quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Comissão eleitoral israelita exclui todos os partidos árabes das eleições... A Comissão Eleitoral Central (CEC) israelita excluiu todos os partidos árabes das eleições parlamentares previstas para outubro, uma medida que afetou também deputados da oposição, mas esta decisão será agora avaliada pelo Supremo Tribunal do país.

© Getty Images  Por LUSA  24/09/2026 

Os partidos afetados são a Lista Árabe Unida (Raam), liderada pelo deputado Mansur Abbas; a Lista Conjunta, liderada por Yusef Yabarin; e os partidos Balad/Tajammu', Hadash e Taal.

A estes partidos juntam-se Ofer Cassif, deputado da oposição do Partido Comunista israelita — impedido de concorrer por negar a existência de Israel como um "Estado judaico e democrático" — e Sami Abu Shehadeh.

O Centro para os Direitos da Minoria Árabe em Israel (Adalah) anunciou, num comunicado, que apresentou recursos ao Supremo Tribunal e afirmou que assumirá a representação legal dos partidos e deputados afetados perante o tribunal, que deverá analisar os casos na próxima semana.

"Estas decisões demonstram mais uma vez que se trata de um processo arbitrário, provocador e racista, desprovido do devido processo legal. A CEC conduziu um processo político ilegítimo destinado a perseguir ideias que a maioria não aceita, culminando na inabilitação de toda a representação palestiniana no Knesset israelita", declarou o grupo de advogados, referindo-se ao Parlamento de Israel.

A CEC aprovou todas as moções de inabilitação, com exceção de uma moção apresentada separadamente apenas contra o Balad/Tajammu', que rejeitou por motivos processuais.

No entanto, a comissão decidiu rejeitar, com 21 votos a favor e três contra, a exclusão do partido Sionismo Religioso, do ultradireitista Bezalel Smotrich, ministro das Finanças de Israel.

O pedido para que fosse vetado da corrida eleitoral — juntamente com o seu parceiro de chapa, o partido Zehut — foi apresentado pelo Instituto Zulat para a Igualdade e Direitos Humanos, que procurava excluí-lo devido ao incitamento ao racismo.

Algumas destas medidas eram esperadas pelos partidos, dada a natureza do comité, composto por representantes dos próprios partidos do Knesset. Agora, caberá ao Supremo Tribunal tomar a decisão final, embora seja pouco provável que a medida seja ratificada, tendo em conta o critério geralmente rigoroso do tribunal quando toma decisões deste tipo.


Leia Também: Mahmoud Abbas pede que segunda fase do plano de paz avance em Gaza

O presidente da Autoridade Palestiniana pediu hoje que a segunda fase do plano de paz para Gaza seja aplicada rapidamente e denunciou o "esquema colonial malicioso" israelita que continua a expulsar palestinianos das suas terras.

"A violência de colonos está a escalar com proteção das forças ocupantes [Israel], com base em leis alicerçadas em discriminação racial, limpeza étnica e terrorismo de Estado", disse Mahmoud Abbas num discurso filmado e transmitido no debate geral da 81.ª Assembleia-Geral da ONU, da qual foi impedido de participar presencialmente pelo segundo ano consecutivo.

"Avisamos-vos: não permitam que ocorra outra Nakba", adiantou o presidente da Autoridade Palestiniana referindo-se à Nakba, "catástrofe" em árabe, período durante o qual cerca de 760.000 árabes da Palestina fugiram ou foram expulsos das suas casas aquando da criação do Estado de Israel, em 1948...

Sem comentários:

Enviar um comentário