Truth Social, um mapa do estreito de Ormuz com a inscrição "Estreito Trump".

Horas antes, o chefe da diplomacia do Irão disse que apresentou uma proposta aos EUA para reabrir o estreito de Ormuz dentro de sete dias, acrescentando que a decisão cabe agora a Washington.

"O prazo de sete dias começará assim que os Estados Unidos aceitarem este plano", detalhou Abbas Araghchi, em declarações a partir da sede da ONU, em Nova Iorque.

A reabertura deste estreito estratégico está no centro do conflito entre Teerão e Washington.

Araghchi já tinha divulgado que o Irão comunicou na terça-feira ao emissário norte-americano Steve Witkoff sete condições para pôr fim à guerra e reabrir o estreito de Ormuz.

O Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou, também na sexta-feira, que Teerão deseja regressar ao memorando de entendimento assinado em junho com os Estados Unidos e saudou a "convergência de pontos de vista" entre Teerão e Pequim sobre a guerra no Médio Oriente.

Numa mensagem publicada na rede social X, Masoud Pezeshkian elogiou "o apoio ponderado e responsável do Presidente [chinês] Xi Jinping a um regresso ao Memorando de Islamabade [o memorando de entendimento] e à resolução de litígios através do diálogo e da diplomacia".

"O Irão partilha esta abordagem e sublinha a importância de regressar a este acordo, honrar os compromissos já assumidos e criar as condições necessárias para a abertura de negociações sérias, concretas e orientadas para os resultados", acrescentou.

As mensagens foram publicadas enquanto Xi Jinping realizava uma visita de Estado aos EUA. Trump revelou aos jornalistas ter conversado sobre o Irão, aliado de Pequim, com o homólogo chinês.

Trump e Pezeshkian assinaram em junho um memorando de entendimento que visava pôr fim à guerra, reabrir o estreito de Ormuz e, posteriormente, realizar negociações sobre a questão sensível do programa nuclear iraniano.

No entanto, o texto foi alvo de interpretações divergentes por parte de ambas as partes, alimentando o retomar das hostilidades em Ormuz.

O Irão exige que os navios que pretendam atravessar o estreito obtenham autorização do país, alegando razões de segurança e soberania.

Os navios que não cumprem este requisito são frequentemente alvo de ataques, enquanto os Estados Unidos bombardeiam esporadicamente a costa iraniana.


Leia Também: Catorze senadores apelam a Trump para retirar convite a Putin para G20

Um grupo bipartidário de 14 senadores norte-americanos instou o Presidente Donald Trump a retirar o convite a Vladimir Putin para a cimeira do G20 em Miami em dezembro, noticiou o The Washington Post.

Numa carta, os senadores afirmaram que Putin é o único responsável pela guerra em grande escala da Rússia contra a Ucrânia e que terá poucos incentivos para concordar com um cessar-fogo, se não estiver isolado da comunidade internacional.

"Permitir que ele participe numa cimeira do G20 nos Estados Unidos levanta sérias preocupações sobre a legitimação e a normalização de um governo que continua a atacar diariamente alvos civis ucranianos", afirmaram os senadores na carta...

Um político não visita uma comunidade pobre para resolver os seus problemas. Ele visita-a para explorar o seu desespero. Chega durante a época eleitoral com sorrisos calorosos, promessas vazias e sacos de arroz comprados com dinheiro roubado do futuro daquela população.

Entrega algumas notas de banco nas mãos de uma mãe em dificuldades e promete uma vida melhor. Assim que ele conquista o poder, os pobres festejam, acreditando que finalmente foram lembrados. 

Mas, no momento em que a eleição termina e a sua posição está assegurada, os sorrisos desaparecem. O político passa a deslocar-se com capangas e escoltas, deixando de cumprir as promessas que fez. 

Em vez disso, usa o poder do Estado para recuperar o que gastou para comprar apoios durante as eleições. Niccolò Machiavelli escreveu há séculos sobre as frias realidades do poder. 

Um governante que compra lealdade com trocos pode passar a ver o seu povo como ferramentas, e não como cidadãos. Usa a pobreza deles para obter apoio hoje, enquanto mantém as condições que os obrigam a depender de tais promessas amanhã.

Por Faladepapagaio /  InspireMinds  26/09/2026 


GUINÉ-BISSAU: RESPONSÁVEIS DO MUSEU MILITAR DA LUTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL, INCITAM À PRESERVAÇÃO DA MEMORIA DA LUTA ARMADA.

Por  FARP Guiné-Bissau   25.09.2026 

Sob tema: A Luta de Libertação da Guiné-Bissau 1956 a 1973, os responsáveis do Museu Militar expuseram aos participantes assuntos ligados às datas marcantes do mês de setembro. A palestra foi organizada pela Direção do Hospital Militar Principal no dia 23 do mês em curso, e teve lugar no Salão multiuso “General Biaguê Clusse Na N´Tan” desta instituição de saúde militar. 

