sexta-feira, 4 de setembro de 2026

O tabu que condiciona a vida sexual de 65% das mulheres (e não só!)... Para assinalar o Dia Mundial da Saúde Sexual, o Estudo Taboo reforça os principais temas que continuam a preocupar as mulheres. Porém, sem taxa de sucesso para o tratamento, dado que 65% delas se recusa a procurar ajuda especializada.

© Shutterstock   noticiasaominuto.com  04/09/2026 

O tratamento de problemas de saúde sexual feminina continuam a ser colocados de parte - em causa estão alguns tabus, receios e desconforto por parte das mulheres.

Para assinalar o Dia Mundial da Saúde Sexual, dia 4 de setembro, o Estudo Taboo reforça isso mesmo: Ainda há mulheres que abdicam de tratamentos sexuais por sentirem vergonha do tema.

A investigação que chegou a mulheres de seis países europeus, incluindo a duas mil portuguesas, revela que mais de seis em cada dez mulheres do nosso país experienciam queixas relacionadas com a sua vida sexual. Porém, a maioria afirma nunca ter consultado um médico para as resolver.

Os temas são variados, mas há um conjunto de problemas de cariz sexual que abrange 65% das mulheres e, apesar de existirem tratamentos, as inquiridas continuam a afastar essa possibilidade.

Quais são os temas considerados tabu?

De secura vaginal,  à redução ou ausência de libido, ausência de orgasmo e ainda passando pelas relações sexuais dolorosas - estas mulheres admitem nunca ter consultado um profissional de saúde para falar sobre problemas de libido e orgasmo, "o que indica que estes temas são considerados especialmente tabu", descrevem num comunicado de imprensa.

Neste sentido, Carla Rodrigues, coordenadora do Núcleo de Medicina Sexual da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, reforça que “sintomas como a secura vaginal, a dor durante as relações, a diminuição do desejo sexual ou a dificuldade em atingir o orgasmo não devem ser encarados como ‘normais’ ou inevitáveis”. 

Um dos motivos para não continuar a esconder os assuntos relacionados com a saúde sexual

Embora ignorem, erradamente, as circunstâncias relacionadas com a saúde sexual, estes especialistas reforçam que já existem opções de tratamento com elevadas taxas de sucesso: 

“Atualmente, dispomos de várias opções terapêuticas, desde medidas de educação e aconselhamento sexual, lubrificantes e hidratantes vaginais, tratamentos hormonais ou não hormonais, fisioterapia do pavimento pélvico e medidas de intervenção em terapia sexual, sempre adaptados às necessidades de cada mulher. Na maioria dos casos, há formas eficazes de melhorar os sintomas e de recuperar uma vida sexual satisfatória”, acrescenta a especialista.

Outros problemas identificados no estudo

  • As finanças da mulher continuam a ditar e a condicionar as circunstâncias para engravidar: "o momento ideal para ter filhos é, para um quinto das mulheres, depois dos 36 anos, o que poderá colidir com a fase em que se inicia a redução da fertilidade feminina";
  • Em contrapartida, a pressão para ter filhos é outro fenómeno também descrito por estas mulheres;
  • As mulheres identificam problemas de cariz sexual, por exemplo, problemas vaginais e incontinência urinária, como algo "embaraçoso".

Como contornar estes problemas?

Para encarar os assuntos sexuais como algo natural, os especialistas reforçam que ainda é necessário quebrar alguns tabus e, para tal, acompanhar esse processo com uma gradual consciencialização dos temas.

Fátima Faustino, presidente da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, reforça ainda importância da consulta e do acompanhamento em todas as fases da vida da mulher. Salienta que é fundamental “Aproximar as gerações mais jovens dos cuidados ginecológicos ...e usar a consulta presencial para abordar diretamente alguma informação digital e desconstruir mitos que aí circulam”.


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