Coronel Napoleão dos Reis, Conselheiro do CEMGFA e Tenente-Coronel Benício Tchosso Na Quidama, Director do Museu e orador principal, destacaram datas deste mês que segundo eles consubstanciam o génese da Luta Armada e a Liberdade do povo guineense. Segundo os oradores, 12 de setembro, data natalício do pai da nacionalidade guineense e o 24, data da independência, são traços no tempo que serviram para a determinação dum futuro livre para os povos da Guiné e Cabo-verde.

No intuito de apetrechar os participantes de conhecimentos históricos das façanhas dos Combatentes da Liberdade da Pátria durante os 11 anos de sacrifício, do suor e sangue pela causa da Independência Nacional, trouxeram temáticos ligados a importância da preservação da história e riquezas culturais que dela advém. 

Para os Coronéis a atual geração deve conhecer os caminhos traçados pelos Combatentes com base numa união solida e perseverante, lembrar que a liberdade atual que se vive foi conquistada com sangue, que jovens na época decidiram abdicar de privilégios da juventude para que no futuro os filhos, esposas e idosos pudessem viver sem opressão fascista colonialista. 

Exortam a mantiver e proteger a emancipação e a soberania do povo liberto dos colonialistas desde 24 de setembro de 1973, data da declaração unilateral da Independência da Guiné e cabo-Verde em Boé e que viria a ser reconhecida pelo regime colonial só em 10 de mesmo mês em 1974.   

Rússia? "Estas eleições, a meu ver, não refletiram vontade dos cidadãos"... O popular político comunista russo Nikolai Bondarenko defendeu hoje, num vídeo, que as eleições legislativas da semana passada, conquistadas pelo partido no poder, o Rússia Unida (RU), "não refletiram a vontade dos cidadãos".

© Emil Leegunov/Anadolu via Getty Images    Por  LUSA  25/09/2026 

"Estas eleições, a meu ver, não refletiram a vontade dos cidadãos nem vão ao encontro dos seus anseios", destacou o político da oposição num vídeo divulgado pelo Partido Comunista da Rússia.

Segundo Bondarenko, cujo canal de YouTube conta com cerca de dois milhões de seguidores, todas as irregularidades detetadas pelos observadores do partido serão levadas ao conhecimento das autoridades.

"Vamos continuar a luta", prometeu Bondarenko, acrescentando que a exigência de uma mudança de rumo não desaparecerá após as eleições.

Os meios de comunicação social russos noticiaram hoje a realização do primeiro protesto contra os resultados das eleições.

A manifestação decorreu na cidade de Syktyvkar e contou com a presença de cerca de uma centena de cidadãos convocados pelo Partido Comunista.

Os comunistas russos denunciaram na quinta-feira que nas eleições legislativas da região de Krasnodar (no sul do país), onde o partido do Kremlin obteve a maioria, bem como no restante território nacional, foram-lhes "roubados quase meio milhão de votos".

O Presidente russo, Vladimir Putin, elogiou na quarta-feira a participação da população nas eleições legislativas da semana passada, ganhas sem surpresa pelo seu partido e voltou a denunciar alegadas tentativas de ingerência externa.

O RU, que apoia o regime de Putin, revalidou a maioria parlamentar com um número recorde de pelo menos 355 dos 450 deputados, anunciaram na segunda-feira as autoridades eleitorais russas.

O anterior recorde era de 343 deputados e tinha sido alcançado pelo RU em 2016, de acordo com a agência francesa AFP.

Numa primeira reação, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, já considerara que os resultados "demonstram um nível excecional de coesão da sociedade russa em torno" de Putin.

Os resultados de mais de 95% das assembleias de voto atribuíram ao RU cerca de 58% dos votos para os 225 lugares distribuídos por listas partidárias, de acordo com a Comissão Eleitoral Central, com larga diferença para as restantes forças políticas autorizadas a participar nas eleições.

A seguir ao partido de Putin, o mais votado foi o Partido Comunista da Federação Russa, com 13,84% dos votos, seguindo-se o Partido Democrático Liberal (8,9%) e o «Povo Novo» (7,94%), enquanto o partido liberal Yabloko, o único que se atreveu a criticar publicamente a guerra, foi retirado do boletim em agosto, pelo Supremo Tribunal da Rússia.

A votação decorreu entre sexta-feira e domingo, naquelas que foram as primeiras legislativas russas desde que Putin ordenou a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Foi a primeira votação a incluir residentes de quatro regiões da Ucrânia que foram ocupadas e ilegalmente anexadas por Moscovo no final de 2022, decorrendo também votação na Crimeia, ilegalmente anexada pela Rússia em 2014.